Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2009

Cautela, mulheres!

A noticia surpreendeu: o cardeal-patriarca de Lisboa Dom José Policarpo durante um debate no auditório do Casino da Figueira da Foz deu conselhos estranhos às mulheres portuguesas: “Cautela com os amores. Pensem duas vezes em casar com um muçulmano, pensem muito seriamente, é meter-se num monte de sarilhos que nem Alá sabe onde é que acabam.” A blogoesfera rugiu como um leão. Eduardo Pita confessa que ficou com “os cabelos em pé”, chamou “bizarras” às declarações e lembrou que “D. José Policarpo não é um patusco a lavar o fígado nas caixas de comentários dos blogues”. Leonor Barros, no Delito de Opinião, acha “lamentável”: “Onde devia haver tolerância, existe uma advertência carregada de preconceito”. Mais radical, o blog Diário Ateísta escreve: “Também concordo que «é muito difícil» dialogar com islâmicos, pois acham que «a verdade deles é única e é toda». Acontece que tenho tido o mesmíssimo problema com católicos e outros cristãos. Se Policarpo quer ser levado a sério, tem que dar mais um ou dois passos (...), e aplicar a outros a crítica que faz ao islão. Pode começar pela casa dele”. No mesmo sentido vai Carlos Araújo Alves no Ideias Soltas: “Notáveis, estas declarações (...)! Notáveis, edificantes e propiciadoras para o tal diálogo, mesmo ciente da falta de liberdade das mulheres (...) em países de maioria islâmica. Mas uma coisa é estarmos cientes dessa realidade; outra bem diferente é um Cardeal Patriarca meter-se por esses caminhos tão mediaticamente perversos como inconsequentes e, diga-se, muito pouco cristãos”. E agora, com o esclarecimento adicional da Conferência Episcopal, ficará “a coisa mais ou menos como dantes”, como escreve Maria João Nogueira no seu blog? Não sei se ficará, atendendo a duas reacções. A primeira, que leio no blog Lóbi, pela mão de JCS, “Interpretando os comentários de D. José Policarpo a contrario, podemos dizer que os católicos são mais maneirinhos. São uma religião "crente-friendly". E, na verdade, estão mais afáveis. Noutros tempos os pombinhos respondiam perante o Tribunal do Santo Ofício”. A segunda, no Portugal dos Pequeninos, com João Gonçalves: “D. José Policarpo fez o que lhe competia e, apesar da tertúlia, falou essencialmente para os cristãos. Quando outros dirigentes religiosos se manifestam, nunca se pressente este velho e estúpido ódio em relação à Igreja Católica nas "reacções" dos plumitivos. Para os outros, há sempre tolerância porque, como "ponto de partida" destes "pensadores", tudo o que brota de Roma e dos seus seguidores é, por definição, mau. Vale a pena perder tempo com gente desta?” Lá está: o tema pode não esta esgotado. E concordo com o blog Palpitar quando recorda outro episódio rocambolesco: «“Fez-me lembrar aquele comandante da marinha que proibiu as massagens na praia com o mesmo argumento. “Todos sabem como começam, mas ninguém sabe como acabam”»
publicado por PRD às 23:52
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Quarta-feira, 14 de Janeiro de 2009

Judeonazi?

