Quinta-feira, 18 de Outubro de 2007

Outras palavras

Quem navegue pela imensa blogoesfera pode apanhar regularmente ataques: de fúria, de riso, de indignação. As caixas de comentários dos blogues espelham isso mesmo – mas com o tempo, pode ganhar-se também uma outra qualidade nestas viagens: o respeito pela opinião alheia, por mais estranha e obtusa que possa parecer. E é interessante pelo menos observar ou pensar em pontos de vista que jamais nos passariam pela cabeça. É por aí que vou hoje com alguns exemplos da semana.
Estamos nos dias em que se assinala o aniversário da morte de Adriano Correia de Oliveira. Evoca-se o artista, o musico, o compositor. Ouve-se de novo Adriano. Mas há quem não o oiça. É o caso de Rui Bebiano, que no blog Terceira Noite explica:
“Ao escutá-las agora, viajo no tempo, recuando ao país-Portugal, sequestrado e em permanente luto, no qual ele viveu quase toda a sua vida. Para mim que ainda conheci esse país, ouvir hoje Adriano é como revisitar uma prisão, como ler as memórias de um torturado, como ver um documentário sobre o país que foi (..). Dói-me e evito fazê-lo. Desculpem”.
Consigo compreender esta postura, apesar de não ser a minha e a de muitos. O mesmo se passa, noutro domínio completamente diferente, com a história dos empréstimos perdoados no BCP a familiares de membros da administração do banco. Toda a gente grita que é escândalo, toda a gente pede a responsabilidade e a cabeça de quem permitiu tal facto. No meio do barulho das luzes encontro um longo texto assinado por Nuno Pombo, no blog Incontinentes Verbais, que de alguma forma contraria a tendência generalizada para arrasar o BCP. Não o vou resumir aqui, é longo, vale a pena ler para ver o tema de outro ponto de vista, mas deixo uma frase que já abre o apetite:
“Considerar uma dívida incobrável não é sinónimo de perdoar uma dívida. O perdão reflecte-se no devedor, ao passo que a insusceptibilidade de cobrança é uma constatação, meramente interna, do credor”.
Mudando novamente de tema, a Cimeira da União Europeia em Lisboa também motiva muitos cmentários. À margem de todos eles, encontro no blog do advogado José Maria Martins uma absolutamente inesperada ideia:
“José Sócrates tem o dever, tem a obrigação de mostrar aos seus homólogos da União Europeia , a miséria que grassa em Portugal. Deve ir mostrar os bairros de lata ainda existentes na Grande Lisboa, deve ir mostrar os bairros onde os idosos vivem arrastando-se, deve ir mostrar o interior, decrépito, paupérrimo". E sugere mais visitas por aquilo a que chama "miséria de Portugal, país que entende ser”enfezado, que se abotoa com os subsídios que a França, a Alemanha, Reino Unido nos mandam , e depois são delapidados, quando deveriam ser aproveitados para nos alavancar para o desenvolvimento”.
Se eu estou de acordo? Não estou. Se acho que faz sentido? Não faz. Mas eu acho um escândalo o que se passou no BCP, e oiço Adriano pensando no país que ele sonhou, e acho que a Europa nos fez bem e nos fará melhor.
O que daqui resulta e é a minha ideia forte de hoje é apenas isto: a blogoesfera, pela sua liberdade total, obriga-nos a pensar noutros pontos de vista. E respeitá-los. E muitas vezes descobrir verdades onde só víamos nuvens, mentiras ou não víamos mesmo nada.
publicado por PRD às 19:22
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Quarta-feira, 17 de Outubro de 2007

