Segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

Paradoxo

O vício do jornalista de imprensa leva-me muitas vezes a pensar que esta crónica diária precisa de um título – porque nos jornais, o título é essencial para chamar o leitor. Aqui não é preciso titulo – mas se fosse, hoje era fácil. Um título curto e incisivo: o poder do paradoxo.

Vivemos na verdade o tempo de todos os paradoxos, de todas as contradições. Diariamente os vou espelhando no retrato da actualidade que faço a partir do que se escreve na blogoesfera. Mas esta manhã, estava a preparar a crónica, e dei comigo a seleccionar quatro posts diferentes que em comum têm essa palavra-chave: o paradoxo. O paradoxo em que vivemos.

Comecei por José Medeiros Ferreira, no Bicho carpinteiro, que há semanas não visitava. Anotou ele: “li com muita atenção o texto no Diário de Notícias. O que mais me impressionou foi a diferente perspectiva do que pode ser o segredo de justiça entre dois intérpretes máximos do dito e do não-dito como são o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça e o Procurador-Geral da República. E ainda sobram as entrelinhas do comunicado”.

Isto é totalmente verdade – e digam-me lá se não é pelo menos esquizofrénico que um PGR e um Presidente do Supremo não tenham o mesmo entendimento sobre matéria tão sensível e relevante como o Segredo de Justiça.

Ainda na mesma área, mas para um paradoxo diferente, encontro-o nas palavras de Miguel Morgado: “O Estado de Direito existe para que a inocência não seja sacrificada. Mas este é apenas um aspecto do Estado de Direito. Um outro que lhe está intimamente associado é este: o Estado de Direito não tolera a impunidade. (...) É um espectáculo miserável ver a Espada sem Justiça; é um espectáculo degradante ver a Justiça sem Espada”.

Mudando radicalmente de tema, mas alimentando esta ideia do paradoxo, agora no domínio do efeito sobre o comum dos mortais da tragédia e da glória, Nuno Dias da Silva: “As tragédias continuam a vender mais do que os contos de fadas. Os funerais de massas ultrapassaram em interesse os casamentos da mesma natureza. Talvez fruto dos sinais dos tempos. As exéquias fúnebres do ex-guarda redes do Benfica, Robert Enke, foram notícia em todo o mundo e transmitidas em directo na manhã de domingo por 5 estações de televisão alemãs. Foi o maior funeral ocorrido em território germânico desde o do antigo Chanceler Konrad Adenauer, em 1967”.

É impressionante observar estes movimentos de massas que glorificam quem desaparece, e tantas vezes ignoram quem está vivo – e neste paradoxo, uma vez mais, vivemos sem saber muitas vezes que ordem dar ao mundo e à vida.

Mas não vos quero maçar com mais filosofia, por isso aterro na realidade bem portuguesa e leio os comentários ao jogo de Portugal com a Bósnia que ganhámos de aflitos e sem jeito nenhum. Rodrigo Moita de Deus: “os brasileiros foram os melhores jogadores da equipa portuguesa”.

Lá está: o paradoxo, hoje foi sempre a mesma palavra.

 

publicado por PRD às 01:00
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Sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

Bloga da Semana: É tudo Gente Morta

Depois da euforia dos blogues colectivos, o fenómeno praticamente morreu – excepto em vésperas de eleições ou referendos. Aí volta o frenesim – mas logo passa, e o mundo dos blogues anda tranquilo, cordato, entre os blogues do costume. Como não há mesmo coincidências, soube esta semana, num velório, isso mesmo, num velório, soube do nascimento, a 1 de Outubro passado, do blog “É tudo gente Morta”.

É o que eles dizem, claro: herdeiro dos melhores momentos do blog Geração de 60, este novo espaço junta de novo Manuel Fonseca e Pedro Norton a uma galeria de notáveis. De Eugénia de Vasconcelos a Teresa Coinceição, de Dulce Garcia a Pedro Marta Santos, de Vasco Grilo a José Navarro de Andrade, uma dúzia de autores que se cruzam pelas televisões, pelos jornais, pelo cinema – e pelos amores às artes e às culturas.

