Quarta-feira, 16 de Dezembro de 2009

Regionalização

As jornadas parlamentares do Partido Socialista em Beja, hoje encerradas por José Sócrates, abriram nova frente de debate: a regionalização. O debate interno depressa saltou cá para fora – e quem lhe saltou logo em cima foi João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos: “É mais uma imbecilidade que, volta não volta, regressa”. E depois de cita o blog Do Médio Oriente e Afins: «Invocam os partidários da regionalização, por ignorância ou má-fé, que países de superfície igual ou inferior à de Portugal estão regionalizados. E citam a Bélgica e a Suíça. Ora a Bélgica tem de facto duas regiões distintas: a Flandres, onde se fala flamengo e a população é protestante e a Valónia, onde se fala francês e a população é católica. A Suíça (...) é constituída por um mosaico de cantões, de religiões várias e línguas distintas: fala-se o francês, o italiano, o alemão e o romanche, para além das línguas da imigração, praticam-se as religiões católica, protestante, ortodoxa e muçulmana.». E remata João: “Nós falamos uma língua única, a de pau, da qual faz parte a regionalização enquanto necessidade de agradar aos "tony carreiras" da política nacional. Já chega de "autarcas".

Em sentido diverso vai Manuel Oliveira no Golpe de Estado: “Sou pró-regionalização desde que me conheço a conhecer este país. A criação de sete regiões (...) parece-me uma solução óbvia aos demais evidentes traços económicos, sociais e culturais únicos a cada um dos cantos. Porque sei, sinto e percebe-se a vontade de liberdade a esta asfixia de um poder de decisão centralizado dos serviços, das instituições, das empresas e até das mais elementares oportunidades. Chamem-lhe bairrismo. Eu prefiro chamar-lhe desenvolvimento estratégico claro, com base num poder de decisão próximo da realidade, consciente das oportunidades e limitações do melhor que cada região tem para dar ao todo, Portugal”.

E no mesmo blog, uma posição a meio caminho, de Tiago Loureiro: “Como a batata, a regionalização também pode dar em muita coisa diferente. Pode ser positiva, negativa, irrelevante, catastrófica... Por isso, começar a arregimentar forças por um "sim" e um "não" a uma coisa que ainda não está definida – algo que só deve, desejavelmente, acontecer depois de um amplo debate – parece-me precipitado”.

Rui Crull Tabosa, no 31 da Armada, acha que o debate, neste momento, não faz sentido:

“A realidade do País em 2009 é de que há mais de 560 mil desempregados, 20% de Portugueses pobres, um défice público superior a 8% do PIB, uma dívida externa que cresce mais de 30 milhões de euros/dia, uma crise económica e social generalizada”, e por aí fora, o rol que já conhecemos.

Pode ser verdade, mas o tema voltou à ordem do dia e parece que desta vez vai em frente. Veremos se Portugal fica partido em regiões ou unido pelo centro de Lisboa...

 
 

publicado por PRD às 01:57
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Terça-feira, 15 de Dezembro de 2009

Notícias do Mundo bom

Não é só o espírito da época, é um sinal de lucidez: de vez em quando, aqui na Janela, procuro as noticias de um mundo bom – os posts onde se elogia, onde se mostram coisas boas, bem feitas, onde se contraria este cinzento frio e invernal que o clima mostra, mas que anda bem por dentro de nós.

Começo por ler Duarte Calvão, um jornalista que procura sempre o melhor da vida, e que escreveu ontem um belo post sobre o Autocarro 92. Diz ele, exactamente procurando o mundo bom, que “Às vezes, é nos lugares mais inesperados que encontramos motivos para gostar de Portugal. Nos últimos meses, voltei a ser utilizador de autocarros e fiquei surpreendido com o salto de qualidade que deram (...), comparando com as minhas últimas experiências, que já datavam de há um bom par de anos. Um dos que me transporta é o pequeno 92, que vai do Terreiro do Paço ao Príncipe Real”. Duarte Calvão conta como, no percurso, sentiu proximidade entre as pessoas, simpatia e profissionalismo do motorista, um ambiente que convoca uma Lisboa ainda humana, ainda chegada. Quando saiu do autocarro, Duarte sente “pena de não compartilhar daquela intimidade alegre, mas contente por  ter visto um lado bom dos portugueses, que tanta vez fica ocultado pelos nossos sempre citados defeitos”. Procurem o Corta-fitas e leiam na integram o post, que vale bem a pena.

