Terça-feira, 15 de Abril de 2008

O dono da Madeira

Alberto João Jardim volta a ser noticia – poucos dias depois do episódio da estátua, é a polémica das suas declarações sobre os deputados regionais e o Presidente da Republica, justamente de visita à Ilha.
No Mar Salgado, Filipe Nunes Vicente fala de “colonialismo soft” e escreve: “Pacheco Pereira, na Quadratura, costuma dizer que são apenas "excessos de linguagem" e que Jardim "dá o flanco"; a direita marialva, num alarde homoerótico envergonhado, adora o estilo "corajoso" e "politicamente incorrecto". E assim ficamos, numa espécie de colonialismo endémico que permite aos outros o que não toleramos em nossa casa. Quando um participante numa manifestação não autorizada for identificado pela polícia ou quando a ASAE fechar uma fábriqueta de beldroegas enlatadas ouviremos então os lamentos (...) pelo estado calamitoso da pobre democracia continental. Quanto a Jaime Gama, (...) deve estar muito satisfeito com mais esta "manifestação de excelência do espírito democrático". Talvez copie o exemplo e mande fechar a AR da próxima vez que cá vier o rei Juan Carlos. Pode ser melhor para o turismo”.

João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos, depois de dizer que gosta da Madeira e “despreza (...) os ataques triviais contra Alberto João Jardim”, indigna-se também: Jardim “não pode comportar-se como o "dono" da Assembleia Regional para evitar uma sessão solene destinada a homenagear o Chefe de Estado. Mais do que embaraçar o "bando de loucos", (...) embaraça Cavaco que, muito justamente, se desloca à Madeira também para consagrar estes anos de desenvolvimento daquele território nacional. Se eu fosse o PR, logo à noite estaria levemente indisposto para o jantar que substitui a sessão no parlamento regional. Azia, diria eu”.
Com ou sem azia, Cavaco Silva vê-se envolvido neste episódio como bem escreve, no blog Arte da Fuga, Adolfo Mesquita Nunes: “Não é contra Jardim que os partidos e os deputados deveriam estar. É contra o Presidente da República, que manifestamente os desconsiderou e os reduziu a nada”.
“Alberto João Jardim é como uma criança mal-educada, diz João Gomes no Câmara de Comuns, e acrescenta: “enquanto os pais não tomarem uma medida séria, ele vai continuar a ser arrogante, mal educado e mal formado. Tenho vergonha de viver num país que tolera este comportamento por parte de um político. A única solução é a intervenção do Presidente da República e o fechar da torneira ao arquipélago”
Já Cristina Ferreira de Almeida, no Corta Fitas, nota que “mais cedo ou mais tarde, vão lá todos pedir um favorzinho, dar uma graxazita, encomendar umas batatitas”. Lá, quer dizer, à Madeira e a Jardim: “Até o seráfico Jaime Gama se submeteu aos superiores interesses das continhas. Ele é sempre generoso e deixa-se adular. Mas, no fundo, sabe que não é por amor que o procuram”.
Observados ambos, a viagem e o episódio, apetece concordar com JCS no Lóbi quando dia que “Aquilo que Cavaco Silva vai fazer à ilha da Madeira não é propriamente uma visita oficial, é mais um safari…”
Aqui ficaram as noticias que vieram da selva...

publicado por PRD às 19:08
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Segunda-feira, 14 de Abril de 2008

Tragédias na segunda circular

Desde sexta-feira que os treinadores de sofá estão em serviço – a reviravolta na Liga, com a derrota do Benfica na Luz, abriu caminho a mais um entusiasmado debate sobre os clubes de segunda circular...
Tomás Vasques, por exemplo, no Hoje Há Conquilhas, acha que se o Sporting “acabar o campeonato em 2º lugar (...), Paulo Bento ganha o direito a mais um ano à experiência. Caso contrário, o melhor é assinar contrato com o Carcavelinhos antes que o lugar seja ocupado. Já basta um Chalana na Segunda Circular”.
Filipe Nunes Vicente, no Mar Salgado, vê a vitória da Académica como uma “festa” e escreve: “Ainda bem que houve esta festa nacional, porque o povo precisa de alegrias futebolísticas e nos últimos tempos elas têm sido bem escassas”.

