Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2008

Ainda o BCP

Pensava encerrar o dossier BCP ontem, mas na ressaca da ultima Assembleia Geral as opiniões que polvilham a blogoesfera merecem mais uma atenção, dado que se foram mostrando ao longo do dia de ontem e mesmo hoje. Por exemplo, esta forma peculiar de ver o assunto, por José Medeiros Ferreira, no Bicho-carpinteiro:

“Com um pequeno esforço pode-se contar a história do BCP de outro modo: o primeiro grande banco privado nascido neste regime democrático precisou do aval do Estado para sair da sua primeira grande crise vinte anos depois. Não convém assim, pois não?”

Outra ideia interessante, a provocação humorada e irónica de João Miranda, no Blasfémias, direitinha para Luís Filipe Menezes:

“O PSD tem neste momento uma oportunidade única para voltar a pegar numa das suas antigas bandeira. Deve pedir a privatização da banca nacionalizada, a começar pelo BCP”.

Na mesma linha da partidarização da banca, mas ampliando-a para os negócios da comunicação, Pedro Sales no Zero de Conduta conta algo que nenhum jornal escreveu:

“O BCP ficou com a gerência da Caixa. Santos Ferreira para aqui Miguel Cadilhe para ali, a imprensa de hoje confere uma ampla cobertura mediática à luta pela liderança no Millennium BCP. Mas outro nome escapa ao escrutínio e passa quase incógnito: Cunha e Vaz. O mesmo homem que faz a comunicação de Menezes, e coordenava o ataque do PSD à “Opa socialista” de Santos Ferreira, fez a assessoria de Santos Ferreira para garantir o sucesso da “Opa socialista” ao BCP. Pelo meio ainda tinha tempo e energia para aconselhar o cessante Conselho de Administração do BCP. Uma verdadeira tripla. Mas há que reconhecer as vantagens de um esquema destes. Assim nunca há fugas de informação. Ela circula sempre entre a mesma gente”.

Por fim encontro Rui Costa Pinto, no blog Crónicas Modernas. Diz:
”A transferência de um presidente de um banco público, o maior do sistema financeiro, para um banco privado é algo nunca visto. Aliás, se Carlos Santos Ferreira é tão capaz e competente, (...) então por que razão o Estado permitiu que se tenha mudado para a concorrência? Seria interessante conhecer os termos dos contratos dos Administradores da Caixa Geral de Depósitos, de forma a saber se o Estado está à mercê de tais movimentações esdrúxulas. Das duas uma: ou o Estado obriga os seus mais altos quadros a um regime de confidencialidade e de reserva, que os inibe de se transferirem para a concorrência de um dia para o outro, ou então, a não existir esta norma (...), o interesse público não estaria a ser salvaguardado, o que é impensável e inadmissível”.

O que resulta destas ideias é que, afinal, a paz pode ter chegado, na aparência, ao BCP – mas no fundo, subsiste a dúvida, a desconfiança, e um certo pé atrás sobre todo o processo que levou à escolha de uma nova equipa dirigente.

Politica e finança num só banco, já era de calcular que deixaria nódoas no tapete...

publicado por PRD às 19:16
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Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2008

Sem estados de alma

Pois muito bem, vamos então ver como a assembleia geral do BCP chegou à blogoesfera , comecemos por uma imagem geral, já de si critica, por Carlos Abreu Amorim no Blasfémias: “A lista vencedora teve 283 votos que representam 97,76%. A lista de Miguel Cadilhe obteve 560 votos que só representam 2,14%. (...) O BCP nunca mais será um banco em que os pequenos accionistas contem para alguma coisa - a partir de hoje, o BCP é uma coisa muito diferente de tudo o que conhecíamos”.
Eduardo Pitta, no blog Da Literatura, tem uma frase de génio: “nem os negócios têm estados de alma, nem os accionistas jogam a feijões”.
O anónimo que assina o blog Jumento é mais claro na análise: “A derrota de Miguel Cadilhe na corrida para a presidência do BCP foi humilhante, deveria ter sido prevista por quem conhece tão bem os accionistas do banco. Ao concorrer à liderança de um banco de onde saiu permitindo que o seu nome fosse utilizado pela tentativa de partidarização feita por Luís Filipe Menezes, Miguel Cadilhe não só foi "expulso" do BCP como foi associado a mais um disparate do líder do PSD”.
Já Miguel Abrantes, no Câmara Corporativa, acha que “tendo-se verificado que Menezes e Santana resolveram meter a cabeça no cepo, ao politizarem a escolha de uma instituição privada (...), pode concluir-se que também o PPD /PSD obteve um resultado humilhante. Arranjou um candidato, foi a votos e…”

