Sexta-feira, 3 de Outubro de 2008

Blog da Semana: "Pedro e o Blog"

Foi uma ouvinte aqui da Janela que me mandou um mail que dizia: “Nas minhas navegações diárias, há um blog com que me cruzo frequentemente, sobretudo antes de decidir determinadas acções com o meu banco… E tenho aprendido algumas coisas interessantes no que diz respeito a poupanças”. E sugeria que eu visitasse o “Pedro e o blog”, subintitulado “as suas finanças pessoais”. Fui então a www.pedropais.com e lá entri num mundo muito diverso de olhares sobre economia, gestão, numa perspectiva simples, acessível ao comum dos mortais. O blog parece mais um site do que um blog, tal é a sua construção e ligações. Créditos, investimentos, poupança, lazer, tecnologia, encontro um vasto universo de abordagens e uma explicação das intenções do autor: “Nos dias de hoje a manutenção de uma vida financeira saudável não é tarefa fácil. Fala-se de poupança, de investimentos, de créditos e de muito mais, mas pouco se explica. No Pedro e o Blog vai encontrar artigos e ferramentas úteis para a orientação das suas finanças pessoais, um espaço aberto à discussão, onde aprendemos uns com os outros”. Curioso, quis saber quem era o Pedro, e lá encontrei também um resumo de vida: “O Pedro é um jovem consultor numa das maiores empresas mundiais de base tecnológica” (...), “tenta manter-se ao corrente das melhores práticas de gestão estratégica e de operações” e, “apesar de nunca ter trabalhado directamente na área financeira desde cedo que se interessou por estes temas e adora ajudar as outras pessoas a ter uma vida financeira mais equilibrada”.

Em tempos de crise e de palavras difíceis usadas para descrever o estado das coisas, uma visita ao blog ajuda a descodificar o economês. De resto, o post principal de ontem intitula “Nós e a Crise” e é um levantamento de factos, e uma análise abrangente, da forma como este momento financeiro internacional nos afecta já no dia a dia, seja no aumento dos preços, na queda das bolsas ou no mercado imobiliário. Mas no Pedro e o Blog a crise não é tudo e desde links para Calcular prestação da casa até aos quadros da Média mensal da Euribor, passando pela simulação das tarifas da electriciade e pelo calculo dos juros dos depósitos a prazo, há de tudo.

Neste momento delicado da nossa vida económica, a minha escolha da semana passa por aí e deixa o conselho: a melhor forma de enfrentar estes tempos difíceis é mesmo estar muito bem informado para poder reagir a tempo e decidir melhor.

publicado por PRD às 18:52
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Quinta-feira, 2 de Outubro de 2008

A greve e os números

Quem vive ou trabalhe em Lisboa, sabe que é verdade: por mais que os números não batam certo, a greve da função pública deixou um rasto de confusão na cidade, do lixo ao trânsito. Francisco Clamote, no blog Terra dos Espantos, nota exactamente a polémica habitual: “Para não variar ... os números da adesão à greve da função pública, vão do oito ao oitenta, consoante são apresentados pelos sindicatos ou pelo governo, o que faz com que nem uns, nem outros, mereçam um mínimo de crédito. Para a Federação Nacional dos Sindicatos da Função Pública, a greve de hoje atingiu cerca de 75%; para o governo a greve ficou aquém dos 11% do universo abrangido. É óbvio que a disparidade entre estes números é de tal monta que, nem os números da Federação, nem os do Governo são credíveis”.

E é verdade: nem oito nem oitenta. Com humor e alguma razão, João Pinto e Castro dá os Parabéns à CGTP no blog 5 Dias: “A jornada de luta da CGTP contra o Código de Trabalho mobilizou exclusivamente sectores laborais que não são afectados pelo Código de Trabalho. Já não se percebe bem se a CGTP é afecta ao PSD ou ao PCP. Se o ridículo matasse…”.

Filipe Tourais no blog Pais do Burro prefere criticar os media nacionais e fala numa cobertura bizarra: “Os meios de comunicação social poderiam falar dos motivos da greve: as actualizações salariais sistematicamente abaixo da inflação (...), uma reforma das carreiras que, em média, faz com que os funcionários públicos tenham que esperar 10 anos por uma promoção (...), uma avaliação do mérito de cada desempenho realizada por dirigentes nomeados políticos (...). Mas nada disto interessa aos média. Não vende. A sua greve é outra. Limitam-se a informar o seu público que está a decorrer uma greve que pode afectar as suas vidinhas durante o dia de hoje e apresentam as percentagens de adesão em cada sector como medida desse transtorno”.