Triste, claro, ficou José Medeiros Ferreira e conta o seu momento: “Venho do estádio da Luz

(...). Esta noite as crianças podiam entrar graciosamente, e de facto havia inúmeras à nossa volta. Uma que teria uns oito anos virou-se para a mãe a meio do jogo e disse«Há outro Benfica, não há?».Era bom, era...”
No mesmo sentido vai Hélder Franco, no blog Geração rasca, com um longo post sobre o masoquismo...

“Masoquismo é...

... ver o Benfica levar três da Académica no Estádio da Luz.
... (...) ver o Benfica levar três da Académica no Estádio da Luz e ser tão, mas tão masoquista que não desiste de ver a desgraça até ao fim, e ainda ver o Chalana dizer Ah e tal até tivemos oportunidades de golo”
E por aí fora, numa espiral de masoquismo imparável. Mas há outros olhares sobre o mesmo tema, e bem diferentes: Manuel Jorge Marmelo, um homem do norte, no blog “Teatro Anatómico”:
“Sendo o futebol um domínio onde imperam as paixões, sucede-me, às vezes, tratar de modo menos cortês os moços benfiquistas. Eles põem-se a jeito, é verdade. Mas, vendo bem, devo reconhecer que o clube da segunda circular ocupa um cantinho muito particular no meu coração. Depois do Porto, não há nenhum clube que me proporcione tantas alegrias”.
Desço a Coimbra – ou melhor, a Lisboa, no blog Sinusite Crónica, com Nuno Miguel Guedes, adepto da Académica que recupera uma crónica antiga para a vingança inevitável:

Depois de recordar a infância e a pergunta que mais o irritava – “És do Benfica ou do Sporting ?” -, Nuno discorre sobre o seu clube de sempre:
“No capítulo das solenes embirrações (...), uma há que me põe sociopata. É quando alguém replica, após saber da minha filiação clubística, que a Académica é um clube "simpático". Simpático?! Simpático é o senhor que deixa passar a velhinha para a frente da fila - a Briosa é um clube brilhante, elitista e inteligente, e que conta (...) com os melhores adeptos do planeta”.
Remata: um clube como a Académica não pode ser apelidado de “simpático”: “Tem que se amá-lo, com o rigoroso exagero da paixão. E vingá-lo, como o agora o faço com décadas de atraso, perante os meus infantis amigos que não sabiam quem era a Académica de Coimbra”.
Esta semana ainda haverá Sporting-Benfica e Porto-Benfica – ou seja, cheira-me que volto em breve a procurar na blogoesfera ideias sobre o futebol da segunda circular...

publicado por PRD às 23:05
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Sexta-feira, 11 de Abril de 2008

Blog da semana: Melhor é Possível

Blog da semana – uma escolha em que procuro a diversidade, procuro mostrar diferentes formas de usar a plataforma de comunicação que um blog pode constituir. Hoje vou pela politica, melhor ainda: vou pela utilização de um blog como meio de lançamento, divulgação e promoção de uma nova força politica.
Que tem um site, mas ainda assim não dispensa o blog. Vejamos então, falo do Movimento Esperança Portugal (MEP), que defende um “humanismo personalista”, nas palavras do líder Rui Marques, ex-Alto Comissário para a Imigração e fundador da “Fórum Estudante”. É um “movimento cívico”, mas quer organizar-se em partido. E o blog que o suporta chama-se Melhor é Possível, fica em http://melhorepossivel.blogspot.com.

Definição: “Colecção de factos, notícias e comentários que evidenciam que a realidade é melhor do que os pessimistas querem fazer crer. Basta tirar os óculos escuros com que sempre olhamos a nossa sociedade. Sabendo que muito há a fazer, fica a certeza de que "melhor é possível". Como foi possível, no passado”.

Martin Luther King é uma inspiração permanente, com citações, ideias, vídeos, e uma entrevista de Rui Marques onde afirma que Luther King nos deixou “um sonho que se tornou eterno. Um sonho de um mundo perfeito, onde existe um entendimento entre raças, culturas e etnias. (...) E, enquanto utopia e sonho, a herança de Luther King continua a ser uma inspiração para quem acredita num mundo mais justo e mais solidário”.
O blog é obviamente interactivo, tem inquéritos, links para viabilizar o movimento, e actualizações regulares sobre as acções de promoção de Rui Marques.