E perdeu, é verdade.
JCS , no blog Lóbi, prefere destacar a nomeação de Armando Vara para a administração do banco: “Aos cinquenta e três anos, Armando Vara encontrou finalmente emprego. Já não vive do Estado. Devia ser feriado”.
José, na Grande Loja do Queijo Limiano, vai por outro lado e faz um historial ilustrado da banca portuguesa desde o tempo das nacionalizações de 1975 para rematar: “Os problemas do BCP são tributários, integralmente, do que se passou entretanto”. Isto é, desde as nacionalizações até ás privatizações...
Paulo Querido, no blog Mas Certamente que sim, prefere recomendar aos liberais: “Assobiar para o ar e mencionar o lindo dia que está; afirmar despudoradamente que o bom capitalista é o que suga o melhor que o Estado tem para lhe dar e cospe o pior; a caminho do Júlio de Matos, insistir com o condutor da ambulância que estamos a assistir à estatização do Maior Banco Privado Português”.
Esperemos agora que o Banco volte à normalidade. Os blogues nacionais acompanharam com especial interesse esta crise – bom sinal democrático num Portugal que poucas vezes assim se manifesta. Mas, por mim, já chega...

publicado por PRD às 23:48
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Terça-feira, 15 de Janeiro de 2008

All...cochete

“Caro Ministro das Grandiosas Obras Públicas, fica um conselho de vida: "Jamais" diga "jamais". (...) Só porque num lago passam cisnes brancos, não quer dizer que todos os cisnes sejam brancos”.

Assim escrevia ontem Hidden Persuader , no blog Bicho Carpinteiro, horas antes do Prós e Contras abrir o seu quarto programa dedicado ao novo aeroporto. Lá estava o ministro Mário Lino, agora a defender Alcochete...

Teresa Ribeiro, no blog Corta-Fitas , até lhe escreveu uma carta onde dizia: “Sabes, o pior foi teres metido água com aquela conversa sobre o deserto. Em política as figuras de estilo quando mal aplicadas são letais. (...) Para a próxima, já sabes, nada de improvisos. (...) Logo à noite, quando estiveres no Prós e Contras a levar mais um ensaio de porrada não te enerves e vê lá o que dizes. Lembra-te, sound bites da tua lavra, "jamais"!”

Bom, mas depois deste pé na poça do Ministro, a localização do aeroporto está decidida.

Escreve Miguel Abrantes, no blog Câmara Corporativa:

“Conhecidas as conclusões do relatório do LNEC, as diferenças entre as duas localizações não são tão acentuadas (...): em sete itens, a Ota apresenta melhores condições relativamente a três”.
Escreve João Pinto e Castro, no Blogexisto :

“Com a sua decisão, Sócrates pretendeu antes de mais livrar-se de uma polémica que fugira ao controlo do governo, porque se sentia incapaz de enfrentar os lóbis favoráveis a Alcochete. Julga que assim matou o problema, mas engana-se redondamente. Na verdade, criou outros, porque agora (...) muitos grupos de interesse terão ficado convencidos de que, afinal, fazendo-se um bocado de barulho, o governo abana e cede”.

Vital Moreira, no blog Causa Nossa, escreve:

“Uma das coisas mais intrigantes a propósito da nova localização do aeroporto é o aplauso dos que acusavam a Ota de ser demasiado longe. Ora, (...) a nova localização é mais afastada do que a Ota, mesmo para os residentes em Lisboa (...). Provavelmente, da perspectiva de Lisboa os quilómetros são mais compridos na direcção norte do que na direcção sul!...”