O nome do blog é estranho. É. Chama-se “É tudo gente morta” e no seu estatuto editorial diz-se:

“Desenterremos os mortos se queremos cuidar dos vivos. "É Tudo Gente Morta" é um blogue. A vaga ideia que inspira o título é a celebração das pessoas a quem muito devemos, mais nos deslumbraram e, peganhentos, amamos ou amámos (...). Com raras e conspícuas excepções é tudo gente que já morreu. O "É Tudo Gente Morta" quer-se hedonista: preferimos ser hagiográficos a críticos. Pode (...) falar-se de tudo: aquilo de que não se pode falar não tem, Mr. Wittgenstein, de ficar em silêncio. Pode fotografar-se. Ou desenhar-se. Tudo com destemperada elegância e liberdade de espírito. Cabem no blogue derivas (...) que vão de gostos musicais até dramas futebolísticos, passando por religião, sexo, pintura, literatura, antropologia, política, economia, matemática, ciência, filosofia, trivialidades. Dissemos sexo? Dissemos! Mas queríamos dizer amor”.

Com um elegante design e a mais pura simplicidade, inclui uma secção justamente chamada Cemitério dos nossos mortos onde oficialmente se prestam homenagens a quem comove e convoca aquele grupo de bloggers. Já lá se encontram João Benard da Costa, Raul Solnado, António Sérgio, mas outro há mais tempo idos, como Eugene O’Neill ou Ian Curtis.

No “É tudo gente morta”, que se encontra em www.etudogentemorta.com, e que é o meu justíssimo destaque da semana, às vezes os queridos mortos regressam à vida. Encontrei lá, pela mão de Manuel Fonseca, este encontro com Raul Solnado:

“Raul  voltou para jantar. Senta-se connosco à mesa, não prescinde do lugar dele, sempre o mesmo, costas voltadas para a porta  — “a corrente de ar, agora, não me faz grande diferença”, diz — bebe o mesmo tinto que bebia, zanga-se, sorri e recusa-se a desfazer velhos equívocos. Já ouviu das boas e, imperturbável, fez questão em salientar “falem à vontade, só mudei numa coisa: acho agora que um homem só tem uma cara, a cara com que morreu. Façam o favor de morrer se querem mesmo ser felizes”.

publicado por PRD às 00:58
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Quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

Sobre a corrupção

O Caso Face Oculta e as evoluções que tem registado originaram boas análises no mundo dos blogues – análises que vão além das noticias mais óbvias, como as notas que João Miranda tomou no Blasfémias. Destaco estas ideias fortes:

“- Quando a corrupção é endémica atinge o topo das instituições do Estado, as medidas contra a corrupção tornam-se facilmente uma arma dos corruptos.

- Quando a corrupção atinge o topo das instituições do Estado, a questão é política e de regime.

- Quando um eventual processo contra o primeiro-ministro é bloqueado por uma “technicality”, o primeiro-ministro não fica mais credível. O problema legal pode estar sanado, mas o problema político e de credibilidade só se agrava”

João Távora, no Corta-Fitas, fala da “nossa proverbial Fuga ao Segredo de Justiça” para dizer que a maioria dos casos, como este das sucatas, “redunda (…) numa vulgar deprimente novela, enfadonha e com final previsível (…). O mordomo é que levará com as culpas”. O que Távora queria, claro, era uma fuga ao segredo de justiça das conversas entre Armando Vara e José Sócrates e pergunta: “Não haverá uma alma generosa que liberte todo um país suspenso nas imaginativas congeminações de cada cidadão?”. Disponibiliza o seu blog…

Luciano Amaral no Gato de Cheshire lembra que as “questões judiciais”, “em teoria só são claras quando há condenados. Acresce que a Justiça já perdeu qualquer inocência. Na verdade, já ninguém anda a falar de justiça, e nem sequer anda a falar de política. Anda a falar de um monte de tipos embrulhados numa luta de lama”.

