Segunda-feira, 16 de Junho de 2008

Mais Euro...

 

Primeira fase do Euro terminada, ontem foi dia de balde de água fria no jogo com a Suíça. Mas a blogoesfera não se impressionou demais com a derrota, que até se percebe. Prefiro por isso ir buscar o sumo do sumo – ou seja, por exemplo, as reflexões de Maradona no blog A Causa Foi modificada, onde o futebol é tratado como deve ser, isto é, com seriedade e humor, com ironia e empenho, com paixão e desprezo. Tudo ao mesmo tempo: “Como já devem ter reparado, escreve Maradona, este está a ser um grande Campeonato Europeu de Futebol. Há pelo menos oito equipas que ou são grandes conjuntos de jogadores ou são um conjunto de bons jogadores que estão a jogar um futebol muito bom. Portugal, Holanda, República Checa, Roménia, Espanha, Croácia, França e Itália, são tudo equipas que dá gosto de ver.” Mais à frente escreve: “Estou inclinado a considerar o Roménia-Itália o melhor jogo do Europeu até agora. A Itália, a jogar como está a jogar, pode perfeitamente ser campeã europeia com toda a justiça deste mundo a cobri-los, e a Roménia, a jogar como está a jogar, pode perfeitamente ir às meias-finais nas mesma condições ético-morais. Tudo isto não foi previsto por ninguém. As cassandras, que dispersam os argumentos contra o futebol moderno entre o excesso de jogos, o excesso de tacticismo (...), a descaracterização das selecções nacionais por jogadores nascidos noutros países (...) e um furor de outras considerações sem lógica ou utilidade analítica, poderiam colocar o olho neste europeu, em média o melhor europeu de sempre”.

Outro comentador que gosto de ler na blogoesfera é Bruno Sena Martins, no Avatares de um Desejo. Análise dele: “Scolari tem óbvios méritos na forma como tem conseguido ganhar os grupos que leva para as fases finais. Da Nossa Senhora do Caravaggio a Roberto Leal, os esteios de solidariedade são amplamente conhecidos e, não por acaso, terão assumido um papel importante no ânimo dos piquetes de camionistas. Mas há um elemento que talvez seja mais significativo que o apoio de Cavaco Silva, de todos os meus "amigos" ou, quiçá, do próprio Tony Carreira. Ao depender tão dramaticamente de uma liderança baseada numa autoridade do tipo paternal (...), Scolari mais não faz do que esconder aqueles que são os seus défices estruturais. Ele conhece-os. (...) Falta-lhe um saber futebolístico (técnico) capaz de criar reverência entre jogadores que nos seus clubes estão socializados com metodologias e saberes periciais de ponta. (...) E mais à frente escreve o Bruno: “Ao privilegiar alguns jogadores, deixando claro que a suas convocatórias resultam de um apadrinhamento pessoal (...), Scolari semeia um sentimento de dívida cujo retorno lhe é fundamental. É esse sentimento de dívida que define um eixo de subserviência vital a um grupo que se quer domesticável”.

Bom, fico por aqui, com ideias soltas de dois dos autores que melhor analisam o futebol em geral – quem os quiser ler, só mesmo nos blogues. Até 5ª feira, prometo que não volto ao tema – mas quem quiser perceber mais e melhor sobre o tema, já sabe: blogues A Causa Foi Modificada e Avatares de um Desejo. O que está lá, está para ficar.

publicado por PRD às 17:48
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Sexta-feira, 13 de Junho de 2008

Blog da semana: Blogame mucho

 

Em tempos ricos de futebol, trago para o destaque semanal um blog pessoal que não sendo exclusivamente dedicado ao mundo da bola, tem no seu autor um aficionado militante. Uma vez mais, o blog é assinado com pseudónimo, o que não tem aqui qualquer importância, porque o estilo é que marca o pedaço. Besugo assina então o “Blogame mucho”. Quando começou, em 2003, há cinco anos portanto, reflectia logo de começo o meio em si:

