Terça-feira, 14 de Julho de 2009

Absurdos regulares

Todos os dias, quando percorro a imensa lista de blogues obrigatórios, mais os novos que vou descobrindo, mais os antigos que recupero, concordo com Rui Tavares no blog com o seu próprio nome: “Antes, (...) era fácil concluir que o problema era informação a menos. Hoje chegamos muitas vezes a afirmar que o nosso problema é informação a mais. Não há quem não tenha sentido o bloqueio mental que provoca a sobrecarga de informação”.

É um facto. Que hoje me leva a viajar na maionese do absurdo – porque absurdos é o que há mais nos dias que correm. Comecemos logo á esquerda, no Arrastão, com Daniel oliveira: “Portugal é hoje o sexto país com taxa mais elevada de desemprego na OCDE, estando acima da média. Há 514 mil portugueses desempregados”. Pergunta Daniel: “É a isto que poderemos chamar uma vitória da esquerda?”.

E da esquerda navegamos até à finança, quem sabe mesmo à direita, com Nuno Dias da Silva e o absurdo encontrado ali à esquina: “Num comovente depoimento (...) a partir do «xadrez», Wellington Nazaré, o assaltante do BES, pede desculpa a toda a gente, inclusive ao próprio banco. Mas o imprevisto acontece quando o «zuca» confessa que mantém as suas poupanças naquela instituição bancária: «O BES continua a ser o meu banco». Desta é que Ricardo Salgado não estava à espera. Estar associado a um cadastrado é bem pior do que uma qualquer «operação furacão»”.

Mantemo-nso no absurdo, mas voltemos de novo à esquerda. José Costa e Silva no blog Lóbi: “Manuel Alegre anda por aí. Há poucos meses estava num comício do Bloco de Esquerda. Depois criou suspense sobre a criação de um novo partido. Agora escreveu um artigo no Expresso a puxar pelo PS. Diz que o partido tem de acordar.

Talvez. Mas ele também precisa de um café”. Ainda no PS, um absurdo encontrado pot Jorge Ferreira, com graça: “Para o PS, o mês passado, a Europa era Vital. Afinal, não era. Agora, para o PS, o testamento era vital. Também já não é. O PS não é.”

E será que o PSD é? Leia-se Rui Costa Pinto no blog Mais Actual: “Manuela Ferreira Leite vai estar presente na festa do Chão da Lagoa. Alberto João Jardim não deixará de lhe proporcionar um banho de multidão tão grande como as críticas à líder do PSD por não ter medo (...) de ir à Madeira”. E fechemos a ronda num choque de civilizações encontrado por Henrique Raposo no blog Clube das Republicas Mortas: “Para um americano, o "difícil" é isso mesmo: "difícil". Para um português, o "difícil" torna-se sempre "impossível". Fazemos umas propostas, por exemplo para se mudar a justiça. Do outro lado, dizem "isso é impossível". Nunca dizem que é "difícil". Porque o "difícil", apesar de duro, está dentro do humanamente possível, do exequível. Quando dizem que é "impossível", então, isso quer dizer que não há nada a fazer. E assim podem ir à vidinha de sempre. "É impossível, e está na hora do Benfica".

Dito isto, impossível continuar. Volto amanhã.

publicado por PRD às 00:13
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Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

A batalha de Lisboa

Aos poucos, vai-se definindo a guerra para as câmaras que aí vem. Hoje é o dia da apresentação da candidatura de António Costa, o actual presidente, que conseguiu apoios à esquerda insuspeitos… Já tinha aqui dado conta do blog e do site de Santana, hoje vou sublinhar o que se diz de Costa… No Delito de Opinião, por exemplo, André Couto observa os que se juntam à volta do actual Presidente: “Depois de divulgadas as primeiras sondagens para as eleições autárquicas em Lisboa, parece que das palavras de António Costa contra o fraccionar da esquerda em quatro, ao invés da união à direita, começam a dar resultados. A candidatura do Partido Socialista recebeu esta semana dois apoios de peso vindos bem do coração do Partido Comunista. Carlos do Carmo e José Saramago são dois vultos da cultura portuguesa cujos percursos e imagem falam por si. Dois reforços importantes nesta luta que se prevê disputada até ao último voto”.