O conflito entre Israel e a Palestina continua a alimentar blogues e mais blogues, mas raras vezes a conversa passa do mais óbvio: defesa de uma das partes, argumentação sobre o tema. Por isso vou deixando o debate em lume brando. Polémica a sério, bom, essa promete o post recente de José Saramago no seu blog pessoal. Pedro Correia levantou a lebre no Delito de Opinião: “Há muitas páginas controversas no percurso literário e jornalístico de José Saramago. Mas poucas são tão inacreditáveis como as que o Nobel da Literatura acaba de escrever (...) a propósito do ataque do exército israelita ao Hamas na Faixa de Gaza. O escritor compara a investida da tropa de Telavive às atrocidades nazis. Fala em "genocídio" e chega ao ponto de considerar que o que ocorre em Gaza supera aquilo que Hitler accionou contra os judeus durante o Holocausto. (...) Banaliza-se o Holocausto, relativiza-se o império do mal nazi comparando-o a qualquer conflito armado contemporâneo (...). Qual o efeito prático de tudo isto? Branquear a página mais negra da história humana, que se traduziu no assassínio sistemático e meticuloso de seis milhões de seres humanos às ordens de um estado totalitário, onde qualquer dissidência equivalia a morte. É ainda mais chocante que seja um Nobel da Literatura a estabelecer esta equivalência moral”. A frase que chocou o jornalista foi esta: "O exército israelita, esse que o filósofo Yeshayahu Leibowitz, em 1982, acusou de ter uma mentalidade 'judeonazi', segue fielmente, cumprindo ordens dos seus sucessivos governos e comandos, as doutrinas genocidas daqueles que torturaram, gasearam e queimaram os seus antepassados. Pode mesmo dizer-se que em alguns aspectos os discípulos ultrapassaram os mestres." O texto de Saramago é realmente chocante. Afonso Azevedo Neves, no 31 da Armada, chama-lhe um disparate – e André Azevedo Alves, no Insurgente, diz que o escritor é inenarrável. O rastilho está lançado, o Nobel português não vai passar incólume com esta declaração. Noutro registo, vale a pena a visita ao blog Sem Muros, de Miguel Portas, pois ele foi o único eurodeputado português a ter oportunidade de visitar a faixa de Gaza nos dias de guerra. Miguel publica uma reportagem pessoal, muito sentida, mas um testemunho que vale a pena ser lido, quer se concorde ou não com a defesa que faz dos palestinianos. Do que escreveu sublinho esta passagem, puro jornalismo: “Durante as tréguas o povo sai para a rua. Não há praticamente lojas abertas mas as pessoas saem para respirar, passear e recolher as informações do dia. Se cai uma bomba a algumas centenas de metros, olham para a coluna de fumo, e a vida continua. Dito assim, parece terrível e é-o. Porque terrível é o modo como este povo interiorizou a vida com bombas”. Lá está: aqui e ali, encontro verdadeiros pontos de interesse no debate sobre o conflito, mesmo quando o interesse está na mais dura polémica. O tema presta-se, é um facto.
publicado por PRD às 23:51
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Terça-feira, 13 de Janeiro de 2009

O melhor do mundo

Antes da notícia, Rodrigo Moita de Deus avisava no 31 da Armada: “Se Cristiano Ronaldo não ganhar hoje o prémio da FIFA, as televisões têm de refazer o alinhamento dos noticiários, os jornais têm de refazer as primeiras páginas e o pais tem mesmo de se preocupar com coisas importantes”. Mas pronto: Ronaldo ganhou e Portugal passou a noite em festa sem se preocupar com a crise. Com alguma razão, como nota Rocha no blog Livre Indirecto: “Sete anos depois de Luís Figo, Portugal volta a ter um jogador no topo do Mundo. Num país pequeno como o nosso, é algo que merece ser destacado. Há pessoas que nem têm noção da dimensão da distinção de que foi alvo Ronaldo. Não só para o futebol português, como para o próprio país. Dois "melhores do mundo" num passado bem recente da história do futebol. Quantas nações se podem orgulhar disso?” Poucas, sem duvida, dando razão ao entusiasmo de Jorge Ferreira no Tomar Partido, que o envolve nas elites de Portugal: “Cristiano Ronaldo foi definitivamente entronizado como o melhor futebolista do mundo em 2008. Creiam-me, é coisa muito difícil de alcançar. Por isso merece indiscutivelmente ser reconhecido. Os excessos de Cristianomania irritam-me, a sua produtividade na selecção nacional desilude-me, o seu discurso é pobre e muitas vezes irreflectido, estou farto de ver a família na televisão (...), tem mostrado alguns tiques de sobranceria e arrogância, (...) mas ele é o melhor do mundo. Ponto final. Tem um valor adicional. Conseguiu isto com base no seu talento e no seu esforço. Veio do nada. Como é raro ver portugueses assim”. Na verdade há sempre criticas a fazer ao puto maravilha, mas concordo com João Maria Condeixa no blog Câmara de Comuns, quando exclama: “Ele só ganhou o prémio de melhor jogador do mundo. E isso não o obriga a ser o melhor do mundo cá fora!”. No blog Direito de Opinião, António de Almeida recorda o “rapaz humilde, trabalhador, que lutava por vencer, arrogância só cara a cara com o adversário que driblava por vezes de forma quase insolente, fruto do seu inegável génio”. Recorda o jogador do Sporting cuja postura hoje não aprecia “pela obsessão em troféus individuais quando o futebol é na sua génese um jogo colectivo, pela excessiva vaidade”. Como ele, ninguém fica “indiferente aos dribles, remates e golos do Cristiano Ronaldo, já o CR7 lamento, mas não me diz absolutamente nada!”. É mesmo assim; no mundo dos blogues, as opiniões dividem-se entre quem se rende ao melhor do mundo e quem, apesar de o reconhecer, não suporta os tiques normais de uma vedeta que viu a fama e dinheiro quase da noite para o dia. Num caso e noutro, não podemos escapar a este momento de glória – que resulta apenas do seu talento a jogar futebol, jamais da sua tendência para ser noticia na imprensa cor de rosa e nas páginas de acidentes dos jornais populares. Hoje, o dia é dele – e neste caso, o dia é muito merecido.
publicado por PRD às 23:49
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Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2009

