Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

Os milhões de Ronaldo

Não sei se falo de televisão ou de desporto, mas ambas se misturam na noticia que é fait-divers mas foi realmente a noticia que marcou os últimos dias. A televisão deu-lhe tanto destaque que Daniel Oliveira lhe chamou “Janela para o recreio”: “O que se está e irá continuar a passar no Irão é determinante (...) para a economia mundial, já que se trata de um grande produtor petrolífero e o que ali acontecer vai afectar outros grandes produtores. Mas ontem, quem queria saber alguma coisa sobre o que se passava no Irão teve de esperar, nos três canais de televisão, mais de três quartos de hora. Antes, ficou a saber coisa nenhuma, em intermináveis directos de Madrid para encher chouriço, sobre os 94 milhões de Ronaldo”.

Pois é: Cristiano Ronaldo. João Lopes, no blog Sound and Vision, chama-lhe “pandemia” e vai pelo lado mais inesperado dos factos: “12 de Junho de 2009: a primeira página do jornal The Star, de Kuala Lumpur (Malásia), resume a bizarra ironia de muitas manchetes de jornais de todo o mundo — no mesmo dia em que a Organização Mundial de Saúde declarava a situação de pandemia da gripe A (...), os destinos da humanidade eram abalados pelos milhões da transferência de Cristiano Ronaldo do Manchester para o Real Madrid (...). Na verdade, há um efeito pandémico do próprio dinheiro, como se já só sentíssemos que as fronteiras do real se podem deslocar quando esse dinheiro impõe, de forma mais ou menos brutal, os sinais da sua circulação”.

São muitos milhões, é um facto, o jornal Público chegou a perguntar se era o preço certo ou se o futebol estava a enlouquecer. Podemos passar horas a debater o tema, mas que ele existe, existe – e que interessa aos consumidores de informação, parece óbvio. Daí para a frente, a minha sugestão é simples: vamos desdramatizar o problema. Sigamos, por exemplo, Pedro Marques Lopes no blog União de Facto: “Estou contentíssimo por o Cristiano Ronaldo ter ido para o Real Madrid, assim já não preciso de torcer para que os dois clubes que menos gosto percam: o odioso Real e qualquer clube onde jogue o Ronaldo”.

Ou então olhemos a noticia pelo prisma que Bruno Pires exibe no Corta-fitas: “Ele (Ronaldo) não tem culpa que exista um louco na presidência do Real Madrid a querer desembolsar quase 100 milhões de euros por um futebolista numa altura em que a Espanha (...) e Portugal (...) atingem recordes de desemprego. Ele não tem culpa, mas que o timing chega a ser obsceno, disso ninguém duvida”.

Em ambiente de crise, Paulo Pinto Mascarenhas lembra, com ironia, que “Se o Bloco de Esquerda fosse governo em Portugal nada desta pouca vergonha das contratações capitalistas aconteceria. Ronaldo já teria sido nacionalizado”.

Da pandemia à nacionalização, Cristiano Ronaldo dá pano para todas as mangas possíveis. Os milhões são tantos que Daniel, na Dieta de Rochemback, acaba por ter razão: “Na minha extraordinária opinião, o Real Madrid deveria ter avançado com 100 milhões de euros, para facilitar os trocos”.

Lá está, é o “efeito pandémico do dinheiro”...

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Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

Blog da Semana: Marchas de Lisboa

“Bom dia, boa tarde ou boa noite, conforme a hora” – e parece que é rádio, mas não é: é um blog de um “amante das marchas de Lisboa e marchante há alguns anos”, que criou “este blog no intuito de unir e fortalecer a nossa cidade  e os nossos bairros”.

Chama-se Marchas de Lisboa, fica em marchaslisboa.blogs.sapo.pt e o que nele se pode encontrar é o sumo do sumo, isto é, informação útil sobre a noite que hoje anima o centro da cidade - e um canal de TV, pois claro - e leva meia-lisboa para a rua, entre sardinhas, cerveja, sangria e pão com chouriço: “noticias, fotos, letras, musicas, história ou seja, tudo o que tiver a ver com marchas populares e bairros de Lisboa”. O anónimo autor do blog pede ajuda e diz: “Colaborem comigo nesta tentativa de dar a conhecer as festas da nossa cidade, enviando o que tiverem (fotos, letras, musica....) de vários anos” para um endereço electrónico que ele disponibiliza na página.

