Sexta-feira, 17 de Outubro de 2008

Blog da semana: Padrinhos de Portugal

Solidariedade – uma palavra cara e boa, quase sempre em falta no nosso mundo. Na blogoesfera, não é bem assim – a palavra ganha corpo e daí ganha vida. Não é a primeira vez que o faço, não será certamente a ultima – destacar e escolher como blog da semana um espaço que se dedica justamente a ampliar, divulgar, promover, Organizações ou ideias no âmbito do voluntariado e da solidariedade.

É o caso do blog Padrinhos de Portugal. Resulta de um projecto que nasceu em 2002, quando Catarina Serra Lopes esteve a trabalhar como voluntária na Cidade da Beira, em Moçambique, junto de crianças “extremamente carenciadas”, como a própria conta no blog: “A vontade de fazer algo mais e com uma maior continuidade, levou a que surgisse a ideia de montar um semi-internato no Alto da Manga, um bairro localizado no mato, a cerca de quinze quilómetros da Cidade da Beira. Comecei por pedir a ajuda de um padre e de uma freira locais, que se responsabilizaram pela gestão do projecto no terreno, e iniciei então a selecção de dez crianças oriundas de famílias bastante desfavorecidas. O projecto iniciou-se com 10 crianças e 10 padrinhos portugueses, passando depois em 2003, dado o sucesso do primeiro ano, para 15 crianças. Ao longo dos anos o projecto foi crescendo, com cada vez mais e mais pessoas a mostrarem-se interessadas em ser Padrinho de Portugal. Daí em Fevereiro último ter ido passar um mês a Moçambique a seleccionar mais crianças e a montar uma estrutura maior”.

Que obviamente, continua a crescer. O projecto Padrinhos de Portugal consiste então nesta ideia smples: cada padrinho, que se candidata a essa nomeação, digamos assim, assegura “as despesas de saúde, uma refeição diária – almoço –  e educação: livros, cadernos, lápis, canetas, matricula e farda. Para além destas três vertentes, o projecto também cobre despesas com ateliers de informática, trabalhos manuais, apoio escolar etc...”. Isto custa cerca de 30 euros por mês, mas os padrinhos sabem que esse dinheiro é canalizado especificamente para um menino, que tem nome, que existe, que está ali. Não é uma contribuição para um fundo, mas é uma contribuição para uma criança crescer com melhores condições de vida. Fica como seu afilhado. Podem trocar cartas, fotos, podem visitar-se, podem no fundo ir acompanhando o crescimento desse afilhado e ver a sua contribuição tornar-se uma realidade humana.

E pronto; o blog divulga tudo o que se relaciona com o projecto, mas também tem apelos a outras causas, muita informação sobre os Padrinhos, e é mais uma forma de manter viva e acesa esta chama que nasceu de um sonho de uma mulher. É bom saber que existe quem faça mais e melhor pelos outros, o meu blog da semana fica em padrinhosdeportugal.blogs.sapo.pt. Se um ouvinte da Janela se tornar mais um padrinho de uma criança de Moçambique, fico contente com o contributo que também dei...

publicado por PRD às 19:32
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Quinta-feira, 16 de Outubro de 2008

Treinadores no sofá

Vamos então olhar, pelo olho clínico do mundo dos blogues, a triste figura da selecção portuguesa face à Albânia. No Bicho carpinteiro, Medeiros Ferreira não podia ser mais directo: “Portugal empatou, Queiroz perdeu”. E resume assim: “Portugal, com 11, empatou em casa contra a Albânia, com 10 (...). Queiroz, que regressou à selecção cheio de soberba intelectual, arrastando preconceitos e teimosia, perdeu. Nunca percebeu o jogo que estava a dirigir no banco”. No blog Linha Avançada, Ricardo Carvalho antecipa comentários e escreve: “Depois do minuto 67 do jogo (...), tenho a dizer que "as equipas boas ganham, as más têm azar"”. Chama-lhe “um fado”, o mesmo que leva Rodrigo Moita de Deus, no 31 da Armada, a escrever: “Alguém lembrava que Carlos Queiroz era um treinador com azar. Sim. Feitas as contas há treinadores com sorte e há treinadores com azar. (...) O azar de Queiroz foi ter perdido aquele jogo com a Dinamarca. O jogo custou-lhe três pontos e a coragem de arriscar. (...) Sem coragem, a equipa vacila, o treinador enerva-se, os jogadores tremem e tudo o resto decorre”. Katanec, no blog 4-3-2, concorda: “Queiroz tem grande responsabilidade neste desastre. A derrota com a Dinamarca parece ter abalado a sua confiança. Há algumas semanas defendia um futebol atraente e ofensivo, e insistia num discurso optimista para a selecção. Subitamente, não só hesita nas conferências de imprensa como apresenta um onze de cariz claramente defensivo”.

