Quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009

O tratado

Entre o feriado e a realidade, venha o diabo e escolha: Rui Crull Tabosa recorda-nos, no 31 da Armada, que “O Eurostat veio indicar que o desemprego em Portugal já ultrapassou os 10% em Outubro (...). A 20 de Agosto passado, (...) o Governo garantia formalmente que o défice não ultrapassaria os 5.9%. Apenas três meses depois, quando as eleições já passaram, o mesmo Governo já não tem problema em reconhecer que o défice será de 8,4%, senão mesmo mais. Um erro de 2,5% do PIB em três meses!”

Comenta ele: “Já votou? Agora pague a conta!”

Estes números aparecem no mesmo dia em que se assinala a entrada em vigor do Tratado de Lisboa e houve festa a preceito. Nuno Dias da Silva nota mesmo a coincidência de ser “No dia que celebra a Restauração” que “o desemprego já atingiu os 2 dígitos”. Nota também que “alguns jornais lançam inquietantes pistas sobre o futuro do país. O «I» diz que o PS já se prepara para eleições antecipadas. Por seu turno, no «DN», Mário Soares alerta para a possibilidade de Sócrates se «fartar», o mesmo é dizer abandonar o cargo, de ser o «bombo da festa» nos diversos processos judiciais que o têm salpicado”.

O Tratado de Lisboa, no entanto, marca claramente o dia: Tomás Vasques acha que “nasceu enjeitado (...) porque nenhum dos Estados-membros se sujeitou a referendá-lo. Mas referendos a Constituições e Tratados (...) não fazem prova de vida das democracias. Registo, no entanto, sobre o Tratado de Lisboa, a defesa do PS e do PSD, em artigos de opinião no Público. Vital Moreira, disse: «É seguramente um dos tratados mais decisivos desde o instrumento fundador da então Comunidade Económica Europeia, o Tratado de Roma de 1957» e de Paulo Rangel, disse: «O Tratado de Lisboa (...) dá o salto: o salto do "poder burocrático" para o "poder político", da "eurocracia" para a "politicocracia".» Espero, escreve Tomás, que não seja só fogo de artifício”. No seu blog, Pedro Santana Lopes acha que é uma data a assinalar. “Mais uma vez, cabe felicitar Durão Barroso, José Sócrates, Luís Amado e a Diplomacia Portuguesa, (com um destaque particular para o tão discreto quanto eficiente Nuno Brito)”.

Num blog em estreia, o Golpe de Estado, leio primeiro Tiago Loureiro: “Quando, para rostos deste novo rumo europeu, se escolhem um senhor belga de cabelo desalinhado e uma baronesa inglesa que ninguém conhece, constato que por cá apenas seguimos os procedimentos normais”. E outro nome do mesmo blog, Rodrigo Lobo d’Ávila: “Ver a pompa e circunstância com que (...) o Tratado de Lisboa foi celebrado, dá-me vontade de rir. Riu-me ao pensar que passou á socapa dos cidadão europeus. Riu-me porque foi chumbado quase todas as vezes que foi referendado. (...) Riu-me dos que dizem que isto é o nascimento da Europa como grande potencia. Riu-me porque não houve nenhum governo, ou regime, ou nação ao longo da história, construída apesar dos seus cidadãos, que tenha durado muito tempo. Realmente Napoleão tinha razão: “Uma vez derrotada podes optar entre cobrir-te de serapilheira e cinzas ou folhos”. Os lideres europeus escolheram os folhos”. Com muito fogo de artificio, digo eu.

 

publicado por PRD às 01:22
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Terça-feira, 1 de Dezembro de 2009

Copenhaga

Aproveitemos o feriado e a calma deste dia para olhar um tema que vai fazer a agenda dos próximos dias: o aquecimento da atmosfera, a cimeira de Copenhaga, a diminuição das emissões de dióxido de carbono.

Fala-se do tema com a propriedade que ganham aqueles temas em que tudo parece explicado. Mas às vezes há vozes discordantes que merece a pena ouvir. Foi o que me aconteceu quando tropecei no blog Mitos climáticos, de Rui Moura, e num post deste fim de semana.

Escreve ele: “Os meios de comunicação social anglo-saxões e a blogosfera continuam cheios de informações, análises e debates acerca do Climagate. Mas em Portugal, ao contrário, os media escondem tanto quanto podem esta tragédia da ciência. A tentativa de silenciamento deste escândalo de enormes proporções, que se abateu tanto no campo científico como no campo político, não honra os media portugueses”.

Rui conta o que é climagate: alguns hackers informáticos tornaram públicos quase sete mil ficheiros com cerca de mil emails de investigadores ligados à Meteorologia mundial, e aos centros de investigação dos índices das temperaturas médias globais da superfície do planeta. “O material revelado, conta Rui,” cobre algo mais do que uma dúzia de anos (de 1996 a 2009) (...) Os hackers tiveram o cuidado de explicitar o objectivo da sua acção ao escreverem no cabeçalho do arquivo a seguinte nota explicativa:
«Pensamos que, actualmente, a ciência do clima é demasiado importante para que se mantenha secreta. Por isso, tornamos público correspondência, códigos e documentos escolhidos aleatoriamente. Esperamos que isto abra os olhos para se ver em que ponto está esta ciência e como ela é utilizada por estes responsáveis.»

Ou seja, aparentemente o que se diz sobre o aquecimento global pode não corresponder à verdade, e pode ser apenas parte de um escândalo de dimensões incalculáveis que beneficia todos os que trabalham nestas áreas e a quem interessa especular sobre um aquecimento ficticio. Rui Moura escreve ainda: “Tenhamos esperança de que, a partir de agora, o escândalo coíba futuros comportamentos anti-éticos e atentados à idoneidade científica. (...) As consequências deste processo para as tomadas de decisão política (...) assim o exigem. A fraude do Climagate corrobora plenamente tudo o que diziam os cépticos do aquecimento global. Tal trapaça deveria fazer reflectir políticos como os do governo português e da União Europeia. Sem entenderem nada do assunto, estes políticos deram endosso total e acrítico às teses do global warming. Eles gastaram rios de dinheiro com a patranha do aquecimento global, além de deformarem gravemente a política energética dos países da UE pois a mesma foi posta a reboque dos impostores climáticos.”

Na verdade, está por confirmar o escândalo – mas que existe, existe. Que em Portugal pouco ou nada se fala dele, é outro facto. Que acabe por ser num blog que se consiga perceber o que aconteceu, diz muito sobre os caminhos que a informação vai levando entre nós. Fica a reflexão, daqui a nada começa o espectáculo de Copenhaga e de todas as aparências...

publicado por PRD às 01:21
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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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