Nesta escolha da semana não estou a defender o MEP, longe disso – apenas a trazer à Antena uma outra forma de olhar, viver e utilizar um blog. No ano que vem há eleições – preparemo-nos para um cenário de blogues e mais blogues de todos os candidatos a todos os lugares... O Movimento Esperança Portugal já leva, neste momento, um ligeiro avanço.

publicado por PRD às 23:39
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Quinta-feira, 10 de Abril de 2008

O acordo sem acordo

Sendo a blogoesfera uma plataforma onde o texto, a palavra escrita, ainda tem um valor superior, primário, relevante, não surpreende o amplo debate que o acordo ortográfico está a suscitar.
Começo por notar que os autores do Booktailors, o blog de edição que se encontra em http://blogtailors.blogspot.com, fazem um acompanhamento muito atento e interessado do tema, e foi lá que encontrei a frase que define tudo: “Nunca um acordo foi tão contrário ao seu nome”.
Assim é, como constata também, no Geração de 60, Gonçalo Pistacchini Moita: “É lamentável, de facto, que num prazo de um século não tenhamos sido capazes de propor-nos uma estratégia ancorada na nossa história e na nossa língua, a qual fosse capaz de dar sentido a este, ou outro, acordo ortográfico. Porque o acordo ortográfico me parece bom na vigência de um país. E é isso que nos falta: a vigência de um país”. Deixa depois uma série de perguntas sem resposta e uma ultima que dá que pensar: “Será que ainda queremos Portugal?”.
JCS, no blog Lóbi, concorda com o que aí vem: “está bem apanhado”, escreve ele e explica: “Não tenho receio de começar a escrever português com sotaque do Brasil. Uniformizar a comunicação de duzentos milhões é o melhor que pode acontecer à Língua Portuguesa. Por outro lado, como sou adepto da economia de letras, também neste caso acho que o Acordo Ortográfico faz uma razoável limpeza. Só gostava que se tivesse libertado o apóstrofo, esse último grito na eficiência da linguagem escrita”.
Paulo Pinto Mascarenhas, no Atlântico, é pragmático na análise: “teremos de ser realistas - e não cumprir o acordo talvez seja morder a nossa Língua”. No mesmo blog, Ana Margarida Craveiro acha o acordo inútil porque “não resolve problemas antigos, e ainda consegue acrescentar novos” E diz: “Gosto da riqueza desta língua, que em nada impede a leitura. Gosto das diferenças, que espelham o nosso crescimento paralelo, as nossas histórias, as nossas culturas”.
Outro olhar, o de João Miranda no Blasfémias: “O Acordo Ortográfico tem como primeira consequência a criação de uma nova norma ortográfica. Tínhamos duas normas, a brasileira e a portuguesa. Agora passamos a ter três: a brasileira, a portuguesa e a do acordo ortográfico. (...) Tínhamos duas comunidades lingüísticas que se entendiam perfeitamente.

Vamos ter três. A função da terceira é confundir o que estava claríssimo”.
Por fim, um homem cuja escrita não deixa duvidas sobre a autoridade com que manifesta opinião. Por isso me calo e deixo falar Pedro Mexia, blog Estado Civil. Declara: “Não sou adepto deste Acordo Ortográfico”. E argumenta: “Aquilo que francamente me desagrada é o critério fonético. Se isto é um acordo ortográfico, que apenas modifica a língua escrita, não me parece sensato que a ortografia siga sempre o critério do português falado. (...) A língua falada é a que utilizamos todos os dias, (...) Mas a língua, enquanto legado, vive nos textos, e acima de tudo na grande literatura. (...) É o português escrito que dá identidade à língua portuguesa. Alterar o modo como escrevemos a partir do modo como falamos é uma ideia muito discutível”.

publicado por PRD às 03:45
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Quarta-feira, 9 de Abril de 2008

