Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2008

Grécia a ferro e fogo

Ainda aqui não olhei a Grécia, país que vive há semanas uma contestação sem precedentes que ameaça continuar esta semana com mais manifestações e confrontos. No mundo dos blogues, noto que é à esquerda que o tema suscita debate. Tem sido aliás no blog Cinco Dias que o acompanhamento do tema está a ser feito quase em tempo quase real. Este fim-de-semana, João Branco achava “mais ou menos claro (...) que o que é mais difícil de compreender para os portugueses é a destruição provocada pelos manifestantes, a vandalização de propriedade e confronto com os agentes da autoridade como forma de luta”. E tenta explicá-la: “Os bacanos que estão a partir tudo são os gregos. São as tais pessoas revoltadas. Não há uma separação clara entre o povo justamente indignado mas manso e os loucos que fazem pilhagens. Pelo que tenho lido, não são “meia dúzia de grupos” que estão envolvidos na revolta. Os motins são generalizados”. No mesmo blog, Tiago Mota Saraiva fala de “uma insatisfação cada vez maior da juventude, confinada entre empregos precários e mal pagos e o desemprego. A juventude é cada vez mais culta, mais instruída; é inevitável que se politize e que adopte as tendências de esquerda libertárias, pois são as que lhes oferecem garantias de não comprometimento com um poder cada vez mais corrupto”.

No Risco Contínuo, João Távora deixa um olhar mais conservador: “perante a realidade da natureza do homem, a democracia, o menos imperfeito dos regimes políticos, a ser viável, só o é com o exercício firme da autoridade, noção antagónica ao relativismo moral promovido pela cultura esquerdista (...). As rebeliões na Grécia começam com um caso de polícia e de delinquência juvenil que descamba desastrosamente por causa de uma crise profunda de autoridade do estado. Sem que no entanto deixem de facto de constituir um caso de polícia (...)”. Esta opinião deve irritar Francisco Trindade, no blog Anovis Anophelis, que diz: “O argumento do governo de que “não deve haver confusão entre a luta dos trabalhadores e a morte do jovem” caiu, assim, em saco roto. Na verdade não há nenhuma confusão – há sim ligação e solidariedade”.

No seu blog Sem Muros, Miguel Portas entende que, nesta fase, “O prolongamento da violência cruzada só interessa aos seus protagonistas. O risco, óbvio, é o de que a maioria da população passe da simpatia ou da passividade a uma exigência de mão dura e que o governo (...) acabe por recuperar posições (...). A Grécia, definitivamente, não é um país de brandos costumes”. E o que lá se passa, escreve Rick, no blog Spectrum: “diz-nos respeito a todos, porque se trata de um acontecimento (...) a desenrolar-se sobre os nossos olhos, em que um Estado perde, de facto, o controlo momentâneo sobre o seu território e o estéril debate sobre legalidade e ilegalidade sai da sua órbita habitual. (...) O habitual jogo semântico de destacar do seio de um movimento social o punhado de «violentos», «extremistas», «vândalos», «desordeiros» tornou-se impraticável, porque a revolta nas cidades gregas há muito ultrapassou essas dimensões”. Resta saber onde e quando vai parar e se alastra a toda uma Europa em crise.

publicado por PRD às 19:07
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Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2008

Blog da Semana: Contra a Indiferença

Claro que não foi coincidência: no dia em que se assinalavam os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos do Homem, Fernando Nobre, o médico fundador e presidente da AMI, Assistência Médica Internacional, chega à rede com o seu próprio blog. Chama-se, como não podia deixar de ser, “Contra a Indiferença”, fica em fernandonobre.blogs.sapo.pt e o editorial com que abre esta página da sua vida de lutador social merece leitura integral. Diz assim:

“A razão deste blog é muito simples: ser um espaço de liberdade onde exprimirei livremente, sem constrangimentos nem rodeios e intermediários, os meus pensamentos e reflexões sobre todos os temas que me interpelam, ou que o venham a fazer, e que me fazem, ou farão, gritar contra a indiferença que, como a intolerância e a ganância, considero ser uma das doenças mais mortíferas da Humanidade. Assim fazendo espero dar o meu contributo para o reforço da Cidadania Global Solidária. O meu lema será só e apenas este: recusar acomodar-me. Este blog é mais um passo no assumir das minhas responsabilidades de cidadão do mundo atento e activo. Tudo farei para me manter sempre coerente com os Valores e Princípios que nortearam a minha vida até hoje bem consciente de que, se tenho Direitos inalienáveis, tenho sobretudo Deveres irrecusáveis para com o meu País e o Mundo. Tentarei pois partilhar com todos vós, meus amigos, as questões que tanto me interpelam e por vezes, confesso, me angustiam ou me iluminam.