Pois é, mas logo no blog de campanha de Santana se responde a estes apoios:”António Costa celebrou um protocolo para a produção de um filme sobre a relação entre José Saramago e Pilar del Rio. A autarquia lisboeta vai pagar 30.000 euros e o documentário tem como nome provisório «União Ibérica». Na mesma cerimónia, e no seu discurso de agradecimento, José Saramago retribuiu, anunciando o seu apoio à recandidatura de António Costa. Ficava bem que, no minimo, estes momentos tivessem acontecido em tempos diferentes.”.

Mau perder ou desconfiança sem grande sentido, não sei, e sigo em frente. No fim-de-semana António Costa deu uma entrevista polémica na imprensa, Nuno Dias da Silva comenta na Civilização do Espectáculo: “António Costa está atrás da porta, à espera de um deslize de Sócrates nas legislativas e nas autárquicas para saltar para a liderança socialista. (…) A estratégia é demarcar-se do executivo. Se ganhar Lisboa e Sócrates perder o país, Costa pode ter o caminho aberto para agora, ou mais tarde, ser o novo secretário-geral do PS”.

Ainda sobre essa entrevista, Paulo Pinto Mascarenhas sublinha uma frase que, na opinião dele, diz tudo “sobre a quem é que o Zé fazia falta”. A frase é "O José Sá Fernandes foi muito útil" e o comentário no ABC do PPM é simples: “Não só por esta frase - que também diz muito sobre a utilidade do Bloco de Esquerda - vale a pena ler na íntegra a entrevista (…). A demarcação em relação ao governo - e sobretudo aos ministérios de Lino e Rui Pereira - é sintomática do mal-estar interno no PS. Como escrevi (…) os ventos mudaram e Costa sabe que só essa demarcação clara em relação ao governo poderá evitar uma derrota em Lisboa contra Santana Lopes”.

Na verdade, parece ser esse o sinal que neste dia marca o começo da guerra por Lisboa. Por detrás dela pode estar tb o começo de um qualquer futuro diferente no Partido Socialista. O Verão vai ser quente, isso vos garanto…

publicado por PRD às 00:24
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Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Blog da Semana: A Lupa de alguém

Confesso que, na imensidão de blogues que a blgooesfera alberga, é difícil escolher aqueles de que mais gostamos, ou definir mesmo uma tendência que marque de alguma forma os tempos que vão correndo. Aqui, na minha escolha da semana, procuro acima de tudo a diversidade, mas não sou imune às ideias originais ou, pelo menos, ao que nos escapa.

É o caso da minha escolha desta semana, que recai sobre o blog “ A lupa de alguém”, que podem encontrar em a-lupa-de-alguem.blogs.sapo.pt/

O que é este blog. Mais simples é difícil: é o espaço de uma “operadora de caixa num supermercado” e do seu universo. Em posts diários, ela conta as pequenas e grandes histórias do seu dia a dia – da mais banal discussão com o cliente ao cartão de fidelidade do supermercado, passado pelas inovações que vão sendo introduzidas na sua visa. Um exemplo:

“Já alguns meses, que na nossa empresa foi implementado o sistema de pagamento por multibanco em que é o cliente que passa o seu cartão. (...) A princípio, os clientes estranharam a mudança, mas com o passar dos dias já se vão habituando. A razão porque estou a voltar a este assunto, é que os cartões multibanco com chip, ficam muitas vezes esquecidos dentro do POS (aquele aparelho onde é introduzido o cartão). O cliente esquece porque não é hábito ser ele a tirar o cartão e nós por vezes também nos esquecemos, porque estamos a contar que o cliente o tirou. Enfim, e por vezes só damos conta que está lá um cartão, quando estamos na conta seguinte. Na maior parte das vezes o cliente vai mais tarde á informação recuperar o cartão. Mas acredito que é sempre incómodo. (...) Ultimamente tenho estado muito atenta a ver se o cliente não esquece o cartão, mas mesmo assim lá acontece um dia ou outro em que um cliente deixa lá um cartão”

São textos assim, de uma simplicidade desarmante, verdadeiros, banais como o dia da operadora de caixa, mas sempre reveladores de uma vida, do seu curso, do seu tempo.

