Quarta-feira, 12 de Março de 2008

O que fica do que houve

Ora bem, hoje vou procurar na blogoesfera o futuro dos dias recentes – ou seja, tentar perceber o que fica depois da espuma destes dias de manifestações, confrontos e revoltas entre a sociedade civil e o poder que está. Se a blogoesfera define tendências, vamos ver onde elas estão. Tomás Vasques, no blog Hoje há conquilhas, é taxativo:
“Daqui para a frente, como as coisas estão, ou o país que ganha menos que os professores, que trabalha mais horas e que não participou na definição dos critérios que o avaliam diariamente dá sinais que está cansado da luta dos professores, ou o primeiro-ministro pede eleições antecipadas, como tira-teimas democrático ou, pior ainda, o poder cai na rua”.

João Pinto e Castro, no Blogexisto, remata: “não há dúvida que o governo se encontra sobre o fio da navalha”.
Sofia Loureiro dos Santos no blog Defender o Quadrado faz um ponto de situação que está muito para lá de uma guerra de professores:
“Foi verdadeiramente uma manifestação da classe média contra o governo, o desemprego, a redução do poder de compra e a crise que nunca mais acaba, a reboque do protesto de uma corporação que não quer mudar o que é obrigatório que mude”.
E mais à frente escreve: “Se Sócrates demitir a Ministra o governo acabou como tal, pois frustra-se e desautoriza-se a si próprio. (...) Se Sócrates não demite a Ministra, vai ter que aguentar a multiplicação e a ampliação dos descontentamentos vários, com as várias caixas de ressonância de todos os partidos políticos”
Rui Costa Pinto, no blog Crónicas Modernas, acha que “A substituição de Maria de Lurdes Rodrigues, a curto ou a médio prazo, é tão óbvia como a necessidade de um novo interlocutor governamental com capacidade para convencer os professores”. E considera que “José Sócrates é suficientemente inteligente para escolher entre a derrota e o suicídio político”.
Um beco sem saída para o Governo? Vital Moreira acha que não, no Causa Nossa: “Seria bom que não se confundisse a "democracia participativa" com uma suposta "democracia da rua". Os protestos de rua constituem obviamente um legítimo meio de pressão sobre os decisores políticos, conforme a sua força e o seu mérito. Mas não podem autoconstituir-se em instâncias de revogação ou de invalidação das decisões dos órgãos constitucionalmente competentes”
Por fim, encontro um longo texto de Bruno Alves no blog O Insurgente onde se deixam pistas para os futuros deste presente. Ele entende que “o Governo se encontra num equilíbrio precário: a sua propaganda assentava na sua “coragem”, “firmeza” e recusa em “recuar”, mas, obcecado com os resultados eleitorais, está condenado a desiludir se recuar e a enfurecer se insistir. O recurso à “rua” (...) torna-se assim apetecível, o que fará cada vez mais gente sair para a rua para protestar, sem no entanto ter esperança num caminho alternativo”.
Sem oposição à vista, o que resulta da maioria destas análises é essa ideia de beco sem saída: não há alternativa ao PS, mas parece que o tempo da paz entre governo e eleitores terá chegado ao fim. Pelos vistos, resta o protesto na rua.

publicado por PRD às 18:44
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Terça-feira, 11 de Março de 2008

Tudo a vermelho...

“Coisas simples que eu não consigo entender: O Sporting está em quinto lugar a vinte pontos e o Camacho é que se demite?”
Lapidar, Rodrigo Moita de Deus no blog 31 da armada ajudando-me a fazer a entrada desta crónica de tons vermelhos – e aqui vermelho pode ser de clubite, mas pode também ser de raiva, de irritação, de tristeza. O Benfica entrou em crise profunda, Camacho demitiu-se e Bruno Sena Martins, nos Avatares de um desejo, pergunta:

“E Luís Filipe Vieira, fica-se?”
Esse mesmo a quem Filipe Nunes Vicente no Mar Salgado chama o “Sr. Vieira” e escreve: “ vai ter de arranjar alguém que o ature. E que treine o Luís Filipe.