Mas ele nem precisa de grande ajuda: no marchas populares, há notícias, ideias, opiniões. Uma notícia: “A edição deste ano das Marchas Populares de Lisboa orça em cerca de um milhão de euros. Aos 660 mil euros de subsídio da Câmara Municipal de Lisboa (...), somam-se mais de 260 mil euros para a logística dos três dias de exibições no Pavilhão Atlântico (...) e desfile na Avenida da Liberdade (hoje, dia 12)”.
Também fiquei a saber no blog que “a edição deste ano marca a estreia das Marchas da Baixa e Belém e o regresso dos Mercados”, e que por “parte dos estreantes as expectativas são diferentes: Belém quer fazer boa figura no ano de estreia enquanto a Baixa coloca a fasquia alta e ambiciona os primeiros lugares. Para tal, conta na coordenação com António Escolástico, que no ano passado venceu com Marvila”.

A ordem de exibição do desfile está no blog - esta noite, na Avenida da Liberdade, abre com a Voz do Operário e fecha com Alcântara – e quem quiser saber, por exemplo, como tudo começou pode encontrar lá a resposta: está nas “Maias”, que “originaram as festas dos três Santos Populares, Santo António, S. João e S. Pedro. Eram as “Maias” cantos litúrgicos dedicados no mês de Maio à Virgem Maria. Porém, tendo-se adulterado o seu carácter religioso, com o povo a fazer bailados nas ruas das cidades, foram consideradas pagãs e “mesmo depois de “proibidas no século XIV, por ordem de El-Rei Dom João I”, acabaram por voltar às ruas. E serem o que hoje são e motivam, inspiram e convocam o meu blog da semana: este, de um marchante das marchas populares que quer partilhar o seu entusiasmo com o mundo dos blogues. Cá fica o seu entusiasmo, e por via dele, o meu também.

E agora vou fechar a janela, porque sardinha assada é do melhor, mas o cheiro dentro de casa, isso é que não aguento...

 

publicado por PRD às 01:48
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Terça-feira, 9 de Junho de 2009

Eleições (II)

Segundo olhar sobre as eleições de domingo, vale a pena reter outras ideias que saem do mundo dos blogues, por exemplo esta, que parece esquecida: as empresas de sondagens foram derrotadas no domingo, falharam ao longo de semanas as previsões sobre os resultados. Tiago Moreira Ramalho, no corta-fitas, diz mesmo que “não se acredite nunca mais em sondagens. As sondagens, que tinham uma marca de credibilidade (...), falharam redondamente e todos sabemos que as sondagens afectam directamente as intenções de voto”. Paulo Pinto Mascarenhas, no ABC do PPM, concorda: “Ganham todos menos o PS, as sondagens e os comentadores políticos”.

Outra relevância colocada em segundo plano é que estas eleições, sendo europeias, se realizaram em todos os países da União nos últimos dias. Sofia Loureiro dos Santos, no Defender o Quadrado, deixa um olhar sobre esse facto: “Parece que os líderes de direita se aguentaram - Sarkozy e Merkel. Rajoy, Manuela Ferreira Leite e os conservadores ingleses ganharam. A Europa vira à direita em tempos de profunda crise financeira e social. Dá que pensar”.

Pois dá – como dá que pensar o que pode o PSD fazer agora para capitalizar a vitória de domingo. Rui Albuquerque, no Insurgente, é claro: “Se quiser ganhar as próximas legislativas, o pior que o PSD poderá fazer é não perceber que este resultado pertence, quase por inteiro, a Paulo Rangel e ao que ele representou, e não tanto ao partido, que verdadeiramente não o merece. Os portugueses, como qualquer eleitorado do mundo, quando estão descontentes com um governo querem mudar de política e de políticos. Não basta, por isso, oferecer-lhes palavras. Há que oferecer protagonistas novos e credíveis. Foi assim que o PSD ganhou com Cavaco há vinte anos, que ganhou agora com Paulo Rangel, e que terá que continuar a fazer para ganhar as próximas eleições legislativas”. Já Filipe de Arede Nunes, no Risco Contínuo, é claro na recomendação contrária: “Foi Vital Moreira - embora tenha sido bem ajudado por Sócrates - quem perdeu estas eleições no PS. (...) Vital Moreira foi um erro de escolha por parte de José Sócrates”.