Na mesma linha reencontro a Blonde no blog Blode with a PHD. Fala-nos de fado: “Está a fazer um ano que descobri o Fado (...). E, naquelas coincidências cósmicas inexplicáveis, quem me convidou para ouvir fado o ano passado, convidou-me, again, para ouvir fado. Que diferença, meu Deus. Que diferença de estado de espírito e o que ela traz de novidade e alegria. (...) Estou alegre como não estava o ano passado. (...) Interessante como este ano ouvi fado sem pensar na tristeza que o fado canta. Abstraí-me da dor lusa, do negro das roupas e fixei-me nas vozes (que vozes...), concentrei-me na teatralidade da Simone que, não tendo já o viço na voz, tem o encanto de quem nos conquista com a expressão da maturidade que lhe admiramos. Não me doeu na alma e penso se é só com dor que entranhamos o fado. Talvez não, senão não teria gostado”.

A Blonde tem sangue de outras raças a correr-lhe nas veias, por isso estas descobertas ganham sempre estatuto – e o fado, bem vistas as coisas, está outra vez em alta.

Boa noticia também, soubemos ontem, Ayrton Senna foi considerado o melhor piloto de sempre da Fórmula 1, segundo uma votação da revista inglesa Autosport. André Abrantes Amaral, como já antes José Manuel Fernandes no Facebook, sente-se consolado: “A verdade vem sempre ao de cima. Para quem tenha dúvidas, a mítica primeira volta em Donington é suficiente para que estas se dissipem. Corria o ano de 1993”. O vídeo está no You Tube e vale a pena ver.

Fecho com mais um comentário do dia a uma noticia boa ainda do fim-de-semana:

Manuel Clemente, bispo do Porto, é o prémio Pessoa 2009. E Rui Costa Pinto, no blog Mais Actual, lembrou que “É uma distinção oportuna que indicia que entre os mais altos dignitários da Igreja portuguesa existe um discurso ao nível dos tempos”.

E assim abri hoje a Janela a noticias só do mundo bom...

publicado por PRD às 01:53
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Segunda-feira, 14 de Dezembro de 2009

Sangue e Silvio Berlusconi

A imagem é dramática, mas tratando-se de quem se trata, parece quase fazer parte de toda uma agitada vida publica: a imagem é a do chefe do Governo italiano, Silvio Berlusconi, atingido a murro na cara, a sangrar, conduzido ao hospital de San Raffaelle, na cidade de Milão.

Umas horas mais tarde, a página entretanto criada no Facebook sob o nome “Agressor de Berlusconi” tinha 33.500 fãs. Miguel, do Insurgente, chamou-lhe o culto da barbárie e escreveu: “Às vezes questionamo-nos como foi possível, no passado, determinados monstros gozarem de tanta popularidade”.

No Arrastão, Daniel Oliveira analise os factos à luz das presumíveis consequências: “Para quem tenha dúvidas sobre a forma como será usado o lamentável episódio da agressão a Berlusconi, o seu ministro da defesa, Ignazio La Russa, deixou tudo muito claro: “Quando se consente que se odeie e se criminalize uma pessoa, passar das palavras aos actos é apenas um pequeno passo”. Gianni Alemanno, presidente da Câmara de Roma, seguiu a linha: “(...) Este episódio deveria ser um aviso para todos contra a demonização de que foi vítima Berlusconi. Porque quando o tom aquece, os criminosos podem passar das palavras aos actos”. Segundo a comunicação social o atacante terá um histórico de distúrbios mentais. Mas isso são pormenores. A mensagem a passar é esta: quem investiga crimes gravíssimos de um primeiro-ministro e quem a ele se opõe está a dar o primeiro passo para uma agressão. A partir daqui, a campanha estará montada. E talvez assim Berlusconi se safe de novo”.