“Ao longo deste meu emprego, escreve a operadora, tenho observado que muitas vezes se promovem iniciativas de cariz social, ou seja, oferecem alguma contrapartida á comunidade (clientes) uma vez que é esta que os  "financia". As iniciativas que premeiam as crianças e que  reforçam os valores familiares são muito valorizadas... Lembram-se dos computadores oferecidos ás escolas? Um pequeno gesto...um grande passo!? Ou de alguém que já recebeu um carrinho de compras gratuitamente? Penso que são iniciativas que merecem o nosso respeito, já que quem ( ...) as deveria fazer não o faz pelo menos há alguém que dá um exemplo a seguir...”

A operadora é atenta aos movimentos da empresa, aos produtos, até mesmo aos rankings dos supermercados mais caros e baratos. Ela não esconde a sua ligação a uma grande empresa que gere grande superfícies, mas confesso que a graça do blog está mesmo na simplicidade da sua filosofia. E é isso a lupa de alguém: “operadora de caixa num supermercado” e o seu universo. O mundo dos blogues não deixa de nos surpreender.

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Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

No meio da crise...

Estamos a chegar à silly season, mas cheira-me que esta ano vai ser curta: entre a gripe e a pré-época eleitoral, passando pelo futebol aqui e em Espanha, haverá mais season e menos silly. A pairar sobre tudo anda a crise, e hoje aproveito para a olhar como se observasse um daqueles caleidoscópios que multiplicam o prisma de visão. Começo por encontrar Nuno ramos de Almeida no blog 5 Dias: “Deus morreu há muito tempo, o planeta parece ir pelo mesmo caminho e eu estou entediado. Como grita, com graça, uma parede perto de mim: “umas sentem a excitação do tédio, outras não”. O meu problema é que já só sinto o tédio do tédio”. Nuno, que ficou conhecido pela sua ligação o Bloco de Esquerda, sente falta de causas, de paixões, de algo a que se agarrar: “As coisas deixaram de ser mágicas. Tinha perdido a capacidade de me encantar e de me enganar, (...) preciso de uma mentira para poder aguentar. Uma causa qualquer: a defesa das baleias parece-me simpático, embora seja difícil de conviver com os cetáceos. A alimentação saudável - demasiado insípido! Preciso de qualquer coisa que seja a doer. Sentir as pancadas que nos levam a convencer que ainda estamos vivos”.

Por este lado, estamos no domínio do desânimo – mas mesmo na crise há quem consiga ver luz ao fundo do túnel. Tavares Moreira, no blog Quarta Republica: “No meio de todas estas dúvidas, fica-nos a expectativa de que pode ser desta vez que a economia portuguesa vá finalmente apontar o caminho da recuperação aos nossos parceiros, em especial aos da União Europeia...será mesmo desta? Alguma vez teria de ser...esperemos que a mensagem da semana passada, de anúncio do fim próximo da crise, não seja mais uma para esquecer...no envelope das promessas eleitorais ou pré-eleitorais!”

É possível ser optimista e acreditar, embora o tempo seja mais de altos e baixos. No blog Sofia in London, de uma portuguesa a viver em Londres, leio o relato curto, porém fortíssimo, de um momento dramático: “No primeiro dia de trabalho depois das férias levei logo com uma reunião geral aqui na empresa com mas notícias. Algumas pessoas tinham de ser despedidas.

As pessoas que estavam sujeitas a ser despedidas receberam um envelope com uma carta a explicar todo o processo. Eu recebi uma carta dessas mas não quis vir aqui falar disso antes de saber se ficava ou não.

No dia seguinte aconteceram reuniões individuais para esclarecimento de dúvidas e possíveis sugestões para a nova estrutura da empresa com o advogado e a nossa supervisora.

Seguiram-se 3 dias de incerteza em que não se falava noutra coisa.

Ontem de manha decorreram as reuniões finais em que nos foi comunicado se ficávamos ou não. Cinco pessoas da minha equipa foram despedidas, mais de metade. A minha melhor amiga foi a primeira a ter a reunião e foi despedida. Saiu da sala a chorar. Eu quis ir logo de seguida e quando me disseram que ficava saiu-me um grande peso de cima mas não foi fácil ver tanta gente a ser despedida”.

Repare-se como em três andamentos consegui saltar do melhor para o pior, da reflexão para os factos, e tudo em cima do mesmo ambiente de crise. É aquele em que vivemos, e que afinal também o mundo dos blogues reflecte, umas vezes de forma mais impressionista, outra de forma analítica. Um espelho da vida e do mundo, como vou vendo todos os dias.

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Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

A gripar...