Essas questões são: as crises humanitárias, as guerras, a fome, a corrupção, a cidadania global, as alterações climáticas, a exclusão social e a pobreza, as migrações, os direitos humanos, os povos esquecidos, o voluntariado, os conflitos sociais, o civismo, o alertar consciências, a globalização ética e cultural, a governação ou desgovernação global na política ou nas finanças…Este blog pretende pois apenas dar um singelo contributo à Democracia e à Paz em Portugal e no Mundo em nome do Ser Humano, lutando irredutivelmente pela Liberdade e pela Fraternidade.

Essa é a minha profissão de fé enquanto ser livre que sou”.

Uma bonita profissão de fé de um homem que dedicou toda a sua vida aos outros, aos que sofrem, aos que precisam, aos que nada têm. E que estende agora o seu braço no mundo dos blogues, num espaço elegante, pontuado po uma fotografia semanal diferente, e pelos textos que Fernando Nobre escreve. Lá está, aliás, um long post sobre os 60 dos Direitos do Homem onde se diz: “À luz dos acontecimentos mais recentes, os Direitos Humanos correm o risco de vir a ser cada vez mais ignorados, (...) a menos que a Sociedade Civil Global e Solidária se erga sem se deixar atemorizar e com uma determinação sem falhas lute pela defesa desses direitos que são indispensáveis. Isto, se quisermos construir o Mundo ético e harmonioso com que sonhamos”.

“Contra a Indiferença”, então, o blog de Fernando Nobre, é obviamente o meu destaque da semana. Porque é verdade que a indiferença e a intolerância são das “doenças mais mortíferas da Humanidade”.

publicado por PRD às 12:05
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Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2008

Muitos anos de vida

É um numero e tanto: 100 anos de vida, 100 anos de cinema, 100 anos comemorados a filmar – o numero redondo de Manoel de Oliveira merece palavras no mundo dos blogues, como as de José Mendonça da Cruz no Risco Contínuo: “Antes de ver algum filme de Manoel de Oliveira, eu achava que os filmes de Manoel de Oliveira eram parados e maçadores e compridos. Depois de ver alguns filmes de Manoel de Oliveira dou-lhe os parabéns pelos 100 anos e desejo que ainda filme muito”. No blog Amar o Porto, o autor anónimo recolhe opinião alheia. Encontra, por exemplo, João Mário Grilo: “Creio que o Oliveira está sempre a olhar para a frente e, consequentemente, nos faz olhar a nós na mesma direcção, como acontecia com o Eisenstein ou, na poesia com Baudelaire”.

No blog Tempo Suspenso, Pedro Nogueira vê o realizador como “um gigante num país de pequenos, que não sabe dar ao cineasta o valor que merece. De uma obra irregular (...) podia colher tudo, menos a indiferença a que é votado pela maioria , que tem o "dom" de criticar a sua obra sem a conhecer. Oliveira não é para eles. Nem é um herói póstumo na reforma. Continua a trabalhar a sua arte. É o nosso maior exemplo”. Pois é: “Há vidas que dão filmes”, como escreve José Teófilo Duarte no Blog Operatório: “Ele fez o favor de passar muitas dessas histórias para a História. Foram muitas fitas. Curtas e longas. (...) Uma vida muito bem vivida, com muita vida filmada.
Goste-se ou não... é obra”. Obra que Miguel Poiares Maduro, no Geração de 60, compreende, “como uma expressão da sua tese sobre o cinema enquanto forma de literatura ou teatro filmados”. Compreende mas não gosta: “os filmes de Oliveira, escreve, podem ser objectos muito interessantes mas, para mim, não são bom cinema”. E deixa uma ideia: “Discutir Manuel de Oliveira e caracterizar o que faz talvez seja uma forma interessante de celebrar os seus 100 anos”.