No entretanto o nosso Chalana foi promovido a Mário Wilson, mas a seco e sem injecções de afecto. Eu gostava que voltasse o Pal Csernai: podia ser que fizesse uma limpeza de balneário e de direcção”.
Leonel Vicente, no blog Memoria Virtual, reconhece que o treinador não conseguiu no Benfica “um modelo de futebol organizado”, “um fio condutor”: “há muitos jogos atrás que Camacho parecia ter baixado os braços. Não confiando nos seus jogadores (…), sentia-se (…) o seu conformismo e impotência para injectar o sopro de moral e motivação de que a equipa carece”.
E remata com o aviso óbvio: “mais importante que este final de época (o fundamental será mesmo conservar o 2º lugar…) será a próxima. O seu desfecho começará a desenhar-se agora, em função da decisão que for tomada”.

Uma visita ao Blog SLB, reúne a colecção de opiniões e ideias que falta para tirar o retrato à crise.
Um adepto: “Foi preciso, deitar uma época inteira pelo cano abaixo, para ver que o espanhol não serve nem para treinar escolinhas. Rotulado como salvador, não é mais do que um impostor”.
Outro adepto: “Sr. Presidente é tempo de entregar o Futebol a quem é do Futebol quem conhece o balneário. Estamos a tempo de preparar a próxima época com seriedade e competência”.
Outro adepto: “Não podemos continuar a viver das velhas glórias do Benfica, temos de viver o presente e de continuar em frente joguem com glória e com empenho e por amor ao clube que lhes paga os ordenados e aos sócios”.
Uma sócia identificada, Elisabete Martins, dirige-se ao Presidente Vieira: “Acredite que está na hora de V. Exa. contactar o Mister Mourinho. Acredite que ele até não se vai importar, pois está de férias há demasiado tempo. E até o fará de borla que o Mister é generoso. Pelo menos, até ao fim da época”.

E por fim um sócio com potencial para presidente dá a receita:

“Contratem um treinador com mística do Benfica e com muita garra como o
Álvaro Magalhães ou Humberto Coelho e já agora o Vieira vá também embora”
Blogoesfera ao rubro, neste caso em rigor, vermelho como tudo…

publicado por PRD às 23:42
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Segunda-feira, 10 de Março de 2008

O 9-M

Espanha continua socialista – e é pela blogoesfera que sigo a noite eleitoral. Começo no blog Corresponsal en Oporto, que se dedicou exclusivamente a cobrir esta campanha, e onde se escreve que “Faltavam poucos minutos para as 21h e já os repórteres contavam que se dançava na sede eleitoral dos socialistas ao som de uma canção de Maná, quem sabe se o sucesso “Amar es combatir [...]”.
Henrique Burnay, no blog 31 da armada, olha os resultados pela direita: “O PP perde, mas pelo menos não tenha ganhar "à bomba". O resto, os erros, as falhas da oposição, os diferentes estilos, tudo isso conta, claro, mas este post é só sobre o aproveitamento que o PP não fez do atentado da ETA. Que isso tenha reduzido a influência da ETA no desfecho eleitoral, é tudo o que se pode desejar”.

No blog O Peão, Zé recorda as desculpas de mau perdedor da direita e volta à carga: “Há quatro anos Zapatero ganhou as eleições gerais em Espanha depois dos trágicos atentados do 11 Março e do vergonhoso comportamento de Aznar. Não faltou quem à direita dissesse que não tinham sido Zapatero e o PSOE quem ganhou as eleições, mas a Al-Qaeda. Hoje os eleitores espanhóis votaram, e tinham a oportunidade de punir Zapatero se acaso se tivessem entretanto arrependido. Com quatro anos de governo de esquerda, posições fortes em questões 'ditas' fracturantes (...) Zapatero ganhou as eleições. (...) Se não é mérito da Zapatero e da esquerda é de quem?”
Fernando Venâncio, no blog Aspirina B, antes ainda dos resultados, vai adiantando sobre maiorias e votos algo em que vale a pena pensar sobre os Populares e Os Socialistas: “Não há espanhóis suficientes a reconhecerem-se quer num quer noutro”.
Daniel Oliveira, no Arrastão, prefere sublinhar a posição á esquerda de Zapatero neste primeiro mandato: “Mesmo que não concorde com tudo, de uma coisa não tenho dúvidas: quando comparado com os restantes partidos socialistas e social-democratas da Europa Zapatero governou claramente à esquerda. (...) Fica a lição: não é preciso guinar à direita para vencer eleições e um governo de esquerda pode conquistar o centro”