Agora sim, começamos a sentir na pele o que é esta coisa da pandemia da gripe. O director-geral de saúde fala em 25% de portugueses infectados até ao fim do ano, e as noticias começam a multiplicar o número de casos. No blog Câmara de Comuns, Rudolfo de Castro Pimenta levanta um primeiro alerta: “nsombrados como estamos pela peste iminente, a perspectiva de não haver vacinas em número suficiente para toda a população é perturbadora. E porque é que tal acontece? Porque é que não se encomendam logo 10 milhões para a população residente nacional e mais umas quantas para turistas, emigrantes e imigrantes?”

Parece que nenhum país o faz, e embora seja uma epidemia, não deixa de ser de... gripe. Móis, mas poucas vezes mata. No Delito de Opinião, Teresa Ribeiro começa por contar a sua passagem, no fim de semana, por uma urgência de hospital, onde, enquanto esperava para ser atendida, fez a seguinte reflexão: “omo é que vai ser quando chegar o Outono e com o cair da folha começarem a cair nas urgências milhares e milhares de utentes com gripe e com medo da gripe (...) Não dá para imaginar. (...) Por muitas medidas que se tomem, não será possível resolver de um momento para o outro a falta crónica de médicos, a falta de camas e a falta de condições que estão na origem de tantos casos de contaminação em ambiente hospitalar. Se eu fosse à Ana Jorge acendia também umas velinhas ao santo da sua devoção, porque ou me engano muito, ou sem intervenção divina, o SNS não se vai aguentar nas canetas”. EPR no blog com o mesmo nome acha que “Estamos Tramados”: “A ministra da saúde tem feito um trabalho excepcional em não alarmar os portugueses - é um facto. Porém, facto consistente é que o número de casos tem vindo a subir de dia após dia e, portanto, a postura ante esta enfermidade tem de ser alterada, caso contrário será o caos. Não se deve vender ilusões!”

No seu blog, Sardanisca também acha que a coisa está preta: “Quando,daqui a um ou dois meses,os contágios passarem a ser na ordem das centenas por dia (o que se afigura inevitável) e a Manuela Moura Guedes berrar "fogo" no seu espaço de opinião na TVI,aí sim,vamos ter o tuga a arrebanhar as últimas latas de atum Tenório da prateleira do Pingo Doce e a mandar vir no Centro de Saúde,por não terem as máscaras que só há à venda na farmácia. O país corre o risco de parar (...),porque temos um governo incapaz de pegar o touro pelos cornos”.

Mas nem toda a gente entra em parafuso com o que se passa...

No blog País do Burro, Filipe Tourais assinala a passagem pelos Açores de Craig Mello, o Nobel da medicina de 2006, que disse não ver “perigosidade do vírus H1N1, segundo ele pouco superior ao das restantes estirpes, razão para tanta barulheira. Quer estragar o festival. Ou o negócio”.

Como se vê, é possível entrar em paranóia, desvalorizar, ser sensato, enfim: uma pandemia dá para tudo. Mas nunca é demais lembrar o óbvio: é de gripe que falamos, não é de peste negra...

 

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Terça-feira, 7 de Julho de 2009

A overdose Ronaldo

 “Se a Amália e o Eusébio tivessem uma cria, por certo chamar-se-ia Cristiano Ronaldo” – e lá está, esta frase de Carlos Nunes Lopes no 31 da Armada explica que volte a Ronaldo e veja como o mundo dos blogues comentou a overdose mediática de ontem. Eu chamo-lhe overdose, Nuno dias da silva chama-lhe histeria, mas acrescenta: ”a transmissão televisiva desta noite fez mais pela projecção da marca (...) Portugal do que campanhas de milhões promovendo o turismo nacional. A «estrela, Cristiano Ronaldo e a referência do passado, Eusébio da Silva Ferreira, são portugueses, já para não falar da música de fundo que, escolhida a dedo pela organização, pertenceu aos portuguesíssimos Xutos e Pontapés, com «À minha maneira»”.