Pedro Marques Lopes interroga-se, no União de Facto, sobre se está tudo doido: “Será que agora podem-se fazer escutas  - que são feitas em função de um possível crime concreto em investigação - para descobrir o que quer que seja, sem tipificação do crime que se quer investigar? E essas certidões servem para o quê, se não podem ser aproveitadas como prova do que quer que seja? Ou será que o Estado de direito já não existe e os nossos direitos fundamentais básicos são uma anedota? Então agora aproveitavam-se escutas de uns processos para gerar outros? E pode-se escutar um Primeiro-Ministro sem autorização de um juiz do STJ (…)? Mas está tudo doido?”.

Não se percebe – e lá está, quando não se percebe, desconfia-se e parece que vem cortina de fumo para que nadam se perceba. Escreve Henrique Burnay: “Num estado de Direito as regras servem, também, para sabermos com o que contamos. A previsibilidade é a arma contra os poderes discricionários”. Tem razão – mas ele sugere que se admita um caminho diferente: “Se numa investigação se tropeça noutro crime ele tem de ser investigado. Em Portugal não há princípio da oportunidade. E o problema da Justiça popular é esse mesmo: é que soma preconceitos e ignorância. Mesmo quando se dizem coisas acertadas”.

Daqui resulta o que escreve Coutinho Ribeiro no Delito de Opinião quando fala no encolher de ombros nacional sempre que há noticias sobre corrupção. E exclama ele: “Portugal é um país sem tomates”.

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Quarta-feira, 11 de Novembro de 2009

Casamentos...

Vamos falar muito de casamentos entre homossexuais nos próximos tempos. Está aberta a guerra entre os que são contra e os que são a favor, e agora também entre quem defende um referendo e quem o dispensa. E nada é claro como água – há mesmo bispos católicos que  relativizam a opção do Governo e se mostram liberais. José Simõs, no blog Der Terrorist, compreende o facto: “É que, caso não tenham reparado, a Igreja não fica obrigada a casar homossexuais por igreja”. Vendo a Igreja como “um magote de bispos em circuito fechado com o Papa”, defende “uma "reflexão mais profunda da sociedade" e um grande debate no seio da Igreja”.

Para muita gente, nomeadamente católica, o problema parece estar no nome a designar essa união entre pessoas do mesmo sexo. Escreve José Almeida no blog BDA: “parece-me haver muito boas razões para que não seja chamado casamento. A palavra casamento está consagrada, há muito tempo, para designar o contrato de união entre pessoas de sexo diferente e assim deve continuar. Para a ligação homossexual é perfeitamente possível e desejável encontrar outra palavra com a mesma dignidade”. Está ali

As em curso uma petição online para esse efeito, onde se sugere que seja usada a palavra pareamento, que significa colocar em par...

Ao que se chegou, meu deus. Bom, não ficamos por aqui... No blog Cachimbo de Magritte, Pedro Pestana Bastos vai mais longe e não é sócasamento, é mesmo casal. Reparem no que escreveu: “Quando me refiro a uniões de duas pessoas do mesmo sexo refiro pares e não casais pura e simplesmente porque dois homens ou duas mulheres não formam um casal. Um casal é composto, necessariamente, por um homem e uma mulher. Um macho e uma fêmea. Dois homens ou duas mulheres não constituem um casal porque não podem, por natureza, casalar ou se preferirem acasalar”.

Além do debate sobre a palavra casamento, e se é esse o termo certo ou não, discute-se também até que ponto esta legalização abre portas à adopção por parte de casais homossexuais e ao que daí pode vir. Mais a sério, leio Filipe Nunes Vicente no Mar Salgado pôr os pontos nos is: “Tenho ouvido que o casamento gay levará à adopção gay e que juntos trabalharão para a ruína da família tradicional. Isto é uma das coisas mais disparatadas que já ouvi. Levo quase vinte anos enfiado na vida das pessoas, levo outros tantos interessado pela fábrica social. Penso que a família tradicional é a organização que melhor combate a debilidade humana e também a que melhor serve os interesses das crianças. Sei que a família tradicional está estraçalhada. É por isso que me enraivece ler - e ouvir - que será a família gay a responsável por uma decadência que existe há muito (mais ou menos desde o princípio do século XX)”.