Por falar em desastres, escreve André Abrantes Amaral que “Desastre é os comunistas terem mais de 20%”: “Francisco Louçã, diz ele, fala de um desastre económico. Prefiro referir-me ao desastre cultural que é termos dois partidos de extrema-esquerda a somar mais de 20% dos votos. Na verdade, ainda estamos a pagar muito caro o atraso que o Estado Novo nos impôs”.

Sem querer, este post um pouco estapafúrdio leva-me a Laurinda Alves e ao seu blog, agora que se sabe que não foi eleita: “Mais de cinquenta mil votos de confiança e a certeza de que é preciso começar pelo princípio enchem-me de certezas e de confiança. Passem todas as redundâncias, quero agradecer aqui toda a alegria e entusiasmo que senti neste tempo exigente e desafiador e continuo a sentir agora. Obrigada a todos a a cada um”. Laurinda é sempre esta imagem positiva, optimista, com futuro anunciado. A politica também pode ser feita assim. E não apenas de vitórias e derrotas. Agora vêm aí feriados e descanso, deixemos a cabeça a pensar nisto. E depois logo se vê, à portuguesa.

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Segunda-feira, 8 de Junho de 2009

Eleições (I)

Comecemos, hoje, por uma análise imediata às eleições de ontem, e deixemos para amanhã ideias em segunda linha... Primeira análise: os blogues, desta vez, preferiram analisar mais e reportar menos. Se nas ultimas autárquicas pareciam todos jornalistas em directo, agora – em geral, claro – foram mais analíticos, ponderados, como se percebessem com rigor que papel lhes pode estar reservado. E por isso cá vão opiniões e ideias bem pensadas, começo com Medeiros Ferreira no Bicho Carpinteiro: “O PSD mal passou à frente do PS, com todo o mérito para Paulo Rangel (...) e já está a propor a paralisação das obras públicas no país. Mau sinal”. Assim é, na verdade, numas eleições “mais nacionais que europeias”, como escreveu Tiago Moreira Ramalho no corta-fitas: “nasceu uma nova estrela na política: Paulo Rangel. Surgiu sem ser dos meandros partidários, dos favores e lambe-botismos, e conseguiu afirmar-se como um excelente político, um político à moda antiga. Esta vitória foi também, e não vale a pena tentar escapar a esse facto, uma vitória de Manuela Ferreira Leite”. Carlos Barbosa de Oliveira, no Delito de Opinião, discorda: “Não foi Manuela Ferreira Leite que ganhou as eleições, mas sim Paulo Rangel. Ferreira Leite  andou escondida na primeira fase da campanha e só apareceu quando percebeu que o seu candidato poderia fazer uma gracinha. Ainda chegou a tempo de capitalizar a vitória, pela qual pouco lutou”. Pedro Santana Lopes reparte os louros, no blog com o seu nome: “Manuela Ferreira Leite e Paulo Rangel são quem mais é merecedor de parabéns. Principalmente, a Presidente do PSD, que fez questão de se manter fiel ao rumo que traçou para estas eleições, não se impressionando com o ruído contra si e sendo coerente, também, na linha estratégica”.

O debate continuará nos próximos dias, seguramente, mas há já alguns sinais sobre os quais vale a pena reflectir e que são, de alguma forma, o futuro imediato. Sinal primeiro, sublinhado por Nuno Dias da Silva: “A tese da (in)governabilidade e do «nós ou o caos» vai ser brandida pelo PS nos quatro meses que faltam até aos proximos actos eleitorais. Nas autárquicas, e especialmente nas legislativas, será diferente. Na hora da verdade, confrontados com a escolha entre Sócrates e Ferreira Leite tenho dúvidas se a maior parte dos portugueses não se vai inclinar pelo «chefe» socialista. De qualquer forma, esta semana dos feriados promete ser de ressaca no Largo do Rato. O súbito desmanchar de feira e esvaziar da sala do Hotel Altis, testemunhado pelas câmaras de TV, foi algo de verdadeiramente arrepiante”.