É claro que o seleccionador nacional é o principal visado nas criticas, fazendo logo a memória ir buscar o nome de Scolari.... No mesmo blog 4-4-2, escreve Master Kodro: “Era inevitável. Mal acabou o jogo recebi a seguinte mensagem: "Pois é, volta Scolari!". É algo que vamos ler hoje repetidamente. Talvez Scolari marcasse os golos que Nani e Hugo Almeida falharam, talvez desviasse o poste ou a mão ou o pé do guarda-redes. Talvez fosse isso”. A ironia deste blogger não é acompanhada, por exemplo, por Nuno Dias da Silva no Civilização do espectáculo, que escreve uma carta ao Felipão: “Hoje, estou desolado. A potência albanesa vergou-nos no nosso próprio reduto. Vendo bem as coisas estamos quase fora do Mundial 2010. Não me conformo. Enquanto há vida há esperaça e enquanto existir Nossa Senhora do Caravaggio, agora deslocada em terras de Sua Majestade, há fé. Agora que o Queiroz não deve aguentar muito mais, exigimos que regresse, mesmo que seja em regime de part-time, para a nossa selecção. (...)  Agora percebemos, o burro não era você”. São cartas destas que certamente inspiram Tomás Vasques a dividir o mundo em dois: “A história da selecção nacional de futebol divide-se em duas épocas: a época Scolari e todas as outras (...). Os últimos três jogos (com a Dinamarca, a Suécia e a Albânia) já são suficientes para marcar definitivamente este período das «outras épocas» – no caso, o período Queiroz”. E não é meigo a classificar a equipa, “Um bando de incompetentes, desorganizados e mal dirigidos”. Assim vai a selecção de Queiroz no mundo dos blogues, onde estão os treinadores de sofá que há em cada um de nós. Até ao próximo jogo.

publicado por PRD às 19:31
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Quarta-feira, 15 de Outubro de 2008

A Trapalhada

Foi a primeira palavra que me ocorreu, mas não estava sozinho: Carlos Nunes Lopes, do 31 da Armada, também a usou: Trapalhada. Uma palavra que assenta como uma luva ao folhetim da entrega do orçamento de Estado no Parlamento, de tal forma que se fala mais do episódio do que do orçamento. No Insurgente, Bruno Alves chama-lhe “Uma avaria caída do céu”: “Com um bocadinho de “sorte”, a coisa vai demorar tanto tempo a chegar aos jornalistas que amanhã será mais um dia em que, nos jornais, a única informação acerca do Orçamento será aquela que veio da boca do Governo, ou seja, será a propaganda do Governo”

No Arrastão, Pedro Sales acha que o Governo “é muito à frente”: “É a primeira vez que o principal documento com as contas do Estado é entregue sem as contas. (...) Deve ser do choque tecnológico”.
Luís Melo, no Mudar Portugal, prefere ser proactivo e dá uma sugestão ao governo para o próximo ano: “Elaborem o documento "à mão" e façam-no chegar à turma da 4ª classe da Escola Primária Conde São Bento, em Santo Tirso”. Aí os alunos usarão o famoso Magalhães para informatizar o Orçamento: “Não será difícil para as crianças, passado um ano de atingidas pelo choque tecnológico, vai ser "canja”.