O frio na TV

O frio – eis o que abre noticiários e domina as atenções. O país a bater o dente e alguma paralisação nos cérebros de quem tem de noticiar o assunto. Nuno Duarte, no blog Risco Contínuo, não estranha: “Depois do congelamento salarial, do arrefecimento da economia, do gelo nas relações internacionais e do Inverno da acção social será assim tanto de estranhar este frio?”.

Na verdade, no jogo de palavras, o frio e a crise juntam-se na mesma esquina. Penim Redondo, no blog Dote Come, vê as noticias na TV  indignado: o Telejornal diz que a Protecção Civil recomenda “que, em caso de frio, se vista várias peças de roupa em vez de só uma. Eu pergunto-me: que ideia terá esta gente acerca do povo? Consideram-nos a todos tão imbecis que nos aconselham o instintivo e o óbvio?”.

A este propósito, o experiente transmontano Francisco José Viegas, no Origem das Espécies, surpreende-se com a imagem que temos do nosso próprio clima: “Não sei quem meteu na cabeça das novas gerações a ideia de que somos um país de clima moderado. Não somos. Portugal é destemperado. Só isso explica a parvoíce e a histeria dos jovens jornalistas que se exaltam com temperaturas negativas como se fosse o fim do mundo”.

Noutro post, Viegas ironiza ainda com a cobertura televisiva do tema: “Aparece uma repórter embrulhada em roupa importada do Canadá, de microfone estendido, procurando reacções ao frio em Bragança, Vinhais, Montalegre, Terras de Bouro ou Manteigas. Encontra um grupo de cidadãos locais a quem aponta o microfone: «Então, está frio?» Os cidadãos locais entreolham-se: «Está, de facto, está frio... Em Agosto não está assim...» Ela: «Mas está mesmo frio, não está?» Os cidadãos locais, voltando-se de novo para a repórter: «Sim, sim, é capaz de nevar, é...» (...) E o cidadão local ajeita um pouco o casaco sobre a camisa de flanela: «Bom, no ano passado nevou por esta altura.» Ela: «Nevou? Brrrr... E então como é que fazem?» O cidadão local: «Agasalhamo-nos. Acendemos a lareira mais cedo e tal, um bagacito, e esperamos que passe. (...) Em Janeiro não vamos para a rua em tronco nu, pelo menos de manhãzinha.»

Realmente, muitas vezes estas reportagens sobre o tempo são, enfim, mais do mesmo, ou o mesmo de nada. Pedro Correia, no “Delito de Opinião”, conta outro momento: «"Os portugueses tremem de frio", conclui, categórica, a repórter da SIC no lançamento de uma peça em que fala com um "senhor António", comerciante. Este garante que "os homens não gostam de collants porque cola muito ao corpo e faz comichão". Não sei se os homens a que o senhor António, comerciante, faz referência são "os portugueses", como a repórter qualifica os habitantes cá do rectângulo, esquecendo os das ilhas. Mas fiquei a saber que os ucranianos, angolanos, cabo-verdianos e brasileiros residentes em Portugal não "tremem de frio". Boa notícia para eles: assim não precisam de collants».

