Sexta-feira, 16 de Maio de 2008

Blog da semana: psd2008.lisbonlab

 

Volto ao PSD, ou melhor, às eleições no PSD, para vos de falar de Hugo Neves da Silva. Primeiro, procurá-lo no blog Lisbonlab e descobrir que é “um apaixonado por Lisboa, pelas novas tecnologias e pela web social. Nos últimos anos, escreve ele, tenho trabalhado como consultor web em várias entidades”. Num post publicado na semana passada Hugo revela: “Quem acompanha este blog há algum tempo, sabe que desde o início, este tem sido um espaço onde ocasionalmente vou realizando algumas experiências, como o Blogreporters entre outras. A realização das eleições directas no principal partido de oposição em Portugal, com um tão grande número de candidatos, pareceu-me ser a ocasião perfeita para fazer mais uma experiência, criar um espaço - http://psd2008.lisbonlab.com - onde seja possível monitorizar o que é dito sobre os candidatos (e eventuais candidatos) e os mais recentes ex-presidentes, na blogosfera e noutros sites de referência da Web”.

E assim nasceu este monitorizador de opiniões e ideias que atravessam a rede no que respeita aos candidatos a líderes do PSD. Quem entra nesta espécie de site, de agregador de blogues e sites, encontra sempre os últimos 20 textos existentes na rede sobre os candidatos, além dos links para os seus próprios sites.

É um trabalho inovador, pelo menos em Portugal, graficamente simples mas muito eficaz e elegante, e é a melhor forma, no momento, de seguir uma campanha que, pelo menos na blogoesfera, motiva diariamente dezenas de textos. Quase dava para fazer aqui uma Janela extra especial, todos os dias, com tudo o que se diz sobre a liderança dos sociais-democratas. Sendo certo que, com o Congresso apenas a meio de Junho, há muito tempo para debater, confrontar, defender e criticar.

Aliás, quem observa diariamente o mundo dos blogs, como eu faço, não pode concordar com o Presidente: gente interessada com a politica, é o que não falta. Como escrevia Gonçalo Capitão no blog Ainda Há Lodo no Cais, talvez a solução para a preocupação de Cavaco passe por aqui: “é tempo de envolver no projecto da casa quem vai ter que a habitar…”. Gonçalo falava do PSD, eu alargo a ideia ao país e à politica que o rege.

publicado por PRD às 18:37
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Quinta-feira, 15 de Maio de 2008

Fumar a bordo

 

Impossível passar ao lado: o mundo dos blogs vibra com o episódio de José Sócrates, o cigarro e o avião e a promessa de deixar de fumar... O deixar de fumar é que impressiona, por exemplo, Daniel Oliveira no Arrastão: “Vai deixar de fumar e anuncia? Mas o que raio temos nós a ver com o facto de Sócrates fumar? Fumar é legal e é lá com ele. Quanto ao resto, o importante é saber se Sócrates pagará a coima respectiva, como qualquer cidadão. E que fume o que quiser nos lugares onde o pode fazer”. João pinto e Castro, no bloexigsto, também defende a multa: “não resta à ASAE senão aplicar uma pena exemplar à TAP e ao Primeiro-Ministro. Já viram os problemas que isto resolvia? A ASAE tornava-se de um dia para o outro imensamente popular, e Sócrates humanizava-se ao submeter-se ao império da lei, sem falar de que o país inteiro adquiria uma patine instantânea de civilidade”. Por esse prisma do exemplo e do somos todos iguais, Diogo Agostinho no Psicolaranja deixa uma pergunta: “Um jovem que fume, e está proibido de o fazer em discotecas como se sentirá ao ver o seu Primeiro-Ministro (...) a dar este exemplo?”. A este respeito encontro Carlota, no geração Rasca, exclamar: “Aqueles senhores tinham obrigação de ter vergonha, respeito pela tripulação e demais passageiros e, sobretudo, tinham a obrigação de cumprir uma lei aprovada por eles próprios”.