De volta ao 31 da Armada, lá está a boa piada de Rodrigo Moita de Deus depois de verificar que Teixeira dos Santos falhou duas vezes a entrega do documento: “Este é o primeiro Orçamento de Estado que ainda antes de ser apresentado já tinha duas previsões erradas”. No Corta-fitas, João Vilalobos sugere mesmo o “regresso da máquina de escrever” para obviar os problemas informáticos.

Depois do folhetim, vem o essencial, que é o orçamento propriamente dito. É fácil dar palpites, mas eu gosto de atitude de Moura Pina no blog Abrasivo: “Não me vou pronunciar sobre o orçamento. Primeiro porque não o conheço. Será que alguém conhece?”. Mesmo sem conhecer, João Miranda no Blasfémias não tem duvidas: “A coisa resume-se ao seguinte: todos os anos o Estado devora cerca de 48% da riqueza produzida em Portugal. Destes, 47.5% correspondem a despesas rígidas que nenhum governo consegue mudar. Os restantes 0.5 % é o que se discute. Mais para os pobrezinhos, menos para os bancos, mais para as PME, um bocadinho para os computadores, uma dedução para as famílias com velhinhos a cargo, uma penalização para aquele grupo de vilões ou para aquele outro comportamento vicioso. Todos os anos é a mesma coisa”. Mais ou menos o mesmo que pensa Regina Nabais no Bloco de Notas: “SE tudo estiver bem no FIM. ENTÃO estará tudo OK. SE NÃO! ENTÃO não chegámos ao FIM!” Como todos os anos, o debate começa agora. A Janela vai estar atenta mas sugere desde já uma visita a um site que reúne informação em tempo real de blogues, de jornais, de comentadores e mesmo de leitores. Exclusivamente sobre o Orçamento de Estado, autointitula-se um especial multimeios e é o primeiro exemplo do género jornalismo colaborativo. Está em

orcamentoestado2009.info/ . Vale a pena abrir aquela Janela...

publicado por PRD às 19:28
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Terça-feira, 14 de Outubro de 2008

Oremos...

E finalmente os portugueses, talvez mesmo os europeus, respiraram um bocadinho – a Europa concertou-se contra a crise, blindou-se, defendeu-se. No mesmo dia em que o Governo português abriu a porta a um aval bancário generoso, os quatro principais Presidentes de Bancos – Caixa, BES, BPI e Millenium – aceitaram ir ao Prós e Contras na RTP. Rodrigo Moita de Deus no 31 da Armada anotou os factos: “Nunca se viram tantos presidentes de bancos a falar na televisão como na última semana”, “o que não pode ser boa notícia

Aparentemente, os banqueiros tranquilizaram os depositantes e o país terá adormecido mais calmo. No mundo dos blogues, no entanto, o debate é imparável: no 5 Dias, João Galamba sublinha que “o mercado parece ter gostado de ter sido corrigido pelo poder político: o PSI20 subiu mais de 10%”. Isto é à esquerda. Á direita responde Michael Seufert n’O Insurgente: “Acredito que o João Galamba apenas está a querer provocar e que é suficientemente esperto para perceber o que se está a passar, mas para não dar numa de “eu-sei-mas-não-digo“, cá vai muito rapidamente: Os governos um pouco por todo o mundo acabam de garantir que as dívidas entre bancos estão garantidas pelo dinheiro dos contribuintes. (...) Não sei exactamente do que é que o João estava à espera, mas enquanto estes dinheirinhos durarem os financeiros não devem ficar propriamente tristes. Os contribuintes acabam de entrar no mercado em força, e a comprar/garantir o que todos querem vender. A reacção é óbvia. É exactamente por isto que o estado deve ficar fora dos mercados: porque quando entra beneficia sempre um interveniente”.