Escreve Pedro Lains , no blog Geração de 60:

“Cavaco Silva também não deve estar contente porque a mudança de posição do Governo foi feita, aparentemente, através dos jornais. Ele, que dizia que não lia jornais, terá ficado incomodado com essa circunstância. A verdade é que estas grandes decisões devem descer à praça pública e nela serem discutidas. Mas isso deve ser feito com equilíbrio (...). Ora, o que aconteceu com a decisão em causa foi que algumas pessoas tiveram o acesso privilegiado aos jornais”.

Escreve Pedro Santana Lopes no blog com o seu nome:

“Se não tivesse sido a iniciativa e a insistência de uns quantos e, diz-se, a intervenção do Presidente da República, teríamos ido mesmo para uma opção que não seria a melhor. Como é possível? Como é possível tal engano num investimento de tal monta?”

Por fim a palavra a um homem do Norte, Jorge Fiel, no blog Bússola:

“Agora (...), o Governo terá de arrumar na prateleira dos Assuntos Pendentes a questão do novo aeroporto. Este parecer técnico obriga o Governo a encomendar os estudos e projectos para Alcochete - que já estavam feitos para a Ota – o que significa o óbito do sonho inicial de fazer da Ota e do TGV as alavancas para um vigoroso relançamento do nosso crescimento económico”.

Tudo isto para provar que, apesar de ser unânime a ideia de que a mudança de orientação nesta matéria é melhor para todos, nem por isso deixa de haver opiniões distintas e ideias diferentes por essa blogoesfera fora. Cá ficaram...

publicado por PRD às 18:29
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Segunda-feira, 14 de Janeiro de 2008

Coexistências

Confesso que esperava reflexões mais profundas sobre a semana passada – a semana em que Alcochete venceu a Ota e o Tratado venceu o Referendo ao Tratado. Uma semana com factos políticos que revelaram muito mais do que simples actos processuais.

Sem alimentar jogos de palavras, recupero Paulo Pinto de Mascarenhas, pois foi ele, no blog da revista Atlântico, quem acabou por perceber o que está para lá do que se vê: “Poucos presidentes da república, escreve, terão levado o conceito do semi-presidencialismo tão longe como Cavaco Silva. Se me parece óbvio que, no caso do Tratado de Lisboa, José Sócrates já tinha decidido há muito que o iria ratificar no parlamento (...), é verdade que o PR se fez ouvir nos momentos essenciais, condicionando directamente a acção do Governo. Cavaco deixou também a marca de Belém na escolha do local do novo aeroporto, podendo  ser atribuída em larga medida à Presidência da República. Na Justiça como na Economia ou na Educação, sente-se como nunca um Presidente com vontade executiva, (...) que lê os dossiers e se mantém muitíssimo bem informado e assessorado, exercendo a sua influência pessoal junto de um primeiro-ministro com quem até agora se entendeu, reconheça-se, às mil maravilhas. Isto sem nunca deixar de assinalar aquilo que lhe parece menos positivo, em público quando necessário”.

Aí está a reflexão em falta, ou esquecida, ou perdida no meio dos foguetes. Tão esquecida que no mesmo blog da Atlântico se abre uma ideia divertida de Pedro Boucherie Mendes: um “grandioso concurso nacional para escolher o nome do aeroporto de Alcochete”. Mas, entre as primeiras propostas, aparece Aeroporto Luiz de Camões com til, Aeroporto Luiz de Camoes sem til, Aeroporto Mário Soares, Aeroporto da Ota em Alcochete, Aeroporto Lino Jamais, Aeroporto Soraia Chaves, e mais uns tantos, mas não aparece um Aeroporto Cavaco Silva...

Talvez Sofia Galvão tivesse razão quando escreveu, no blog Geração de 60, sobre o discurso do ano novo do Presidente: “A nossa esperança dependeria de Cavaco Silva ser – em privado, como sempre seria adequado – implacável na sindicância dos temas que lançou no seu discurso. A economia, a educação, a justiça e a saúde jamais deveriam deixar de ser objecto de exame fino e tenaz. Até que houvesse resultados, até que houvesse mudança. (...) Mas Cavaco Silva não pareceu disposto a tanto. Porque não acredita. (...) O Presidente da República não gerou entusiasmo, nem foi capaz de induzir confiança no futuro. No fundo, não nos deu um vislumbre de vida nova. E era disso, disso mesmo, que nós precisávamos. Para podermos acreditar”.