Vital Moreira, um eterno defensor do Governo no blog Causa Nossa, desta vez critica, chama-lhes “Maus Exemplos” e deixa um só comentário: “As normas valem para todos”.

Entre a indignação e o gozo, vale tudo. Henrique Burnay, no Atlântico, deixa uma sugestão: “passar a colocar nos maços de cigarro: fumar pode provocar inadvertidas violações da Lei.”

E Rafi, no Insurgente, recorda o lado desportista e o feitio do primeiro-ministro: “Sócrates, o saudável corredor de fundo, fumou, mas será que inalou? E será que vai fazer o jogging do costume lá nas Venezuelas?E agora, que vai deixar de fumar (...), será que vamos ter de lhe dar um desconto quando ficar mais irascível?”. Comentário lateral de Rafi: “o politicamente correcto” “lixa” o “Pobre Zé”.

Faltavam piadas, aí está uma do Arcebispo de Cantuária: “Estudos recentes comprovam: Fumar em aviões ajuda a deixar de fumar”.

Fecho a ronda com Tomás Vasques no Hoje Há Conquilhas, que acaba por dizer o essencial que está para lá da aparência: “O facto foi notícia do dia. Meteu declarações comoventes de todos os partidos da oposição e chamaram-se os constitucionalistas a depor, como se estivéssemos à beira de um golpe de Estado. Feliz país que se pode dar ao luxo de se centrar em tais trivialidades”.

Ora aí está o que também me deixou a pensar...

publicado por PRD às 18:45
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Quarta-feira, 14 de Maio de 2008

Os portugueses

 

Primeiro foi o estudo revelado em Abril sobre o interesse, ou desinteresse, dos jovens sobre política e Portugal, agora foi o momento da reflexão sobre o tema promovida pelo Presidente da Republica. Na segunda-feira, recebeu líderes de diversas organizações ligadas à juventude para debater e conversar sobre este fenómeno.

Claro que na própria segunda, ontem e hoje, o tema voltou a animar o mundo dos blogues. Ora, é justamente num blog que encontro a mais avisadas das reflexões sobre o tema. É assinada por Ana de Amsterdam no blog com o mesmo nome, é um texto fortíssimo, e diz assim:

“Salvo o devido respeito, há na preocupação do PR um grande equívoco. É que o problema não reside na juventude portuguesa. Se se fizerem inquéritos a outros grupos da sociedade portuguesa, facilmente se verá que, à semelhança dos jovens, os resultados são desastrosos. (...) O problema é da sociedade portuguesa que, dos jovens aos velhos, dos ricos aos pobres, dos analfabetos aos literatos, não liga um caracol à governação do país. Aqui chegados podemos ser levados ao segundo grande equívoco, o de que os portugueses não ligam à política porque estão desiludidos com o discurso político, (...) com a prática política em Portugal. Ou seja, o desinteresse nacional residiria nos políticos, essas criaturas que usam a política para cuidar, não do interesse público, mas dos interesses próprios. É mentira. Os nossos políticos não são brilhantes. É verdade. Temos muitos maus exemplos. Porém, mesmo que nunca tivessem ouvido falar de políticos como o Pedro Santana Lopes, o Luis Filipe Menezes, o António José Seguro, o Armando Vara, o Narciso Miranda, a Fátima Felgueiras, tantos outros, os portugueses continuariam alheados da política. Os portugueses querem é saber se as mamas da Diana Chaves são de silicone ou se o novo treinador do Benfica é estrangeiro. O resto, incluindo a política, é uma maçada. Os portugueses são um povo medíocre, analfabeto e desinteressado. A juventude portuguesa limita-se a imitar, e bem, a mediocridade dos mais velhos”.

Texto violento, caustico, mas que nos deixa a pensar se tem razão um outro blogger, José Adelino Maltês quando no seu “Sobre o tempo que passa” vê os portugueses assim, “a mirrar asfixiados neste funil situacionista que continua a proibir a imaginação”. Neste funil também anda a histeria sobre o fumo a bordo ao avião de Sócrates – mas lá está: se é por aí que os portugueses se interessam pela política, estamos mal, muito mal...