Aliás, a esse respeito Fernando Martins no Cachimbo de magritte, com muita ironia, estranhou a ausência em Madrid do “defunto ministro Manuel Pinho (ou qualquer outro representante do governo Sócrates). É que não estou a ver como é que uma marca portuguesa como é Cristiano Ronaldo pode ter chegado onde chegou nos mercados internacionais sem a ajuda deste governo ou, o que vai dar ao mesmo, daquele organismo do dr. Basílio Horta que apoia a exportação”... Sem ironia, mas com espanto, André Benjamim no blog com o seu nome: “Estranho mundo, onde um indivíduo ganha milhões de euros porque sabe fazer uns quantos passos de dança com uma bola entre os pés, e milhões de indivíduos morrem à fome, muitos sem que nunca tenham oportunidade de tocar numa bola... É a economia, estúpido! Afinal ainda vai acabar por ficar a custo zero!”

Comentários deste tipo, ou pelo menos bastante críticos, também não faltam: Gabriel Silva, no Blasfémias, acha que a histeria se deve aos media: “Se desligarem a emissão, vão ver como não há histeria nenhuma. Nem o CR, nem o Real, nem os adeptos tem qualquer responsabilidade na coisa. Apenas quem lhes dá trela e cria o absurdo”. Ana Margarida Craveiro, no Delito de Opinião, vai no mesmo sentido: depois de ver um Telejornal onde as verdadeiras noticias passam “entre a descolada do avião de Cristiano Ronaldo, a chegada de Cristiano Ronaldo a Madrid, as pessoas que se deslocam ao estádio para ver Cristiano Ronaldo, o Eusébio que almoça com Cristiano Ronaldo e sei lá mais o quê”. Frase para Ana caracterizar o momento: “Isto chega a ser patético”.

E O jogador, no meio do circo? Como se sentirá? Como resiste à pressão de tanta gente, de tamanha expectativa, de números estratosféricos? No blog Pensamentos, Hélder Robalo reflecte sobre isso e escreve: “quando penso em Cristiano Ronaldo e em todo o mediatismo em torno dele, lembro-me sempre de George Best e Diego Armando Maradona. Esperemos que esteja enganado!”

Espera ele e esperamos nós, claro, que torcemos pelo sucesso de Cristiano, independentemente da histeria e do exagero. Agora o tempo vai ser de jogar, e provar que não foi em vão que se montou todo este circo.

 

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Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Ronaldo, Jackson, Pires...

O fim-de-semana foi diversificado, muito vivo e dinâmico, e a semana também começa sem tempos mortos. Hoje, por exemplo, morte e vida juntam-se no mediatismo dos tempos que correm, e que João Gonçalves caracterizou escrevendo “O Ser e o tempo”: “As televisões anunciam emissões especiais. Para quê? Naturalmente para Ronaldo, em Madrid, e para as cerimónias funèbres de Jackson, em Los Angeles. We are the world, we are the children. E não queremos ser outra coisa”.

Na verdade, por mais que isso irrite e incomode o autor do Portugal dos Pequeninos, Ronaldo e Jackson são duas faces da mesma moeda – e de um tempo definido por ícones, por estrelas, por sonhos e ambições que ficam sempre do lado de lá das vidas comuns. Escreve Nuno Dias da Silva no Civilização do Espectáculo: “O jornal que mais vende em Espanha, «Marca», (...) que está para o Real Madrid como «A Bola» está para o Benfica, (...) alinha na fenomenal jogada de marketing de Florentino Perez e, na segunda-feira, (...) distribui, gratuitamente, um «superpóster» (...) de Cristiano Ronaldo, com a «colaboração» do Banco Espírito Santo. Ficam todos contentes e a lucrar com o mega-negócio. A caça ao homem em Madrid vai começar na próxima semana. No fundo, no fundo, no meio disto tudo, o futebol é o que menos interessa. A indústria elevou Cristiano ao nível de uma estrela da música ou do cinema”.

Lá está, direitinho, tal como sucede com Michael Jackson. Felizmente, os blogues são muitos e muito diversos, o que permite nesta segunda-feira viajar por outros temas. Por exemplo, o facto do PS ter impedido agora os seus candidatos a autarquias de serem tam bem candidatos s deputados. O social-democrata Pedro Santana Lopes comenta a noticia no blog com o seu nome: “Pediram a esses candidatos que disputassem Câmaras difíceis, com a garantia de que seriam Deputados e, agora que já apresentaram as candidaturas, já têm outdoors e tudo, é que lhes dizem que já não podem integrar as listas para as eleições Legislativas. Anda tudo mesmo complicado, lá pelo Largo do Rato...”.