De um lado o nome do contrato, do outro o referendo, do outro a adopção – como se vê, o debate vai disparar em todas as direcções e o mundo dos blogues vai vibrar como sempre nestes casos. A Janela cá estará para acompanhar os movimentos e as tendências que por ali se desenham. Mas para fechar com algum humor, sempre necessário mesmo quando se fala de temas tão sérios, deixemos aqui um sinal daquilo a que Vasco lobo Xavier chamou de “APOGEU CIVILIZACIONAL MODERNAÇO: Ser-se a favor do casamento de dois heterossexuais do mesmo sexo. Na verdade, por que motivo se deverão discriminar os heterossexuais do mesmo sexo que queiram casar-se?”.

publicado por PRD às 00:54
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Terça-feira, 10 de Novembro de 2009

O muro, 20 anos depois

Uma efeméride marcante, evidentemente, os 20 anos da queda do Muro de Berlim. Pedro Correia apressa-se a corrigir no Delito de Opinião: “É frequente ouvirmos dizer que o Muro de Berlim "caiu", como se isso tivesse acontecido graças à lei da gravidade. Mas não "caiu": foi derrubado por largos milhares de pessoas sedentas de liberdade, que queriam viver numa sociedade democrática e durante 28 anos estiveram impedidas de circular livremente na própria cidade onde viviam. É só um pormenor. Mas que faz toda a diferença”. Aproveita para ler o Avante desta semana, jornal do PCP onde se diz que "A derrota do socialismo (…) constituiu uma tragédia, não apenas para os povos desses países mas para toda a humanidade: com o capitalismo dominante, o mundo é, hoje, menos democrático, menos livre, menos justo, menos fraterno, menos solidário". Escreve então Pedro Correia: “Nem por um momento ocorre ao Avante! reflectir sobre o que levou essas sociedades (…) a implodir estrondosamente e os trabalhadores 'libertados' de Leste a correr rumo à 'opressão' do Ocidente. É que essas sociedades se fundavam numa mentira que o PCP gosta de repetir ainda hoje: não havia Estados-operários mas ditaduras burocráticas, assentes num capitalismo de Estado para o qual cada cidadão era um sujeito destituído de direitos. (…) Este era o falso ''paraíso socialista' que terminou em 1989. O mundo ficou mais livre depois da queda do Muro - depois da queda de todos os muros do Báltico ao Adriático”.

E é essa liberdade que se celebra nestes dias, como bem escreve João Carvalho: “O que é que eu celebro? Esse símbolo. Afinal, a opinião não deve ser delito. É isso que eu celebro: o sinal de que os muros caem sem sujarmos as mãos de sangue. Sujas de sangue estão, não raro, as mãos que os erguem”.

Bernardo Pires de Lima, no União de Facto, glorifica o que se viveu há 20 anos: “Desejar o mundo pré-1989 é negar o direito à liberdade a milhões de espezinhados, em função de um mundo arrumado. Ter vontade de regressar ao passado é aceitar um fatalismo nas ditaduras, (..) valorizar o mundo pré-1989 é atirar para baixo do tapete a vergonha que o comunismo ainda hoje devia causar. Portugal, infelizmente, ainda está cheio de desavergonhados”.

À esquerda, mas longe do dogmatismo comunista, Daniel Oliveira analisa o momento: “não foi apenas o comunismo que entrou em crise com a queda do Muro. Também a social-democracia, dispensável para o Capitalismo, agora que já não havia o “perigo comunista”, entrou em colapso. E a esquerda teve toda de se reinventar. É isso que está a fazer, com erros e acertos, há vinte anos. No caminho, uns desistiram e renderam-se a um “neoliberalismo de rosto humano”; outros desistiram e ficaram, rodeados de memórias e símbolos, a chorar por um passado perdido. Mas estou seguro que muitos continuarão a tentar novos caminhos. Nunca esquecendo aquele dia em que um muro em Berlim foi derrubado pelo povo. Foi um dia feliz”.