Resta dizer, nesta caso, que este mesmo blog promove agora uma eleição do melhor e do pior da década onde o líder italiano está nomeado para pior personalidade internacional ao lado de nomes como Bernard Madoff, Hugo Chávez, Ossama Bin Laden, Saddam Hussain e Vladimir Putin...

Carlos Barbosa de Oliveira, nas Crónicas do Rochedo, tenta o equilíbrio instável: “eu sei que estas coisas são intoleráveis, mas o homem andava a pedi-las. (...) O mais preocupante vai ser a vitimização deste epidódio que, muito provavelmente, lhe irá permitir escapar mais uma vez à justiça. Razão suficiente para pensar se esta agressão não foi uma verdadeira prenda de Natal para o agredido”. Mais radical, Manel, no Ruas do Pensamento, não hesita em dizer: “Compreendo perfeitamente a atitude daquele nobre cidadão”, que segundo o blogger reagia às palavras do próprio Berlusconi: "Pintam-me como um monstro, eu não acho que seja - em primeiro lugar porque sou bonito, em segundo porque sou boa pessoa".

À direita, leio Carlos Abreu Amorim: “Depois do jornalista iraquiano que atirou um sapato a Bush, agora há um criminoso,Massimo Tartaglia, que agrediu Silvio Berlusconi (...). Em breve, os tais distúrbios mentais serão substituídos por ‘activismo’ e a agressão por ‘manifestação de desagrado político’. Quanto a Berlusconi, não deve apresentar queixa-crime já que ainda diz pior da Justiça italiana do que alguns ministros portugueses da nossa…”

O episódio, como se vê, ainda vai dar que falar – seja para baixar o tom critico a Berlusconi, seja para carregar na sua má imagem. Veremos como fica, no fim, a face visível do poder italiano.

publicado por PRD às 01:43
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Sexta-feira, 11 de Dezembro de 2009

Blog da Semana: Why Always Boris?

O meu destaque desta semana distingue-se por 3 razões. Primeiro, é recente, tem pouco mais de um mês. Depois, é praticamente desconhecido – num visita ao sitemeter, percebi que estava num patamar abaixo das 50 visitas por dia. Finalmente, por ser prometedor - e quando se é prometedor, meus amigos, o nosso papel é vender o produto na expectativa do seu crescimento. O blog chama-se “Why Always Boris? E promete ser sobre Televisão e Blackjack.

Dois vicios, eu diria…

Na verdade, a parte do jogo está mais, por enquanto, nos links que Miguel, autor do blog, nos deixa. Está em alwaysboris.blogspot.com.

Para mim, o que interessa é um olhar inteligente, irónico e com humor em doses generosas, sobre as séries que enchem as nossas televisões e dvd’s e que se tornaram um potencial de comércio e cultura absolutamente impar.

Miguel, em menos de dois meses de blog, já nos falou de Lost, Dallas, Cheers. Beverly Hills, West Wing, Mad Men, entre outras.

Aliás, para ele, e cito, “A melhor série de todos os tempos actualmente é o Mad Men, este problema está despachado”.

A forma como o autor do blog se explica e escreve é que me fascina. Reparem comigo: “Para resumir tudo não são necessárias mais do que poucas palavras: pessoas de uma agência de publicidade de Nova Iorque, a Sterling Cooper, em 1960, vão passando os dias. Não estamos perante os momentos mais decisivos da vida de ninguém, não há um acontecimento que provoque o arranque da série. Não pode haver spoilers porque sabemos praticamente tudo o que vai acontecer, temos sempre mais informação do que os personagens, como num Hitchcock. Estamos na América entre 1960 e 1963, para já, e sabemos que a campanha do Nixon, nas mãos da Sterling Cooper, não vai ganhar, sabemos que não vão cair bombas na Crise dos Mísseis, sabemos que mais tarde ou mais cedo vão morrer pessoas, como Marilyn Monroe e Kennedy. Para além disto tudo, episódio atrás de episódio, temos todos os clichés que esperamos ver. Fuma-se nos hospitais, no elevador, nas carruagens de metro, as mulheres grávidas bebem martinis, o lixo é deitado no chão, mesmo em Parques Nacionais, a secretária espera ser beliscada no rabo pelo chefe e não acha mal, as crianças não são bem pessoas e um estalo ocasional é muito natural para toda a gente. (...) Os movimentos são lentos e os silêncios longos, muito longos. Mesmo que muito se esteja a passar naqueles três anos (...), ainda que se revelem muitos passados, este ritmo faz acreditar que nada avança. Portanto, na melhor série de todos os tempos actualmente, nada parece avançar (...) e sabemos a maior parte do que vai acontecer. Talvez por tudo isto, fique uma sensação de que estamos a assistir à preparação de uma tragédia enorme no final. Esperamos sempre o pior quando alguém entra num carro ou revista uma gaveta, mas nunca vem. É como ver um bom jogo de futebol que acabou 0-0. Assim que perceber porque é que ninguém fica chateado com isso venho aqui explicar tudo.”.