Voltemos então ao começo, isto é, a Ana de Amsterdam que remata o seu olhar sobre os portugueses e a politica com este episódio público:

“Há algumas semanas, perguntava o Jorge Gabriel a uma funcionária pública, mãe, dois adolescentes, o nome do líder do CDS-PP. A senhora, apresentável, bem falante, sorridente, amável, não sabia. Tal facto, e era isso que chocava, sobretudo isso, não lhe provocava embaraço ou vergonha. Sacudiu a cabeça, ajeitou os óculos quadrangulares e pediu uma ajuda”. Não é preciso dizer mais nada.

publicado por PRD às 17:59
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Terça-feira, 13 de Maio de 2008

Sinais dos tempos

 

Metade dos blogues entretém-se com o PSD, a outra metade discute o meu tema de ontem, futebol e corrupção, e depois há ideias soltas que vale a pena agarrar. Ideias que muitas vezes são também noticias, como por exemplo este “Sinal dos Tempos” que está no Teatro Anatómico de Manuel Jorge Marmelo: “A ETA passou a aceitar que o imposto revolucionário cobrado coercivamente aos empresários bascos seja pago em prestações. A lógica compre-hoje-pague-depois chegou ao terrorismo com 20 anos de atraso. Mas chegou”. Via corta-fitas, chego a outro post com noticia dentro, no Zero de Conduta, pela mão de Pedro Sales: “Japão vende sepulturas com ligação ao telemóvel. Com estas campas 2.0, e que custam mais de 6000 euros, familiares e amigos podem deixar mensagens, fotografias e vídeos de condolências ao falecido”.

O mundo está louco, mas se querem histórias loucas em território nacional, trago uma que Pedro Santana Lopes conta esta semana no blog com o seu nome:”Publiquei (...) um comentário de uma Senhora, Ana Narciso, que diz que perdeu a confiança em mim porque eu teria ido uma vez inaugurar as instalações de uma Secretaria de Estado em Grândola, chegando numa charrete, o que considera impróprio de um Homem de Estado. É extraordinário! Para já, a Secretaria de Estado de que fala era na Golegã e não em Grândola. Depois, é falso que eu tenha estado na inauguração. E, depois ainda, nunca inaugurei nada fazendo-me transportar desse modo. Só me faltava a da charrete”, exclama Santana... E depois acrescenta: “Esta falsidade (...) até tem a sua graça. Mas é mais um boato, uma invenção de pessoas que devem sonhar comigo para serem capazes de engendrar semelhantes histórias. (...) É que a Senhora depois conclui que decidiu apoiar outro candidato porque perdeu a confiança em mim por causa da tal charrete. Ou seja, por eu ter feito o que afinal, nunca fiz”. A leitora do blog de Santana Lopes sugere que o social-democrata se mantenha no Parlamento onde o acha “brilhante”. Remata Pedro Santana Lopes: “Vá lá, vá lá que nunca me imaginou a ir de charrete para São Bento!... “. As pessoas gostam de dizer coisas e dizem, gostam de acreditar em boatos, e acreditam. Nem de propósito, Vieira do Mar, no Controversa Maresia: “Hoje é excepcionalmente louvável, porque é sinal de liberdade, dizer-se sempre aquilo que se pensa. Confunde-se frontalidade com egoísmo e honestidade com inconveniência. Poucos se dispõem ao sacrifício da mentira, mesmo que a piedosa, e as pequenas cedências caíram em desuso. Até o melindre é coisa de somenos, sentimento de fracos e de carentes sem auto-estima. Do mesmo modo, muitos não se abstêm de, em nome da verdade, morder a mão que lhes dá de comer, o que pode ser mais abjecto do que a própria mentira. Está muito de moda vomitar verdades sem querer saber das consequências;  e nunca um cliché serviu tanto como desculpa para a pura e simples falta de educação”.