“Já não há quase ninguém que fique indiferente à vaga dos blogs. O que me parece curioso é que blogar implica um tipo de escrita reflexiva e sem interacção imediata, sendo, por isso, (...) precisamente o oposto da comunicação algo compulsiva própria dos chats e dos fóruns. (...) comunica-se para evitar a solidão. E, portanto, fala-se de nada. No limite, não há comunicação: só ruído. (...) Os blogs invertem esta tendência. Escreve-se pelo puro prazer de escrever, de criticar, de maldizer ou de desabafar, mesmo que seja um prazer escandalosamente narcisista ou envergonhadamente pretensioso. De uma ou de outra forma, é bem melhor assim”

E assim tem sido no Blogame mucho, onde o Besugo se dedica bastas vezes ao mundo do futebol, numa escrita cheia de ironia e humor, um português irrepreensível, e um estilo muito pessoal e que agarra facilmente o leitor. Dois exemplos desta semana:

“Vou agora referir-me a Hélder Postiga, escreveu ele. Para dizer que - e, isto, sem sombra de pecado - a mulher dele é a mais interessante do ponto de vista fenotípico das três que entram naquele anúncio de telemóveis da rede 93. Um gajo que tem uma mulher assim, que está agora no Sporting e que, ainda por cima, sabe marcar penalties à Panenka (era checoslovaco, o Panenka, não era checo, era checoslovaco), deve ser mantido no banco de suplentes da selecção, derivado ao facto de não correr riscos de se lesionar”.
Outro momento: “Vou agora falar da Checoslováquia. Devia ser lixado, naquela altura, eu perguntar - por exemplo num inter-rail, se eu tivesse feito um, (...) a uma gaja de 18 anos, uma assim nascida em Ostrava e adepta do Banik, uma que arranhasse o português por ter um tio do Buçaco, a nacionalidade.
"Olha lá, então e tu, és donde?", "eu?, eu sou checoslovaca...", "está bem, isso é lavares-te bem e não te chateies; mas és donde?".
Uma ideia solta do Besugo no Blogame Mucho:

“A Itália, a perder, não sabe jogar. Não sabe "remontar", como dizem os espanhóis. Anda ali a ver a meteorologia”.

Sportinguista convicto, o blog reflecte as suas pancadas, claro está, mas deixa com frequência boas ideias por detrás da aparência gozona de todo o texto: “Já perdemos as vezes suficientes para sabermos que ganharmos hoje é apenas isso. Mas, também, não é menos que isso”. Acompanhar o Europeu com umas passagens pelo blog pode ser um intervalo simpático na seriedade com que se discute a performance da selecção nacional. Encontra-se o Blogamemucho nesta estranha morada: http://chumo.blogspot.com . E é o meu blog da semana.

publicado por PRD às 17:44
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Quinta-feira, 12 de Junho de 2008

Paz social... e podre?

 

O dia seria de Portugal, com mais uma vitória no Europeu, mas acabou por ser dos camionistas e da sua paralisação entretanto pacificada: “Sócrates cedeu e comprou uma paz podre”, escreve por André Abrantes Amaral no Atlântico: “Podre, porque a chantagem parece que compensa. (...) Podre, porque não resolveu nada e apenas retirou força negocial ao governo para as reivindicações futuras. O governo cedeu à chantagem dos que têm a força para paralisar um país. Nós, os contribuintes e meros eleitores, perdemos. Perdemos e pagamos a conta”.