Miguel vê televisão como nos faz falta que a imprensa veja televisão. E é por isso que o leio e acredito que tem nas mãos um blog que só pode crescer.

publicado por PRD às 01:36
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Quinta-feira, 10 de Dezembro de 2009

Palhaçadas

A primeira audição da Comissão Parlamentar de Saúde fica para a História por uma troca de ofensas entre a deputada Maria José Nogueira Pinto e o deputado socialista Ricardo Gonçalves. Desde ontem à tarde que não se fala de outra coisa porque Maria José, farta de ser interrompida e interpelada pelo deputado socialista, chamou-lhe... palhaço.

Usando um verso de José Afonso, José Freitas no Aventar diz que “O Circo saiu à rua num dia assim”: “Já tínhamos o “circo” da Fórmula 1, o “circo” em que se transforma, por vezes, o futebol nacional, o verdadeiro e real circo, aquele espectáculo de saltimbancos que corre o país de lés a lés. Agora temos o “circo” do Parlamento. E com  direito a palhaçadas e tudo… Que dois belos minutos. Que dois belos exemplos. Será que estamos a pagar a deputados ou a artistas saltimbancos?”

No Portugal dos Pequeninos, João Gonçalves anuncia que passa a ter companhia no blog, neste caso Tiago Moreira Ramalho, que se estreia justamente com este tema:

“É sempre um espectáculo confrangedor ter dois «representantes do povo» à batatada. Claro que aqui meti «representantes do povo» entre aspas porque ambos são apenas representantes de si próprios e porta-votos de um outro a quem prestam contas.

Um comportamento decente seria a apresentação da demissão tanto de um como de outro. Mas decência é coisa que já não se espera, principalmente vinda de certos personagens. E com as instituições transformadas em circos, chamar «palhaço» a quem quer que seja é, antes de tudo o resto, um exercício de informação pública rigorosa”. No defender o Quadrado, Sofia Loureiro dos Santos é mais lacónica: “Há inúmeros e graves problemas a discutir e a esclarecer, nomeadamente na área da saúde. Os cidadãos merecem mais respeito por parte dos seus representantes”.

No Câmara Corporativo, o presumível Miguel Abrantes – as tal figra que ninguém sabe se existe mas defende sempre o Governo, chama a Maria José Nogueira Pinto a “Tia taxista no estertor do Ferreirismo”, e Paulo Pinto Mascaranheas pede simplesmente: “Não insultem os palhaços!”. O mesmo acha Jorge Soares, no blog o Que é o Jantar, que vê nos palhaços figuras mais dignas do que “alguns senhores deputados”.

E lá está Paulo Ferreira, no blog A regra do jogo, explicando que “Palhaço é uma actividade artística desempenhada por um actor cuja intenção é divertir o público através de comportamento e maneirismos ridículos, que decorre em espaço próprio, normalmente um circo, e apreciado por um público que a ele se desloca propositadamente para o efeito. Existem até bons profissionais dessa arte e ofício que se deslocam a casa para festinhas de crianças. Tendo isto bem presente gostaria de saber se alguém me pode dar o número de telefone da deputada eleita pelo PSD por Lisboa? Com os companheiros de lista e bancada António Preto e Helena Lopes da Costa aposto que devem proporcionar horas de divertimento a miúdos e graúdos por um baixo custo”.