No blog Aba da Causa, Vital Moreira puxa a brasa à sua sardinha e chama ao momento que vivemos “O fim de uma era”:  “Perante a grave crise (...), os apóstolos do “mercado livre” e da cruzada contra o Estado e a regulação pública deveriam “meter a viola no saco”. E deixa uma frase marcante: “O mercado mostrou as suas fraquezas. Cabe aos Estados mostrar a sua força”. Responde-lhe sem querer André Abrantes Amaral no blog O Observador: “O capitalismo financeiro tem riscos e não pode ser alimentado como foi pelas políticas monetaristas dos últimos anos. Mas é, e foi, a única forma de todos (...) vivermos melhor, bastante melhor do que se vivia há 20 anos atrás. Deitar tudo a perder por egoísmo e ignorância é obra dos estúpidos”. Para não deitar tudo a perder, a Europa tomou medidas e injectou dinheiro nos mercados, subsidiou a crise. João Miranda, no Blasfémias, não acredita em milagres: “Os planos do estado, (...) ao introduzirem liquidez artificial nos mercados, permitem que bancos sobreendividados e com activos desvalorizados prolonguem o tempo durante o qual não sofrem as consequências dos seus erros. Permite mesmo que alguns bancos continuem a cometer os mesmos erros”. Ainda assim, os governos avançam, no caso português com 20 mil milhões de euros. Escreve Miguel, No insurgente: “Caso os bancos falhem, pagaremos nós, seja em impostos ou em inflação. Julgo que o Ministro das Finanças espera que esta garantia seja suficiente para solucionar o problema. Caso contrário, como diz o Luciano Amaral, oremos…”

publicado por PRD às 19:26
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Segunda-feira, 13 de Outubro de 2008

As escolhas e as encolhas

Os militantes da teoria da conspiração não deixarão de dizer que foi de propósito, mas na verdade ontem à noite, na RTP, Marcelo Rebelo de Sousa foi tudo menos um homem do PSD... Miguel Abrantes, do Câmara Corporativa, adorou ouvir o professor falar de Manuela Ferreira Leite: “o célebre Prof. Marcelo que distribui conselhos pro bono ao PSD na sua homilia dominical, acabou de dizer que o melhor que a líder tem a fazer é mudar de conselheiro. Ou mudar de vida”.

No Vox Pop, Paulo Gorjão fala em “Lição Prática” e escreve: “Marcelo Rebelo de Sousa acabou de explicar a quem não perceba — a Entidade Reguladora da Comunicação Social, por exemplo — por que motivo o seu programa não faz parte de nenhuma quota partidária. Apesar dos constrangimentos pessoais e políticos, Marcelo Rebelo de Sousa não se coibiu de apontar o dedo à liderança de Manuela Ferreira Leite”. No Blasfémias, Carlos Abreu Amorim afirma que a opinião de Marcelo constituiu “a crítica mais dolorosa que a insípida e alheada liderança do PSD recebeu.
Claro que não vai adiantar nada em relação aos destinatários directos. Veremos os seus efeitos face ao descontentamento dos muitos que não conseguem ver qualquer esboço de alternativa ao socratismo…”.

Marcelo, já se sabe, inspira pelo menos respeito e é ouvido. No mundo dos blogues, há quem o ame e quem o odeie. José Paulo Fafe, por exemplo, santanista confesso, não gosta do professor, acha que ele “anda visivelmente incomodado com o aproximar do ciclo eleitoral de 2009” e isso explica a surpresa de ter passado “de grande apoiante de Manuel Ferreira Leite a seu público e ostensivo crítico”.

De passagem convém recordar que Marcelo não tem propriamente um blog, no seu sentido mais clássico, mas a sua colaboração semanal no jornal Sol intitula-se, justamente, blog, e pode ser lida no site do jornal em espaço próprio e personalizado. Para conferir também se João Gonçalves tem razão quando se interrogava, aqui há dias, no Portugal dos Pequeninos, sobre o estado do opinion maker: “Os derradeiros comentários do professor têm-se ressentido desta "moleza". Cuidado em não ir muito longe nas críticas ao governo, mais "piedade" para com ministros que não merecem nenhuma e muitas "perplexidades" quanto ao seu próprio partido. Talvez Marcelo, inteligente como é, esteja a fugir propositadamente à derradeira reflexão. E se o seu "número", afinal, for um "número" apenas gasto?”. Eis uma pergunta que teve ontem uma resposta clara: gasto, ele não está. Pode é ter escondida a clássica carta na manga...

publicado por PRD às 19:23
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Sexta-feira, 10 de Outubro de 2008

