Sexta-feira, 11 de Setembro de 2009

Blog da Semana: Fado Positivo

Os ouvintes mais fieis, e com melhor memória, talvez se lembrem do destaque que aqui fiz ao blog “A Pente fino”, um espaço criado por um série de amigos, a maioria a viver fora daqui, na Holanda, ligados á economia a e à gestão, e cujo trabalho no blog era ler os jornais e descobrir os erros factuais que eram mais do que muitos: estatísticos, matemáticos, de lógica, de relação, eles eram os cata-erros da imprensa, e muitos jornais se irritavam com aqueles posts atentos.

Pois bem: contrariando a lógica, ou talvez não, um dos dinamizadores do blog, Miguel carvalho, justamente a residir na Holanda, decidiu xsair do Pente Fino e criar o blog “Fado Positivo”. É o meu destaque da semana por ser, no mínimo, inusitado nesta fase do campeonato.

Declaração de Miguel Carvalho a abertura de Fado Positivo: Farto do bota-abaixismo.

Farto dos maus agoiros, o derrotismo e os fatalismos. Farto do discurso do coitadinho. Farto do discurso político vigente da desgraça iminente, apenas interrompido durante os anitos em que se está no poder. Farto da táctica política do "quanto pior, melhor" Farto duma imprensa que vasculha entre relatórios gigantescos até encontrar uma nota de rodapé com uma má notícia, e que apresenta os dados no modo mais sensacionalista possível. Farto duma opinião pública que considera que qualquer má notícia é 100% objectiva e qualquer boa notícia é uma manipulação do governo.  Farto do "dantes é que era", o "isto está cada vez pior" e o "só neste país". Farto dos velhos do Restelo. Este blogue é optimista. Ponto final”

E a ideia é só essa: ver o copo meio-cheio e trazer todos os dias boas noticias: o próprio Miguel reconhece que ao  “Escolher a melhor notícia de cada relatório”, vai dar “uma visão deturpada da realidade (admito-o frontalmente, algo que ninguém faz), mas se o pior dos piores é aceite como informação válida, porque não poderá ser o melhor dos melhores?”

E lá estão as noticias:

Portugal com terceira maior dinâmica de constituição de novas empresas

Portugal melhora em todos os aspectos mais fracos do ambiente para negócios

Défice da balança comercial diminui em 1700 milhões de euros, exportações crescem 17,5%

Comércio a retalho cresce acima da média europeia

Eurostat destaca crescimento português em investigação como o terceiro maior em toda a UE

No fundo, Miguel Carvalho contraria a lógica normal da imprensa, destacar o que está mal, e prova que em cada relatório, estudo ou sondagem, também se podem encontrar bos noticias.

Claro que já houve quem se interrogasse sobre a razão pela qual agora ele se apaixonou pelo lado bom da vida, dando a entender obscuras intenções policias, mas o autor não se encolhe na explicação: “Em Portugal ver o copo meio vazio é considerado imparcial e objectivo. Ver o copo meio cheio é manipulação da verdade. Pensem se isso fará sentido”

Realmente, faz pouco. E o blog fado positivo, que podem encontrar em fadopositivo.blogs.sapo.pt, só por ter esse outro olhar, essa originalidade, merece ser o meu destaque desta semana. E já só faltam 16 dias para as eleições...

publicado por PRD às 00:53
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Quinta-feira, 10 de Setembro de 2009

Para lá da espuma dos dias

É incontornável a politica e as politicas. Mas lá está: o mundo dos bloges às vezes reserva-nos surpresas que estão para lá da espuma dos dias, daquela ligeireza com que se olha um debate ou uma frase de um candidato. Foi isso que hoje encontrei no blog Vox Pop, de Paulo Gorjão. Sob o titulo “Crónica de uma Derrota Anunciada”, escreve ele: “A memória é um bem precioso e muitas vezes oferece outros ângulos de observação para os factos presentes. (...) Valerá a pena, porventura, olhar para as eleições federais alemãs de Setembro de 2002. A CDU/CSU, liderada por Edmund Stoiber, elegeu como temas de campanha [1] o desempenho económico do Governo, [2] os impostos, e, [3] os valores familiares. No final, ainda que a margem não fosse muito grande, a verdade é que a CDU/CSU perdeu para o SPD liderado por Gerhard Schroeder. Importa lembrar que Schroeder não era propriamente alguém com uma vida modelar. Casado quatro vezes e com três divórcios no currículo, o líder do SPD não era um politico cuja crença religiosa fosse uma das suas marcas. Mais. Schroeder não era (...) conhecido por ser alguém sem mácula de um ponto de vista ético e moral. Começa a soar a familiar?