E assim vai o circo em Portugal...

publicado por PRD às 01:35
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Quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009

Azul e branco

O Porto terminou em grande a fase de grupos da Liga dos Campeões, ganhou ao Atlético de Madrid, de Quique Flores, por 3-0. Em tempo mais calmo de feriados e sem grandes noticias, os blogues mais ligados ao futebol brilharam no dia... “chave de ouro” é expressão recorrente no blog Reflexão Portista, onde Nelson Carvalho assina a crónica do jogo sublinhando, qual Paulo Bento, “a tranquilidade azul e branca” que contrastou com “o pouco discernimento colchonero, que se revela uma equipa desequilibrada, apenas bem munida de uma linha avançada de enorme classe”. No remate da crónica, “Uma vitória sem espinhas do FC Porto, que parece finalmente respirar confiança”. Limpo e florido é como Daniel Santos caracteriza a exibição portista no blog 2711: “Pela amostra que tivemos direito, o FC Porto está no bom caminho e Quique faz agora em Madrid o mesmo que fez em Lisboa”.

No Insurgente, André Azevedo Alves acha que o clube do norte foi “esmagador”, enquanto Unas, no blog Pecados da Nação, sublinha que “Esta não foi uma conquista extraordinária, antes a confirmação das capacidades de um clube com estofo de campeão e experiência na alta competição. Como em épocas anteriores, á hora marcada, a resposta dada. A excelência do golo de Bruno “air” Alves, transformou por completo a previsão do jogo e condicionou estratégias, instalando a equipa de Jesualdo Ferreira em lugar cómodo para disputar os duelos individuais e colectivos. Categórico”.

Em crescendo é como o blog Jogo da área vê a equipa liderada por Jesualdo Ferreira: “os dragões, actuando em 4-3-3 com Maicon e Valeri nos lugares que, em Guimarães, foram de Rolando e Belluschi, usaram a receita que proveitosos resultados deu na passada sexta-feira. E, assim, a entrada em jogo foi novamente fortíssima… e logo aos três minutos, Bruno Alves subia aos ares de forma soberba para cabecear para o fundo das malhas de Sérgio Asenjo. Se a equipa entrou confiante, melhor tónico não poderia ter!”. Ou seja, “há equipa para aspirar a altas ambições”, como escreve Vasco Rodrigues, no blog Deuses da Bola.

Curiosamente, esperava mais comentários ao facto da equipa perdedora ter como treinador o ex-benfiquista Quique Flores. Encontrei Emanuel Oliveira Santo no blog Viver Seixal, que desvaloriza a vitória do Porto dizendo que foi “Completamente sem espinhas, sem qualquer tipo de sofrimento, não encontrando qualquer resistência de valia. Um passeio”. E sobre o Atlético de Madrid: “Uma equipa que vive à base de quatro jogadores, com os restantes a serem uma nulidade incrível. Mais, uma equipa orientada por um treinador sem categoria, um treinador que nunca deveria ter vindo treinar o Benfica”.

Lá está: eu sabia que nem só do Porto se falaria neste jogo. Mas a verdade é só uma: a vitória, neste caso, veste-se de azul e branco.

 

publicado por PRD às 01:33
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Terça-feira, 8 de Dezembro de 2009

Culturas...

Aproveitemos o feriado para algo diferente. Para mais estamos em Dezembro, mês do consumo, e vale a pena notar uma outra faceta do mundo dos blogues de que nunca falei: os blogues como geradores de consumo, como aconselhadores de compras ou como recomendadores culturais.

Não é a primeira nem a segunda vez que compro um livro ou um disco por causa de um post de um blog, ou que vou ver um filme expressamente recomendado por alguém em cuja opinião confio.

Fiquei com vontade, para dar um exemplo, de ver A Nova Vida do Sr. O'Horten, o filme norueguês da temporada, depois de ler João Lopes no Sound anda Vision: “uma crónica social que se transfigura em discreta parábola sobre as atribulações do envelhecimento”, um filme “em norueguês universal”.