Guerra aberta

O lançamento foi bem feito: debates, reportagens de imprensa, fóruns de rádio: o documentário “Guerra”, que Joaquim Furtado preparou na última dezena de anos, dedicado à Guerra ultramarina portuguesa dos anos 60 e 70, criou enorme expectativa e foi seguramente um recordista de audiência na noite de ontem:
Shyznogud, no blog Womenage a trois, confessava-se expectante, e como ela muitos outros blogs por onde passei. Aliás, a polémica nasceu antes da estreia, com o nome do programa e com o debate no “Prós e Contras” de segunda-feira. Exemplo, que encontrei no blog Grande Loja do Queijo Limiano num texto assinado por José:
“A linguagem em Portugal continua a ser a da Esquerda. E para não se notar muito, Joaquim Furtado capou o termo. Em vez de Ultramar, chamou-se simplesmente Guerra. Não chega. É tempo de perceber que os termos usados para designar as coisas, são os que as designavam no devido tempo. E nesse tempo, era efectivamente Guerra do Ultramar, o termo certo para o acontecimento. Guerra colonial, foi termo apócrifo, divulgado logo depois do 25 de Abril de 1974, pela Esquerda, toda a esquerda, a reboque do PCP e do PS.
Pergunta-se: qual o termo certo, para designar a Guerra em África? A do tempo em que ela decorreu, ou seja, Guerra do Ultramar, ou a do tempo em que se procurou acabar com a mesma, de qualquer maneira, como de facto aconteceu?”
Lançada a polémica, arrancou a exibição do documentário. Vai dar muito que falar, não tenham duvidas. A amostra inicial já diz coisas...
“Vi o primeiro episódio e gostei, escreve Carlos Abreu Amorim no Blasfémias. A série promete. Imagens hiper-realistas, testemunhos credíveis e um fio narrativo fiel aos factos mas muito interessante. O retrato de um país alheado, com uma liderança impreparada que nunca percebeu o ultramar e os seus problemas”.
José António Barreiros no blog Revolta das Palavras adivinha o que aí vem:
“O Joaquim Furtado fez em televisão uma série de episódios que vão rasgar feridas que estão ainda mal saradas na pele dos portugueses. Trata-se da guerra, a do Ultramar, a colonial, a de libertação, a guerra. Uma guerra em que ele procurou não glorificar um dos campos contendores, o que corre o risco de desagradar a todos, aos que sentem merecer em troca do sofrimento os louros de uma medalha, para que tudo não haja sido em vão”.
João Vasconcelos Costa, no Bloco de notas, não perdeu tempo na análise ao arranque da série:
“ Devia esperar, reflectir, amadurecer a escrita, mas não resisto, escreve. Há alturas em que não se pode travar a alma. Parabéns, RTP, parabéns, Joaquim Furtado. Já não era sem tempo. Exorcismo, catarse, informação, cada um verá estes documentários à sua maneira, mas certamente sem a frieza de olhar de revés para telelixo, entre coca cola e pastilha elástica”A guerra colonial apaixona, mexe connosco, mexe com o passado e as convicções e as paixões. Esta série vai mexer com o país – e a primeira amostra aqui ficou.
publicado por PRD às 22:35
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Modas... e um gato

Com o passar do tempo – já lá vai ano e meio de atenta observação da blogoesfera – noto que há claramente diversas classes de bloggers no activo: os principiantes, os amadores, os profissionais, os esforçados, os veteranos.
Noto esta ideia de veterano, por exemplo, quando leio um post de Rui Cerdeira Branco no blog Adufe em que o autor já recorda os tempos em que a blogoesfera era de poucos e bons e solidários. Escreve ele, sob o título "Leopardos, chacais e marranos":
“Se os tempos fossem outros viria aqui, fazendo eco do post do Leonel Vicente, anunciar a novidade: o Pedro Mexia e o Pedro Lomba atiram-se à política a quatro mãos formando um Gattopardo, mas os tempos são estes e hoje linkar não está a dar.”
Não tarda lerei algures a clássica frase “isto já não é como era dantes”. Na verdade, por causa do post do Adufe lá fui conhecer o novo blog de Pedro Lomba e Pedro Mexia, o Gatto Pardo, cujo estatuto editorial é claro:
“Gattopardo é um blogue sobre política. Não representa ninguém nem presta contas. Não tem as quotas em dia nem pretende. Estuda com fé e realiza com dúvida. Usa consoante dobrada porque é italiano. É tão depressa leopardo como gato pardo. Não confunde um Churchill com um charuto. Não está de acordo com quem concorda connosco.”
O blog promete, claro. Logo ao primeiro take, explica ao novo líder do PSD algo em que ele obviamente não pensara:
“Não precisamos de uma nova Constituição porque esta é a Constituição saída do 25 de Abril. Há quem compreensivelmente não goste disso, quem preferisse desligar o documento da data, quem ache que a democracia podia ter vindo de outra maneira. História virtual é história virtual. A democracia aconteceu com o processo iniciado a 25 de Abril de 1974 e depois concretizado na eleição de uma assembleia constituinte, a aprovação de uma constituição e a realização de eleições legislativas e presidenciais”.
Estarei atento ao Gato Pardo. Mas em dia de novidades, anoto aqui mais uma: já não é só no mundo político que a blogoesfera faz concorrência aos meios de comunicação clássicos na cobertura de eventos. Depois dos Congressos dos Partidos, a moda alastra. E bem. A ultima edição da Moda Lisboa, que se chama Estoril mas ocorreu em Cascais, foi acompanhada dia a dia, com charme e estilo e bom humor, pelo blog Corta-Fitas, através do olhar apurado de Miss Pearls. Queixou-se do calor, recebeu porta-chaves e jornais e revistas, viu bons e maus desfiles, entrevistou estilistas, viu tudo. E contou. Melhor do que a generalidade dos jornais que li. Sem fretes nem enefeites.
Com estas 3 notas faço o dia – entre a moda literal, a moda dos blogues e um blog que vai ser moda à nascença...
publicado por PRD às 00:06
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Segunda-feira, 15 de Outubro de 2007