A estátua que falta

A notícia era esta: “A Assembleia Legislativa da Madeira debateu ontem um projecto de resolução que homenageia Jardim e os seus 30 anos de governação. Aproveitando a homenagem, Baltasar Aguiar, deputado do PND, requereu ontem a apreciação de outro projecto, da sua autoria, intitulado "Construção de uma estátua do dr. Alberto João Jardim".
Uma estátua, então. Rui Castro, no blog 31 da Armada, lança a arma da ironia: “Só por causa disto, se eu fosse madeirense votaria certamente PND”. Jorge Ferreira, no Tomar Partido, vai no mesmo sentido, apesar do Partido que origina a notícia, e escreve: “O melhor remédio para certas maleitas é o humor e a ironia. A Madeira não foge à regra. Estou com o Baltasar Aguiar: construa-se a estátua ao homem.”.
Razão tinha António, aqui há dias, no blog O Insubmisso, quando lhe chamava “sabedoria insular" e dizia apenas:  “Há 30 anos que ele goza o prato”.
Pedro Correia, no Corta-Fitas: “Aplaudo e subscrevo a proposta de uma estátua de Alberto João Jardim - essa "figura incontornável da nossa história recente", e sugere mesmo uma obra inspiradora:  “Colosso de Rodes, uma das sete maravilhas do mundo antigo. Um modelo adequado à estátua de Jardim, que certamente Jaime Gama terá todo o gosto em inaugurar”. João Tunes, no blog Água Lisa, vai mais longe e acha que Jaime Gama deve ser obrigado a inaugurar a obra.
No blog do Castelo, Aristides começa com graça: “Eu pensava que o PND era um partido sorumbático, cinzento e medíocre, um pouca à imagem do seu líder Manuel Monteiro. (...) Eis senão quando um seu deputado na Assembleia Legislativa da Madeira se sai com um golpe de génio ao propor uma estátua a Alberto João Jardim num projecto de resolução cheio de piada. (...) Depois disto, que ninguém acuse o PND de falta de humor”.
Paulo Ferreira, no blog Câmara de Comuns, afina pelo mesmo diapasão:  “Sentido de humor notável!” E acrescenta: “Se esta proposta (...) fosse apresentadas ou acontecesse em São Bento....teríamos uma revolução à porta e a promessa da 4ºRepública estampada por todo o lado”. Mas, nota, “a culpa não é de quem "estica a corda", é de quem permite e olha para o lado!”
Para fechar, leio no blog Catilinário Júlio dos Is que recorda outros grandes líderes: “Na linha de Estaline, Mao Tse Tung e Kim Il Sung (...), o PND segue um caminho de provas dadas; ou então o intrépido deputado perdeu a cabeça”.
De cabeça perdida ficamos nós aqui, no Continente, a ouvir histórias como esta, que animou o dia de ontem e continua hoje em cartaz...

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Terça-feira, 8 de Abril de 2008

Dom Sebastião Rebello de Sousa

Antigamente havia o tabu, agora há a pergunta à moda de El Rei Dom Sebastião: E se Marcelo vier a ser o líder do PSD?
A pergunta presume a ideia de que nunca foi, o que não é verdade, mas nem por isso deixa de merecer longas e detalhadas reflexões no mundo dos blogs. Curiosamente, nos blogs de Pacheco Pereira ou Santana Lopes, tal facto não merece comentário. Mas no blog O Insurgente encontro dois textos que vale a pena citar. Um, de André Azevedo Alves, não é propriamente sobre Marcelo mas sem querer vai lá dar. Diz assim:
“O problema mais grave do actual contexto político português não está no centro-esquerda mas na ausência de uma alternativa consistente e credível no espaço não socialista. Sem essa alternativa à governação social-democrata de Sócrates, é o próprio regime que se desequilibra cada vez mais para a esquerda, como pode ser comprovado pelos fraquíssimos resultados do PSD e do CDS nas sondagens e pelo crescimento alarmante da extrema-esquerda que se aproxima dos 20%
O outro texto, de Bruno Alves, recupera uma ideia de José Miguel Júdice – ele afirmou que “só uma pessoa” poderia vencer José Sócrates nas eleições de 2009, “aparecendo seis meses antes”, e que essa pessoa é Marcelo Rebelo de Sousa. Pega então nessa frase e desenvolve a sua teoria. Começa por dizer que “Marcelo não se distingue pela riqueza do seu pensamento político”, mas, “tal como Cristo foi crucificado uma vez e voltará para castigar os pecadores, também Marcelo poderá descer à Terra uma segunda vez. E aqui, como disse em tempos Vasco Rato no Independente, talvez fosse um melhor Primeiro-Ministro do que candidato”. Acrescenta: “Marcelo poderia, na falta de um pensamento político solidificado, conseguir reunir em seu redor uma equipa de qualidade, essa sim, capaz de bem governar (...). Mas restaria um problema. Quando as coisas começassem a correr mal (...), alguém obcecado pela conspiração, pela politiquice, pela habilidade para dizer uma coisa e fazer outra, certamente deixaria cair essa equipa que eventualmente construiria em seu redor”.
Bruno Alves, no entanto, deixa ainda uma hipótese alternativa a escreve: “Paradoxalmente, essa fixação politiqueira de Marcelo poderia acabar por ser benéfica. (...) Marcelo poderia pensar na história. Poderia acabar por ser um governante firme, capaz de conduzir uma política que fosse ao encontro das necessidades do país, e mais importante ainda, capaz de aguentar a condução dessa mesma política, não por acreditar que ela seria a melhor (...), mas por querer ficar na história enquanto um governante firme. (...) Como alguém que conseguiu pedir “sangue, suor e lágrimas”. Se Marcelo alguma vez vier a ser líder do PSD, se alguma vez vier a ser Primeiro-Ministro (...) esta é a única hipótese de isso não se traduzir numa desgraça para este país”.
O debate sobre o PSD não abranda – ontem a liderança que está, hoje a liderança do futuro. Marcelo negou a hipótese ainda no domingo passado na RTP – mas no mundo dos blogs, como se vê, ela está de pé...