Claro que Pedro Sales tem razão, no mesmo blog, quando recorda, via BBC, uma dúzia de muros e barreiras que ainda estão de pé pelo mundo fora. Mas este, o de Berlim, diz-nos muito. Hoje, como há 20 anos.

publicado por PRD às 00:53
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Segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

Uma vitima no altar

Paulo Bento foi o nome que encheu o mundo dos blogues desde sexta-feira. Mas apetece-me começar por alinhar com João Lopes no blog Sound and Vision, porque ele começa justamente por falar de outros meios de comunicação sobre o mesmo tema: “as televisões voltaram a ter aquilo que tanto prezam: uma vítima para sacrificar no seu altar”. A ultima foi o treinador do Sporting. João Lopes acha que o que está em jogo “Não tem a ver com o Sporting (...). Tem a ver, isso sim, com a necessidade de promover "heróis" ou "vítimas" por parte de um sistema de informação que vive, sobretudo, da procura de situações extremas e extremadas: o que conta é a simples e desumana possibilidade de encontrar um alvo preferencial. Não fará sentido dizer que foram as televisões que demitiram Paulo Bento. Mas vale a pena, pelo menos, imaginar o que (não) estaria a acontecer se, nas últimas semanas, ele não tivesse sido tratado como personagem sacrificial de uma ficção apocalíptica”.

A análise de João Lopes dá que pensar e faz sentido. O mundo dos blogues, de alguma maneira, segue esse mesmo eixo da vitima e do herói. Vejamos então: para António Manuel Venda, do Delito de Opinião, “Tudo isto já se esperava (...) Paulo Bento não tinha mesmo condições para continuar. Prejudicou-se a ele próprio por ter ficado tanto tempo (...). Mas mesmo assim não me parece que saia tão mal como isso. Apesar de deixar a equipa num verdadeiro caos”. Pedro Quartin Graça, no Risco Contínuo, prefere destacar palavras do ex-treinador do Sporting para o crucificar de seguida: “Paulo Bento afirmou que o bom início de época encarnada deixou mazelas irreversíveis na formação leonina (...). Sinceramente, quando um treinador não consegue que os seus jogadores se preocupem mais com a sua equipa do que com um adversário isso diz tudo da sua (in)capacidade como líder e a fragilidade psicológica de gestão do plantel”.

Nuno Dias da Silva, apesar de tudo, alarga horizontes e observa também o Presidente do Clube: “Há qualquer coisa que não bate bem neste clube e neste presidente”. Exactamente o mesmo que diz Joel Neto: “Está tudo errado, na verdade: o miserabilismo e a gestão de mercearia, a falta de estratégia e a ausência de horizontes”. E a escolha do treinador que se segue é agora o que conta. Francisco Aragonêz no blog Mesa Redonda acha “que o Sporting irá tentar contratar Domingos Paciência e caso não consiga (...) poderá eventualmente "tentar" Manuel Machado. André Vilas Boas e Manuel Fernandes poderiam ser outros nomes em equação”. No blog Tribo do Futebol escreve-se: “Há, claro, treinadores jovens para os quais vale a pena olhar. A começar por Domingos (...). Ou o antigo "capitão" portista Jorge Costa, que colocou o Olhanense no primeiro escalão. Ou ainda Villas Boas, que parece ter tido um impacto imediato na qualidade do jogo da Académica”.

Curiosamente, e com esta deixa fecho a loja, num blog benfiquista, o Águia de Ouro, encontro um chave inesperada para o que se tem vivido. Escreve António Pista: “Paulo Bento, que um dia treinará o Benfica”... E deseja-lhe uma “muito boa sorte no futuro”. Desta não estava à espera. E por aqui me fico.

publicado por PRD às 00:52
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Quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Blog da Semana: Juvenal, o anormal

A coisa promete logo no nome: “O melhor blog do universo”. O endereço, por seu lado, não bate certo, já que o blog está na morada “sobpressaonaoconsigo.blogspot.com2, tudo isto sem acentos, claro.

O autor do blog Juvenal, o anormal, dizem-me que é engenheiro, mas não sei se é verdade. O que sei é que há 4 anos, desde 2005, ele posta praticamente todos os dias. Sobre quê? Tudo e nada. Mas em geral frases curtas, aforismos, quase ditados. Irónicos, divertidos, às vezes ácidos, cortantes, difíceis de engolir. Quando nasceu, foi Juvenal bastante claro: “Este é o melhor blog do Universo.
Porquê? Porque sim”.