O "novo" PSD ainda mais velho

Seria óbvio, claro, começar a semana olhando o Congresso do PSD do ponto de vista da blogoesfera. Desta vez houve pelo menos 2 blogues a acompanhar o evento – Blasfémias e 31 da Armada. Em texto e em vídeo, fizeram a sua cobertura para quem passou o fim de semana ligado à net. Não foi o meu caso, por isso vou picar boas ideias soltas. Começo justamente no 31 da Armada com Rui Castro:
“Menezes deu indicações inequívocas de que vai fazer oposição ao governo pela esquerda. É a fobia que muitos ainda têm em afirmar-se de direita, como se de uma doença se tratasse. Fica, assim, órfã uma fatia considerável do eleitorado”
Paulo Pinto Mascarenhas também apanhou esta ideia no blog da Atlântico: “Segundo repetiu Luís Filipe Menezes, o PSD é “o partido da esquerda democrática”. Depois do PS - o partido da “esquerda moderna” -, do Bloco de Esquerda - o grupo da “esquerda socialista” -; e do PCP - o partido da esquerda comunista -; está explicado o atraso de um país em que só um dos cinco partidos com representação parlamentar diz que não é de esquerda”.
Ainda no 31 da Armada, Alexandre Borges repara que Menezes “fala com um olhar quase tão perdido como o de Bush, de quem não sabe exactamente do que está a falar, mas decorou muito bem”. João Nazaré, no blog Sortido Fino, notou igualmente o olhar de Menezes, que caracterizou como “Salman Rushdie style”.
Fernando Moreira de Sá, no blog Intervenção Maia, viu um líder do PSD “nervoso. Nem parecia que tinha ganho as directas. A sombra de Santana pairou sobre ele”.
Vendo a coisa pelo prisma optimista, que também faz falta, encontro João Miranda no Blasfémias a descobrir algumas boas ideias de Menezes:
“Privatização das águas, autonomia das escolas e controlo por conselhos municipais de educação, separação da saúde privada da pública, programação das obras públicas a muito longo prazo por consenso, acabar com a ERC”, entre outras que ali se registam...
Enquanto isso, Pacheco Pereira manteve o silêncio durante todo o fim-de-semana e promoveu no Abrupto o seu novo livro que reúne justamente textos sobre o PSD. “É a minha contribuição para o Congresso do PSD, escreveu. Pouco me importa se essa contribuição é desejada ou é um incómodo”.
Para contrabalançar a tendência, leio Rui Costa Pinto no blog Mais Actual:
“Luís Filipe Menezes fez um excelente discurso no encerramento do Congresso do PSD. Claro, frontal e com ideias alternativas”.
Luiz Carvalho, fotógrafo que viveu o Congresso por dentro, acha que há ali potencial, mas não no melhor sentido. Escreveu no seu blog Instante Fatal:
“Meneses vai dar cabo da cabeça a Sócrates e vai haver oposição cerrada ao engenheiro. Mas não consigo imaginar esta gente de novo no governo. Algumas destas figuras fazem parte do pesadelo recente de Portugal”.
No fim do Congresso, perece-me que a síntese está com Luís M. Jorge no blog A Vida Breve. Escreve ele:
“O PS deixará de ganhar eleições apenas quando houver, no outro lado, alguém com um pouco de credibilidade. Infelizmente, as bases do Partido Social Democrata não sabem, há muitos anos, o que significa essa palavra. E mal por mal, o povo sempre preferiu um ditador a um desnorteado. Sócrates perderá a maioria absoluta, mas não vai perder o país”.
Por mais voltas que queiramos dar, é algures por aqui, por entre todas estas ideias soltas, que anda a opinião sobre o momento politico que sai deste congresso do PSD.
publicado por PRD às 23:21
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Sexta-feira, 12 de Outubro de 2007

Domingo no rádio

A partir de agora, e tanto quanto a minha caótica organização o permitir, vou anunciar aqui os meus convidados do prgrama "Pedro Rolo Duarte", que passa ao domingo de manhã, entre as 11:00 e as 12:00, na Antena 1 (e que fica em arquivo sonoro audível, não importável, durante mais ou menos um mês no site http://www.rtp.pt/).