Ou seja, encontro na blogoesfera, em dois textos diferentes, com características distintas e objectivos divergentes, algo muito em comum: a ideia de um país onde, pela primeira vez, Presidente da Republica e Governo são, a um tempo, voz e comando, voz de comando e voz da consciência. Os tempos mudam, e é na blogoesfera que vou percebendo quão profundamente mudam...

publicado por PRD às 23:24
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Sexta-feira, 11 de Janeiro de 2008

Blog da Semana: Visto da Economia

Olhar, reflectir e debater Portugal e o mundo com a visão da economia – foi isto que prometeu o blog Visto da Economia quando apareceu, em 2007, justamente no dia em que Portugal assumia a Presidência da União Europeia.

A jornalista Helena Garrido assumia a autoria do blog e escrevia:

”Vamos ter seis meses muito interessantes pela frente. O governo português tem o sonho de conseguir concretizar o Tratado Reformador, o sonho de ter um Tratado chamado Lisboa. Não é impossível.”.

Não era impossível, não foi impossível.

Helena Garrido, que no próximo mês entra para a direcção do Jornal de Negócios, é uma jornalista com longa experiência no domínio da economia. Passou pelas direcções do DN e do Diário Económico, é Licenciada em Economia e com uma pós-graduação, comentadora regular da SIC Noticias.

Julgo não errar que foi na sequência da sua saída do Diário de Noticias que decidiu fazer um blog na plataforma IOL onde analisa diariamente a economia, sejam noticias, dados estatísticos, orçamentos. Analisa, descodifica, dá também opinião, como sucedeu na polémica do salário dos gestores. Escreveu Helena Garrido:

“De acordo com a Mercer  o valor da mediana para os presidentes das empresas é de 482.043 euros (ou seja, 50% dos presidentes de empresas ganham no máximo esse valor). Depois do discurso de Ano Novo do Presidente da República – disse Cavaco Silva: “Interrogo-me sobre se os rendimentos auferidos por altos dirigentes de empresas não serão, muitas vezes, injustificados e desproporcionados, face aos salários médios dos seus trabalhadores.(...)” - É oportuno debater um assunto que foi durante 2007 também um tema nos Estados Unidos. O problema não está apenas no BCP.
Confesso que não sei se é alto ou baixo, o que se paga aos gestores. Tudo depende do valor que criam ou criaram”.

Noutro caso polémico, perguntas que ficam: “O caso BCP - sim, é melhor começar a designá-lo assim - entrou na fase da irracionalidade completa.
Já faltava de facto pouco. Bastou o Governo meter a mão no assunto para assistirmos agora a declarações e contra-declarações, opiniões e sentenças várias”. Depois de citar vários exemplos, duvida se “o Banco de Portugal seria o único que tinha obrigação de saber”. E pergunta: “O governo e especialmente o ministro das Finanças não tinham também obrigação de saber? Há quanto tempo se sabia, por exemplo, que o BCP emprestava para se comprar acções do próprio banco?”

Paralelamente aos textos, Helena Garrido sugere fontes de consulta, livros, e todo o blog está recheado de links, ligações, para sites e blogs e jornais de todo o lado.

Trata-se, portanto, de um blog altamente profissionalizado, que julgo ser de consulta elementar para quem trabalha nesta área.

Visto da Economia, assim se chama: está em http://vistodaeconomia.blogs.iol.pt/, e é o meu blog da semana.

publicado por PRD às 18:34
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Quinta-feira, 10 de Janeiro de 2008

Queremos mentiras novas

Vamos então olhar as eleições americanas, dado que a diferença horária atirou os comentários à noite de New Hampshire para muito tarde.