No Insurgente, André Azevedo Alves coloca a questão de dupla-forma:
“Pela negativa: Zapatero vence as eleições e continuará no poder. Pela positiva: o PSOE falha a maioria absoluta, o PP cresce e (...) a extrema-esquerda espanhola é praticamente esmagada”.
Num ponto equilibrado do discurso vou encontrar, vejam bem, Pedro Santana Lopes no seu blog pessoal: “Jose Luis Zapatero está de parabéns. Não é fácil, em tempo de crise, repetir vitórias em eleições gerais. Mas importa salientar que o PP conseguiu um progresso maior em relação aos votos de 2004. A distância entre os dois partidos encurtou-se. Estou convencido de que, com outro candidato, o PP ganharia”.
A politica não vive com “ses”, mas com factos. Os factos foram estes, as opiniões também foram estas, os ventos de Espanha continuam a soprar à esquerda.

publicado por PRD às 18:15
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Sexta-feira, 7 de Março de 2008

Cartas com História

Blogues, blogues de todo os estilos – procuro sempre, à sexta-feira, algo de novo, ou de pouco usual, ou de original. Hoje vou pela História num registo pelo menos surpreendente: Luís Bonifácio é um blogger prolixo, autor do Nova Floresta. Assumido monárquico, de Benavente, Ribatejo. Em Outubro de 2004 anunciou a criação do blog Cartas da Republica. E explicou-se:
“O presente Blogue tem por finalidade apresentar uma prespectiva da 1ª República através da correspondência recebida por duas figuras do regime, Raimundo Meira, coronel de artilharia, Governador-civil de Viana do Castelo, Deputado e Senador pelo Partido Democrático, Governador-geral de Timor, e Simas Machado, General, Deputado e Senador do Partido Evolucionista e mais tarde do Partido Liberal, (...) governador militar de Lisboa por ocasião da revolução de 28 de Maio. As cartas foram escritas por inúmeras personalidades políticas, de entre as quais destaco Afonso Costa, António José de Almeida, (...) Egas Moniz (...) Homem-Cristo (...) Teixeira Lopes (...) Cândido de Figueiredo”.
Trata-se portanto da revelação de um espólio, certamente pessoal ou de família, que quatro anos depois continua a ser regularmente alimentado e actualizado. As cartas são sempre enquadradas, deixo apenas um exemplo, sob o titulo “Amuos”:
“A organização do congresso não correu de feição a Simas Machado, que em carta escrita a António José de Almeida ponderou não se deslocar a Lisboa. Este, em carta datada de 6 de Abril, o tenta demover dessa decisão”.
Fala-se do Congresso do Partido Evolucionista...
“Meu prezado Amigo

Recebi a sua carta e escrevo-lhe esta para o demover da resolução em que está de não vir ao congresso.

É indispensável que V.Ex.ª assista a essa reunião do nosso partido porque se a questão do número é muito importante, a questão da qualidade não o é menos. E o meu amigo ao aumentar a quantidade em mais um, aumenta a qualidade em mais mil.
Peço-lhe pois encarecidamente que disponha as suas coisas e apareça cá ainda que não seja senão de passagem.
António José de Almeida”
A maioria das cartas fala da situação política, do caos, da barafunda, muitas vezes poderiam ser cartas dos dias de hoje. Exemplo:
“Que não haja desânimo, dizes-me que sim, eu pelo menos não desanimo: antes vibro com franca fé pela República, meu único credo político no passado e no presente, e no futuro se não surgir um certo rei perfeito”. Bom, não são de agora, são de antigamente – mas lê-las e acompanhar as explicações de Luís Bonifácio constitui uma interessante e às vezes divertida lição de História. “As cartas, diz o autor, são em número de 460 e cobrem o periodo que vai de 1911 a 1927, abrangendo portanto, quase todo o regime”.
Fica assim o meu blog da semana em cartasportuguesas.blogspot.com/. Uma viagem ao passado – façam então boa viagem...

publicado por PRD às 21:12
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Quinta-feira, 6 de Março de 2008