Ao ler o blogexisto de João Pinto e Castro, fiquei também com vontade de ler o tratado "A People's Tragedy: The Russian Revolution”, de Orlando Figes, onde fica “com a impressão de ter conhecido pessoalmente todas as pessoas que, de uma forma ou de outra, participaram na Revolução Russa” – não só os Lenines desta vida, “mas também as mulheres que durante dias, ao frio, faziam bicha para comprar pão” ou “os manifestantes de Fevereiro massacrados quando se propunham entregar uma petição ao czar. (...) De longe a melhor, mais completa e mais instrutiva coisa que jamais li sobre a revolução russa”.

Passeando pelo blog Da Literatura, de Eduardo Pitta, fico com vontade de comprar “Moderno tropical”, o livro que Ana Magalhães e Inês Gonçalves escreveram juntas: “recupera o acervo arquitectónico moderno, edificado em Angola e Moçambique entre 1948 e 1975”, de uma geração que tentou fazer a “utopia moderna em África” - “Absolutamente vintage”, remata Eduardo, deixando-me água na boca.

De passagem, ainda José do Carmo Francisco no Aspirina B recomendando «30 Anos de mau futebol» de João Pombeiro: “Num livro com frases de jogadores, árbitros, treinadores, dirigentes ou jornalistas é muito difícil escolher a mais disparatada”. Neste “mundo poliédrico”, como lhe chama, “Futebol pode ser delírio ou alucinação. Seja de Vale e Azevedo («Quando o Benfica vence as pessoas sentem-se mais realizadas, o trânsito flúi melhor e há mais produtividade»), (...) seja Miguel Sousa Tavares («O 25 de Abril só se concretizou quando o F.C. Porto foi campeão»)”.

Por fim, e para fechar, notar que os blogues também servem para deixar cartas bem adultas ao Pai Natal. Gingerbread Girl no blog Gatas em telhado de Zinco Quente, pergunta ao Pai Natal “como é que consegue ser tão popular, apesar de sofrer de obesidade mórbida. (...) Além de gordo que nem um cachalote, também nunca está fashion. Veste-se sempre de vermelho, mesmo quando não é a cor da estação”. E Ladidi no blog do Desassosego deixa a lista de presentes, da “trilogia d'A Guerra das Estrelas (os antigos) à série completa dos “Sopranos excepto a quinta e a 2ª parte da sexta”. “Vales catitas de lojas fixes de roupa” também são bem-vindos.

Era o que eu dizia: num blog vale tudo. No mês do Natal ainda vale mais.

 

publicado por PRD às 01:28
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Segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009

Ambiente e Copenhaga

Esta é a semana em que Copenhaga se torna capital mundial do ambiente e recebe a esperada cimeira que, teoricamente, contribuirá para adiar o fim do mundo por mais uns milénios.

Ninguém sabe, com rigor, o que pode acontecer ao ambiente. Há muitas ideias em discussão, e muitas formas de encarar o problema. Reparei, aliás, e já aqui o disse, que no mundo dos blogues se encontram muitos bloggers desconfiados sobre o aquecimento global, desconfiados sobre os negócios que rodeiam o ambiente. O blog O Insurgente, pela mão de Miguel, tem coligido muito do que se escreve sobre o que chamam Climagate ou climategate, e que de alguma forma põe em causa os dados do problema.

Foi lá que me redireccionei para o Gato de Cheshire, onde Luciano Amaral acha que “O século XXI já tem o seu escândalo científico: “piratas informáticos” interceptaram trocas de email de uma unidade de investigação inglesa dedicada ao estudo do clima, (...) e publicaram-nas. O resultado é uma vergonha: cientistas, indivíduos cuja actividade deveria ser o estabelecimento da verdade, aparecem a esconder e destruir dados que contrariam a sua hipótese ou a alterar dados e parâmetros de forma a confirmar a sua hipótese. A sua, não é uma hipótese qualquer: é a hipótese do aquecimento global do planeta (...). Ou seja (...) não sabemos se o “consenso científico” sobre o aquecimento global não passa afinal de uma fraude científica planetária”. E vai mais longe: “Em matéria de aquecimento global, confesso-me agnóstico. Sei que no passado o clima aqueceu e arrefeceu (...). Nada impede a ocorrência de um novo ciclo quente. Uma hipótese complementar seria a de que o actual (...) aquecimento se deveria à actividade económica humana. Mais uma vez, é possível, graças à industrialização. Mas tudo isto são hipóteses, não verdades. A histeria em torno do aquecimento global não é científica. Nem todas as hipóteses científicas se transformam em verdades e todas as verdades são potencialmente provisórias”.