A blogoesfera politicamente empenhada vibra com as eleições americanas como se fosse a disputa aqui da terrinha – e se calhar faz bem, porque os Estados Unidos mandam em mais mundos do que devem e o nosso é um deles. Adiante, começo por um comentário de JC Dias no Blasfémias: Hillary chorou. Hillary ganhou. O Globo de Ouro seria inteiramente merecido”.

Hugo Mendes, no blog Véu da Ignorância, prefere outro olhar: “Com o resultado de hoje, Edwards perdeu qualquer hipótese de disputar a nomeação para o Partido Democrata. (...) Por muita razão que tivesse nos argumentos apresentados, Edwards seria, numa campanha a sério, carne picada nas mãos da máquina mediática Republicana, que o acusaria seguramente de estar a preparar um golpe socialista em Washington ou coisa do género. (...) Para quem irão os seus votos agora? (...) Não seria descabido que os 'entregasse' a Obama . E talvez Obama , se vencesse, o premiasse com o cargo de vice. Talvez o ticket Obama Edwards não seja má ideia.

Filipe Nunes Vicente, no blog Mar Salgado, apesar de Hillary Clinton escreve: “Se no Outono a economia estiver pelas ruas da amargura , entre Obama e o tipo que faz lembrar Eisenhower os americanos não se vão enganar”.

 O comunista Vítor dias, no blog Tempo das Cerejas, descrê de qualquer mudança de fundi na politica americana, qualquer que seja o resultado: “Não pertenço àquela legião de opinion makers » que, de quatro em quatro anos, sempre formulam extraordinárias esperanças e visionam profundas consequências na eleição deste ou daquele candidato e depois, face às realidades, obviamente têm de meter a viola no saco”, escreve Vítor Dias.

José Teófilo Duarte, no Blog Operatório, acredita em mudanças:” Hilary não representa grandes mudanças. Obama sim. A América parece ter descoberto este senhor de pele escura, que exibe ideias consubstanciadas por um discurso brilhante, e que quer que as coisas mudem. Tratando-se da presidência do país que opera mudanças (...) no mundo inteiro, era bom que aquilo mudasse”.

Já Luís Naves, no Corta-Fitas , acha Obama “o candidato da esquerda caviar, com inegável carisma, muito apreciado pelos media. Mas o que a eleição de New Hampshire pareceu demonstrar é que a luta eleitoral americana estará ao centro e que as franjas vão sendo eliminadas”.

Por fim, Paulo Pinto Mascarenhas, no blog da Atlântico, recorda a fama de New Hampshire dar indicações sobre os nomeados finais: “Se é verdade, Barack Obama foi afinal um fogacho e o sonho americano apenas um sonho. Se é verdade, as próximas eleições presidenciais nos EUA vão ser uma espécie de remake das eleições de 2001, quando John McCain poderia ser um bom candidato. A senadora com marido a tiracolo Hillary Clinton fala por si própria: a mulher que se manteve imperturbável e não deitou uma lágrima durante todo o caso Monica Lewinsky , conseguiu chorar em directo para ganhar umas eleições por 3 pontos. Pior é difícil”.

Depois desta retrato breve, e olhando também Portugal e o estado da nação, apetece-me recuperar uma frase que li numa fotografia de parede no Blog Spectrum : “Queremos mentiras novas”. Acho que para hoje é isso mesmo que desejo...

publicado por PRD às 23:32
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Quarta-feira, 9 de Janeiro de 2008

Tratar do Tratado

A blogoesfera, e em geral a Internet, agora com o recurso You Tube, têm este poder: não voltará a haver primeiro-ministro ou líder partidário que faça uma promessa eleitoral, depois mude de ideias, e não seja crucificado na praça publica.

Ainda a notícia da ratificação parlamentar do Tratado de Lisboa era uma “primeira-mão” que a SIC Noticias avançava, e já a blogoesfera politica se agitava.

Pela manhã, Medeiros Ferreira nos Bichos Carpinteiros recomendava o referendo, defendia-o, e dizia mesmo que “a nível interno José Sócrates só tem a ganhar com o referendo sobre o Tratado de Lisboa”.

A meio da tarde Pedro Marques Lopes, no blog da revista Atlântico, fazia análise perspectiva: “Sócrates tem mais medo da oposição de esquerda do que de direita e fez um acordo com os seus colegas europeus”.