Sinal numero dois, aquele que Carlos Loureiro traz no Blasfémias: “A abstenção aumentou, mas votaram mais 160.000 pessoas do que em 2004. O PS perdeu mais de 600.000 votos. A CDU ganha 70.000 novos eleitores. O BE aumenta o seu score em mais de 200.000 votos (mais do que duplicando a votação)”.

Provando que, afinal, quando passada a espuma da eleição, há mais para pensar com base nos mesmos dados. Pensemos então, considerando já agora a perplexidade bem-disposta de Rodrigo Moita de Deus no 31 da Armada, que ficou estupefacto com “5000 almas que votaram no POUS. 16000 que votaram no Partido Humanista e 21000 que votaram no MMS”. Eu estou com ele: estupefacto, também...

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Sexta-feira, 5 de Junho de 2009

Blog da Semana: Mesa Redonda

A escolha do meu blog da semana tem recaído muito sobre novos blogues, propostas menos óbvias, ideias que escapam à normalidade. Faz sentido, para variar da actualidade dos dias. Mas hoje, em véspera de jogo da selecção nacional de futebol, proponho um blog que me atrai por algo inesperado: a normalidade! Ou seja, é um blog comum, normal, corrente. De alguma maneira, ele representa uma outra ideia da blogoesfera, que pode ser a de amigos que se juntam para a conversa. Neste caso, claro, conversa virtual. Assim sucedeu há pouco mais de um ano quando seis amigos decidiram abrir A Mesa Redonda, “Um blog onde se fala sobre a percepção do futebol, onde todos julgam ter razão, mas nenhum verdadeiramente a tem! A sabedoria está em todos nós, daí todos nós termos a nossa opinião sobre os assuntos e todos nós termos uma visão de cada coisa!”.

Linguagem simples, básica, prática porém já passou um ano e os amigos continuam juntos, cumprindo o que prometeram no começo: "discutir" assiduamente as nossas cores, cada par de elementos defende a sua, e todos vamos fazer para que no blog exista uma frequência e correcção de opiniões em que os visitantes possam também dar a sua opinião. É natural que cada um tenha uma visão diferente dos acontecimentos, mas também é natural que aí se concentre a maior riqueza do blog”.

Aí está: começaram por ser dois de cada clube, Porto, Benfica e Sporting, hoje já são dez colaboradores, e prometem ir mais longe: “A Mesa está a crescer e outras áreas do futebol podem ser exploradas, o projecto modificou-se na sua estrutura, mas não no seu ideal. Esperamos ter um crescimento sustentado, onde a qualidade de opiniões e da discussão esteja sempre presente”.

Apesar do aspecto curricular do blog, há algo nele que acaba por ser, senão original, pelo menos incomum: reúne autores de diversos clubes, quando a regra na blogoesfera é juntar adeptos em blogues ligados individualmente. Esta saudável confusão de cores, entre o verde, o vermelho e o azul, acaba por ser o segredo do próprio blog, diversificado, paradoxal, por isso mais interessante.
Encontram-se em amesaredonda.blogspot.com e na verdade o que vale a pena reter deste blog é o facto de, na sua humildade, na simplicidade do seu formato, da sua pose, residir ainda a pureza do mundo original dos blogues. Nesses tempos idos, a espontaneidade era rainha e a ambição maior era escrever, manifestar opinião, independentemente de se ser ouvido ou não.
Amanhã Portugal joga a carta final no próximo Mundial, e então a minha escolha fica por conta de um blog do mundo da bola, que é redonda como esta mesa...

 

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Quinta-feira, 4 de Junho de 2009

Voto obrigatório, dia de reflexão...

À beira das eleições europeias, e uma vez que todas as vezes que abri a Janela sobre o tema foi para concluir o mesmo – de Europa, ninguém fala, e todos criticam porque ninguém fala de Europa – dizia, já que o discurso dos blogues nestes dias foi sempre o mesmo, mais Rangel menos Rangel, mais Vital menos Vital decidi dedicar este ultimo olhar às eleições a temas laterais, fora do comum, mas sobre os quais se pode sempre reflectir num momento de campanha. Por exemplo, o voto obrigatório – tema que acabou por passar ao lado da campanha, embora tenha quase chegado a tema do dia por via de uma declaração de Carlos César.