Blog da semana: A Dieta Rochemback

Este fim-de-semana joga Portugal com a Suécia, parece-me o tempo perfeito para destacar e escolher como blog da semana um novíssimo blog dedicado exclusivamente ao futebol. Podia ser apenas mais um, podia ser um blog como outro qualquer, mas não é: este blog junta os três melhores autores de texto que a blogoesfera viu nascer e escrever justamente sobre desporto, especialmente futebol. Juntaram-se então no “A dieta Rochemback” Besugo, do Blogame Mucho, Maradona do A Causa Foi Modificada, e Rogério Casanova, da Pastoral Portuguesa. A este trio somou-se ainda Daniel Oliveira e Sérgio Gouveia. Os cinco garantem seguramente a escolha do melhor blog nacional sobre futebol. Encontra-se em adietarochemback.blogspot.com e é claro que eu próprio me interroguei sobre o nome do blog. Uma ajuda terá sido dada por Sérgio Gouveia num post onde escreveu: “Procurei por todos os meios uma capa de um desportivo com algumas semanas, em que o Rochemback diz que se perder peso não joga tão bem. A história da minha vida resume-se nesta falta de iniciativa de não ter comprado logo ali o jornal e ter colado a capa na chaminé da cozinha (...). O Rochemback e eu somos muito parecidos a vários níveis, a começar pela precisão do passe longo, mas também no facto de engordarmos de uma forma um pouco desmoralizante. No fundo a cara incha, é isto. É a pior coisa que pode acontecer a um gajo, porquanto não há consequências de condição física imediatas, há um alarme que soa ainda antes do problema real. A linha do maxilar inferior desaparece, as bochechas crescem, os olhos encavam-se um pouco. Tirando isto e um aumento ligeiro do volume geral (...), e desde que uma pessoa não caia ao chão, está tudo bem”.

Talvez venha daqui o nome, mas isso interessa pouco: o nonsense do próprio titulo já diz muito sobre o que ali podemos encontrar, num olhar inteligente, irónico, cheio de humor, mas também sério e militante, sobre esse fantástico universo da bola e dos seus protagonistas. Daniel Oliveira entra logo a lamentar, mas entra: ”Aqui se vêem as imperfeições da democracia representativa. Para vosso azar, coube-me em sorte ser «o gajo do Porto» neste covil de sportinguistas e benfiquistas (há só um benfiquista mas o singular arruinar-me-ia a frase). Prometo dar o meu melhor e o meu pior, sempre sem revelar a receita do molho de francesinha e, na medida do possível, trocando os vês pelos bês ou penalties na área certa por viagens ao Brasil”.

O sucesso do blog foi imediato: em duas semanas chega às 1500 páginas vistas por dia, sem qualquer espécie de promoção. Mas lá está: é difícil resistir aos cinco violinos deste “A dieta Rochemback”.

 

publicado por PRD às 19:45
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Quinta-feira, 9 de Outubro de 2008

O Nobel da Literatura

Há dez anos, neste dia, Portugal via o nome de José Saramago chegar ao mais alto patamar da literatura – era o Prémio Nobel que chegava. Dez anos depois, o critico José Mário Silva, no blog Bibliotecário de Babel, considera que o escritor está melancólico com a efeméride quando escreve, no seu blog, algo como isto:

«Quando numa habitação imersa em total obscuridade acendemos uma luz, a escuridão desaparece. Então não é raro perguntar-nos: “Para onde foi ela?” E a resposta só pode ser uma: “Não foi para nenhum lugar, a escuridão é simplesmente o outro lado da luz, a sua face secreta”. Foi pena que não mo tivessem dito antes, quando eu era criança. Hoje saberia tudo sobre a escuridão e a luz, sobre a luz e a escuridão.»

Saramago já ganhou, o mesmo critico José Mário Silva apostou no seu blog na vitória de Tomas Tranströmer, mas falhou: o prémio sueco da literatura foi para França, para as mãos de Jean-Marie Gustave Le Clézio, mais conhecido apenas como Le Clézio. Eduardo Pita, no blog Da Literatura, tinha acertado na aposta ontem, quando deixou a pergunta no seu blog: “Será que a França vai ter amanhã a sua hora, na pessoa (um tanto esquecida) de Le Clézio?”