Ao mesmo tempo, começava a circular um vídeo (acho que vi primeiro no Zero de Conduta) que juntava dois momentos: o discurso da tomada de posse do actual Governo, em que José Sócrates anuncia o referendo para o mesmo dia das eleições autárquicas, e um bocadinho de uma entrevista à SIC, em Junho passado, onde diz que afinal pode não haver referendo porque o Tratado já não é constitucional...

Mas a net é implacável: esse vídeo está por todo o lado, e a blogoesfera cobra a promessa ao primeiro-ministro.

À esquerda, Tomás Vasques no Hoje à conquilhas comenta o editorial de José Manuel Fernandes no Público, dizendo que se é preso por ter cão e por não ter. Fernandes escreveu:

«Se Sócrates convocar o referendo ao tratado europeu, temos boas razões para suspeitar que o faz mais por calculismo político do que por acreditar na participação popular. (...) E até pode ser que nos enganemos, que Sócrates não anuncie o referendo.»

Enganou-se mesmo, não vai haver referendo. Eduardo Pitta, no blog Da Literatura, é dos poucos que encontro a concordar: “Antes assim, escreve. Para circo, basta a assembleia-geral do Millennium BCP no próximo dia 15”.

Em geral, não é por aí que vai a blogoesfera. Hoje, o dia vai ser de cobrança violenta e coerciva e o primeiro-ministro, além do debate no Parlamento, ainda terá de se confrontar com opiniões como esta, de João Gonçalves no Portugal dos Pequeninos: “Sócrates tem um compromisso com o país acerca do "tratado reformador" e da sua ratificação. (...) Apesar da sua especialização em fazer tábua rasa de quase tudo o que andou a defender em campanha eleitoral, Sócrates não deve abusar da sorte. O "tratado de Lisboa" afasta-nos da "Europa" e não simplifica nada. "Debater" a Europa a propósito de um refendo significa falar também de nós. Eu sei que custa e que o que há para falar é feio e não se recomenda. Todavia, a democracia é isso mesmo: conflito e risco, risco e conflito”.

João acha que a decisão de não referendar é uma posição “estilo "mesinha de cabeceira", quentinha e segura”. E é dos mais meigos que anda na rede, desde que se soube o que José Sócrates tinha decidido.

DISCLAIMER PERMANENTE: não adiantam os comentários sobre gralhas e pequenos erros de teclado ou frases que, escritas, nem sempre parecem claras - este texto é escrito para ser lido na rádio e não tem esse tipo de preocupação. É necessário "imaginar" a minha leitura, ainda por cima com improvisos por cima, para que tudo faça sentido. Obrigado!

publicado por PRD às 18:42
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Terça-feira, 8 de Janeiro de 2008

Inventar problemas

Confesso: estou farto da Lei do tabaco. Mais do que o referendo ao aborto, mais do que qualquer eleição ou debate, a blogoesfera vive obcecada com a lei do Tabaco, ou contra o tabaco, e o debate já enjoa. Procuro fugir-lhe, procuro política e os dias que passam. Encontro Pacheco Pereira no seu Abrupto:

“Agora que voltou o tempo das conspirações, só tenho uma coisa a sugerir: vale mais falar em público, dizer o que se pensa, deixar-se de fontes anónimas, deixar-se de recados, dar entrevistas com o rosto todo, assinar com o nome, fazer o esforço de discutir, (...) para todos verem tudo, saberem quem e porquê e assim estabelecer-se um contínuo entre os debates intra-partidários e o debate público sobre Portugal e os portugueses. Sempre é mais saudável do que andar a conspirar para depois colocar nos jornais, o que não é boa política e é péssima conspiração”.

Isto é sobre o PSD, só pode. Sobre o PS e o Governo, encontro BZ no blog O Insurgente, a garantir que a campanha eleitoral já começou porque a imprensa anuncia: “Sócrates diz que 2008 vai ser melhor para os portugueses”. Comenta o blogger : “As campanhas partidárias “começam” no primeiro dia da legislatura de qualquer Governo. Um político de sucesso entende que a percepção da maioria dos eleitores não é racional ou factual mas, sim, emocional. Gerir as expectativas do eleitorado é, por isso, essencial”.