Vital Moreira, no Causa Nossa, deixa uma questão relevante: “Se a "paz social" tem um preço, resta saber se é um preço justo”. Vital defendera "uso da força pública para pôr fim ao império ilegal da força privada nas estradas", mas acabou por ser o diálogo a prevalecer, acabando com aquilo a que Pacheco Pereira, no Abrupto, chamou “um grave problema de ordem pública em Portugal”, porque “Tudo na paralisação das empresas de camionagem é ilegal e ninguém quer saber”. Para já, o PS perdeu o voto de Maradona. Escreveu ele no blog A Causa Foi Modificada:”para que conte com o meu voto em 2009 basta que não ceda um cagagésimo que seja ao poder da rua e, quando em conformidade com a constituição democraticamente sufragada pelo povo português, carregue sobre ele a cavalo”. No Corta-fitas, João Miranda concorda: “considero lamentável que o governo ceda às pressões, por mais violentas que se revelem, da parte de qualquer lóbi empresarial; sejam eles barbeiros, informáticos, agricultores ou camionistas. Considero profundamente injusto que o governo assente benefícios para qualquer actividade empresarial, iludindo e mascarando um fundamento económico que se apresenta fatídico – o aumento do preço do petróleo”. Bruno Alvez, no Insurgente, considera que, depois desta negociação, “o país ficará refém de todo e qualquer grupo que consiga subverter a ordem pública: todos ficarão a saber que, perante a anarquia, o Governo não tentará sufocá-la, antes lhe dará o que ela pedir”. Raimundo Narciso, no blog Puxa Palavra, tenta o equilíbrio e o bom senso: “O Governo reagiu com uma tolerância de santo o que não seria de todo grave se isso não desse asas à chantagem. (...) Claro que o Governo não deve cair no extremo oposto que alguns sugerem e percebe-se com que objectivo, e que seria o de declarar o estado de excepção no país ou de reprimir desproporcionadamente”.

Bom, o conflito parece resolvido, a vida regressará à normalidade. Como escreve Miguel Marujo no Cibertertulia: “Depois da corrida às bombas, o Governo negociou e acertou tudo com os camionistas. Esta é a prova que os portugueses nunca abandonarão o seu automóvel em detrimento do transporte público. Ok, parece que há alguns que já trocaram o carro pelo comboio ou autocarro, quando o mês aperta, mas o português prefere esperar numa longa fila a ter de deixar o carro apeado”.

publicado por PRD às 17:38
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Terça-feira, 10 de Junho de 2008

Camionistão

 

Hoje é feriado, 10 de Junho, o tempo convida a praia e eu preparava-me para falar de um conflito ligeiro ali na Praça das Flores em Lisboa. Mas percebi que o mundo dos camionistas não se conforma com a indiferença que o Governo tem manifestado sobre o seu drama financeiro, e fui ver o que os bloggers - que não foram de fim de semana prolongado... - andaram a escrever. Eduardo Pita, no blog Da literatura, olha a reacção do PSD aos acontecimentos e adivinha: “Ao menos Menezes tinha a vantagem de dizer ao que vinha. Nesta altura já se teria feito fotografar na berlina de um camião”. “Manuela Ferreira Leite, recorda, “mandou dizer (...) que o PSD aconselha o governo a ser sensível às reivindicações do sector”.

Sofia Loureiro dos Santos, no blog Defender o Quadrado, não tem meias medidas: “O que se está a assistir no país com a paralisação sob coacção, dos camionistas, com o bloqueio das estradas e dos portos, (...) é absolutamente inaceitável. (...) Se o governo ceder a estas pressões ilegítimas e ilegais, após ter resistido às manifestações e aos apelos da rua por parte dos sindicatos, pode dizer adeus ao que resta da sua credibilidade”. João Gonçalves, Portugal dos Pequeninos, pelo contrário, acha pouco o que viu: “Fosse isto uma "nação valente" (...) e um outro "10 de Junho" poderia acontecer em vez da tradicional treta das condecorações (...) em "homenagem" a uma ficção chamada Portugal. Assim, o "protesto" não passa de mero lodo no cais”.

No Tomar Partido, Jorge Ferreira vê “o ministro da Ota na televisão a dizer que não cede a pressões, devido ao camionistão. Tradução: camionistão igual a buzinão do socratismo. Tradução: ministro da Ota igual a ministro que conseguiu cumprir a sua palavra e construiu um aeroporto na Ota. Entretanto, a violência está na rua (...). Faz-me lembrar o poder popular de 1975 e as célebres barricadas onde os energúmenos de ocasião mandavam parar carros e os revistavam”. Em sequência, Gabriel Silva, no Blasfémias, limita-se a perguntar: “E um vencimento fixado administrativamente, não querem também? E que tal todos passarem a funcionários públicos? (...)