E nunca mais parou. No começo publicava textos longos sobre cinema, pejados de palavrões, mas nos últimos anos especializou-se em ideias curtas, fortes, e que nos deixam pelo menos a sorrir, muitas vezes a pensar. Exemplos:

“Acho que a minha vida está em estrangeiro e ninguém pôs legendas”, ou “Um técnico é um gajo que diz exactamente a mesma coisa mas com um lápis atrás da orelha”, ou “A minha vida é uma bosta tão grande que, quando passeio o cão, é ele que me apanha”. Ou ainda “Entro nas reuniões de costas para acharem que estou de saída”.

Pelo blog pode adivinhar-se infelicidade na vida ou pura e simplesmente uma enorme capacidade de construir e alimentar um personagem: o tal Juvenal que “Quando a (...) família se refere a (ele), usa a palavra desperdício como adjectivo”. O Juvenal que pensa: “Se o espaço e o tempo são a mesma coisa, hoje almoçarei às 13 horas e 4 metros”. O mesmo Juvenal que diz: “e a minha vida fosse um filme, diria que estou na parte dos bloopers”.

Nunca sabemos o que é verdade ou mentira no blog, que também tem uns diálogos impossíveis de reproduzir em rádio, tal o palavreado usado, mas que nunca deixam de ter o seu sentido, o seu lado corrosivo.

De vez em quando Juvenal quebra o gelo com um aforismo romântico, como este: “osto duma música mas ela diz que só gosta de mim como amigo”. Ou aproxima-se da actualidade e escreve: “ meu primo começou na gripe A e já vai na hepatite C”.

E podia passar o resto do dia aqui só com coisas destas, frases divertidas, inesperadas, surpreendentes de um blog que, não sendo de todo o melhor do Universo, tem frequentemente tiradas que merecem o nosso sorriso. Aviso que a linguagem é dura, muitas vezes obscena, e que ali não há mesmo limites ao humor – doenças, taras, crimes, morte, tudo pode valer uma piada, por mais negra que seja. Ainda assim, com talento.

É então o meu destaque desta semana, que remato obviamente com uma boa ideia de Juvenal, o anormal: “estive a pensar na melhor maneira de acabar com a vida. Vou sentá-la na mesa da cozinha e dizer-lhe que conheci outra pessoa”...

publicado por PRD às 00:51
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Quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Saltou ou queda... à Vara

No caso Face Oculta, que envolve empresas, governo, corrupção, o costume – bom, no caso Face Oculta havia já um arguido em prisão preventiva, o empresário Manuel Godinho, mas o nome mais sonante e mediático acaba por ser o de Armando Vara, que é hoje administrador do BCP/Milenium.

É, ou era: Vara suspendeu o seu mandato como vice-presidente do banco. A solicitação vai ainda ser analisada na reunião do Conselho Geral e de Supervisão, mas parecia obvio este desfecho.

Como bem escreveu Francisco Clamot no blog Terra dos Espantos, “Esteja ou não inocente (...) a Armando Vara (...) não restava, neste momento, outra alternativa que não fosse pedir a suspensão de funções”.

No blog Fim de Partida, Sílvia de Oliveira suspira: “Afinal há uma réstia de juízo entre os accionistas e o conselho de administração do maior banco privado português - o BCP. Alguém percebeu, espera-se que a tempo, que manter Armando Vara em funções era um risco impossível de correr”.

Claro que Armando Vara é inocente até prova em contrário, mas é suspeito - e assim sendo, como bem escreve Sílvia, “a leitura das conclusões do Ministério Público basta para arrepiar qualquer um. E num negócio como o da actividade bancária, que vive e respira confiança, o perigo era demasiado evidente, sobretudo para um banco a braços com a justiça”.

Ainda que a decisão de Armando Vara tenha demorado mais tempo do que se desejaria, João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos, elogia-o: “Armando Vara mostrou sentido de qualquer coisa ao suspender-se das funções que desempenha na gestão de um banco privado. Percebeu, pelo menos, que não basta chegar lá”.