O PSD que resta

Luís Filipe Menezes disse, está dito: confessa que não está pronto para governar, ou que o PSD não merece ainda ser governo.
Bom, Manuel Jorge Marmelo, no blog Teatro Anatómico, estava a ser visionário. Ele escreveu antes desta entrevista: “Uma parte substancial daquilo que se escreve e diz sobre o PSD de Luís Filipe Menezes podia ter sido decalcado directamente daquilo que foi escrito e dito sobre o PSD de Durão Barroso antes do hara kiri do governo de António Guterres. Talvez Menezes esteja condenado ao fracasso. O futuro o dirá. Mas, entretanto, é preciso que algo vá sendo dito e escrito. E o que se ouve e lê é que Menezes já está politicamente morto”.

Na verdade, depois, o autor do blogue descobre um motorista de táxi que acha que o PSD vai ganhar as eleições. Mas parece um acto isolado...

No blog Papiro, Maremoto comenta a ideia de Menezes no Jornal de Noticias: “Se estas afirmações não fossem um autêntico disparate de comunicação, eu até ficava a pensar que elas eram honestas. Luis Filipe Menezes está a sair-me uma desilusão. É cada cavadela, uma minhoca”.
Daniel Oliveira, no Arrastão, delira, é claro: “Menezes é visionário. Onde alguns vêem um absurdo - dizer que tudo o que diz é inútil porque não merece ser primeiro-ministro -, eu vejo um homem que não é do seu tempo, que faz política muito à frente do nosso tempo. Vejo um político do século XXII. E se o PSD não se livra desta ave rara é mais ou menos nessa altura que vai voltar a formar governo”.
Filipe Nunes Vicente, no Mar Salgado, lembra que “o algodão não engana”: “É caso para dizer que o partido-empresa (...) ainda só está no papel e que era exactamente isto que se esperava dele e da sua comissão política. Mas se o PSD ao fim de três anos de oposição "ainda não merece ser governo", Menezes não é o único responsável. Não é não senhor”
Ora, vou então recuperar o blog de Pedro Santana Lopes que também nesta matéria está em desacordo com o líder, ou pelo menos a falar outra língua: “Por mim, escrevia há alguns dias, prefiro ser bem diferente de José Sócrates, que só vê defeitos nos seus adversários. Quando lhe ganharmos, no próximo ano, será também por sermos bem diferentes dele. Luís Filipe Menezes também o é”.
Jorge C, no blog Entre Deus e o Diabo” acaba por reflectir o que certamente muitos eleitores tradicionais do PSD sentem: “O PSD está de rastos! Menezes enterra o partido todos os dias com propostas de néon (...). O líder parlamentar e os deputados desdizem-se. Bem, é uma confusão que valha-me nosso Senhor Jesus Cristo. Está na altura de começar a pensar num partido mais à direita...”
Lá está: quando se perde o norte, quando tudo parece conduzir ao caso, a tentação de fazer de novo é grande...

publicado por PRD às 19:02
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Quarta-feira, 5 de Março de 2008

O Movimento Esperança Portugal

Rui Marques era Alto Comissário para as Migrações. Foi fundador da Fórum Estudante, e da revista Cais. Um homem ligado às causas sociais que decidiu agora fundar um Partido, o Movimento Esperança Portugal, que quer ir a votos e situa-se, diz o seu fundador, “num espaço da social-democracia entre o PS e PSD”. Comentários?
Bom, João Miranda no Blasfémias ironiza: “Tenho uma ideia para um novo partido político.

Um partido que se posicione exactamente ao centro do  Movimento Esperança Portugal”.
No blog o Insurgente, o titulo não engana: “O que malta precisava mesmo era mais um partido social-democrata. Faz lembrar os anúncios de detergente de roupa. O que será que este partido “social-democrata” tem para ser melhor que os outros? Powerball? Ingrediente X? Glutões? E será recomendado por 73 marcas de máquina?”
Um pouco mais a sério, José Medeiros Ferreira, no Bichos carpinteiros, escreve:
“A situação política do país está tão tensa, e sem qualquer alternativa à vista, que a tentação de criar novos movimentos é grande, mesmo que não haja dinamismo social que os sustente. Rui Marques (...) lançou o movimento Esperança Portugal (...).Não creio que possa ir longe mas anuncia o desejo de muitos”.
Rui Cerdeira Branco, no blog Adufe, dá alguma margem de manobra à nova força politica.