Podia ser uma reflexão sobre a blogoesfera, mas é sobre Bob Geldof. Fica bem a rematar esta Janela que hoje abri sobre temas dispersos, daqueles que ficam para lá da espuma dos dias.

publicado por PRD às 18:09
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Segunda-feira, 12 de Maio de 2008

Bolas e apitos

 

Super-liga terminada, polémica nas sanções disciplinares da Comissão Disciplinar, crise no Benfica – o futebol, em final de época, dá sempre que falar. Hoje trago notas que em comum têm apenas a bola, e quase sempre a indignação. Começo mesmo pelo ódio ao desporto-rei, assinado por Victor Abreu no blog “jantar das Quartas”: “Desprezo o mundo do futebol e todos aqueles que vivem nele, dele ou encostados a ele, incluindo "comentadores", (...) empresários e classe política. E repugna-me a forma verdadeiramente totalitária como o futebol se transformou na grande obsessão dos portugueses (...), como domina os media (...). Por isso, dá-me um gozo especial ver a mafia do futebol a espernear e a vociferar por causa do 'Apito Final'. Mas é preciso dar-lhes ainda com mais força. Partam-lhes a espinha, para não mexerem mais”.

Apito final, muito bem, outra opinião, Bruno Sena Martins no blog Avatares de um Desejo: “Talvez seja conveniente alguma moderação na arrogância com que o Portugal de gente séria olha para o futebol, como se de uma espécie de enclave corrupto se tratasse. A verdade é outra: se a eficiência de processos e celeridade deliberativa da Comissão Disciplinar (...) se mobilizasse para outras instâncias de poder, era ver, daqui a uns meses, o Estado Português descer de divisão”.

Rodrigo Moita de Deus, no 31 da Armada: “O melhor do "apito final" é saber que vai a "prolongamento".

Antes de virar a agulha para o Benfica, leio ainda JCD no blog Hole Horror:

“Penas destas que mais parecem feitas “para inglês ver”, para calar o povo (...), para justificar o tempo e os meios gastos, não convencem. Como o caso Casa Pia, como o caso Maddie ou o caso Joana, a Justiça parece sempre morrer no caminho”.

É no meio desta acesa discussão sobre o Apito Final que há um apito mesmo final sobre a época benfiquista, que coincide com a reforma de Rui Costa. Filipe Nunes Vicente, no Mar Salgado, achou que “Foi bonita” a festa de despedida. “Tão bonita que me pôs a sonhar com a do Luís Filipe”. Miguel Morgado, no cachimbo de Magritte, recupera uma crónica de Vasco Pulido Valente sobre o Benfica: “O artigo termina a castigar a mais recente opção por Eriksson, qual feiticeiro salvador do clube perdido. Concordo. E podia acrescentar que um bom exemplo da desorientação benfiquista dos últimos anos tem a cara de Trapattoni, de longe o melhor treinador que por lá passou. Com uma equipa de terceira linha, (...) lá foi Campeão nacional e por pouco não ganhou a Taça também”. Mas os sócios, mesmo assim, não gostaram...

Agora vem aí Erickson, e no Blog da Bola não se augura nada de bom: “Vai custar uma fortuna (...) Não há qualquer garantia de que velho Erikson vai ser tão bom como foi o novo Eriksson. Muito pelo contrário: nos últimos anos, o técnico sueco não se pode orgulhar do trabalho apresentado. Falhou em todas as frentes em que esteve e envolvido (...). A contratação de Eriksson, bem analisada é uma lotaria”.

O futebol muitas vezes é isso mesmo: uma lotaria. Hoje saiu-me essa lotaria à Janela, entre o apito final e as buzinas na luz...

publicado por PRD às 18:12
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Sexta-feira, 9 de Maio de 2008

Blog da semana: a pente fino

 

Carlos Lourenço, Gonçalo Pina, Miguel Carvalho, Óscar Carvalho e Pedro Bom juntaram-se em Setembro do ano passado e abriram o blog “A Pente Fino”. Ideia manifesta: “passar a pente fino vários argumentos, especulações, bocas e insinuações de políticos, jornalistas, figuras públicas, etc. Vamos catar o que seja ilógico, tenha erros técnicos, tenha comparações abusivas ou falta de bases”.