E se fossem mas é trabalhar e deixassem de tentar sacar dinheiro aos portugueses?”. No meio da confusão de argumentos, o blog Jumento nota: “Não deixa de ser irónico que ao fim de mais de dois anos com o PCP a tentar promover conflitos sociais sejam os pescadores e os camionistas que, fugindo ao controlo do "partido do proletariado" tenham protagonizado os conflitos mais graves vividos nos últimos anos (...). Ainda por cima, em vez de os trabalhadores serem liderados pela "vanguarda do proletariado" são conduzidos pelos patrões. (...) Enfim, as revoluções já não são o que eram”.

E remato com esta nota. No blog Câmara de Comuns, Rodrigo Saraiva exibe um vídeo do buzinão da ponte 25 de Abril, em 1994, e que determinou a queda do governo de Cavaco Silva. Diz: “Para aqueles que ainda não ficaram esclarecidos na totalidade”. Lá está o vídeo. Dá que pensar no que pode estar para vir nos próximos dias.

publicado por PRD às 19:29
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Segunda-feira, 9 de Junho de 2008

Euro 2008, primeira parte

 

Tinha de ser, a estreia de Portugal no Euro 2008 domina tudo e todos, domina também o mundo dos blogues. Sofia Bragança Buchholz, no 31 da Armada, até recupera um título de um seu colega – “Coisas verdadeiramente importantes” – para contar: “À uma da tarde, ligo a televisão para saber o que vai no mundo e vejo um repórter em directo de um picnic de portugueses em Neuchâtel”. A mesma Sofia, mais tarde, acha que o exagero anda por aí: “Ainda só ganhámos o primeiro jogo e já se festeja como se tivéssemos ganho o Euro!”.

Pedro Correia dedica-se, no Corta-Fitas, a olhar o encontro com a Turquia com olhos de ver: “Nunca temi pela vitória. Mesmo assim, esperava mais dos turcos e menos dos portugueses. Afinal a Turquia foi um fiasco: claramente inferior à nossa selecção do ponto de vista técnico e táctico - e até físico, pois vários deles acabaram o jogo de ontem, em Genebra, à beira do esgotamento. Portugal, ao contrário do que alguns dos nossos habituais "especialistas" garantiam, apresentou um conjunto coeso, disciplinado, muito concentrado, sem vedetismos”. Elege Pepe “O melhor jogador da nossa selecção” e nota o estado de Nuno Gomes: “o capitão da selecção continua a ter mais vocação para rematar ao poste do que para o golo. (…) A pontaria esteve afinada:  conseguiu acertar duas vezes na madeira”.

No blog Jogo Directo, Filipe mantém a calma: ”Portugal chegou a uma vitória pela superioridade, mas deve perceber que o trabalho está ainda no início e que em embates futuros encontrará equipas mais inteligentes na sua estratégia”. No mesmo sentido vai Pedro Caeiro no Mar Salgado: “Portugal jogou bem contra uma Turquia medíocre. Permaneçamos apreensivos”.

No blog Bitaites, Marco Santos prefere observar a polémica antiga sobre os brasileiros que se tornam subitamente portugueses: “Fui a favor da entrada de Pepe na selecção portuguesa, tal como fui em relação a Deco. São dois jogadores de classe mundial. Se fossem portugueses de nascimento, teriam sido convocados e seriam titulares. É apenas isto que está em causa, o mérito destes jogadores. Ninguém defende ou receia que a selecção passe a jogar com 11 brasileiros. Ter medo disso é demonstrar falta de confiança na nossa qualidade”.
Ainda a propósito da presença do Brasil na nossa selecção e, claro, de Scolari, JCS no blog Lobi: “Quando um guarda-redes fractura um punho na véspera de um grande jogo, só podemos estar perante um sinal. Tanta conveniência tem de ser obra da providência. Dizem que Deus é brasileiro. A selecção portuguesa também”.