No Blasfémias, Carlos Abreu Amorim escreve uma única frase: “Este homem poderia ter sido primeiro-ministro em vez daquele que lá está. Existiria alguma diferença?”. E a pergunta faz sentido – Vara, juntamente com Sócrates, fez parte do grupo de jovens políticos modernos do PS lançados por António Guterres. O comentador Vasco Pulido Valente chegou a considerá-los o futuro do PS no poder – e pelos vistos, não se enganou muito. Talvez por esse remexer na memória, Luciano Amaral, no blog Gato de Cheshire, diz que vivemos o “fim do guterrismo”: “Há um ano (quem não se lembra?), o caso BPN era o fim do cavaquismo. (...) Agora, com o caso da sucata (e outros), deve ser o fim do guterrismo (...) E os coveiros do cavaquismo, que então se entretiveram a descobrir a sua deliquescência moral e o seu novo-riquismo, devem estar agora a afiar a pena para desferir golpes igualmente mortais sobre o legado do guterrismo”.

Com alguma graça e ironia, dá-me jeito fechar a Janela com dois trocadilhos menos reflectidos e com o passado a limpo. Um, no blog Abrasivo: “Em casa de santos, vara não é de pau”. E no Activismo de Sofá, JRV deixa esta: “Depois do salto, a queda à Vara”...

 

publicado por PRD às 00:50
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Terça-feira, 3 de Novembro de 2009

O estado do Sporting

Ontem olhei brevemente o mundo do futebol no que respeita aos clubes principais – sendo certo que principais hoje, são cada vez mais 4, e não os 3 clássicos – mas parece evidente que o Sporting está no olho do furacão. Sócios e adeptos descontentes, um lugar de miséria na Liga. Paulo Bento pressionado a sair. No blog Civilização do Espectáculo, Nuno Dias da Silva escolhe como frase do dia uma citação de Bento no jornal A Bola: «Pressão têm as famílias que estão no desemprego».

Frase inteligente, que ainda assim não deixa calmos aqueles que comentam o futebol. Por exemplo, o nosso José Nunes, no Linha Avançada: “A malta já ia prevenida, conta ele sobre o ultimo jogo – cachecol numa mão, lenço branco na outra – e foi um ver se te avias quando o jogo acabou. Porrada e tiros cá fora – adeptos queriam invadir as instalações do estádio para darem na focinheira a jogadores, treinadores e administradores (...). Paulo Bento diz que não atira a toalha ao chão – mas qual toalha? Mas há alguma toalha já?”.

No blog com o seu nome, Joel Neto recorda que “os jogadores do Sporting estão com Paulo Bento. Quem não estaria com um chefe que nos garante a subsistência sem alguma vez exigir resultados – um chefe para quem está sempre tudo bem, desde que ninguém lhe ponha a pata em cima? (...) O Sporting tornou-se um absurdo há demasiado tempo”.

No Tomar Partido, Jorge Ferreira acha que “está tudo louco” no seu clube e fala mesmo do Presidente: "Bettencourt diz que o Sporting é alvo de «ataques terroristas»". Eu tenho andado um bocado preocupado com o Sporting. Dá-me mais gozo disputar o título com o rival de sempre, do que com o rival circunstancial. Agora, este homem não me parece que ande nada bem. Depois do  célebre bento forever, depois de uma espécie de piquenicão que faz todas as semanas com sócios novos, um discuso desportivo tipo "Noddy" cada vez que vai à televisão, já não sei quem vai sair primeiro: se o treinador se o presidente...”

Pedro Santana Lopes, que até já foi Presidente do Clube, acha que “o treinador não deve ser "crucificado". Mas não "descarreguem" em quem ainda tem menos culpa”, como seria o caso de Pedro Barbosa. E por fim, aterro em Bernardo Pires de Lima, no União de Facto, que tenta pôr água na fervura com alguma sensatez: “Qualquer sportinguista com o mínimo de memória e calo de bancada já assistiu a fases tão ou mais graves do que a actual. Não vale sequer a pena estar aqui a relembrar figurinhas patéticas que já vestiram aquela mágica camisola. (...) O que não é possível continuar a assistir é a três coisas simples, essas sim, injustificáveis (...). Primeiro, a um director desportivo que nunca dá a cara e que nunca foi amado em nenhuma curva de Alvalade. Segundo, um plantel para quatro competições simultâneas, assente em crianças e bebés. Terceiro, um aparente receio do que o Benfica faz desde Agosto. Se não aguentam isto nem resolvem o óbvio, não estão lá a fazer nada. Isto não é para todos”.