E aí está o o blog cata-disparates, que tenta não perdoar um erro, um abuso, um momento mais sensacionalista.

Às vezes o tom do próprio blog é agressivo e exagerado, mas o mundo dos blogs é feito justamente deste estilo mais arrebatado.

No “A Pente fino” os jornais estão sempre na berlinda. Exemplo que o blog julga de “sensacionalismo”: “A capa do Expresso deste sábado brindava-nos com umas setas apontadas para cima legendadas com "Leite 74%, Arroz 71%", etc... Lá dentro percebíamos que aquelas subidas eram subidas em categorias específicas, sendo portanto totalmente falso que o Leite como classe de produtos tenha subido 74% em média (seja lá qual fosse a média) como a capa tenta dar a entender”.

Bom, os autores do blog tem razão neste caso e foi fácil fazer o óbvio: ver o quadro das páginas interiores do próprio jornal e confirmar efectivamente que só o leite pasteurizado de marca branca tinha sofrido esse aumento – todos os outros tipos de leite subiram bem menos, entre os escassos 4% e os generosos 39%... Bem longe portanto desse 74% que o Expresso puxou à primeira página.

Outro momento, bem diferente, destes dias no blog: “Quem acabou de ouvir o António Vitorino dizer nas suas Notas Soltas que ainda hoje tinha ouvido o presidente do Banco Asiático de Desenvolvimento dizer que "mais de um bilião, isto é, mil milhões, de pessoas seriam afectadas pela crise alimentar," que não deixe solta esta nota: em português, um bilião não corresponde a mil milhões, mas antes a um milhão de milhões! (...) Dado que não vivem um milhão de milhões de pessoas ao cima da terra, o senhor do Banco Asiático referia-se certamente a mil milhões de afectados pela crise alimentar, pelo que o António Vitorino só errou ao falar em "bilião". Mas, felizmente, a emenda saiu melhor do que o soneto, e a mensagem lá passou”.

Se é verdade que os políticos dizem destas coisas, parece evidente que o alvo mais apetecível do blog são mesmo os jornais. Quase como provedores dos leitores, os cinco autores do “A Pente Fino” quase todos os dias corrigem os números, as estatísticas e mesmo alguns factos que os jornais vão contando.

Aqui temos portanto um blog útil, a seguir, e a ter em conta. É a minha escolha desta semana e está em apentefino.blogs.sapo.pt. Os jornalistas não gostam de ser criticados, mas na blogoesfera esse característica parece ser mesmo mania. Que seja pelo menos uma saudável e pedagógica mania...

publicado por PRD às 18:56
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Quinta-feira, 8 de Maio de 2008

Passos Coelho soma e segue

 

Voltemos ao PSD e à sua luta por uma nova liderança. Se o mundo dos blogues tivesse influência na escolha do próximo líder, eu diria que a coisa começou bem para Manuela Ferreira Leite mas rapidamente Pedro Passos Coelho subiu ao top das preferências. Até clássicos como João Gonçalves deixam cair as guardas, como aqui no Portugal dos Pequeninos: “Passos Coelho teve, no Correio da Manhã, um assomo de "ideias", que é aquilo que chamam às "tiradas" que não visam exclusivamente a intendência”. Vindo de quem vem, é elogio – que por exemplo Francisco José Viegas repetiu e exaltou no seu blog.

Bruno Sena Martins, no Avatares de um desejo, também já declarou: “pela pose de credibilidade, pelo calo que traz do carreirismo político, pelo ar de novidade (...), pela presença (...), pela capacidade de comunicação, Pedro Passos Coelho vai chegar a líder do PSD. Agora ou depois da derrota eleitoral de 2009”.
Pedro Marques Lopes, no Atlântico, confia em Passos Coelho por oposição a Ferreira Leite: “Felizmente Passos Coelho já falou muitas vezes sobre as suas convicções acerca do papel do Estado na Economia”. E o que ele defende, de um ponto de vista liberal e com menos Estado, agrada-lhe. No Blog existo, João Pinto e Castro lê Medeiros Ferreira, que escreveu: "Ao contrário da opinião dominante bem pensada e bem falada, acredito que o Pedro Passos Coelho e não a Dr.ª Ferreira Leite pode vir a ser (se for eleito) a maior insónia de Sócrates.". Pinto e Castro acrescenta: “Também acho. Só retiraria o condicional: ele será eleito”.