E remato com o humor dos Marretas, neste caso de Waldorf, que titula com grande verdade: “Enquanto houver Euro folga o Governo”. E escreve: “Portugueses vibram com primeira vitória e - a fazer fé nas caravanas - esqueceram o preço da gasolina”. O futebol volta na quarta-feira, com a selecção de novo a encher os ecrãs dos computadores de todo o país…

publicado por PRD às 19:27
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Sexta-feira, 6 de Junho de 2008

Blog da semana: Aspirina Light

 

Dentro dos chamados blogues temáticos, gosto especialmente dos que se dedicam ao design, à imagem, às tendências da modernidade. Curiosamente, são em geral blogues cuja origem está na arquitectura. Já aqui uma vez destaquei o excelente Barriga de um Arquitecto, hoje escolho como blog da semana um outro espaço onde arquitectura, design e cultura se cruzam com informação, opinião, análise. Chama-se Aspirina Light, é assinado pelo arquitecto Ivo Sales Costa e assume-se como “Um espaço de consumo simples em formato light”. Ou com mais rigor: “situa-se entre os conceitos de blog e webzine, procurando promover os temas da arquitectura e sustentabilidade, suportados pelo impacto dos novos estilos de vida urbanos, onde a cultura, os livros, a música e a sociedade global se insurgem como condutores das manias humanas”.

Assim dito, parece muito elitista e intelectual, mas não é. Além de um conjunto actualizado de informação sobre o mundo da arquitectura nacional e estrangeira, é um blog com muitas ligações a outros sites e espaços dedicados ao design, mas também à cultura urbana e até mesmo a este mundo virtual.

Aliás, um destes dias o autor do blog lamentava aquilo a que chamava uma blogoesfera “demasiado provinciana, suporta-se em gente que utiliza o poder do teclado para morder em tudo o que mexa, seja na actualidade politica, na vergonha da economia, no marasmo da cultura ou na miserável fantochada de arremessar as ditas opiniões sobre nada, no trabalho ou na escrita dos outros”. Ivo Sales Costa insurgia-se contra o facto de não haver em Portugal uma verdadeira crítica arquitectónica: “Existiu, em tempos, mas quedou-se na assimilação dos intervenientes pelo sistema reinante”.

Bom, no Aspirina Light há lugar à opinião, ao conhecimento, à informação. Foi lá, por exemplo, que li a mais recente entrevista de fundo que Souto Moura deu, ao Jornal de Noticias, e que não tinha tido oportunidade de ler no jornal. Foi lá que soube de palestras sobre arquitectura, mas também feiras internacionais, exposições, projectos.

Para quem se interessa pelo meio, seja estudante ou apenas amador, como eu, eis um blog que convém ter à mão. Fica em http://aspirinalight.com , e é a minha escolha desta semana, antes de entrarmos no maravilhoso mundo do europeu de futebol. Mas isso guardo para segunda-feira...

publicado por PRD às 18:46
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Quinta-feira, 5 de Junho de 2008

Um portista nunca perde!

 

Na semana em que a nossa selecção entra em campo, e depois da histeria à volta dela, acaba por ser o Futebol Clube do Porto a ter direito à manchete. Ontem, Pinto da Costa disse de sua justiça sobre a decisão da UEFA e aí está o debate aberto no mundo dos blogues. No Mar Salgado, Filipe Nunes Vicente: “Pinto da Costa culpa agora um funcionário de Federação pela suspensão decretada pela UEFA. Foi sempre assim: quando ganhou foi contra tudo e contra todos, quando perde é por culpa de tudo e de todos. Menos dele”.

Com a ironia que o caracteriza, Medeiros Ferreira é mais subtil: “Afonso IV lá sabia. Inventou os «Juizes de fora» para administrar a Justiça em Portugal. E ainda não havia o futebol...”