Por cá, em Setembro de 2009, Manuela Ferreira Leite elegeu como temas de campanha [1] o desempenho económico do Governo, [2] os impostos, e, [3] os valores familiares. Tudo embrulhado no pacote da Verdade. Por cá, tal como na Alemanha em 2002, temos um primeiro-ministro divorciado, que não é conhecido por ser um pessoa religiosa e que de um ponto de vista ético e moral deixa, aparentemente, algo a desejar. Stoiber perdeu as eleições”

Este paralelismo que Paulo Gorjão convoca dá que pensar. Como também dão que pensar as palavras de Pedro Marques Lopes no blog União de Facto, a propósito da ida de Manuela Ferreira Leite à Madeira: “Aparentemente, a Dra Ferreira Leite não estava contente com a estratégia da “asfixia democrática” e resolveu destruí-la. Só assim se podem compreender as suas espantosas declarações durante a visita à Madeira. Fez bem. Essa conversa pateta já tinha sido utilizada pelos socialistas ao tempo de Cavaco Silva e teve os resultados conhecidos. Claro está que havia outras maneiras de rasgar uma campanha...”.

Ora bem: num post e noutro, o que importa é sublinhar que há sempre paralelos e comparações por fazer, e que a memória conta quando se trata de pensar em política neste domínio.

Assim vai continuar a ser nas próximas semanas, até às eleições. E ainda que tenha regressado só esta semana, sou tentado a partilhar as palavras de Manuel Jorge Marmelo no seu blog: “Noto, com certo pesar, que tenho dedicado uma atenção excessiva às coisas da política, ou, o que é pior, à politiquice pura. Sendo verdade que circulam por aí, em tempo de campanhas eleitorais, personagens particularmente lamentáveis e irritantes, não é menos penoso constatar que me deixo arrastar para esse lodo e perco tempo, por pouco que seja, com tão tristes figurinhas. Tentarei, por isso, ter mão nisto”. Amanhã, sexta, com a escolha da semana, seguramente que trei também mão nisso. Faltam 17 dias para as eleições.

publicado por PRD às 00:51
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Quarta-feira, 9 de Setembro de 2009

Debates (II)

Era um dos debates mais esperados desta ronda televisiva – o imparável Louçã frente ao feroz José Sócrates. E bom, se o líder do PS podia, até ontem, dizer que a blogoesfera era um bando de inimigos, hoje é melhor que se cale: a vitória foi-lhe entregue praticamente por unanimidade. E talvez o resumo, sem elogios nem adjectivos, esteja neste post de Rodrigo Moita de Deus: “Sócrates foi inteligente. Louçã, habituado a discutir o programa dos outros, não estava preparado para discutir o seu próprio programa. Sócrates, durante meia hora, fez de Louçã candidato a primeiro-ministro. Pior. Louçã imaginou-se no lugar”.

Resultado final, segundo Paulo Pinto Mascarenhas no ABC do PPM: “José Sócrates ganhou este debate ao centro, não sei se o perdeu à esquerda. Mas remeteu Louçã para os chavões bloquistas anticapitalistas e ainda terminou a atacar Manuela Ferreira Leite”.

No Delito de Opinião, Carlos Barbosa de Oliveira revela a estratégia do actual primeiro-ministro: “Parece claro que Sócrates ganhou pontos e roubou votos ao adversário. Mas não só… ao afirmar-se social democrata - o que não é novidade para ninguém - piscou o olho aos eleitores do PSD que não se revêem em MFL e sabem que se ela ganhar teremos um governo que fará todos os portugueses sentirem saudades de Sócrates”.