publicado por PRD às 19:10
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Segunda-feira, 7 de Abril de 2008

O tri do FCP

Tinha que ser: o Futebol Clube do Porto venceu a Superliga cinco semanas antes do fim do campeonato – merece que se veja o que dele se diz, e começo com uma análise extensa de LR no blog Blasfémias, que acha que o Porto não merece os troféus que ganha. Tornando curta a longa história:
“Como é possível tanta vitória seguida? Não se nasce virado para a Lua todas as semanas ao longo de 30 anos. Isto só é possível à custa de corrupção em grande escala, (...) mobilizando milhões que fluíram caudalosamente de “saco azul” sem fundo, financiado sabe-se lá como. (...) Por mim, estou farto de resultados falseados e de péssimas exibições. Como me prezo de ser um rapaz solidário, vou passar a torcer pelos mais fracos. Hoje serei boavisteiro e bracarense. Para a semana e até final do campeonato, vimaranense”.
Bruno Sena Martins, no Avatares de um desejo, não está de acordo de certeza: “Portista nascido e criado no exílio, defini a minha "orientação desportiva" na ausência de outras referências que não o amor epistolar. Ser correspondido deve ser isto”.
Rui Costa Pinto, no Mais Actual, também não vê o filme negro: “Depois de tudo o que se passou no mundo do futebol nos últimos três anos, o mérito desportivo de mais uma vitória do Porto não pode ser colocado em causa”. Mas, há sempre um mas, escreve ainda: “Contudo, os festejos de uma sociedade que se identifica apenas com o resultado desportivo para afirmar uma identidade regional, aliás, pelos piores motivos, deveria merecer a maior reflexão”.
Um benfiquista, José Medeiros Ferreira, no blog Bicho carpinteiro, lança a sua explicação: o Porto ganha “Com mais demérito dos adversários do que habitualmente. Isso não me impede de dar os parabéns a todos os portistas que conheço. Mas há dois que quero distinguir: o Miguel Guedes, símbolo da nova geração que aí vem e companheiro educado nos Artistas da Bola, e Jesualdo Ferreira, o eterno treinador adjunto no Benfica que demonstra o valor que tem num clube bem organizado”.

Outro benfiquista, Francisco Nunes Vicente, blog Mar Salgado: “Tenho obrigação de cumprimentar o FCP pela conquista do título de campeão nacional. E tenho o gosto de ver amigos meus felizes por uma conquista , esta sim, limpa e desportiva”
No meio do entusiasmo, há quem continue a não perceber o fenómeno do futebol. É o caso de Victor Abreu no blog Jantar das quartas:

”É em alturas de grande comoção futebolística como a deste fim-de-semana, que o país se assemelha, incomoda e tristemente, a uma enorme aldeia dos macacos em desvario. E com direito a exaustiva cobertura televisiva da simiesca agitação”. 