Na verdade, Oliveira é amado e odiado – sempre respeitado, é certo, mas polémico. Por isso gostei de encontrar na rede não apenas o elogio do centenário mas também a opinião de quem não se deixa impressionar pelo número de anos e de filmes. De resto, estou com Manuel Jorge Marmelo no blog Teatro Anatómico: “Eu não gostava de ter cem anos, nem agora nem nunca, pois imagino que ter cem anos seja um estado em que se misturam as dores no corpo, os achaques e a falta de futuro”. Mas, ao saber que Oliveira tinha recusado receber a chave da cidade do Porto, que Rui Rio lhe quis dar apesar das polémicas que envolvem o cineasta e a autarquia, o blogger acrescenta: “Ter cem anos também tem algumas vantagens, sobretudo quando se tem cem anos e se está suficientemente lúcido para não pactuar com a hipocrisia de certos cangalheiros. (...) Isso é de homem!”. E o homem, o realizador, o contador de histórias, continua aí para as curvas...

publicado por PRD às 12:03
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Quarta-feira, 10 de Dezembro de 2008

Santas sextas-feiras...

Comecemos pela ironia que se encontra no blog Jumento: “NO PARLAMENTO, A SEXTA-FEIRA É SEMPRE SANTA”.

Pois é – e eu achava que o fait-divers tinha ficado por ali, mas nada disso: o debate sobre a assiduidade dos deputados prolongou-se pelo dia de ontem, e pelo de hoje, deixando no ar e sem resposta a pergunta de Rodrigo Moita de Deus: “Os deputados que faltaram faziam mesmo falta?”.

Sorrisos e bocas à parte, o DN recupera o tema para dizer que "Faltas dos deputados são o dobro à sexta-feira". No blog Risco Continuo, Alexandra Marques pergunta: “se os portugueses têm de trabalhar pelo regime da semana inglesa, quererão os representantes da Nação cumprir funções à francesa, apenas de terça a quinta?!“.

Medeiros Ferreira não se surpreende com aquilo a que chama “o escândalo das sextas-feiras”: “todos sabem, e todos fingem não dar por nada, que às sextas-feiras os deputados rumam às suas casas, ou a outros destinos políticos, o mais cedo que lhes é possivel. As ordens de dia das sextas são quase sempre preenchidas por temas que se pretendem adjacentes. Votações importantes nesse dia da semana são um convite ao escândalo. Podia-se até combinar uma sexta-feira por ano para as primeiras páginas dos jornais. Em véspera de feriado à segunda-feira, por exemplo...”.

Medeiros Ferreira sabe do que fala e sabe que o tema é recorrente, como também nota Pedro Santana Lopes no blog com o seu nome, metendo-se claramente com Marcelo Rebelo de Sousa: “Já agora, oh comentador: está preocupado com as faltas dos Deputados? Falou nas sanções dos tempos de Cavaco Silva... E no seu tempo? Quantas faltas houve? Não acontecia? E, já agora, quer ver as faltas na votação final do Orçamento de Estado?”

Vejamos então: os políticos sabem que algo vai mal no reino do Parlamento. Há muito tempo. Mas é preciso um momento delicado de votação para a coisa voltar a ser notícia. Vale então a pena fazer como faz Hélder Franco no blog Geração Rasca, dando a palavra a Ângelo Correia: “O 'barão' social-democrata disse há pouco (...) que "os deputados nunca são avaliados, logo fazem o que querem". Com uma única frase, o cérebro da candidatura de Pedro Passos Coelho à liderança do PSD (...) matou dois coelhos. O primeiro foi um recado para dentro do partido, obrigando Ferreira Leite a fazer o que já prometeu: não deixar cair em saco roto a vergonhosa atitude dos seus deputados faltosos. O segundo foi tão somente ligar a palavra "avaliação" aos deputados faltosos e ao PSD de Ferreira Leite”.