Já depois de saber que acertara, Pita exclamou: “O que eu perco em ser avesso a apostas...”. Chama-lhe um “nómada afável”, reconhece-lhe “uma obra extensa e notável (...) de romancista e ensaísta, surge como alternativa sólida aos monstros sagrados americanos (...) que a Academia Sueca excluiu da corrida”.

No site do Público encontro ainda um comentário de Rui Zink: “Gosto de Le Clézio, também conhecido como "o Paulo Pires da literatura", pela sua beleza física, e cujos melhores livros foram escritos há mais de vinte anos. Um prémio para a língua francesa, que andava bem carente, sobretudo numa época em que o seu mais famoso escritor é brutal e misantropo, e os seus dois mais respeitados cultores são um russo (Andrei Makine) e um americano (Jonathan Lidell). Entrementes, brasileiros e afins continuam a ver navios. C'est la vie. Talvez para o ano haja a quota para as "línguas menores". Numa outra ligação ao jornal, o blogger Roy Bean escreve, desanimado: “Pois não é que não faço a mais pequena ideia de quem seja o senhor Jean-Marie Gustave Le Clézio, que, dizem as parangonas, é um escritor francês de alto gabarito, e, segundo a Academia, "merecedor do prémio pela sua narrativa de "aventura poética" e de "êxtase sensual", "explorador de uma humanidade para além (...) da civilização reinante". (..) Vou já aproveitar a meia hora de almoço (...), para ir num ai à livraria mais próxima a fim de me tentar livrar desta ignominiosa ignorância”. Lá está: se outros méritos não tivesse, além da choruda verba que o premiado recebe, o Óscar projecta nomes e obras, acorda e cria novos leitores, e dá ao mundo dos livros um movimento que ele bem precisa. Agora o nome chave é esse: Le Clézio.

publicado por PRD às 19:43
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Quarta-feira, 8 de Outubro de 2008

Os valores da crise

A crise e o andar da crise são incontornáveis, e convivem em diversas frentes no mundo dos blogues, entre o que se vive em Portugal e o que o mercado internacional vai avisando.

Hoje, quarta-feira, o debate chegou à Assembleia da Republica com a presença do primeiro-ministro. No Corta-fitas, João Villalobos nota que José Sócrates tem andado “possuido por um delirante optimismo. (...) Agora, no entanto,  já percebeu que é altura para uma ligação à terra. O FMI veio dizer o que disse, a crise financeira tornou-se uma crise económica e vai daí toca a sacar do discurso de estadista”. Remata: “À oposição caberá desmantelar esta estrutura cuidadosamente montada para a percepção do «ou Sócrates ou o dilúvio»”.

Para o dilúvio tem logo solução o PCP, como sublinha no mesmo blog Duarte Calvão: “Gostei de ver o Jerónimo de Sousa a defender a nacionalização da banca e dos "sectores estratégicos". Não concordo de todo, mas admiro a clareza, tão distante do discurso de crítica sem alternativas do Bloco de Esquerda e do discurso confuso do PS moderno, subserviente aos empresários e banqueiros”.

No Vox Pop, Paulo Gorjão observa a crise pelo lado da cumplicidade: chama “um ombro amigo” às palavras recentes de Vítor Constância: “Poucos dias depois de o FMI ter anunciado as suas previsões (em queda) para Portugal, eis que surge o governador do Banco de Portugal a frisar que em 2009 cresceremos próximo da média europeia. Um spin doctor não teria feito melhor, como nota por outras palavras Vasco Campilho. Que escreve no blog com o seu nome sobre estas palavras de Constâncio: “É o regresso à convergência! Que seja necessário a Europa entrar em crise para isso acontecer importa muito pouco…”

Ontem à noite, na SIC Noticias, debatia-se a crise sob o chapéu da grande pergunta: o Capitalismo acabou? Posso encontrar uma resposta nestas palavras de Miguel Castelo Branco no blog Combustões: “as crises são provocadas pela absoluta impreparação dos operadores e accionistas em prever cenários de catástrofe, e se deles estão avisados pela experiência do capitalismo, agem sempre como se tal não existisse, como o jogador de casino que se deixa subjugar pela orgia especulativa antes de soçobrar na fatal sorte dos números”. O que resulta desta ideia é o que escreve LNT no blog Barbearia do Sr. Luís: “em altura de aperto não há liberal adepto da auto-regulação-do-mercado que não recorra ao Estado, pelo menos em pensamento”.