Outro tema que inspirou a blogoesfera no fim-de-semana foi o anúncio da pianista Maria João Paris de se nacionalizar brasileira, farta que está, diz ela, de ser maltratada pelos poderes em Portugal; Carlos Guimarães Pinto, no Insurgente, acha que é “uma parasita a menos em Portugal” e diz que “até para o nosso estado socialista a chantagem tem limites. A estratégia de extorsão de Maria João Pires acabou por correr mal, (...) decidiu abandonar a nacionalidade portuguesa e partir para o Brasil. Era bom que os restantes parasitas lhe seguissem o caminho”. Tomás Vasques chama “prima-dona” à pianista e Tiago moreira Ramalho, no corta-fitas, nota que

“uma certa esquerda (está) indignadíssima com a traição à pátria de Maria João Pires” e pergunta: “Se acaso o governo contra o qual Maria João Pires se insurge fosse de uma outra cor, de uma qualquer outra cor, será que assistiríamos ao mesmo?”

É o reino dos nossos internacionais: Maria João Pires incomodada, Cristiano Ronaldo feliz. Hoje, pelo hoje, Ronaldo conta mais para o campeonato.

publicado por PRD às 00:04
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Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

O Estado da Nação

Amanhã é dia de debater o estado da Nação na Assembleia, a Janela estará fechada, por isso decidi antecipar o debate e procurar ideias no mundo dos blogues que ajudem a definir esse estado – que tanto pode ser um estado de alma, como um estado de sitio. Curiosamente, nestes dias em que se fala tanto do Benfica, é num post sobre o Benfica que encontro um primeiro olhar. Escreve Afonso Azevedo Neves: “Estava a beber o café e a olhar para os jornais que dominam o estabelecimento do Sr. Manuel, onde domina o Benfica e logo onde dominam os vários craques que se anunciam como tal e irão – finalmente – devolver a glória ao clube. Há aqui uma coisa curiosa, uma confusão entre saudade e nostalgia. No Benfica domina a segunda, que é similar à ilusão, anseia-se por aquilo que nunca teve lugar. A saudade enquanto memória do que já passou foi sendo moldada ao longo de anos para se tornar em desejo. O pior para o Benfica é que teima em desejar voltar a ser algo que nunca foi e viver na ilusão que isso é saudade. Não sou do Benfica mas reconheço, neste ponto, que ele é o mais português dos clubes”.

Como benfiquista, é claro que concordo com o post, porém, como jornalista que também observa o país, percebo a ideia de um país que nunca chegou a ser e que está eternamente adiado pela ilusão de um passado inexistente.

A verdade é essa: vivemos sempre com os olhos postos num outro lugar.

Mais a norte, Manuel Jorge Marmelo, no Teatro Anatómico, observa Portugal e o seu estado de modo diverso: “Começa (…) o mês de Julho e, sabe-se, os portugueses e as portuguesas pelam-se por casar em Julho ou Agosto (…), o que tem óbvias vantagens para o sector imobiliário (quem casa quer casa) e do mobiliário, sobretudo porque, gostando os portugueses e as portuguesas de casar em Julho e Agosto, hão-de fatalmente divorciar-se um dia destes e, bem vistas as coisas, são duas casas que se vendem de uma só vez, duas decorações completas, mais electrodomésticos e todas as demais traquitanas que podem dividir-se de comum acordo mas não se multiplicam, mais os advogados, os infantários para as crianças (…), mais o fitness da mãe que ainda vai ser nova de mais para ficar sozinha e encalhada e está perfeitamente capaz de arranjar um homem em condições e... Pudesse ser sempre Julho e Agosto e este país jamais saberia o que é a crise”.

Bom, este ano o Julho e o Agosto são meses políticos, que vão dar temas e mais temas, como amanhã se verá na Assembleia. O Estado da Nação não se recomenda, mas cuidado: o mundo dos blogues é muito critico e assertivo, por esse lado, bom, nada, mesmo nada se recomenda.

Recomendável, por isso, uma pausa. Se o tema fosse futebol, e o debate fosse algures na segunda circular, era mais fácil e eu seguiria as palavras de Galaad no blog Eterno Benfica: “A nova época começa hoje. Façam a vossa parte e nós, de certeza, que faremos a nossa. Ao vosso lado, sempre a cantar e a apoiar”. Na política, bem o sabemos, não é assim – é mais assobiar e estar contra...

publicado por PRD às 00:03
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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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