No blog Insurgente, Bruno Alves comenta a entrevista de Ferreira Leite para dizer que “Aqueles que apreciam o discurso liberal de Passos Coelho talvez devessem prestar atenção ao discurso “liberal” que Ferreira Leite, mesmo não se dizendo “liberal”, vai fazendo”. Ou seja: Bruno defende Ferreira Leite numa postura a prognosticar derrota...

No blog Psicolaranja, Nelson Faria diz que Pedro Passos Coelho é “o outsider que ganha muitos pontos pela novidade. Marca a diferença pela lufada de ar fresco que traz no seu estilo de discurso”.

No blog Intervenção Maia, BRMF afirma que é “o único candidato que parece trazer algo de novo. Pelo menos aparenta ser o mais liberal de todos”.

E a coisa vai por aí fora, numa soma de apoios e elogios que sinceramente esperava inicialmente ver depositados em Manuela Ferreira Leite. Não sei se é tendência ou apenas uma imagem vaga de uma elite mas é isto que vejo na blogoesfera. Salvaguardando, claro, o ódio de Maradona à candidatura de Pedro Passos Coelho. Mas com toda a razão: foi o autor do blog A causa Foi Modificada para o bar do Hotel Villa Rica ver o jogo Chelsea-Liverpool quando um grupo de apoiantes de Passos Coelho invadiu o bar, antes ou depois de uma reunião politica, e lhe estragou a noite de futebol do ano. Escreve ele: “Antes eram-me indiferentes e só lhes desejava insucesso e problemas de saúde ligeiros, agora quero-lhes mal e muita medicação para as úlceras”. Tirando então este percalço pouco simpático, que Maradona aproveita para depois transformar em tese ideológica, Pedro Passos Coelho soma e segue. Já não me admira que ganhe o Partido.

publicado por PRD às 18:59
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Quarta-feira, 7 de Maio de 2008

Alípio & Almeida

Eis uma história com desfecho anunciado: Alípio Ribeiro, director da Policia Judiciária, dá uma entrevista ao "Diário Económico", na qual defende a saída da PJ do Ministério da Justiça e a sua consequente passagem para a Administração Interna ou para um ministério a formar. Bom, dessa opinião só podia resultar a demissão, e lá veio ao final da tarde de ontem o Ministro Alberto Costa anunciar o nome de Almeida Rodrigues como novo director da Judiciária.
No blog Atlântico Henrique Burnay deixa a pergunta que se impõe: “Alípio Ribeiro já pensava assim quando foi nomeado e nada disse ao Ministro da Justiça, ou disse e o Ministro da Justiça então achou irrelevante a opinião? Parece um detalhe, mas não é. Nada, mesmo”.