Paulo Gorjão, de volta à blogoesfera no Cachimbo de Magritte , também comenta a declaração do primeiro-ministro: Nonsense , puro e duro. Evidentemente, Sócrates não tem (...) todos nem muitos motivos para estar particularmente optimista, tendo em conta a conjuntura internacional”. No mesmo blog, Paulo Marcelo acha que “esta crise está para ficar. Não é uma crise passageira, uma mera interrupção de crescimento. A coisa é mais séria, mesmo estrutural, da qual não sairemos sem mudanças profundas”. Depois de se explicar, deixa a pergunta: “Será que podemos acreditar na promessa de um Teixeira dos Santos sem gravata que afirma: «não serão pedidos mais sacrifícios aos portugueses»?

Estamos no domínio do pessimismo, ou se calhar do realismo:
Pedro Santana Lopes, no blog com o seu nome, estranhou o que chamou de nervosismo “do improviso de última hora do Ministro das Finanças”. E acrescentou: “Estranho Conselho de Ministros extraordinário. O Governo parece não saber o que há-de fazer”.

No blog Lóbi, JCS resume tudo a duas frases: “O Governo está farto do país e o país já não pode ver o Governo. O clima começa a ser de confronto”.

E só há uma forma de fugir a tanto pessimismo: com humor. Lá aterro no Blog do Marretas onde Waldorf sublinha uma declaração de Manuel Alegre em que o socialista afirma que o papel da esquerda é “Inventar soluções”. E responde-lhe: “Na verdade este Governo (...) infelizmente até agora esteve mais virado para a invenção de problemas”...

publicado por PRD às 19:03
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Segunda-feira, 7 de Janeiro de 2008

O tal 5º canal

O fim-de-semana na blogoesfera foi muito diversificado e repartido. Do cancelamento do Lisboa-Dakar à morte do escritor Luiz Pacheco, passando pelo arranque do processo eleitoral nos Estados Unidos, precisaria de várias Janelas para abarcar tantos tópicos.

Optei por outro dos mais falados destes dias: o anúncio do concurso para um novo canal de televisão em sistema aberto...

Carlos Abreu Amorim, no Blasfémias, acha curiosa a opinião de Pinto Balsemão, que critica a decisão do governo porque, diz,

“Vai prejudicar o mercado publicitário, vai ser uma televisão de enlatados, a qualidade vai descer... Este Balsemão de 2008, escreve o blogger, faz lembrar o Soares Louro dos anos 80 a jurar que Portugal nunca teria mercado para televisões privadas e que a sua abertura seria um enorme erro”.

Mas Balsemão não está sozinho. João Pinto e Castro no Blogexisto, interroga-se sobre o novo canal:

“Não é fácil entender-se as vantagens da autorização de um novo canal de televisão generalista. Perdem os canais existentes, porque terão que repartir receitas publicitárias (...). Perdem os anunciantes, porque a previsível baixa dos preços dos espaços publicitários não deverá compensar a maior fragmentação das audiências. Perdem os telespectadores porque (...) a intensificação da concorrência (...) acelerará a degradação da qualidade da programação”.
Pedro Sales, no blog Zero de Conduta, também está contra:
”Uma comunicação social sem recursos e em permanente guerra para captar audiências e anunciantes não deveria interessar a ninguém, jornalistas incluídos. Conduz à degradação da informação. Ao fim do jornalismo de investigação. À diluição da autonomia dos seus profissionais. À diminuição da independência face ao poder politico e económico”.

Daniel Oliveira, no Arrastão, vai mais longe: chama-lhe “uma péssima ideia”: “Na televisão, as coisas vão apenas piorar mais um pouco. Com o cabo e a Net a ganhar espaço nos segmentos com maior poder de compra, continuará a guerra para captar o máximo de público com o mínimo de custos. (...) Quando os interesses são cada vez mais diferenciados, a televisão generalista, a única acessível aos mais pobres, limita-se a procurar o mínimo denominador comum: o que afugenta menos pessoas”.