Esta desconfiança manifestada por Luciano Amaral encontra-se um pouco por todo a blogoesfera – mas é obviamente contrariada por blogues como o Cimeira de Copenhaga, patrocinado pela associação Quercus, onde ontem Ana Rita Antunes contava o ambiente que se vivia na capital da Dinamarca: “reuniões preparatórias, acreditação na conferência, testes de equipamento, primeira impressões… As organizações não governamentais estiveram todo o dia reunidas (...) a definir os objectivos e a estratégia para esta Cimeira decisiva. (...) A grande questão hoje (...) é uma: vamos conseguir? Vão os países de todo o mundo acordar uma decisão que afaste a Humanidade e o planeta das consequências graves das alterações climáticas. Com os olhos do mundo inteiro em Copenhaga haverá coragem política para não o fazer? Ou… para o fazer?”

É assim que se vive o começo desta cimeira no mundo dos blogues: entre a militância convicta e a desconfiança prudente. Ou um olhar mais politico, como de Renato Teixeira no 5 Dias: “Não há capitalismo verde nem sobrará verde ao capitalismo. A escolha é entre os dois”.

Nos dias que se seguem, veremos como param as modas...

publicado por PRD às 01:27
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Sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009

Blog da Semana: Palavras Soltas

Hoje, em vez de um blog, trago uma ideia, espelhada num blog, e que o próprio blog vai seguir. Ou seja, em vez do blog da semana, trago-vos a ideia da semana. Começo por dizer que não sei onde fica a Igreja do Milharado, mas é lá que se encontra a árvore do Tempo, que Isabel Lopes Mota, autora do blog Palavras Soltas, decidiu divulgar e acompanhar.

Isabel é uma mulher profundamente católica que no seu perfil revela uma história de vida feliz. “O meu maior luxo, conta, é o tempo, que é sempre escasso para tantos e para tudo o que a vida me oferece. Trago para este blog palavras à solta entre dois mundos, um mais pessoal e outro relacionado com tudo o que aprendo e me acontece no mundo do voluntariado. Agradeço a todos os que me visitam e a todos os que me dão a conhecer mundos maravilhosos através deste fabuloso meio de comunicação”.

Dito isto, vamos ao que interessa, a Árvore do Tempo que está na Igreja do Milharado. Conta Isabel: “O projecto é do Padre Paulo Serra, Prior do Milharado, que é um homem cheio de ideias originais, simples e sempre muito cativantes... Esta é uma delas. Trata-se de uma árvore de Natal que, em vez de ser decorada com bolas, fitas e luzes, será enfeitada, gradual e semanalmente com folhas, flores e frutos feitos de papel. Será uma árvore de Natal muito diferente (...). Pois bem, em vez de pedir roupas e brinquedos, o que normalmente leva a darmos o que já não precisamos e, raramente, o que nos faz falta... este ano o Padre Paulo pediu-nos que ofereçamos algo que todos precisamos sempre muito... pediu-nos tempo! Sim, tempo! Tempo para dedicarmos ao outro... tempo para visitar um doente, para estar sentado com o filho, meia hora, a brincar ou a fazer um jogo... tempo para ir jantar fora com a mulher ou o marido (...) Que ofereçamos o nosso tempo a fazer um trabalho em tricot ou postais de Natal que possam ser vendidos e arranjar fundos para as Instituições de Solidariedade Social (...)... enfim, pediu-nos tempo. E, também nos pediu para pensarmos em como nos podemos dedicar um pouco mais ao outro”.

O desafio da árvore é exactamente esse: cada pessoa, adulto ou criança, “escreverá semanalmente, na folha de papel, o que fez essa semana e que tempo dedicou ao outro, sem assinaturas, sem vaidades. O grande desejo para este Natal é que consigamos "vestir" e decorar a nossa árvore com muito tempo”.