No blog Jumento, factos são factos: “O Porto cometeu um erro de palmatória ao pensar que tinha encontrado uma solução para não perder pontos na próxima época. Ao não recorrer de uma condenação admitiu a culpa nesse processo e a condenação da UEFA era inevitável, na Suíça pouco importam as intrigas lusas, factos são factos”. Ainda assim, como nota António Boronha no blog com o seu nome, “foi um Pinto da Costa aparentemente optimista, e confiante de que o 'Porto' jogará a 'champions' na próxima época, que se apresentou (...) no 'jornal da noite', da 'sic'. tudo com base na forte convicção, suportada pelos pareceres de quatro eminentes juristas, de que a lei está pelo seu lado”.

Quem não tem dúvidas sobre a lei é Liliana, nos Retalhos de Liliana: “O futebol português ficará a perder por ver uma equipa como a do FCP fora das competições internacionais. Mas a verdade é que os seus dirigentes têm contribuído para que o nome de Portugal continue entre a lista dos países com maiores níveis de corrupção na Europa. Só lamento que a primeira verdadeira sanção aplicada venha de fora. Mas pelo menos aumenta a minha esperança de, através dos tribunais civis, finalmente, se castigar verdadeiramente aqueles que não fazem jogo limpo”.

No blog Romantic Footbal, João Regadas aponta baterias a Pinto da Costa: “ele é o principal culpado desta “alhada” toda, quanto mais não seja por ter sido o agente que tentou corromper. Todo o discurso de Pinto da Costa baseia-se em questões formais e em fait divers, (...) um pouco de tudo menos do que interessa. Pinto da Costa não diz que é inocente e que está indignado com a situação por estar a pagar pelo que não fez. Nada disso! Da mesma forma que tacitamente assumiu a corrupção ao não recorrer dos 6 pontos, continua a fazê-lo sempre que vem com estes argumentos formais”.

H, no Viagra e Prozac, adivinha o futuro: “O Futebol Clube do Porto vai assistir à Liga dos Campeões pela televisão, sendo expectável que possam assistir os jogos em alta definição! (...) Agora seguem-se recursos, ofensas ao Benfica e à Liga e uma interessante guerra interna”.

Razão tinha Besugo, no Blogame Mucho, quando aqui há duas semanas, a propósito da taça ou da liga, caracterizava os portistas desta forma: “Uma coisa é certa: um portista nunca perde. Um portista perde, "mas!". São feitios”

publicado por PRD às 17:43
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Quarta-feira, 4 de Junho de 2008

Pobretes mas alegretes

 

“O jogo está perigoso, sr. engenheiro” – o titulo do post de David Dinis no blog O Insubmisso inspira. E diz assim: “Manuela Ferreira Leite é a nova líder do PSD. Manuel Alegre junta-se num comício com bloquistas e renovadores comunistas, depois dos alertas de Soares. Cavaco vai deixando avisos sucessivos sobre a crise. Os combustíveis não param de subir, nem tão pouco os preços dos alimentos. A crise subprime está a caminhar para o pico - com tudo o que isso implica no arrefecimento económico do Ocidente. E falta só um ano para as eleições. O eng. José Sócrates terá pela frente uma dura batalha. E ando eu há dois anos a escrever que a maioria absoluta não era garantida...”

Pois bem, de todos estes pontos, escolho mesmo o comício que reúne Bloco de Esquerda, ex-comunistas e... e o socialista Manuel Alegre. Escreve Rodrigo Moita de Deus no 31 da Armada: “Que as esquerdas se unam, eu compreendo. Que Manuel Alegre vá, eu compreendo. Que os socialistas se chateiem, eu compreendo. Compreendo tudo isso. Só não compreendo o "comício-festa". Comício ainda vá que não vá, mas festejar? Festejar o quê?”