Pois foi bem lembrado, sim senhor: quem quer avaliar classes profissionais deve dar o exemplo e deixar-se avaliar. Não sei se os deputados da nação sairiam bem nessa fotografia ainda por tirar – fotografia que Rui Cerdeira Branco no blog Adufe vai buscar às palavras de Fernando Sobral no Jornal de Negócios: “Agora os deputados eclipsaram-se. Mas, às vezes, só o seu corpo é que está no Parlamento. Criando a chamada figura de corpo presente”. Causadora de “uma doença crónica: o desencanto com a democracia e com os seus representantes eleitos.”

publicado por PRD às 12:02
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Terça-feira, 9 de Dezembro de 2008

Laurinda na Europa

Vamos então fugir à agenda do costume, manter a actualidade mas recentrá-la em função do mundo dos blogues. Tudo começou com um mail, e com comunicação virtual: O Movimento Esperança Portugal convocava para o seu site, onde estreou há poucos dias um canal de TV. O MEP prometia para ontem, dia 8, divulgar em directo às 6 da tarde o nome do 1º candidato da lista do MEP às Eleições Europeias de 2009 e exibir também o primeiro discurso de candidatura. 

E assim foi: ao final da tarde de ontem um vídeo no site do Movimento abria a campanha com a jornalista Laurinda Alves como cabeça de cartaz do Movimento.

Foi a primeira vez, julgo, na história da nossa política, que a Internet foi privilegiada na informação sobre televisões, rádios e jornais. Rapidamente a notícia chegou aos meios clássicos, mas ela acabou por circular mais rapidamente pela rede.

Aliás, o blog da própria Laurinda Alves, Substancia da Vida, foi mostrando o making of da operação. A jornalista anunciou que ontem iria ser um dia “radicalmente marcante para mim”. E foi. Depois do anuncio, Laurinda sentiu necessidade de separar águas e escreveu: “Conhecendo-me como conheço, sei que apesar de ser candidata independente vou estar de alma e coração inteiros no MEP e, nesta lógica, sinto-me mais confortável escrevendo aqui o que é daqui e num blog de campanha o que é da campanha. Haverá certamente um link permanente entre este blog e o outro mas este permanece apolítico, como sempre foi. Acho que os que me lêem e acompanham percebem este meu escrúpulo e tenho a certeza de que também ficam mais confortáveis com esta decisão. Mais uma vez muito obrigada pelo apoio hoje e sempre!”. O apoio está lá, em mensagens amigas que elogiam a decisão da jornalista, a sua coragem, a falam, por exemplo, da “transparencia que a move ! O País, leio num comentário, precisa que lhe seja devolvida a possibilidade de uma Esperança (...). Precisamos poder acreditar”.

O mundo dos blogues, adormecido pelo feriado, não se mostrou muito entusiasmado com a noticia, nem para o bem nem para o mal, mas ainda assim André Azevedo Alves, no Insurgente, acha que a fasquia está a subir: “A notícia (...) faz elevar as expectativas relativamente ao possível resultado do MEP nesse acto eleitoral. Um dos principais desafios que se colocam a novos partidos é conseguir a colaboração de figuras com um perfil adequado em termos de exposição mediática e Laurinda Alves preenche sem dúvida esse requisito. Muito vai depender da cobertura mediática que o MEP consiga obter nos próximos meses (...) e da forma como decorrer a campanha, mas o anúncio de hoje eleva o potencial do MEP para obter um bom resultado nas suas primeiras eleições para o Parlamento Europeu”.

Para já, uma coisa é certa: o Movimento mostra a sua raça pondo a net à frente dos meios clássicos, ousando utilizar com talento os recursos da rede, os blogues, o vídeo, a comunicação em cadeia. Nessa matéria, marca pontos. Agora vai ser interessante seguir o trajecto de Laurinda, no blog e na politica, e perceber como os dois caminhos se cruzam, se ligam, e que efeito têm sobre os eleitores no hora da verdade.

publicado por PRD às 12:00
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Sexta-feira, 5 de Dezembro de 2008

Blog da semana: "No Prato Com" e "As Minhas Receitas"

Não uma, mas duas escolhas esta semana – complementares, já que regresso e recupero temática deliciosa no mundo virtual: gastronomia, cozinha e restauração.

Comecemos pelos pratos feitos: nos dias que correm começa a ser difícil distinguir um blog de um site, uma vez que as plataformas, as ferramentes, se aproximam cada vez mais. Curiosamente, uma das escolhas desta semana diz-se um site, mas o aspecto é o de um blog.