É realmente uma boa e original ideia, que vinda da Igreja não pede nada para a Igreja, devolve a cada pessoa o verdadeiro espírito do Natal. Isabel conta que em sua casa já há muitas folhas para preencher com tempo ocupado, tempo de qualidade, tempo bom. “Temos que acreditar na alegria, que tenho a certeza absoluta, todo o ser humano sente quando se dá”, diz ainda a Isabel, que pede para que passem a palavra e desafia: “convidem todos este Natal a dar um pouco do seu tempo. E não fiquem por aqui... há imensas árvores despidas, à espera de folhas feitas de tempo”.

Isabel Mota promete mostrar semanalmente como é vestida esta árvore que começa por ter apenas ramos. Podem ver e evolução em gato-pintado.blogspot.com/, morada do blog Palavras Soltas. Uma ideia de Natal que ganha estatuto de destaque da minha semana.

publicado por PRD às 01:26
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Quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009

Os minaretes suiços

É a polémica do momento: o referendo na Suíça que aprovou a proibição dos minaretes nas mesquitas dos muçulmanos. Na Suíça bastam 100 mil assinaturas para convocar um referendo e lá se juntaram dois partidos para a fazer. O resultado foi claro: 57,5 por cento dos suíços disseram "sim" à introdução da frase "a construção de minaretes é proibida" no artigo da Constituição que fala das relações entre o Estado e as religiões.

A blogoesfera agita-se, claro. Tiago Loureiro no blog Golpe de Estado diz que “A custo” tenta perceber “a razoabilidade do referendo suíço sobre os minaretes e, mais ainda, o seu resultado. Referendar um pormenor que não passa disso mesmo e, como consequência, proibir a construção de algo que outra função não tem que não seja meramente simbólica, parece brincar com o fogo com uma enorme vontade de se queimar. (...) Com recurso a um mínimo de bom senso, toda a gente percebe que os minaretes não representam qualquer espécie de ameaça. Proibi-los, mais não faz do que dar motivos para as virgens lá do oriente se sentirem ofendidas a troco de coisa nenhuma”. Tiago Moreira Ramalho no Corta Fitas acha que os minaretes são apenas uma ponta do iceberg: “o que foi referendado foram as senhoras de burka, foram os fundamentalistas do médio oriente, foi o 11 de Setembro e tudo isso que associamos ao islamismo”.

À direita, Rui Crull Tabosa no 31 da Armada escreve com ironia que “É evidente que os referendos são perigosos porque podem dar o resultado errado e não há margem para recuos. Entre nós, por exemplo, foi péssimo quando venceu o Não ao aborto, mas, pelo contrário, foi óptimo quando o Sim ganhou... (...) Em todo o caso, este disparate democrático dos suiços tem solução simples e a rapaziada cá da terra pode sugeri-lo às autoridades suiças: é só repetir o referendo tantas vezes quantas as necessárias para que o resultado dê certo... É um aborto de ideia mas resulta sempre”.

Claro que também encontro análises sensatas, ponderadas, inteligentes: “A liberdade depende da escala”, escreveu João Miranda: “A liberdade de construir minaretes em todas as terrinhas da Suiça é uma microliberdade. A liberdade de construir minaretes na Europa, mas não necessariamente em todos os países europeus, é uma macroliberdade.

As microliberdades são incompatíveis com as macroliberdades. (...) É natural que os suiços estejam divididos. Uns gostariam de viver num país mais multicultural, outros gostariam de continuar a viver na Suiça tal como a conheceram no passado. Dentro da Suiça, o conflito é entre mais microliberdade e menos microliberdade”.

Resta lembrar, como bem faz Daniel Oliveira, que este referendo resulta do facto de haver uma mesquita em construção para a qual se previa o tal minarete. Diz Daniel: “A decisão não resulta de um problema real – há apenas quatro minaretes num total de 180 mesquitas em todo o país -, mas de uma xenofobia profunda”.

Xenofobia ou não, um referendo é um instrumento da democracia, lá está, tem os seus custos - mesmo que fique neste episódio o “aviso para os perigos de referendos que dão à maioria o poder de limitar os direitos de uma minoria”.

publicado por PRD às 01:24
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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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