Fecho no blog Lóbi, onde se faz uma analogia irónica e bem humorada, no meio da tragédia, sobre e relação entre a publicidade bancária e os avisos de crise: “Reparem que o BANIF mudou o lema para “a força de acreditar”, como quem diz «vamos todos rezar, vamos?». E depois de dar uma volta pelas diversas campanhas bancárias, acaba “Mais humilde”, no Montepio, que “diz “valores que crescem consigo”. Agora começa a ser evidente que os valores crescem connosco, porque com eles está visto o resultado”.

publicado por PRD às 19:41
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Terça-feira, 7 de Outubro de 2008

O futebol é mesmo assim...

A Superliga, esta semana, era outra vez mata ou morre. Havia o Sporting-Porto, havia a surpresa chamada Leixões a receber o Benfica. Entre domingo e ontem, só mesmo a crise económica superou o futebol no número de posts da blogoesfera que eu visito diariamente.

E começo mesmo num blog de politica onde o futebol raramente dá ares da sua graça, mas desta vez deu no Arrastão pela caneta de Pedro Vieira, que não ía ao futebol há muitos anos e voltou. A crónica que escreve é notável, não legível na rádio, mas fica a sugestão para ir ler. Noto apenas a rima que Vieira ouviu em Alvalade, gritada para o árbitro, e lhe pareceu “própria de quem acabou de consumir cogumelos mágicos: “sai da frente anormal, pareces um pardal”.

Futebol puro e duro comentado nos blogues, Bruno Sena Martins no Avatares de um Desejo: “Já lá vão uns anos, uma namorada dos tempos de faculdade (...) rogou-me uma praga um tanto difícil de esquecer: "essa tua complacência para com o Jesualdo Ferreira ainda vai ser a tua ruína"». Nem foi, que o Porto ganhou e Hélder Franco, no Geração Rasca, sentiu a derrota na pele: “A questão central permanece, (...) o Sporting voltou a mostrar pouca vontade de ganhar. (...) Paulo Bento tem uma margem muito reduzida para dar a volta a uma equipa que parece estar decidida a mandá-lo embora”. Tomás Vasques vai mais longe: “Constava por aí que, caso o Sporting ganhasse (...), Paulo Bento ia substituir Jesualdo. Caso fosse verdade, o Sporting hoje sofreu uma dupla derrota. Paulo Bento reconheceu (...) que o adversário «foi um justo vencedor». Quer num caso, como no outro, não é difícil esse reconhecimento. O Natal ainda vem longe…”

Avançamos para o segundo jogo forte da jornada, o Leixões-Benfica, e a animação continua, agora com o olhar sobre os encarnados depois do empate: “Resultado justíssimo”, considera Katanec no blog Quatro Quatro Dois, “que penaliza uma segunda parte horrível dos encarnados. Deseja-se uma equipa pragmática e que saiba assumir uma postura defensiva quando necessário, mas o que vimos hoje em Matosinhos foi um verdadeiro exagero, com o Benfica a recuar sucessivamente como se enfrentasse um colosso inglês”. Filipe, no blog Futlol, acha o empate “merecidíssimo”, e D’Arcy, no Tertúlia benfiquista, nota que “Uma segunda parte tão mal jogada, e com tanta falta de ambição, só poderia mesmo acabar castigada da forma que foi”. No Bitaites, Marco Santos considera mesmo que “O Leixões não mereceu empatar o jogo, mereceu ganhá-lo”. E com graça lembra: “Vistas as coisas, o Nápoles até teve sorte: podia ter-lhe calhado o Leixões”.