É o que dá quando as noticias são não-noticias, ou noticias sem nada dentro. A não ser, é claro, muito frio, gelo e neve...

publicado por PRD às 23:25
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Sexta-feira, 9 de Janeiro de 2009

Blog da Semana: Delito de Opinião

Primeira escolha da semana em 2009, um blog novo, um sinal de renovação, ainda que os nomes envolvidos sejam quase todos eles de bloggers bem activos: “Delito de opinião”, assim se chama o novo espaço que podem encontrar em delitodeopiniao.blogs.sapo.pt. O estatuto editorial parece digno de um jornal clássico:

“É um blogue apostado na reflexão e na análise dos mais diversos temas relacionados com a actualidade, sem receio de exprimir convicções claras e fortes, nem de confrontar opiniões numa sociedade onde se regista um défice permanente de debate.

É um blogue não programático, o que não significa ausência de convicções. E é um blogue que considera o exercício da crítica um valor permanente numa sociedade democrática.

É um blogue que acompanha os assuntos políticos, numa perspectiva não doutrinária, mas que não esgota aqui os seus focos de interesse. (...)

É um blogue aberto a comentários (...). Mas sem confundir a livre troca de ideias com a tolerância perante insultos ou expressões difamatórias, que não terão aqui acolhimento.

É um blogue que acredita na diversidade de ideias, sem contemporizar com extremismos de qualquer espécie (...).

É um blogue que considera a língua portuguesa um património a defender, preservar e valorizar (...)”.

E assim se juntam Adolfo Mesquita Nunes, Ana Cláudia Vicente, André Couto, Carlos Barbosa de Oliveira, Coutinho Ribeiro, José Gomes André, João Carvalho, Leonor Barros, Marta Caires, Paulo Gorjão, Pedro Correia, Teresa Ribeiro, Vieira do Mar. Um grupo que promete um blogue polémico e animado e que curiosamente não se conhece todo fisicamente. Encontro este post de André Couto que de alguma forma simboliza o espírito da coisa: “O pluralismo e a diversidade são a base da sociedade. Como a maioria dos meus companheiros nesta aventura del(e)itual, partilhando a confusão da Teresa Ribeiro, não conheço os de mais fisicamente. Temos raízes diversas e será certamente singular a forma como olhamos e vivemos o mundo. Será também diferente a forma como o transmitimos, felizmente. (...) Inicio assim esta partilha diária, esta simbiose perfeita entre o eu, os prevaricadores deste domínio e os nossos leitores, a essência de um blog. Prometo jamais vender a alma, prometendo gritar constantemente”.

Declarações de intenções numa design sóbrio para um blog que certamente marcará o no de 2009. E é por isso a minha escolha desta semana.

publicado por PRD às 23:24
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Quinta-feira, 8 de Janeiro de 2009

Israel e a Palestina

A tentação é grande: reduzir o conflito no médio-oriente a uma espécie de bipolarização entre quem defende os palestinianos e os israelitas. É absurdo e mesquinho, mas é um pouco assim que o debate corre no mundo dos blogues.

Talvez por isso, e num primeiro olhar sobre o conflito, trago apenas dois posts sobre o tema. O primeiro é assinado por Rui Bebiano no blog Terceira Noite e começa brilhantemente: ”A guerra não é um grande momento para subtilezas e elegâncias, salvo para quem, numa posição de segurança, dela se queira servir como de um tabuleiro de xadrez. Quando a vida e a morte se confrontam, quando o medo e a impiedade se olham de frente, é impossível pensar com ponderação e falar serenamente. (...) Nesses momentos a linha que separa coragem e cobardia, júbilo e lamento, controlo e descontrolo, torna-se invisível, e qualquer um, em poucos segundos, passa de cordeiro a lobo”.

Situado e enquadrado, Rui Bebiano diz o essencial que vale a pena ser dito: “Observamos por todo o lado manifestações cegas, claras deturpações e mesmo mentiras (...). E reconhecemos posições que, de tão marcadas pela «ira da guerra», se mostram inúteis, contraditórias e perigosas. Não parece que devamos ir para a rua gritar indiscriminadamente «a favor do Hamas» ou «contra Israel», sendo apenas «pelos palestinianos» e «contra os judeus». Nem escolher obrigatoriamente a posição contrária, de aplauso de tudo aquilo que o governo israelita resolva fazer, incluindo o bombardeamento metódico de populações civis com as quais os «heróicos combatentes» do Hamas resolveram misturar-se. No levantamento de uma forte corrente da opinião pública internacional, partilhando a convicção de que a paz é possível – a paz, não apenas mais um cessar-fogo – e pressionando os governos para que tomem iniciativas sérias nesse sentido, residirá mais tarde ou mais cedo uma boa parte da solução”.