Depois de rir com Rodrigo, não fico mais sério com Tomas Vasques no Hoje Há Conquilhas, mas levo a sério. Escreve ele: “Manuel Alegre é cabeça de cartaz. Atrás do deputado socialista, à babuja, caminha o BE. Depois, segue a procissão de deserdados. O andor ficou recolhido na Igreja: o PCP tem o mérito de não alinhar em «caldeiradas» pequeno-burguesas”. Ao mesmo tempo, no Portugal dos Pequeninos, João Gonçalves põe ordem na casa: “A esquerda da esquerda da esquerda portuguesa organiza um evento folclórico qualquer. O país - não falo dos jornais, das televisões, dos blogues ou de meia dúzia de restaurantes de Lisboa - ignora muito adequadamente o ruído. Tornou-se, no entanto, "importante" porque o bardo Manuel Alegre participa. Alegre regressou à sua angústia do milhão de votos, mortos e enterrados em Janeiro de 2006”. Regressou e terá dito, segundo escreveu Jorge Ferreira no “Tomar Partido”: "A minha lealdade é para com os portugueses e para os que votaram no PS e estão na pobreza". Comenta o politico ligado à Nova Democracia: “Uma chatice para Sócrates este Manuel Alegre. Por muito que digam que ele não sabe o que fazer com o milhão de votos que recebeu, a verdade é que ele não se cala. Por muito que digam que ele só fala, e é verdade, ele fala”.

É verdade: ele fala. Mas com dificuldade encontro no mundo dos blogues quem, não sendo seu companheiro e ou camarada, o defenda. Por mais que se sintam alheados da politica, os portugueses ainda assim não gostam de ver políticos a saltitar entre dois carrinhos, e Alegre acaba por dar essa imagem mesmo que ela não corresponda ao que ele pensa.

Da minha Janela Indiscreta, o que vi ontem e hoje foram olhares pouco simpáticos sobre essa caldeirada à esquerda. E cá ficou o que eu vi.

publicado por PRD às 17:51
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Terça-feira, 3 de Junho de 2008

Yves Saint Laurent

 

Tanto quanto percebo, não foi propositado – mas o post de ontem de Carla Quevedo no blog Bomba inteligente parece um sinal e uma inspiração: “Não precisamos de seriedade para evoluir mas sim de uma boa dose de frivolidade. Dizem que temos disso em excesso mas julgo que tudo não passa de um equívoco. Onde parece haver leveza há apatia e desapego sombrio. Nem sequer um vazio festivo, que diabo! Aí haverá pelo menos alguma liberdade, lugar para a esperança e para a promessa de algo que até pode ser grandioso”. Pois é: podia bem ser o epitáfio de Yves Saint Laurent, o criador cuja marca fica para lá da morte. O mundo dos blogs passa também pelo mundo da moda. Escreve Sibila no blog Mundo Fechado: “Apetece-me vestir o vestido de ir à ópera, calçar luvas de cetim preto, pôr uns brincos dourados até aos ombros, pintar as unhas e os lábios de vermelho e colocar um pouco de um perfume teu por detrás das orelhas. Depois, pegar num copo de champanhe, acender um cigarro e olhar para o céu estrelado da noite e pensar em como gostavas dos dourados sobre fundo preto. E depois ainda, chorar, de gratidão, por teres trazido tanta beleza ao mundo”.

Bela homenagem, a que junto esta outra ideia, que encontro no blog “Uma Vespa a abrandar”: “levou pela primeira vez mulheres negras para a passerelle, (...) não teve medo de assumir a sua homossexualidade, (...) deu um novo papel às mulheres no mundo da moda, nomeadamente com a versão feminina do smoking e com a utilização das transparências”. José Teófilo Duarte, no Blog Operatório: Yves Saint Laurent “Convocou a Arte para a Moda. Sofisticou-a e Democratizou-a. Em 2002 desistiu da actividade que o tornou feliz. Agora foi a vida que o abandonou. Há mortes que nos recordam grandes vidas”. Cláudia, no blog Justa Saia, recorda uma vez mais o smoking feminino que o criador nos deixou, e que, escreve, “se tornou símbolo de uma nova atitude feminina”. Cita depois Pierre Bergé: “Se Channel libertou as mulheres, Saint Laurent deu-lhes o poder com roupas de homens”.