Depois de notar que “Os movimentos de cidadãos estão claramente em crescendo de número e de exposição mediática”, escreve: “Disputar o centro, é obviamente entrar directamente para o olho do furacão do poder e essa é precisamente, por mais paradoxal que pareça, uma terra de ninguém, ou melhor dizendo, de uma espécie de partido único.

Com tudo o que por aqui tenho dito e escrito ao longo destes anos, o mínimo que posso fazer é estar atento ao que se vai passando. O máximo que poderei fazer o futuro dirá”
Paulo Gorjão, no Cachimbo de Magritte, não consegue ver espaço para este “politicamente correcto”: “Posicionando-se ao centro do centro político. Tendo como objectivo construir pontes. (...) No meio disto só não percebo como é que se faz política, pura e dura. Como é que se tomam decisões? Como é que se fazem opções, no meio de tanta ponte e de tanta união?
Por fim, no Corta-fitas, João Távora surpreende-se: “É extraordinária a atracção que o centro, qual abismo, exerce na politica. É como o mito do pote de ouro escondido na extremidade do arco-íris. Por diminuto que seja o espaço de demarcação, haverá sempre mais um ponto que estabeleça o centro entre dois elementos... Só que às tantas, (...) a sua atmosfera, degradada pelos interesses instalados, está poluída e o ar rarefeito”
Realmente, tanto centro no centro – apetece mesmo fugir para as margens...

publicado por PRD às 18:24
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Terça-feira, 4 de Março de 2008

Sinais dos tempos

Policia e governo dizem que são fenómenos pontuais e não se pode generalizar, mas a verdade é que soam as campainhas de alarme com a espiral de violência que anda por aí. Os reflexos dos acontecimentos dos últimos dias já andam, claro, na blogoesfera, com João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos, a notar que “cada vez que um agente vem à televisão falar em "policiamento de proximidade", alguém continua a puxar impunemente da pistola”, e com Francisco José Viegas, no blog Origem das Espécies, a sublinhar: “A ideia de que Portugal era um paraíso com melros a cantar nas oliveiras já se foi. Resta pouco desse retrato. Tenham cuidado”.
Eduardo Saraiva, no blog Andarilho, estranha o silêncio dos políticos, nomeadamente de José Sócrates, e acha que “há momentos que o melhor é fazer como o diabo..."fugir da cruz", neste caso, fugir da comunicação social”. Talvez tenha razão José, no blog Grande Loja do Queijo Limiano, quando interpreta as reacções das autoridades na seguinte sequência: “A situação, sendo grave, não será desesperada. Ou sendo desesperançada, não é exasperante. É apenas incómoda, para quem tem o poder e o dever de lhe por cobro”.
Guardo para o final uma reflexão mais profunda, porventura com reflexos a prazo, certamente algo em que vale a pena pensar. Encontrei no blog Combustões, anónimo, e diz assim:

“É consabido o facto da violência e o crime organizado florescerem em sociedades empobrecidas. O colapso do Estado, da ordem e da lei (...) determinará a prazo, como sempre, a dilemática escolha entre menos liberdade e mais segurança ou a aceitação da violência como dado corriqueiro de uma democracia latina, irresponsável e exposta às investidas de associações criminosas. Estamos a colher, maduros, os frutos de décadas de uma anti-cultura cívica que instilou nos portugueses a falsa ideia que Lei, Ordem e Autoridade são sinónimos de repressão, ditadura e privação de liberdade. Nada mais errado, pois a democracia não vive sem paz nas ruas. Quando morre a segurança e os cidadãos se enchem de medos, não confiam nos tribunais nem nas forças da ordem, nem no governo e nos valores em que assenta o Estado de Direito, está aberto o caminho para a aceitação de regimes de força. Entre nós, sempre oscilando entre regimes da bagunça e regimes do porrete, a escolha acontecerá mais cedo do que pensamos”.