Inesperadamente, até Pedro Santana Lopes veio ao terreiro no seu blog reconhecer a vitória do socialista: “José Sócrates ganhou bem, tendo conduzido eficientemente o debate e não tendo tido qualquer pejo em continuar a "socar" o seu adversário onde ele se revelou mais frágil. Foi interessante de ver como o "feitiço foi virado contra o feiticeiro". Há muito tempo que digo e escrevo isto mesmo. Era preciso perguntar aos que só atacam, por aquilo que verdadeiramente defendem. José Sócrates fê-lo muito bem”.

Outras ideias soltas, Carlos Santos no Câmara de Comuns: “Não foi só vencer. Foi vencer o mais temível dos adversários. A demagogia é sempre difícil de derrotar. Mas quando é derrotada, é a democracia que ganha”.

Destoando ligeiramente, José Medeiros Ferreira no Bicho Carpinteiro acho que o jogo foi diferente: “Houve uma tendência mútua neste frente a frente entre José Sócrates e Francisco Lousã em jogar para o empate. Curiosamente foi o líder do BE quem mais se ressentiu da falta de «parlamento» no debate”.

E até consegui encontrar quem tenha dado a vitória a Louçã, o blog Atributos: “Sócrates, nervoso, só se defende. A culpa de tudo o que de mau acontece em Portugal é de todos, da crise internacional, mas nunca dele. (...) Louçã ataca, sorri e marca pontos”

E timidamente, no Arrastão, Daniel Oliveira preferiu notar que, a seguir ao debate, nas televisões, “os comentadores de direita têm quase o esclusivo da análise de um debate fundamental para o eleitorado de esquerda”.

Mas até pela timidez de Daniel horas passadas sobre o debate, parece claro que José Sócrates ganhou sem mácula o debate que potencialmente poderia perder. Faltam 18 dias para as eleiç

publicado por PRD às 00:50
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Terça-feira, 8 de Setembro de 2009

Debates (I)

O mundo dos blogues vira-se para a campanha eleitoral, em rigor o que mexe na campanha, que são apesar de tudo os debates televisivos. O modelo dos debates é o que se conhece, e acabamos por ir compondo o puzzle das opiniões e propostas apenas se conseguirmos ver todos os confrontos. Rui Bebiano, por exemplo, no blog Terceira Noite, deve ter adormecido no encontro entre Francisco Louçã e Jerónimo de Sousa, que chamou de “aborrecido pseudo-debate televisivo”. Zé Neves, no Cinco Dias, achou que especificamente este debate à esquerda “trouxe à cena um novo eleitor”, “uma nova diferença, uma terceira margem”.

Nessa terceira margem está Francisco Louçã, que Joana Carvalho Dias, no Hole Horror, descreve: “é um desses talentos falantes com qualquer coisa de mecânico e automático que parece só precisar que se insira uma moedinha para termos o benefício de um discurso empolgado e retórico”.

A respeito dos partidos de oposição, inteligente a nota de Sérgio de Almeida Correia no Delito de Opinião sobre o debate de ontem: "Todos os votos nos partidos de oposição serão votos contra o eng.º Sócrates", dizia Paulo Portas a certo passo do debate com Jerónimo de Sousa. Disso não tenho quaisquer dúvidas. E também não será difícil dizer que os não votos dos abstencionistas, mais os  brancos e os nulos, também não serão votos a favor do eng.º Sócrates. Mais difícil é saber quantos desses votos serão apostas na governabilidade, na estabilidade do país e no interesse nacional. A demagogia tem muita força”.

Manuela Ferreira Leite, que vimos no domingo confrontar-se com Francisco Louçã, vai ganhando experiência para o confronto final com Sócrates. Para já, João Moreira Pinto critica a líder do PSD no 31 da Armada: “A estratégia da verdade de Manuela Ferreira Leite pode até colar contra Sócrates. A seriedade contra a trapacice num País de trapaceiros ganha pela hipocrisia de um povo. Mas adiante. Quando estiver frente-a-frente com outros líderes partidários, MFL terá que fazer mais que mostrar-se séria”.

Já Paulo Portas, escreve, “tem apresentado soluções e apontado a fuga ao estadismo reinante, sem meias-medidas, sem pudores”. Ao vê-lo ontem com Jerónimo de Sousa, João Gonçalves fala do líder do PCP: “Quando vejo o bonzinho Jerónimo, tenho saudades do dr. Cunhal. Na televisão”.