No mesmo sentido vai André Azevedo Alves no Insurgente, dizendo que “importaria explicar melhor não só o processo que levou à demissão como também - e especialmente - o anterior processo de escolha e nomeação de Alípio Ribeiro para o cargo”. Não admira, portanto, que Jorge Ferreira, no blog Tomar Partido, afirme que “Um dos cargos mais supersónicos da República é o de Director da Polícia Judiciária”.
No blog Anónimo, Coutinho Ribeiro vai mais longe: “acho que tenho o direito a ser esclarecido” sobre estas constantes mudanças na PJ.
No blog anónimo Policiadas, que se percebe ser escrito por agentes da autoridade, diz-se que Alípio Ribeiro “teve todas as oportunidades de se demitir. (...) Deu todas as oportunidades ao Governo para o demitir. Mas nunca aconteceu. (...) Ele andava à procura. Finalmente encontrou: após a aprovação da nova lei orgânica da PJ, em que o mesmo obviamente participou, o primeiro comentário que faz à mesma é dizer que a PJ afinal deveria mudar de Ministério. Já dizia o outro: «calado és um poeta!».”
Um blog bem informado de Coimbra, “Sexo e a Cidade”, aplaude a mudança: “Alípio Ribeiro conseguiu guia de marcha para regressar a casa. Para o seu lugar (...) vai o nosso conhecido  Inspector Almeida Rodrigues. Um homem da casa”. Nem por acaso, no Mais Actual Rui Costa Pinto diz que “Almeida Rodrigues é vitória dos inspectores” e escreve: “Ao nomear um director nacional da PJ respeitado pelos investigadores criminais, o governo teve de ceder para comprar a paz na instituição, ainda que já possa ser tarde. (...) Pode ser, se houver trabalho, seriedade e resultados, um golpe na tentativa de liquidar operacionalmente a principal polícia de investigação criminal em nome de um qualquer eventual projecto aventureiro. É que nem um governo de maioria conseguiria resistir a mais uma demissão na PJ até 2009”.
É possível, para fechar a ronda, dar a volta ao texto – e com ironia, João Pedro Henriques, no Gloria Fácil, dá mesmo: “Raciocínio tipicamente santanista: O Governo inventou uma remodelação na PJ para abafar o impacto mediático da apresentação da candidatura de Pedro Santana Lopes à liderança do PSD. Só pode ser”. Pronto, tudo explicado, a PJ soma e segue.

publicado por PRD às 18:48
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Terça-feira, 6 de Maio de 2008

O preço da comida

Aumento do preço dos produtos alimentares, aumento da pobreza, potencial de fome no Mundo – de repente acordámos para o pesadelo ou, como escreve Miguel Botelho Moniz no blog O Insurgente, noticias do “fim dos tempos”. Que lhe merecem este comentário ou talvez aviso: “As décadas vão passando, o peso do estado vai aumentado e vão subindo de tom as queixas sobre aumentos das diferenças entre ricos e pobres, ou da dimensão das “bolsas” de pobreza. A conclusão, evidente, de que algo está errado no modelo do estado social nunca é atingida. As receitas passam sempre por mais intervenção, mais estado e menos escolha individual”.
Do estado, ou da falta dele, acaba por falar Vítor Dias no blog “O Tempo das Cerejas”: “Perante isto, escreve ele, e isto são os aumentos dos preços, quando for divulgada a próxima taxa oficial de inflação mensal, só restam aos portugueses duas alternativas :
ou rir ou chorar”.
Do estado fala também João Rodrigues, no blog Ladrão de bicicletas: “é sempre bom relembrar que os países mais bem sucedidos no combate à pobreza (...) são países com Estados fortes e políticas económicas e sociais bem afinadas”.

Miguel Castelo Branco, no Combustões, recupera uma manchete do DN, “os portugueses estão a comprar menos pão e menos leite”, e junta os preços ao estado da nação: “Os portugueses estão a comprar menos de tudo e regressam, plácida e envergonhadamente, àquela pobreza austera e resignada que caracteriza as sociedades sem futuro”. E depois lembra que este Portugal que vê lhe parece outro que já viu no passado. No Blasfémias, LR prefere o pragmatismo das soluções e apresenta cinco ideias: “Extinguir a PAC e os subsídios à agricultura americana; Extinguir os subsídios públicos aos biocombustíveis; Acabar com as restrições aos organismos geneticamente modificados; Abrir por completo os mercados do ocidente aos produtos agrícolas do 3º Mundo; Abertura completa dos países do 3º Mundo ao investimento estrangeiro. (...)
Em pouco tempo, afirma, a oferta de produtos agrícolas multiplicar-se-ia, os preços baixariam e milhões de pessoas deixariam de morrer à fome”.
No “Jumento”, é o pessimismo quem mais ordena: “Para a crise internacional não há solução à vista em termos imediatos, o aumento da produção de cereais não se consegue de um dia para o outro. A solução do problema nacional deve ser encontrada no quadro da Política Agrícola Comum”
Quadro negro, portanto: “Com o aumento da população mundial e a melhoria das condições de vida nas economias emergentes a procura de alimentos crescerá a um ritmo superior à oferta. Dado que o aumento das terras aráveis é lento (1% ao ano) bem como o aumento da produtividade (1% ao ano), as instituições internacionais terão que investir em soluções que evitem uma crise alimentar muito grave a médio prazo”.
No Prós e Contras de ontem ouvi várias vezes a palavra pânico, no mundo dos blogs a preocupação com o fim da comida barata, como se diz por aí, veio para ficar.