Temos então o “No Prato Com”, um site que parece um blog, do design às funcionalidades, passando pela interactividade, comentários, etc. Este “No Prato Com”, que fica em http://no-prato.com/ - dizia, este blog/site não tem receitas, tem criticas de resturantes. É partilhado por nove autores e no seu estatuto editorial

Diz-se não ter “qualquer fim comercial”, e foi “criado com o intuito de partilhar (e de servir como repositório) de restaurantes, tascas, casas de pasto e derivados. Nasceu em 2004 na sequência de uma ideia de visitar um restaurante novo por mês e de relatar essas experiências. Com o alargamento da equipa “editorial”, serviu também como ponto de encontro para novas experiências e novas ideias”.

Na verdade ali se encontram já perto de uma centena de crónicas sobre restaurantes de todos os tipos, acompanhadas de indicações úteis, telefones, localização por gps, além dos comentários dos leitores. A base de dados para encontrar um restaurante permite busca por localidade, palavras-chave ou o recurso à lista completa. Os textos são em geral acessíveis, bem escritos, e sensatos na procura de casas onde preço, qualidade, serviço se encontrem no melhor dos mundos. Não há grande profundidade na análise, apenas um olhar geral sobre o ambiente e a qualidade. Um estilo muito blog e muito pouco site – daí eu entender que estamos perante um formato híbrido. Mas o fim-de-semana invernoso pode convidar a ficar em casa – e nesse caso, se com esta conversa vos abri o apetite, então saltem daí até ao blog “As minhas Receitas”, que fica em paracozinhar.blogspot.com. O blog é assinado por uma Colher de Pau que exibe fotografias excelentes dos pratos que sugere - e se falo neste pormenor é porque normalmente as imagens amadoras dos sites de culinária são verdadeiramente horríveis... Fotografar comida é uma arte, é difícil, e neste blog “As Minhas Receitas” é um ponto fortíssimo. Mesmo que o essencial sejam... bom, sejam mesmo as receitas, uma generosa variedade que mistura doces e salgados, sopas e pratos principais, um pouco de tudo ao sabor da vontade do ou da autora. Outra boa característica do blog: a maioria das receitas são simples e práticas, acessíveis ao gastrónomo médio. Bem escritas e descritas, podem estas lições pôr-se ao lado dos melhores blogues de cozinha e gastronomia. Escreve a colher de pau: “Há quem diga que cozinhar é uma arte. Mas, para mim, é essencialmente um grande prazer. Uma forma de descontrair, de relaxar, de me divertir”. Toda a razão, e obviamente um bom argumento para se juntar a esta escolha dupla para um fim-de-semana prolongado...

 

publicado por PRD às 02:15
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Quinta-feira, 4 de Dezembro de 2008

Professores em greve

Os números – os números nunca batem certo quando se fala de greve. Ontem não foi excepção com os professores, mas desta vez até o Governo reconheceu o sucesso da greve, apesar dessa diferença entre 61% e 94%. Ora bem, escreve a Blonde with a PHD no seu blog: “Portugal é um país de má Matemática ou mau a Matemática, dependendo da perspectiva. Acho sempre hilariante (sim, também delirante) quando as contas batem certo! Ou então, sou eu que, afinal, não levo jeito para números e acho que uma discrepância de 33% indica um hiato abissal entre fontes e me leva à incredulidade estatística. Claro, a interpretação errónea só pode ser minha: sindicatos e Ministério alguma vez brincariam com a objectividade percentual?! Naah!”

Números de fora, a greve foi bem sucedida para a classe, que neste momento tem no Governo um ódio implacável e que ultrapassa em muito o caso das avaliações. Encontro por exemplo estas palavras no blog “Pedro na Escola”: “Foi a primeira vez que fiz greve. Não fiz greve por causa do modelo de avaliação de desempenho ou do próprio estatuto da carreira docente. O que me moveu, sinceramente, foi a minha opinião pessoal sobre o trio que lidera o Ministério da Educação: que não são pessoas sérias, honestas e com boas intenções. Opinião pessoal, repito. E a greve foi a minha forma de protestar contra a sua permanência naquelas funções e os seus disparates e palermices”.