A Sócrates, todos reconhecem o talento para estes debates, para a rectórica, para o frente a frente. Tomás Vasques, no hoje há conquilhas, prefere citar Miguel Esteves Cardoso;: “Veja-se o debate de José Sócrates com Paulo Portas. Admiram-se; entendem-se; são inteligentes. São os dois melhores políticos que temos. O PSD está em obras e seria feio falar dele neste momento difícil”.

Com o seu apurado sentido de observação, Helena Matos vê, no Blasfémias, os debates de forma particular: “uma espécie de jogo xadrez entre os partidos que não estão na campanha para ser governo. Assim para o PCP a perder terreno para o BE é muito conveniente concluir que Ferreira Leite se saiu melhor que Louçã. Já o Bloco a sonhar em ser 3ª força política  transformou o debate Sócrates-Jerónimo num massacre para este último.  Quanto ao PP a disputar terreno ao PSD achará certamente que Manuela Ferreira Leite perdeu com Louçã e que perderá com todos”. Faltam 19 dias para as eleições.

 

publicado por PRD às 00:49
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Segunda-feira, 7 de Setembro de 2009

Regresso...

Terei de começar por confessar que não cumpri o prometido. Ou seja, li blogues durante o mês de Agosto. Tinha feito aqui a promessa solene de umas férias longe da blogoesfera, mas o mês foi quente e não resisti a uma ou outra espreitadela.

Aos poucos, foram nascendo blogues de apoio aos diversos candidatos às duas próximas eleições, o ambiente aqueceu com as polémicas que foram criadas, cada entrevista na televisão de um Sócrates ou de uma Manuela Ferreira Leite dava sempre peno para mangas – e isto sem esquecer que esse é o titulo da crónica matinal de João Gobern – bom, tudo isto para me justificar: sim, eu continuei a ler blogues mesmo estando com a Janela fechada para férias.

Traduz esta falta de cumprimento de uma promessa algum sinal? Acho que sim. Acho que traduz a ideia óbvia: não substituindo a opinião dos jornais e mesmo das rádios e televisões, a verdade é que a plataforma blog é mais um patamar claramente definido no universo da informação. Isto significa que começa a ser corrente dizer, quando queremos falar do mundo dos média, frases do tipo “depois de ver as televisões, ouvir as rádios, ler os jornais e os blogues, cheguei à conclusão de que….” E por aí fora.

Nessa medida, tal como em férias não desligo o rádio nem deixo de ler jornais, também não fazia sentido deixar de ler blogues. Tanto mais que o Verão ia ser quente, e está a ser quente.

Mas agora volto à tarefa curricular de olhar o mundo dos blogues com um sentido profissional, ver como reflectem os temas de cada dia, e não faltará assunto nos próximos tempos. Se tivesse recomeçado na semana passada, teria tido várias crónicas com a mesma protagonista, Manuela Moura Guedes, cuja suspensão do seu programa na TVI marca de tal forma a campanha eleitoral que, no universo da blogoesfera, há momentos em que parece que nem sequer haverá urnas para depositar votos a 27 de Setembro..

Bom, mas como recomeço hoje, do passado apenas recupero para o presente o momento deste Agosto em que repentinamente um blog se tornou noticia de primeira página: foi quando o blog 31 da Armada decidiu trocar, nos Paços do Conselho de Lisboa, a bandeira da cidade pela bandeira monárquica… Com direito a vídeo, a um comunicado que começava “Daqui posto de comando do Movimento do 31 da Armada” e depois se explicava afirmando que “Há 99 anos atrás, no dia 5 de Outubro, um punhado de homens, contra a vontade da maioria dos Portugueses, tinha feito a mesmíssima coisa proclamando assim a república. O resto do país ficou a saber por telegrama”. Desta vez foi diferente e soube pela net, pela Lusa, pelos jornais, pelas rádios, pela televisão. Lá está: como posso eu passar umas férias sem blogues, se mesmo assim eles me entram pela casa dentro num qualquer Telejornal. A conclusão é só uma: há janelas que se abrem e nunca mais se fecham

publicado por PRD às 00:46
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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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