Segunda-feira, 8 de Setembro de 2008

Regresso às aulas...

Se pudéssemos medir o pulsar da blogoesfera, certamente esta semana esse electrocardiograma ia agitar-se muito num conjunto vasto de blogues... quais? Bom, os que se dedicam à educação e ao ensino. Estamos na semana do regresso às aulas e já se agitam as bandeiras – porque na verdade, professores e especialistas que abrem blogues para debater educação, em geral, são contra. Contra a ministra, contra a politica. Repare-se, por exemplo, que um dos blogues mais activos tem o o significativo nome de “A Sinistra Ministra” – nome infeliz para um blog onde a linguagem desce a um nível nem sempre pedagógico...

Por essa blogoesfera fora, critica é a palavra-chave, mas nem sempre nesse tom de rua: “O “annus horribilis” está prestes a iniciar-se”, escreve Karadas no blog Cantinho da Educação: “Se o anterior ano lectivo já foi tenebroso para os professores, este promete ser ainda pior: aumento do trabalho burocrático com a consequente desvalorização do acto de ensinar; novo processo de avaliação de desempenho que irá criar um clima de terror em muitas escolas (...). A acrescer a tudo isto (...), dois terços dos professores estarão impossibilitados de aceder ao topo da carreira, ficando fortemente penalizados em termos salariais. Saber que no final da carreira auferirão um salário de 280 contos (...) é algo de “profundamente motivador” para se exercer tão exigente profissão. Se conhecerem alguma profissão tão desconsiderada e desprezada como esta avisem que eu de facto não consigo descortinar nenhuma”.

Todos os anos se repetem queixas, lamentos, desmoralização. Este ano ficaram 40 mil professores por colocar, a classe protestou, José Sócrates respondeu que “O tempo das facilidades acabou”, o que levou Paulo Guinote, do blog Educação do Meu Umbigo, a perguntar: “Mas Quantos Professores Tiraram O Curso Na Independente?”. E depois mais a sério: “Uma coisa é procurar justificar uma racionalização dos meios humanos, mesmo que com argumentos estritamente economicistas, outra ser desnecessariamente acintoso”. É claro que o secretário-geral da FENPROF, Mário Nogueira, aproveitou a maré para, como conta o blog Jumento, “desvalorizar as medidas positivas no sector face ao desemprego, (...) a defesa corporativa leva-o a considerar que o primeiro objectivo das escolas é empregar professores. Mas, escreve no blog, dizer que há precariedade no sector é um abuso, há muito que há professores no desemprego e tal acusação nunca foi feita. A não ser que Mário Nogueira considere que o Estado e os contribuintes devem pagar a professores para os quais não há alunos”.

Fecho este primeiro olhar sobre o regresso ás aulas com humor. No blog Eduquês, sobre 30 anos de diferenças na escola portuguesa:

“Situação: O Carlos e o Quim trocam uns socos no fim das aulas:
Ano 1978: Os companheiros animam a luta, o Carlos ganha. Dão as mãos e acabam por ir juntos jogar matrecos.
Ano 2008: A escola é encerrada. A SIC proclama o mês anti-violência escolar, O Jornal de Notícias faz uma capa inteira dedicada ao tema, e a TVI insiste em colocar Moura-Guedes à porta da escola a apresentar o telejornal, mesmo debaixo de chuva”.

Vamos ver se assim será, a coisa ainda agora começou...

publicado por PRD às 18:36
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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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