João Miranda, no Blasfémias, não tem duvidas: “O voto obrigatório é uma clara violação da liberdade individual, ainda por cima, da liberdade individual daquele que em democracia é o soberano. É uma inversão completa da relação de soberania”. Pode ter razão, mas eu sou tentado a seguir Bernardo Pires de Lima no União de Facto. Ele coloca a questão da forma, penso eu, mais sensata: “Há gente irresponsável que opta por não votar. É coerente. Há gente com responsabilidade pública que não só não vota, como apela à abstenção. Estas pessoas, entre eles alguns opinadores, desprezam o voto. Têm-lhe uma raiva incontida, dão-lhe um significado diminuto. São, por outras palavras, uns ingratos (...). Poucos portugueses lutaram para que muitos pudessem votar um dia. O mínimo que estes milhões poderiam fazer era honrar essa conquista. Infelizmente não o fazem. Depois não se queixem”.

Dito isto, outro tema lateral que chegou ao mundo dos blogues nesta campanha: vale a pena ter um dia de reflexão? Um dia em que nada se pode dizer sobre a eleição do dia seguinte? Rodrigo Saraiva, no blog Piar, levantou a questão: “Este dia, escreve ele, não inibe apenas os candidatos de apelar ao voto mas também, por exemplo, os media de noticiarem sobre a campanha em questão. (...) Acredito que este assunto, a curto prazo, poderá estar na agenda. Sendo certo que haverá muitos “puristas” do sistema a defender a manutenção do dia. Será bom de ver os argumentos e posições de políticos, jornalistas e editores, politólogos, consultores, entre outros, relativamente a esta matéria”.

Nuno Gouveia, no cachimbo de Magritte, é o primeiro que leio com ideias claras sobre o tema: “A minha resposta é não. Nos dias de hoje será normal andar semanas e semanas a falar de partidos, projectos políticos ou candidatos e depois, um dia antes das eleições, tudo se apagar, e ninguém poder escrever ou falar sobre o assunto? (...) O dia de reflexão é inútil, e poderá mesmo servir até para desmobilizar algum eleitorado. Na era dos novos media, impor um silêncio até pode ser considerado quase anti-democrático. Este ano será interessante verificar como irão as pessoas comportarem-se nas redes sociais e nos blogues. (...) Era bom que os partidos políticos iniciassem um verdadeiro debate sobre a utilidade deste dia de reflexão. A democracia portuguesa ficava a ganhar”.

E pronto: mais duas achas para a fogueira do debate sobre as leis eleitorais. Amanhã acaba a campanha, domingo tudo se decide...

publicado por PRD às 01:44
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Quarta-feira, 3 de Junho de 2009

Portugal dos Pequeninos, agora em livro

O mundo dos blogues trouxe ao mundo real muitas coisas feias – como a difamação escondida no anonimato ou o insulto gratuito – mas tem trazido muito mais coisas boas, como novos autores, talento, informção, conhecimento, debate de ideias. E livros, da blogoesfera têm saído livros com metódica regularida. Hoje, daqui a poucos minutos, é lançado em Lisboa mais um livro que nasce de um blog. Por sinal, um blog muito citado aqui na Janela Indiscreta – e quando me perguntam porque há nomes que passam por aqui mais do que outroa, a minha resposta é sempre a mesma: é porque há autores de blogues que não perdem pitada da actualidade, que apresentam argumentos diferentes, que são alternativos em relação à mediania da opinião, mesmo quando são excessivos.

Ora bem: está neste caso o João Gonçalves, autor do Portugal dos Pequeninos, que a partir de hoje não é apenas blog, é tb livro, apresentado por José Pacheco Pereira.