De facto, tem razão: o futebol não é para todos. Nunca foi.

publicado por PRD às 00:49
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Segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Confusão na bola

Fim de semana intenso no mundo do futebol - e o Benfica havia de perder com o Braga, e o Porto e o Sporting haviam de empatar, isto parecia combinado...

Reparem como logo o discurso dos adeptos muda: “O treinador, reafirmo, é o responsável número um e (...) terá muitas culpas, (...). Mas, nesta altura da época, não seria de esperar mais de vedetas principescamente pagas como Meireles, Hulk, Rodriguez, Falcao ou Belluschi?”. Isto escreveu José Correia no blog Reflexão Portista, mas ideias do mesmo tipo encontro, por exemplo, no blog Mesa Redonda pela mão de Francisco Aragonêz:
“O Benfica não desiludiu, pois jogou (segundo as crónicas) abaixo do seu normal, mas sem nunca ter jogado mal. Teve 14 cantos contra 1 ou 2 do Braga, salvo erro;
Observa-se que o Benfica é neste momento um "alvo a abater" pelos outros clubes (...)
Gostaria que todos tivessem a coragem de falar do golo anulado ao Benfica, como o fizeram no lance do penalti de Aimar”.

Ou seja, e a bem dizer, a clubite está viva e acontece, como se pode ler no 31 da Armada com o benfiquista Rodrigo Moita de Deus: “Paulo Bento é um homem azarado. Os jogadores não gostam dele. Os adeptos não gostam dele. As bolas não entram e, para cúmulo, até Manú marca golos. Grandes golos”.

Nelson Marques, na Tribo do Futebol, escreve que “O futebol é, de facto, um lugar estranho. Um limbo entre o Céu e o Inferno, feito de paixão e emoção, onde há pouco espaço para a razão e a coerência. Um mundo de contradições. Um mundo ao contrário.”.

António Boronha, no seu blog, via e reflectia sobre o Sporting e pedia a cabeça de Paulo Bento: “O treinador do 'sporting', pessoa que pessoalmente admiro como homem íntegro e profissional competente, é hoje um treinador para além do mais sem sorte.(...)  Doa a quem doer, e vai doer! Por muito injusto que seja e é! Paulo Bento já não tem lugar neste 'sporting'.

Do lado do Benfica, mau perder no blog Bate Bolas: “É inquestionável que o Braga está fortíssimo esta época (...) Têm todo o mérito por ter ganho o jogo, mas há outro facto induvidável: o senhor árbitro meteu o dedo outra vez”. Rita Neves, na Tertúlia Benfiquista, no mesmo sentido: “A Nossa Classe esteve toda lá! A do Braga também. Tinha sido melhor, para ambas as equipas, e mais bonito para mim, se não houvesse "ajudas".

O futebol é imparável. Mas pode haver um momento de paragem, breve que seja. Muitos blogues, mesmo muitos, falaram entre ontem e hoje do radialista António Sérgio. Um dos nossos, um de nós.

Deixo o futebol de lado e radical, como ele sempre foi, escolho uma voz, uma só voz. A de Teresa Ribeiro no Delito de Opinião:

“Quando começou a sua carreira era preciso ter voz para fazer rádio. E que vozeirão ele tinha. António Sérgio, o autor e apresentador de programas como Som da Frente e Lança Chamas foi uma referência para os amantes do éter e um exemplo de profissionalismo para os seus colegas. Sempre na vanguarda da música, também na hora da despedida se chegou à frente. Demasiado à frente”. Deixo o testemunho e uma frase de Nuno Galopim: “Foi com ele que aprendi a ouvir música. Obrigado, Sérgio”.

publicado por PRD às 00:47
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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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