O segundo texto que vale a pena ler na integra, e aqui não cabe todo, é assinado por Carlos Guimarães Pinto no blog O Insurgente. Ele passou a última semana na Jordânia, pais maioritariamente palestiniano. Mais do que um post, é uma pequena reportagem onde se sublinha a desinformação reinante e se desmontam alguns dados adquiridos: “Nas conversas com a população local cheguei à mesma conclusão que em conversas anteriores com palestinianos. A maioria considera que a solução ideal seria o desaparecimento do estado de Israel, embora quase todos considerem que estariam dispostos a aceitar a co-existência. Não surpreendentemente, quanto mais nova e mais iletrada a pessoa com quem se fala, maior a probabilidade de este ter uma posição extremista. Os mais velhos, os que melhor falavam inglês e a única mulher Palestiniana com quem falei tendem a ter posições mais moderadas”. (...) “Outro facto que para mim acabou por ser mais surpreendente é a percepção que a população tem do que está a acontecer em Gaza. Quem não tivesse acesso a orgãos de informação, e falasse apenas com a população local ficaria a pensar que o exército Israelita está a alvejar prioritariamente crianças. O papel das crianças na propaganda da causa Palestiniana ficaria ainda mais evidente nas manifestações a favor da causa Palestiniana que tive a oportunidade de presenciar”. E remata Carlos Guimarães Pinto: “Do que vi e ouvi, fiquei convencido que ainda há muito caminho para percorrer para convencer a população da necessidade de uma co-existência pacífica. Este ataque a Gaza (...) está a servir os intentos do Hamas em unir a população Palestiniana em seu redor.”

Em ambos os casos, pela serenidade da análise de Rui Bebiano ou pelo sentido de observação de Guimarães Pinto, estamos perante textos esclarecedores, relevantes, e que passam para lá da espuma dos dias. E numa guerra que mata todos os dias, numa guerra que envergonha a humanidade, seja qualquer for a nossa opinião, pensar antes de falar é ainda o melhor remédio. Dentro e fora do mundo dos blogues.

publicado por PRD às 23:23
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Quarta-feira, 7 de Janeiro de 2009

Regresso

A Janela esteve dois dias fechada, porque pela Janela se observa o mundo dos blogues, mas pela mesma janela pode entrar um bela gripe. E entrou mesmo. Aos poucos, na convalescença, acordo para a realidade e o mundo dos blogues não pára de mudar. Uma boa noticia, uma má noticia, qual delas dou primeiro? Talvez a boa noticia: no raiar de 2009 nasceu Delito de Opinião, mais um blog colectivo condenado ao sucesso, dados os nomes envolvidos na obra: Adolfo Mesquita Nunes, Ana Cláudia Vicente, André Couto, Carlos Barbosa de Oliveira, Coutinho Ribeiro, José Gomes André, João Carvalho, Leonor Barros, Marta Caires, Paulo Gorjão, Pedro Correia, Teresa Ribeiro, Vieira do Mar. Um grupo eclético, forte, que promete um blogue polémico e animado.

A má noticia também chega com o novo ano: fechou o blogue Atlântico, projecto que nasceu da extinta revista com o mesmo nome mas que, entretanto, ganhou autonomia e vida própria sob a liderança de Paulo Pinto Mascarenhas. O último post que lá está é dele e, apesar de ser uma má noticia, tem razão quando diz que é um fim “sem drama”: “Basta ler os jornais diários, semanários e revistas, escutar rádios e acompanhar as televisões, mas também os blogues e as boas livrarias, para constatar que o espírito da revista Atlântico e do blogue Atlântico está bem vivo, prometendo continuar a andar por aí”.

Ainda nesta dinâmica blogueira, vejo que há dois blogues a aumentar regularmente o numero e a diversidade de colaboradores: o Corta Fitas e o Cinco Dias. Para o Corta-Fitas enterram, entre outros, a autora do blog “Pipoca Mais Doce”, Ana Garcia Martins, e o escritor João Tordo – já para o Cinco Dias entram vários nomes, mas eu destaco o do escritor João Paulo Cotrim, que andava desaparecido há tempos...