Do lado mais sindicalista, Ramiro, no blog “Prof Avaliação”, tira as lições da greve, e eu destaco estas: “Quando os professores se mostram unidos têm mais força; Os sindicatos têm o apoio das bases sempre que as ouvem e actuam em conformidade com os desejos mais profundos delas; Ontem, os professores colocaram a fasquia muito alta. Será difícil voltar a igualar uma percentagem tão elevada de adesão à greve; É preciso paciência e persistência. Os avaliados têm de continuar a dizer que não querem ser avaliados”. Ou seja: a luta continua. Sofia Loureiro dos Santos, no Defender o Quadrado, reconhece a vitória da Fenprof mas não muda de ideias: “espero sinceramente que a Ministra e o governo não cedam. Caso isso aconteça será uma retumbante derrota da escola pública e uma total demissão do dever do estado. (...) Quantidade não é sinónimo de qualidade, portanto a histórica adesão não dá razão a quem a não tem”. Arnaldo Madureira, no blog com o seu nome, não concorda mas nota que há algo a fazer: “A nossa posição está marcada. Agora, é preciso avançar. Ou os sindicatos apresentam um projecto de avaliação do desempenho docente (...) ou estarão mais errados que o governo”.

No fim, recupero um post já com alguns dias no blog O Insumisso, assinado por Mira, e que lança um outro olhar sobre esta crise, porventura mais interessante do que discutir percentagens de adesão à greve: “O sistema público, com as suas falências, tem feito mais pelo sistema privado de ensino do que anos de lobbying a favor dos colégios e dos cheque-ensino. (...) Eu, defensor da liberdade de ensino, só me posso congratular com as greves, os deficientes modelos de avaliação e com estatutos de aluno surrealistas. Seguindo este caminho o país acabará por sair beneficiado porque os bons colégios sairão reforçados”.

publicado por PRD às 02:13
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Quarta-feira, 3 de Dezembro de 2008

Ronaldo de ouro

Cristiano Ronaldo ganhou a bola de ouro, depois de ganhar a bota de ouro, bom, isso seria certamente motivo de orgulho para Portugal, e um momento de elogiar o jogador. Mas... Há sempre um mas... No mundo dos blogues, é mais fácil encontrar comentários menos simpáticos do que de celebração e glória. Exemplos à solta, começo com Pedro Correia no Corta-fitas: “Agora é que  (...) deve deixar de ser convocado para a selecção. Já pode ficar a contemplar o prémio e a mirar-se ainda mais ao espelho (...). A selecção precisa de quem saiba jogar. Mas precisa sobretudo de quem queira jogar”. No blog Zeca Diabo, Faustino lamenta que Ronaldo tenha dito “Continuarei a ser o mesmo de sempre”, porque queria que o atleta deixasse de ser “um puto mimado, chorão, irritante, com tiques de vedeta, convencido”. Nem por acaso, no fim de semana passado foi expulso no jogo do Campeonato de Inglaterra. José Nunes, no Linha Avançada, acha que o craque “andava nervoso para saber se ia ganhar a bola de ouro, certamente…”. E Miguel Carvalho, no Mundo da Verdade, diz-se aliviado com o prémio: “A verdade é que creio que já ninguém conseguia ouvir a sua choraminguice pelo prémio (a ver se, a partir de agora, começa novamente a jogar à bola)”. O mesmo pede António de Almeida, no Direito de Opinião, que chama ao futebolista “birrento” e “mimado”.

Noto aliás que as criticas andam muito á volta da maturidade de Ronaldo, como escreve Jorge Ferreira no Tomar Partido: “A sua displicência na selecção nacional merecia umas férias no banco. Mas ele foi considerado o melhor jogador de futebol do mundo, o que é, num futebol pobretanas como o nosso, indiscutivelmente um feito de assinalar. (...) Que Cristiano Ronaldo goze da sua glória (...) e aproveite para ganhar alguma maturidade que ainda lhe falta”. No Câmara de Comuns, Paulo Ferreira observa o campeão de outro modo:”Espero que o Cristiano Ronaldo que joga em Inglaterra tenha uma longa conversa com o Cristiano Ronaldo que joga com a camisola da Selecção Nacional para chegarem a um entendimento. Depois esses dois Cristianos Ronaldos vão ter de explicar ao outro Cristiano Ronaldo, o que adora ganhar prémios e a atenção dos media, que tem um justo e forte desejo de entrar na galeria dos imortais do futebol mundial, que sem currículo e vitórias na Selecção a porta dessa galeria fica fechada”. No blog Tantas Broncas Barbosa du Bocage avança uma explicação: “Que o madeirense nunca mostrou na selecção portuguesa os dotes que mostrou no Manchester United, tem lógica, pois seguramente se Ronaldo tivesse na selecção os companheiros e o treinador que tem no seu clube, talvez a história fosse outra. Mas infelizmente para ele e para nós, isso não acontece”.