Ora bem, o João Gonçalves é reconhecidamente um conservador, um homem de direita, razão pela qual achei mais interessante. No meio dos elogios que lhe encontro na rede, ir ao encontro de um blogger de esquerda, José Teófilo Duarte. Escreve ele: “O João Gonçalves é um velho companheiro na jovem blogosfera. Este livro, onde reúne alguns textos que considerou possíveis de passar ao prelo, é uma montra do que se pode dizer sem peias sobre tudo o que nos apetece. É uma conquista dos blogues. E não é preciso ir comemorar em desfiles pela avenida da Liberdade. Vive-se aqui, neste aconchego.
Aqui há uns dias, no facebook, comentei um cartaz que um meu "amigo" exibia na sua página. O homem considerou indelicadeza. Há quem pense que estas coisas são para viver com o guardanapo no colo e com os cotovelos no poiso correcto. Não entendem o comentário mais afoito. Não percebem que a Democracia vive do conflito. O utilizador em causa é um desatino de convicções: monárquico, direita bem à direita, mas embrulhado em obamiana imagem. Enfim, a grande balbúrdia. Percebe-se, portanto, o desalinho da incompreenção. Em liberdade até o disparate é livre. Mas vá lá alguém dizer que o rei vai nu. Leva logo com despedimento da lista de friends. Agradeço, claro, é sempre bom que estes equívocos se corrijam. E se alguém acha que ser amigo é fazer sempre assim com a cabeça...
Com o João Gonçalves passa-se exactamente o contrário. Às vezes concordamos uns com os outros. Mas a maior parte das vezes discordamos. É por isso que o João se mete com os amigos de esquerda, mas também com os de direita. Ele é a sua própria comissão política e o secretariado nacional e mais as comissões regionais ou lá o que é. Pessoalmente, também estou inscrito nesta liberdade. Todos são bem vindos à colectividade. Quem não se der bem... tem bom remédio”.

Teófilo Duarte tem toda a razão e é por isso que o blog Portugal dos Pequeninos é obrigatório quase todos os dias. A partir de hoje, em livro também – fazendo do mundo dos blogues algo maior do que muitas vezes se julga.

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Terça-feira, 2 de Junho de 2009

Guerra na advocacia

Os advogados andam em pé de guerra com o seu bastonário, Marinho Pinto, e há movimentos fortes no sentido de o substituir. Cada vez que ele dá sinal de vida, rebenta a polémica, como sucedeu na semana passada depois da entrevista com Manuela Moura Guedes na TVI. Ontem, foi a vez do Prós e Contras, na RTP, ter feito uma emissão sob o genérico “o que divide os advogados”. Carlos Abreu Amorim, no Blasfémias, acha que bastaram 40 minutos para perceber que o grande adversário de Marinho Pinto é mesmo o ex-bastonário Rogério Alves: “Com uma retórica firme, elegante, politicamente doseada, sem laivos de rancor nas suas acusações, distingue-se dos detractores habituais de Marinho Pinto por muitas léguas de inteligência e de talento verbal. Ele é o anti-Marinho Pinto, no sentido de se situar nos antípodas dos valores do actual bastonário”. Exceptuando este ponto, Abreu Amorim reconhece que “O resto esteve muito fraco. E a classe não saiu nada prestigiada”. Irónico, Paulo Ferreira no Câmara de Comuns prefere resumir o que viu nesta ideia: “Afinal um grupo de advogados pode imitar uma claque de futebol...temos os Super Maus, os Juve Bons e os No Job Boys!”.

Samuel de Paiva Pires, no blog Estado Sentido, defende o bastonário: “Goste-se ou não, Marinho Pinto é um homem que parece pautar-se pela procura pela verdade, da justiça e transparência, independentemente do estilo mais ou menos agressivo, consoante os gostos. Não posso, no entanto, deixar de me questionar se este tipo de discussão a que estamos a assistir neste momento é favorável ou prejudicial à democracia. A juntar à baixaria que é genericamente o debate político, com constantes lavagens de roupa suja, vêm agora também os advogados lavar a roupa suja. Não se augura nada de bom”.

Marinho Pinto tem tido, não apenas ontem, nem só no caso TVI, tem tido, dizia, o dom de excitar a classe dos advogados, para o bem e para o mal, mas também o comum dos mortais. Reparo que no Arrastão Daniel Oliveira já lhe chamou “o idiota útil”, por ter dito que o não voto “é uma arma contra mais do mesmo”. “De frete em frete, escreveu Daniel, Marinho Pinto lá vai mostrando como um populista pode ser muito útil ao poder”. Noutro blog, leio Nuno Dias da Silva elogiando o bastonário “que fala mais vezes verdade do que muitos pensam”, e que “vem berrando há muito, que «suas majestades» desçam do pedestal para onde subiram e comecem a explicar à populaça as incompreensíveis decisões que tomam. Felizmente, os juízes portugueses dormem todos de bem com a sua consciência. Valha isso”.