Com muita graça, ao ler este post, André Azevedo Alves, no blog Insurgente, nota:” O Bloco de Esquerda alinhado com o grande capital”, “Daniel Oliveira concorda com Francisco Pinto Balsemão”.

Entrando no domínio da teoria da conspiração, João Villalobos no Corta-fitas avança: “Alguém me disse que o 5ª Canal generalista, a atribuir no ano eleitoral de 2009, vai funcionar como uma cenoura para manter os grupos de comunicação social concorrentes bem comportadinhos, a ver se a licença cai para o seu lado”.

O socialista José Medeiros Ferreira não desmente, no Bicho-carpinteiro, e pergunta:

“O concurso para a abertura de um quinto canal (...) vai manter muito boa gente em respeito, não vai?”

E com esta pergunta sem resposta me calo por hoje...

publicado por PRD às 19:08
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Sexta-feira, 4 de Janeiro de 2008

Blog da semana: Gravidário

É um ano todo novo que começa... E foi por essa via que me inspirei para escolher o blog da semana. Escolhi um legítimo representante de uma classe de blogues que abunda na internet: os diários de grávidas. Isso mesmo: mulheres que decidem partilhar com o mundo a magia, a beleza, a intensidade, também as dores e os momentos menos simpáticos, dos nove meses que dura uma gravidez.
Há imensos blogues deste tipo, escolhi um que me pareceu equilibrado, nem excessivamente sentimental nem demasiado prático, uma fina mistura do vasto universo de experiências e sensações que a maternidade sempre implica.
Experimentem então: http://gravidario.blogspot.com/
Chegam ao Gravidário, “História de uma gravidez em processo, a começar na cabeça, antes de passar à barriga. Quiçá um ano de gestação”.
A autora abre o blog antes mesmo de estar grávida, em Fevereiro de 2007. Começa por contar a consulta à ginecologista que abre o processo:
“A consulta correu como previsto, ou não fosse esta uma segunda viagem: ácido fólico assim que esteja a contar engravidar, análises, citologia e ecografia. Desta vez juntámos aos exames da praxe uma mamografia. Discutimos as vantagens e inconveninentes de uma amniocentese (Ah, pois! Que a aspirante a grávida é cota a caminho dos 35!). Conversámos sobre a gravidez anterior, como correu bem, sem problemas - matámos saudades. Tudo isto num clima de tal proximidade como só podia acontecer entre mulheres”.
Daí para a frente é todo o processo, o dia-a-dia desde o primeiríssimo dia.
As últimas noites de copos:
“Duas Quintas, Monte Velho e Alvarinho por companhia. Tenho dois meses para me despedir”.
Os meses que vão passando, e há a descoberta de que é um rapaz, o Carlos.
“Sentir-lhe um pezinho, aqui mesmo por baixo do meu umbigo, de tal forma que o pude agarrar, aperceber-me perfeitamente do calcanhar, pedir-lhe que não se esticasse tanto, em vão... Esteve assim mais uma meia hora. Também o pai lhe acariciou aquele pé, a irmã, eu de novo, muitas vezes, mas nada o demoveu. Quase podia ter aproveitado para te experimentar as botas. De repente tomou nova posição e pronto... a mãe respirou aliviada e triste - Quando te voltarei a envolver assim, nas mãos? Ainda falta tanto, embora às vezes me pareça já amanhã...”
Discursos comoventes, uns dias mais práticos, outros mais ensimesmados. O Carlos vai nascer em Fevereiro e a mãe, no Gravidário, vive os dias com intensidade:
“Sempre achei bonita a imagem de uma mulher grávida no Natal. Nunca tinha acontecido. É desta”
Ou este post: “Estar grávida é... O estado de fragilidade emocional levar-me às lágrimas com a actuação dos filhos dos outros, na festa de Natal da minha filha (a mais velha)”.
Em Fevereiro chegará então o Carlos e o blog terá atingido o seu objectivo. Ou pode começar ali outro blog. Não sei: sei que até eu, que fui pai há 11 anos, me comovi com alguns momentos deste Gravidário que hoje escolho “blog da semana”.
publicado por PRD às 19:02
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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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