O futebol mexe com tudo, mexe com todos. Na blogoesfera, esta vitória foi assim debatida, mas não demasiado polémica. Afinal, vitórias anunciadas não deixam margem para grandes polémicas, todos o sabemos...

publicado por PRD às 23:06
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Sexta-feira, 4 de Abril de 2008

Blog da semana: Ler Blog

Já se sabia que a revista Ler se prepara para ter um relançamento, pela mão de Francisco José Viegas – mas antes mesmo de termos a revista em papel, já temos a revista na blogosfera. Francisco, como é sabido, é um dos entusiastas mais antigos deste Universo virtual, não admira portanto que tenha querido abrir a revista pela via blogoesférica.

Aí está então Ler Blog, “informação literária e editorial” com actualizações diárias, muitas notícias, links para todas as editoras e muitos sites de referência neste mundo. Além disso, também avanços sobre matérias que saíram na revista propriamente dita: está lá, por exemplo, um excerto da entrevista que Diogo Pires Aurélio, professor na Universidade Nova de Lisboa, deu para a primeira edição. Ler Blog vem colocar-se ao lado de mais alguns blogs ligados às letras e aos livros, é talvez neste momento a área cultural mais bem coberta pela blogoesfera, e isto sem falar dos próprios blogs de escritores e poetas.

Neste Blog da Ler, que escolho como blog da semana, além das noticias sobre lançamentos, conferências, encontros, novas edições, há também espaço para algum gossip, como este: “José Luís Peixoto termina por estes dias um retiro italiano, na Toscânia, para escrever o seu novo romance. Só depois, lá no fim do ano, rumará para os EUA”. Ficamos a saber por onde anda o escritor, como também sabemos as datas da Feira do Livro de Londres e os links para o caso de querermos visitá-la.

É portanto um piscar de olhos inicial aos potenciais leitores da renovada revista que obviamente será também, seguramente, objecto de promoção aqui. Aliás, pode ler-se ali a boa noticia de que vamos ter edição em papel no final de Abril. Para quem quiser conhecer o blog, a morada é http://ler.blogs.sapo.pt

publicado por PRD às 18:46
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Quinta-feira, 3 de Abril de 2008

Divórcios

Há temas que, não sendo de actualidade imediata, acabam por saltitar pelos blogs ao longo dos dias, sem que constituam uma vaga de fundo, mas mantendo interesse e a chama acesa. É o caso do fim do divórcio litigioso, que tem motivado algumas opiniões que vale a pena registar. Bruno Sena Martins, no blog Avatares de um Desejo, acha que a medida é “da mais elementar lógica de livre arbítrio (...). Mas a festa continua, acha o Bruno. Com o fim do conflito nos tribunais, “há uma dimensão de retaliação que se vai transferir para a rua. A vingança do despeitado, que dantes se traduzia em termos processuais, vai voltar a animar o condomínio com as clássicas peixaradas. Mais barato e mais saudável”.
José Teófilo Duarte, no Blog Operatório, também concorda: “O divórcio, tal como o casamento, são acordos que devem ser tratados entre as partes envolvidas. A sua permissão em absoluta liberdade não dita um fim para a instituição que une duas pessoas. Antes consolida a possibilidade de perceber o seu funcionamento. Ninguém é feliz por decreto. Procura-se a felicidade experimentando: às vezes a gente engana-se; outras não. É a vida”.
Já o autor do Portugal dos Pequeninos, João Gonçalves, vê o tema de modo diferente:

“O casamento, escreve ele, não é um contrato vulgar como o de arrendamento nem um laboratório para testar vontades e brincar às casinhas. As pessoas não constituem direitos reais e têm, sobretudo, a liberdade de não casar. Entende-se por pessoas aqueles que (...) supostamente possuem valores e uma ética. Tal inclui a noção de culpa, a destrinça entre bem e mal. Banalizar estes conceitos, ou anulá-los pela força da lei, é, todavia, o caminho dos "tempos"”.
Francisco Nunes Vicente, no Mar Salgado, leu o Portugal dos Pequeninos e respondeu-lhe: “A culpa não acaba por decreto, fique descansado o meu caro João. Vai continuar a haver muita, para deleite (e proveito) dos psicólogos (...). Depois da assinatura da concordata (...), o divórcio disparou em Portugal. E a culpa não acabou, não senhor”.
Por fim encontro Adolfo Mesquita Nunes, no blog Arte da Fuga, com esta outra ideia: “Não é descabido (...) que as pessoas possam ter liberdade para definir os termos do contrato de casamento, nomeadamente através da inclusão de cláusulas que permitam e definam o divórcio unilateral. O que já me parece mais descabido é que sejam os deputados, que apesar de 200 e tal não são suficientes para apreender todas as realidades existentes, a definir de forma taxativa de que forma esses contratos devem ser celebrados. (...) Em vez de passarem horas a discutir a vida dos outros, os deputados deveriam limitar-se a abrir a conformação dos termos do contrato à vontade dos casais. E ponto final”.
Como se vê, este é um debate menos óbvio do que à partida parecia. As opiniões que aqui deixei são apenas a ponta visível de um iceberg social sobre o qual se tem falado pouco fora do âmbito da blogoesfera. Fica aí o sinal para quem o queira apanhar...

publicado por PRD às 18:44
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Quarta-feira, 2 de Abril de 2008

Câmara de Comuns

A mundo dos blogues também tem as vedetas, os nomes de primeira, e mesmo os seus acontecimentos. Ora bem, acontecimento da temporada foi a entrada em funcionamento, ontem, dia das mentiras, do novo blog Câmara de Comuns. Perguntará o ouvinte: acontecimento porquê? O que tem esse blog a mais ou a menos do que tantos que nascem diariamente – diz-se que qualquer coisa como 200 por dia, em média...

Bom, o que este blog tem de diferente é exactamente a mais improvável das uniões nacionais: da esquerda à direita, um blog de gente basicamente da politica, que se junta como se fosse uma assembleia livre. Diz-se assim no editorial:

“Ocasionalmente, uma vez por mês, de hora ou hora, ou se de minuto a minuto for pertinente, a política aparecerá por estas linhas. No entanto e se pensarmos que a política está no futebol, na arte e nos espectáculos, no café da esquina, na gestão do condomínio, ou até mesmo na própria política, talvez seja compreensível que dela se fale com maior regularidade que o desejado”.

Claro que sim: no dia de estreia, e já com alguns milhares de visitantes, o Câmara de Comuns registava cerca de 20 textos obviamente políticos.

Vinte, parece muito para um dia de estreia? Parece. Talvez parece menos se virmos a ficha do blog: são 28 notáveis que assinam, de Ana Catarina Mendes a Carlos Manuel Castro, de Diogo Belford Henriques a José Pedro Amaral, passando por José Pedro Costa e Silva, Marcos Sá, Maria da Graça Carvalho, Miguel Frasquilho, Nuno Gaioso Ribeiro, Pedro Mota Soares, Rodrigo Moita de Deus, entre outros. Gente do PP, do PSD, do PS, toda junta nesta câmara que promete abalar diariamente a opinião politica publica, e neste caso também publicada. Eles dizem, em geral, que “o momento é bom” para arrancar com o blog e explicam: “Vamos ter eleições em 2009, que podem vir a ser em pack (legislativas e autárquicas). No PSD o ambiente está a aquecer, sendo que o mais certo é explodir e até já há ameaças de bomba. Mesmo o CDS, que só costuma brigar no recato dos conselhos nacionais, tem uma enigmática oposição interna a crescer, que até pode ser um soluço mas o melhor é não subestimar. A última vez que isso aconteceu, o partido acordou, na segunda-feira, com Ribeiro e Castro ao leme. Entretanto, o primeiro-ministro vai desapertando o cinto aos portugueses e se baixa mais impostos até às eleições, o mais certo é inaugurar, em 2009, o balcão Eleito Na Hora. Mas não é preciso tanto. Se a Oposição ficar como está, José Sócrates até pode repor o 1% que tirou ao IVA”.

Razões de sobra para abrir hoje a Janela a esta novo blog, que naturalmente vai integrar o já vastíssimo painel daqueles que comentam diariamente a actualidade – e que depois eu, por aqui, modestamente, vou citando.

publicado por PRD às 18:40
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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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