publicado por PRD às 18:24
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Segunda-feira, 5 de Maio de 2008

O sexo "errado"

Amanhã, terça-feira, o Instituto de Ciências Sociais apresenta os resultados do inquérito Saúde e Sexualidade, que abrange um generoso numero de questões ligadas ao entendimento dos portugueses sobre o mundo do sexo. O jornal Público antecipou alguns dos resultados do estudo no sábado e a manchete do jornal não deixava dúvidas quanto à polémica: “cerca de 70 por cento dos portugueses consideram erradas as relações sexuais entre dois adultos do mesmo sexo”.
Eduardo Pita, no blog da Literatura, resume os números sobre a matéria dizendo: “o estudo demonstra que o alto índice da homofobia declarada convive pacificamente com idêntico índice de bissexualidade assumida. Nada de novo”. Mas ele descobre algo mais no inquérito: “O que me deixa perplexo é o teor de certas perguntas. Por exemplo, saber se as relações entre pessoas do mesmo sexo são [a] totalmente erradas, [b] a maior parte das vezes erradas, [c] algumas vezes erradas ou [d] raramente erradas. (...) Não percebo como a questão possa ser matizada em fracções de grau. Ou se considera errado, ou não errado. O que significa “a maior parte das vezes”? Depende da hora? Quem fica de fora da maior parte? Ou “algumas vezes”? (...) Este tipo de nuance pode facilitar as respostas, mas deita por terra o pretenso rigor de qualquer estudo”. Bernardo, no blog Suspensão do Juízo, concorda: “Definir a aceitação da homossexualidade pelo seu grau de erro é, evidentemente, ridículo”.
A critica é pertinente, mas outros bloggers preferiram observar mesmo os resultados. Com graça, Pedro Vieira, no blog Irmã Lúcia, diz sobre relações entre adultos do mesmo sexo: “Caros compatriotas, peço-vos que reconsiderem a intolerância. Lembrem-se que destas relações nunca sairá um Menezes ou um Santana”.
No Portugal dos Pequeninos, João Gonçalves: “Tipicamente em relação à sexualidade, toda a gente mente com mais dentes. (...) Ninguém - mesmo muitos dos mentirosos que responderam ao inquérito - deixa de fazer o que lhe der na gana por "afirmar" isto ou aquilo ou por a religião "mandar" não fazer isto ou aquilo. Gore Vidal escreveu que "a maior parte das pessoas é uma mistura de impulsos, quando não de práticas, e aquilo que cada um faz com um parceiro voluntário não tem a menor relevância social ou cósmica." A sexualidade não se exibe nem se "declara". Isso deve ficar para os "machos latinos" e para a "maricagem" associativa”.
Num sentido diferente vai Duarte Branquinho, no Jantar das Quartas, ao notar que “uma das autoras (do estudo), utilizando o jargão dos sociólogos bem-pensantes, não hesita em afirmar que "Portugal ainda é um país homofóbico". "Ainda"... porque com certeza os "donos da verdade" estão a trabalhar para mudá-lo. (...) Não se preocupem, logo teremos o excepcional (des)governo a "tratar" disto. Aí virão os casamentos homossexuais, o direito destes à adopção, etc. E tudo perante a passividade, quando não cumplicidade, das direitas curvas”.
Fala-se de sexo, fala-se de homossexualidade, e abrem-se as polémicas de toda a ordem. No fim de semana, a noticia de jornal lançou a primeira pedra. Esperem por amanhã e verão o resto...

publicado por PRD às 18:43
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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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