E já que vou agora pela defesa do jogador, é com ela que fecho a Janela nas palavras de João Ferreira Dias no blog Kontrastes: “Num ano fantástico, num campeonato único, Cristiano Ronaldo vai bem lançado para o prémio mais importante, a Bola de Ouro da FIFA. É lamentável que ainda haja portugueses que se dedicam a apontar-lhe o dedo. A inveja é também um fruto da alma nacional. Como o descrédito”.

publicado por PRD às 02:11
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Terça-feira, 2 de Dezembro de 2008

"Sim, é possível"... um congresso!

O PCP não tem já a importância que a cobertura do seu congresso faria pensar – mas já que a televisão decidiu observar o congresso de perto, neste últimos dias, a Janela abre-se para esse lado. Estou tentado a concordar com Maria João Pires, que no blog Jugular sente que as imagens da TV mostram “um formato televisivo já demasiadas vezes repetido e completamente parado no tempo, uma espécie de "Natal dos Hospitais"... Ou, nas palavras de Sérgio de Azevedo no blog Red Light District, um PCP “redondo e vazio”. Na verdade, talvez  “orgulhosamente só” como pensa Elísio Estanque, no blog “Outubro”: “nada de novo desse lado. Mantém-se o mesmo dogmatismo e a mesma rigidez retórica, típica dos tempos da guerra-fria”. E depois de uma análise mais detalhada, lá vem a referência que acabou por marcar o congresso: “O que não há dúvida é que este partido parece entrar em pânico perante o risco de se ver ultrapassado pelo Bloco de Esquerda”. O facto de Jerónimo de Sousa ter criticado o bloco motivou o debate, levando Fernando Martins, no Cachimbo de Magritte, a tentar explicar: “O discurso do PCP contra o Bloco de Esquerda não tem apenas, nem sobretudo, o Bloco como destinatário(...) - Destina-se, em primeiro lugar, a "clarificar e separar as águas" dentro do "Partido"”.

Outra via de observação do congresso foi aquela que usou António de Almeida no blog Direito de Opinião: “A recente crise financeira poderá levar alguns descontentes a procurarem abrigo nas margens da democracia. O PCP (...) celebra o fim do capitalismo, comemoração prematura e manifestamente exagerada”. Na verdade, os tempos correm de feição para quem defende a morte do capitalismo, em face da crise que vivemos. Isso mesmo nota também JC no Gato Maltês: “Ao saudar (...) os países que lutam “por transformações revolucionárias na sociedade e pelo socialismo” (...) - Coreia do Norte, Laos, Vietnam, Cuba - o PCP está apenas a elogiar aqueles que conseguiram, em certa medida, manter-se isolados do capitalismo global, da democracia, da liberdade e da livre iniciativa que lhes está associada. É isso, e não um qualquer socialismo, aquilo que importa para o seu projecto de sociedade”. No blog País Relativo, Tiago Barbosa Ribeiro acalma as hostes quando ouve o líder comunista dizer que o PCP chegará ao poder quando o povo quiser: “Ao contrário de outros povos que vivem em países glorificados pelos comunistas, ficamos todos mais descansados”.

Descansado também está Rodrigo Moita de Deus, mas com uma pedrinha no sapato do seu implacável humor: “Centenas de comunistas fecharam-se voluntariamente no Campo Pequeno. Houve neste acto uma enorme ironia histórica. Mas houve, também, uma oportunidade perdida”. Vários bloguers destacam a colagem de Jerónimo de Sousa ao marketing de Barack Obama com a bandeira “sim, é possível”. Nuno Dias da Silva no Civilização do Espectáculo, ironiza: “«Sim, é possível», sintetizou Jerónimo. Rejeitando qualquer coligação à esquerda, Jerónimo declarou que o PCP será poder «quando o povo português quiser». De facto, como dizia o poeta, o sonho é uma constante da vida...”.

publicado por PRD às 02:07
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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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