Já se sabe: o mensageiro leva por tabela. E ainda assim há quem ache que não chega a jornada de ontem. No blog “Liberdade, solidariedade, autogestão”, encontro um comentário que é claro: “Seria melhor que a CGTP convocasse uma GREVE GERAL contra o Código do Trabalho e que pudesse ser uma alavanca para reivindicar melhores salários, lutar contra o desemprego e a precaridade, laboral , mas isso a CGTP não está interessada, prefere andar a pedir batatinhas a Cavaco Silva em Belém e com esta actuação os trabalhadores é que vão perder”.

Curiosamente, nos blogues próximos do Bloco de Esquerda, a greve de ontem foi liminarmente ignorada. Já do outro lado, e pela primeira vez, vi com graça uma declaração de intenções sobre o tema. Miguel, no blog O Insurgente, foi claro: “Não fiquem com ideias, este blog não aderiu à greve”.

Os blogues mais populares e conhecidos também não aderiram nem ligaram ao tema. No meio da crise financeira, uma greve parece ser mais uma acha para a fogueira. Mas não faz, em si, o grande fogo...

publicado por PRD às 18:50
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Quarta-feira, 1 de Outubro de 2008

Crash

E voltamos ao tema do momento, a crise dos mercados financeiros. Leio no blog Geração Rasca, pela mão de Carlos Malmoro, a palavra chave: Crash... “Ninguém quer falar na palavra. Parece que pode piorar o estado «psicológico» dos agentes económicos. (...) Assuma-se o que se passou hoje, os buracos que existem. Enquanto (...) não desinfectarem os mercados da imundice, isto continuará num poço sem fundo e os agentes económicos não ganharão um pouco de confiança. E a sensação é que a economia continua alegremente a caminhar e a enterrar-se nas areias movediças do deus mercado”. É esta imagem que temos, é esta imagem que passa, ainda que haja sempre vozes, como a de Luís Naves no Corta-fitas, a aliviar carga: “A crise deve ser colocada na sua verdadeira dimensão. Está longe de ser o fim do capitalismo e não passa de uma das suas convulsões regulares”.

Curiosamente, as soluções para crise desencadearam um debate mais vasto e interessante sobre o estado da economia, a esquerda e a direita. Há quem diga, por exemplo, que o Plano Paulson, do governo republicano, é afinal socialista... Henrique Raposo no blog Atlântico não concorda e segue Pedro Lains: “Já se percebeu que o tradicional (e irracional) debate esquerda-direita já atacou a avaliação do plano (...). Meus caros, o plano não é socialismo, nem keynesianismo. É economia de mercado no seu melhor, sofisticada e descomplexada. O plano é impopular porque os banqueiros são e sempre serão impopulares, e ainda mais os "especuladores”. Entretanto o plano Paulson foi chumbado, hoje volta a ser debatido e votado: Fernando Martins, no Cachimbo de Magritte, sublinha, com razão, “que ninguém sabe muito bem se o dito Plano, caso (...) venha ainda (...) a ser posto em prática, é capaz de resolver a crise financeira”. João Abel Freitas, no Puxa Palavra, recorda o dito popular Deus escreve direito por linhas tortas: “O plano Paulson equivale a "um entusiasmo" para que, de futuro, se pratiquem os mesmos disparates e outros planos Paulson venham a ser necessários”. E mais á frente escreve: “O Estado tem de intervir, mas tem de interromper, de uma vez por todas, o ciclo de favorecimento aos infractores. Ora, este plano americano era um chapéu de protecção aos infractores: retirava os "activos tóxicos" das empresas e dáva-lhes a febra para continuarem a fazer mais do mesmo”. Pedro Santana Lopes parece concordar no seu blog: “Qualquer Plano a aprovar tem de deixar bem claro (...) que tem mais de regenerador do que de panaceia”.

Fecho a Janela num outro patamar de reflexão. Encontro no blog de José Saramago, o Caderno de Saramago, um texto sobre esperanças e utopias. E leio assim: “Dantes, ao pobre de pedir a quem se tinha acabado de negar a esmola, acrescentava-se hipocritamente que “tivesse paciência”. Penso que, na prática, aconselhar alguém a que tenha esperança não é muito diferente de aconselhá-la a ter paciência. (...) Obviamente, nada tenho de pessoal contra a esperança, mas prefiro a impaciência. Já é tempo de que ela se note no mundo para que alguma coisa aprendam aqueles que preferem que nos alimentemos de esperanças. Ou de utopias”.

publicado por PRD às 18:48
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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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