Ou seja, em meia dúzia de casos extremos deixo-vos esta ideia que o programa da RTP ontem à noite consolidou: populista ou corajoso, demagogo ou pragmático, como quer que se queira ver o bastonário Marinho Pinto, ele veio mexer nas águas paradas da advocacia e provocar o debate. O que daqui resulta, bom, só a classe pode decidir. Mas como a justiça mexe com toda a gente, convém estar atento – o que sair daquela Ordem no futuro dirá respeito a qualquer de nós.

publicado por PRD às 01:38
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Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

Eleições europeias - parte 3

Passaram mais 4 dias – ou seja, a ultima vez que andei pelos blogues a ver o que escrevem sobre a campanha eleitoral foi na quinta-feira. Regresso neste começo de semana, a sete dias das eleições, e não noto qualquer diferença. O tom continua a ser o mesmo: desesperança, indiferença, descrédito. Vejamos Tomás Vasques no Hoje há Coquilhas: “Neste momento (…) seria «normal» o PSD estar claramente à frente dos socialistas nas sondagens. Por três motivos: primeiro, o desgaste pessoal do primeiro-ministro, debaixo de fogo cerrado durante dois anos (…); segundo, o natural desgaste do Governo que está a pagar os efeitos de uma crise internacional profunda (…); terceiro, para a generalidade dos portugueses os resultados destas eleições não são importantes. Tanto se lhes dá que o PS tenha 8 deputados europeus, como o PSD 9 ou vice-versa. E, assim sendo, é altura de expressar nas urnas descontentamentos sem sofrer consequências. (…) Surpreendentemente, os socialistas aparecem invariavelmente em primeiro lugar nas sondagens. Se, no próximo Domingo, face às circunstâncias, os socialistas confirmarem a vitória eleitoral (…) estamos perante uma das maiores derrotas eleitorais do PSD. Não há volta a dar!” Repare-se que sobre a Europa, zero – tudo se verifica como se as eleições fosse nacionais. Leio Filipa Tourais no blog País do Burro. Que diz ele? Que a cobertura eleitoral “tem-se limitado ao acompanhamento deste espectáculo pouco edificante. Ping para as gafes de um Vital que tem procurado aparecer ao lado de Sócrates, pong para um Rangel que tem evitado aparecer ao lado da Ferreira Leite das gafes; ping para a centralização do debate na criação de um imposto que só mesmo um Vital para descobri-lo, pong para o debate de um PREC que só um Rangel seria capaz de descobrir. (…) PS e PSD comandam a agenda mediática e esta determina o share das intenções de voto da audiência e, com o cenário assim montado, não surpreende que aquelas revelem que quem recusou o jogo do ping e do pong e não se desviou do tema Europa se esteja a prejudicar por não aparecer no menu que diariamente nos é servido: vota ping ou vota pong. A comunicação social está a prestar um péssimo serviço”.

Não surpreende, por isso, o post, que também foi artigo de jornal de, Ana Margarida Craveiro no 31 da Armada em que escreve: “a abstenção nas eleições europeias seria menor se houvesse uma politização das eleições, com estratégias europeias a ir a votos. Sucede que o eleitorado não conhece essa politização, logo, não vota”. E termina com uma nota relevante: “A pequena Europa do passado tinha vencedores consensuais. Hoje, a competição pelo poder é feita a 27, com maiorias de esquerda ou direita. Ou seja, existe uma verdadeira democracia na Europa. A nossa campanha desrespeitou essa democracia europeia com a politiquice portuguesa do costume”. Assim caminhamos para o dia do voto, o dia decisivo. E joão Gonçalves tem razão: O calor não ajuda. Os protagonistas não ajudam. As ideias não abundam. A Europa é um pretexto num país onde nunca chegou a ser "texto".

publicado por PRD às 01:41
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PRD

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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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