Aguardo ainda expectante os posts do novo blog “A Dieta de Rochenback”, onde agora se juntam os craques da bola na blogesfera, entre eles os meus heróis Besugo, Maradona e Casanova. Aliás, Maradona num dos seus textos explicou bem o estado difícil em que se encontra a equipa do Sporting e rematou o seu texto assim: “Gostava de ver o Quique Flores ou o Jesualdo Ferreira a treinar estes jogadores”. Teria piada. Rodrigo Moita de Deus é que não pensa assim e no 31 da Armada grita: “Não Tem graça Nenhuma: Hoje o capitalismo morreu e o benfica empatou com o leixões. Maldito Benfica”.

 

publicado por PRD às 19:38
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Segunda-feira, 6 de Outubro de 2008

Zé Carlos

A blogoesfera foi o primeiro palco do Gato Fedorento, que começou justamente por ser um blog. Depois da revelação veio a fama e a consagração, e veio também a rendição e o aplauso praticamente unânime do mundo dos blogues ao trabalho dos quatro gatos.

Mas, sabendo como é a raça, que gosta de atirar aos píncaros para depois se rir com a queda, quis acompanhar o regresso do Gato Fedorento, sob o formato Zé Carlos, na SIC, e perceber se já estávamos nessa fase de deitar abaixo. Curiosamente, o primeiro post que encontro é de um admirador do grupo, Guilherme Fonseca no blog Devaneios: “Um amigo (...) telefonou-me e disse: "Olha, queres ir assistir à gravação do programa dos Gato Fedorento? Já que és lá da comédia..." Isto sim, é um amigo. E é verdade, cheguei agora mesmo do estúdio (...) onde se gravou durante a noite o programa de amanhã! (...) Não (...) vou falar dos sketches ou qual foi a "piada mais gira", mas foi uma experiência fantástica. O único senão foi ter batido palmas durante quase 17 horas seguidas. Ganhei um enorme respeito a todas as pessoas, velhinhas e adolescentes, que aparecem em plateias de programas de televisão que precisam de palmas”. Com esta aproximação, não tardei a encontrar o clássico post do clássico português que não suporta o sucesso e à primeira oportunidade, deita abaixo. Foi Luís Rainha, no Cinco Dias: “Os Gato Fedorento ameaçam ceder à tentação de se transformarem numa espécie de bonecos do “Contra-Informação”. O nonsense torrencial dos dias do “Perfeito Anormal” sumiu-se. Em vez disso, vimos hoje umas graças e umas imitações em cima da actualidade política, de efeito garantido mas sem nada de memorável. Salvou-se no primeiro “Zé Carlos” o número musical, com impressões digitais dos Monthy Python por todo o lado”

O post diz tudo: o sucesso do Gato começa a incomodar. Luís, no blog Natureza Do Mal, vai no mesmo sentido: “depois dos Contemporâneos, depois de Nuno Lopes , os Gatos são mainstream e já não fazem sorrir”.

Curiosamente, este tipo de opinião imediatista faz lembrar o fenómeno Herman José – a ideia de que não se suporta o êxito por muito tempo e é preciso começar a desfazer a torre que se fez. Mesmo quem elogia, elogia no condicional, como sucede com Nuno Dias da Silva no blog Civilização do Espectáculo: “Considerando a erosão da imagem sofrida com a maçadora campanha do MEO, a rentrée dos Gato Fedorento, agora na SIC, não tendo sido brilhante, foi simpática. Parafraseando a rubrica «Tumba», que substitui os «Tesourinhos Deprimentes», assistimos a «momentos de relativa boa disposição». O Governo foi visado por três vezes, enquanto a líder da oposição apenas uma. No sketch sobre o «Magalhães», associar o Primeiro-Ministro a um «funcionário da Vobis» é algo de mortal em termos de opinião pública. Aguardemos cenas dos próximos «Zé Carlos»”.

Por mim, espero que os Fedorentos Zé Carlos persistam no seu humor e no seu estilo. No mundo dos blogues notei mais silêncio do que entusiasmo, mais prudência do que bloggers a erguerem a bandeira. Veremos as cenas dos próximos capítulos...

publicado por PRD às 19:36
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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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