Sábias palavras, parece-me...

publicado por PRD às 23:22
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Segunda-feira, 3 de Março de 2008

O derby

O derby acabou empatado, mas na blogoesfera nem por isso.
Começo por Fernando Venâncio no blog Aspirina B que começa o dia recordando notavelmente “Um infindável Sporting-Benfica na minha vida”: “Teria eu sete, no máximo oito anos. E era um sábado (...), esse em que a minha mãe regressou a casa com um enorme embrulho. Nós éramos pobres, sem sermos miseráveis (...), e um embrulho assim não era visão comum. (...) Aberto o embrulho, ali em cima da cama dos meus pais, vem o meu espanto, vem a minha fúria. O retalho era verde. Verde. Dum verde leve, quase alegre. Poderia eu perdoar aquilo à minha mãe? Eu era (...) do Benfica. Não pelo Benfica, que não me interessava nem um niquinhas, mas pela razão mais simples e devastadora: o meu pai era (...) um sportinguista. Eu era um Édipo em calções. A partir daqui, estou filmando um miúdo de sete, oito anos no máximo, nuns calções efectivamente muito curtos, que sai do quarto, vai desencantar algures uma tesoura, das grandes, das de costurar, e que volta ao quarto, agarra no tecido e faz nele um valente rasgão. Ouço, e gravo, gritos, duma mãe, duma maninha mais nova, dumas tias, dumas vagas primas. Volto a ver, e a filmar, correrias, desvairos. (...) Dias depois, o rasgão há-de ficar resolvido, elegantemente camuflado como bolso. Mas a vergonha, essa que ninguém jamais conseguiu filmar, (...) continua a projectar-se. No escuro, no vazio. Até hoje”.
Pérolas destas, pois, encontram-se na blogoesfera para ler na íntegra. Mas agora vamos mesmo ao jogo,
No Arrastão Daniel Oliveira gritou bem cedo pelo Sporting sob o titulo “Venha a vitória”. Quando lá voltei depois do jogo só havia uma frase: “Obrigadinho por nada!”
Tomás Vasques, no Hoje Há Conquilhas, seco também: “O Sporting ganhou, hoje, em Alvalade, um precioso ponto na luta pelo 4º Lugar”.
No Mar Salgado, Filipe Nunes Vicente, benfiquista, diz que “Cardozo fez hoje o seu melhor jogo em Portugal. Fez o que sabe - lutou, rematou, tabelou - e foi incapaz de contrariar os genes: ser malicioso, veloz e consistente. Nada mau se tivéssemos pago apenas meio jogador”. E remata o seu comentário de forma muito pouco ou nada facciosa: “O Benfica-Sporting é o derby. Que interessa se em primeiro lugar está o Porto, o Boavista ou o Passarinhos da Ribeira? Nada”.
Já Miguel Marujo, no Cibertertulia, preferiu o seu jogo pessoal: “Ontem, nos matrecos, escreve ele, o resultado foi bem mais emotivo, e as claques não estragaram a festa”.

Agora uma vista de olhos aos fanáticos militantes...
Rui Oliveira, no blog Superflumina: “Como portista não posso estar mais satisfeito. Passou mais uma jornada e a diferença mantém-se. Hoje, o Sporting e o Benfica fizeram o favor de não desatarem o nó. Por mim, está bem!”

Leonino, no blog Sangue Leonino: “Foi verdadeiramente lamentável ir esta noite a Alvalade e ver - para além dos habituais 11 palhaços vestidos de vermelho e mais umas quantas centenas nas bancadas (...) - um palhaço-mor a estragar o jogo e a roubar-nos de forma vergonhosa a possibilidade de chegarmos ao triunfo. (...) Paraty achou que a cereja no topo do bolo, nesta recta final da sua carreira, seria vir a Alvalade e passar o jogo a provocar jogadores e adeptos leoninos com decisões inacreditáveis. Um verdadeiro palhaço!”
BRLSB no SLBlog: “O Resultado de 1-1 acabou por ser justo, pois o Benfica na segunda parte foi a equipa que mais tempo dominou, e o Sporting fez o mesmo na primeira! O empate sabe melhor ao Benfica que consegue manter a distância de Sporting e Guimarães”
Lá está: a luta pela segundo, ou pelo terceiro. Ao que chegaram as equipas de Lisboa no futebol nacional...

publicado por PRD às 18:30
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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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