Como se vê, o mundo dos blogues começa a parecer-se com o futebol, com o seu mercado de Inverno e transferências e tudo e tudo e tudo...

Tentando pôr a conversa em dia e actualizar a informação para recuperar o tempo perdido, noto que há dois temas a dominar os comentários nos blogues, e são os óbvios: a entrevista de José Sócrates à SIC, e o conflito no médio-oriente. Sobre este segundo tema falarei noutro dia, sobre Sócrates, notar apenas que é transversal aos comentários da blogoesfera a ideia de um homem que sabe fazer passar a sua mensagem, que tem bom marketing no discurso, e que acaba por dominar as entrevistas usando a técnica a que Daniel Oliveira, chama “da matraca”: “Não se deixando interromper acaba por conseguir dirigir o rumo da conversa e, acima de tudo, o tempo em que se fica em cada assunto”. E Daniel Oliveira, bloquista conhecido, reconhece que o primeiro-ministro se aguentou.

Agora vou de novo para dentro acabar de me curar, e amanhã volto já em boa forma...

publicado por PRD às 23:21
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Sexta-feira, 2 de Janeiro de 2009

Começo de ano...

Aí está 2009 – aí estão também perspectivas, ideias, planos, projectos. Olhando o mundo dos blogues, escolho Joana Carvalho Dias no blog Hole Horror, porque ela dá o mote para o ano que chega:

«“Plano anti-crise”, expressão que ouviremos amiúde, vai servir de desculpa para esbanjar milhões a um ritmo bastante acelerado. Aliás os primeiros sinais do dinheiro deitado aos pardais já está aí, com Teixeira dos Santos, numa atitude algo patética, a dizer que é preciso pressionar os bancos para que o dinheiro das linhas de crédito chegue à economia real, isto é às empresas. Nada que não se tivesse previsto, convinha só esclarecer o que é que é isso de “pressionar os bancos” e como é que o ministro o propõe fazer. Quem é que vai pressionar? (...) O Primeiro-ministro? (...) A polícia? O fisco? E como é que isso se faz? Com cartas intimidatórias? Manifestações de rua? Aplicação de sanções? Como? Eu não faço ideia e aposto que os bancos, neste caso, serão muito pouco pressionáveis. O dinheiro já está do lado deles. Talvez se descubra mais cedo do que prevíamos as virtudes do capitalismo e o quão inconveniente pode ser o braço longo do Estado”.

No seu blog, Eduardo Pitta olha 2009 e não vê nada de bom: “Toda a opinião publicada prevê para 2009 uma degradação económica sem precedentes na vida dos portugueses. Nesse ponto, coincide a gente sensata que ainda sobra e os lunáticos de serviço. De facto, a avaliar pelo que se passa nos países ricos, por que carga de água Portugal, pequeno e pobre, resistiria?”. No entanto, depois de argumentar Eduardo adivinha um 2009 igual a 2008 “para a larga maioria da população. Nem melhor nem pior. O que significa a apagada e vil tristeza do costume. Porém longe do desastre anunciado”. E acha que talvez “seja chegada a altura de cairmos todos na real”.

É fácil e pode até ser divertido fazer prognósticos. No mundo dos blogues, esse é um dos pratos do dia, quase no registo de aposta. Por mim, no entanto, prefiro regressar a Joana Carvalho Dias e pensar a fé, algo que aparentemente vai ser essencial ao ano que começa agora. Escreve ela:”Acredito na liberdade que a Ressurreição de Cristo nos dá e na Misericórdia Divina que, porque Deus se fez Homem e porque é isso que todos os anos nesta época o Natal se celebra, essa encarnação em que o Verbo se faz Homem, conhece a nossa condição humana, conhece a curiosidade que nos leva a querer saber mais e conhecer melhor o mundo na forma dos avanços científicos e tecnológicos, conhece a dúvida que nos faz vacilar, conhece a dor e a alegria. Acredito na Igreja (comunidade de crentes, e não só instituição), que melhor ou pior é presença no mundo e que se constrói tantas vezes apesar de interditos e mais interditos”. Acreditar é preciso, disso ninguém tem duvidas. Num tempo difícil como aquela que vivemos, uma boa forma de começar o ano é assim, pensando a fé, aquilo em que acreditamos, aquilo que queremos, aquilo que sonhamos.

publicado por PRD às 18:30
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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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