E já que viajo pelas frases feitas, encontro no blog Lanterna Roxa uma citação do próprio estilista: "A mais bela peça de roupa que uma mulher pode vestir são os braços do homem que ela ama. Para aquelas que não tiveram a sorte de encontrar a felicidade, eu estou aqui".

Morreu um grande criador, e apetece-me fechar dando razão a cleópatra, no blog Cleópatra Moon. Escreveu esta frase simples e directa sobre Yves Saint Laurent: “O homem que nos vestia e perfumava para que os outros homens ficassem com vontade de nos despir”.

publicado por PRD às 17:53
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Segunda-feira, 2 de Junho de 2008

Manuela, a eleita

 

O primeiro blog onde fui assim que soube que Manuela Ferreira Leite tinha ganho o PSD foi, claro, ao Abrupto, de Pacheco Pereira. E o que encontrei?

Bom, encontrei uma fotografia com uma cesta enorme cheia de flores. Por baixo, a legenda: “Para a Manuela”.

Já João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos, não se deixa comover com as flores e exige mais: "Pacheco Pereira foi um dos 'autores morais' da candidatura da actual presidente 'laranja'. Por consequência, deve apresentar-se agora como um militante exemplar, disposto a servir a senhora e o partido no 'terreno', sem floreados”.

Entrámos, portanto, na ressaca das eleições no PSD e há opiniões para todos os gostos, Pedro Correia, por exemplo, no Corta-Fitas, nota que a senhora “chega a líder do PSD numa eleição directa, método de escolha a que sempre se opôs”, e sublinha “uma clamorosa falha estatutária. A leitura do resultado permite concluir que seria claramente derrotada se houvesse segunda volta”.

Percebe-se que Pedro preferia outro candidato, bem como João Pinto e Castro no blogexisto: “O estilo distingue-se de Sócrates principalmente pela compostura. Pode não ser suficiente, mesmo tendo em conta que o país está a ficar farto das birras públicas do primeiro-ministro. Acontece que, em épocas de pouca fé, a nostalgia é um produto que se vende bem”.

Dos vencidos não reza agora a história, mas fixei o post de Carlos Manuel Castro, no Câmara de Comuns, em que adivinha 0 2009 de Santana Lopes: “Agora, o candidato derrotado (...) fará uma curtíssima travessia do deserto, e em meados do próximo ano começará a preparar nova corrida à Câmara da capital”. O futuro do PSD já começou, como se vê...

No blog Aspirina B, Valupi, no meio de uma longa análise, consegue ter esta tirada: “Ferreira Leite (...) vai demonstrar que o cavaquismo não se pode repetir. O seu sucesso ou insucesso não terá qualquer relação com as eleições de 2009, antes com o seu sucessor. E, se tudo correr bem, ela irá descobrir uma alternativa a Passos Coelho”.

Luís Mourão, no Blog Manchas, prefere usar as palavras alheias, neste caso de Constança Cunha e Sá, no telejornal da TVI: “Manuela Ferreira Leite provou que é possível ganhar eleições sem prometer nada e sem ter ideias sobre o que fazer”. Ainda assim, Manuel Fonseca, no Geração de 60, reconhece que “é a vitória da sensatez e do pragmatismo”, enquanto André Azevedo Alves, no Insurgente, acha que, face aos resultados numéricos que obteve, a nova líder “fica colocada numa posição ingrata e muito difícil para conseguir a pacificação e relançamento do PSD”. Bruno Carvalho, no blog Ultrajes menores, também tem duvidas e pergunta-se o que “a "Dama de Ferro" fará com os pouco mais de 30% dos votos dos laranjinhas. De Menezes fez-se sumo, com ela será que se fará o milagre da multiplicação das laranjas?”

No meio de tantas dúvidas, Francisco José Viegas, na Origem das Espécies, regista uma certeza: “é a primeira mulher líder de um partido político com expressão parlamentar em Portugal. Sem quotas”. Aí está: temos mulher, resta saber que PSD vamos ter.

publicado por PRD às 19:22
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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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Declaração de voto

Seis anos já cá cantam.

Na melhor revolução cai a...

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