Este domingo, 14 de Outubro, converso com Joáo Pedro Diniz, o autor do blog culinário/gastronómico "Ardeu a Padaria" (http://ardeu-padaria.blogspot.com).
publicado por PRD às 01:16
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Blog da Semana: "Visto da Economia"

(Excepcionalmente, crónica radiofónica em antestreia aqui, no blog, 17 horas antes de estar no ar...)
Hoje é o dia do Orçamento Geral do Estado – e por essa via achei que a minha escolha para Blog da Semana teria de recair sobre um sitio que se dedicasse à economia, ao mundo das contas e dos números. Infelizmente, este é um universo que, do ponto de vista jornalístico, está minado pelos interesses, pelas relações entre empresas, empresários e jornalistas, e obviamente também pela conjugação de empresas de media e títulos. Por isso, é difícil encontrar uma visão mais independente, ou pelo menos clara.
Encontro-a, então, no blog que escolhi para esta sexta-feira: Visto da Economia. Autora: a jornalista Helena Garrido. Assinatura: “Olhar, reflectir e debater Portugal e o mundo com a visão da economia”
Tem pouco tempo de vida, começou em Julho passado, coincidindo com a Presidência Portuguesa. Helena escreveu então:
“No dia em que se inicia a terceira presidência portuguesa da União Europeia nasce o Visto da Economia. Não podia ser melhor. (...) Vamos ter seis meses muito interessantes pela frente. O governo português tem o sonho de conseguir concretizar o Tratado Reformador, o sonho de ter um Tratado chamado Lisboa. Não é impossível.”
E explicou: “Podemos sempre tentar encontrar regularidades estatísticas para reforçar a expectativa de que é possível. Com excepção de Nice - o último e que é uma das grandes raízes dos actuais problemas na revisão dos tratados - os dois outros, Maastricht e Amesterdão foram assinados em pequenos países. Antes disso, com excepção do tratado fundador em Roma, o Acto Único Europeu que nos deu o mercado único não mereceu o nome de uma cidade mas também tem a sua assinatura ligada a pequenos países.
Independentemente do sonho, a verdade é que Helena Garrido comenta diariamente os passos e o estado da economia, de forma clara, inteligente e simples. E com as ligações que estabelece acaba por conseguir dar ao leitor comum uma perspectiva do que se passa.
Sobre este Orçamento que hoje chega a todo o lado, e que será debatido profundamente nos próximos dias, diz: “Enfrenta uma conjuntura muito mais difícil que o previsto”. E reenvia-nos para outro artigo onde escreve:
“O Orçamento do Estado vai prever um défice inferior aos 3% exigidos por Bruxelas. Mas aquelas que deveriam ser as contas públicas que relançavam a economia e preparavam o PS para a campanha eleitoral de 2009 perspectivam-se bem mais difíceis”.
Entre colaborações noutros meios de informação e os seus próprios posts, Helena constrói quase de raiz um jornal de economia sob a forma de blog. Um olhar inteligente e útil – por isso, naturalmente, o meu blog da semana.
publicado por PRD às 01:13
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Quinta-feira, 11 de Outubro de 2007

Catalina

Qualquer cidadão comum que tenha acompanhado, de início de forma diária, e depois mais espaçadamente, o caso Casa Pia, acha sem grandes dificuldades que nada, rigorosamente nada vai suceder, e nunca vamos entender o que ali se passou, ou melhor dito, quem era o quê nos óbvios abusos sobre menores. Até aqui tudo é lamentavelmente pacífico.
Mas do nada nasceu uma entrevista da Catalina Pestana, e depois disso Cavaco Silva abordou o tema, e a actual provedora da Casa Pia veio dizer que não sabia de nada sobre continuados abusos até aos dias de hoje. Repentinamente voltou a Casa Pia às existências em cima do balcão.
Opiniões, vamos a elas, João Miranda, Blasfémias:
“A provedora da Casa Pia declarou hoje que não tem indícios da continuação da pedofilia na instituição. O que deixa em aberto duas hipóteses: ou não existe pedofilia na Casa Pia, ou a direcção da instituição é incapaz de a detectar. Ou seja, ficamos a saber o mesmo”
Antes, já João Gonçalves tinha deixado no Portugal dos Pequeninos uma excelente imagem do tema:
“Catalina Pestana dirigiu a Casa Pia e chegou ao fim concluindo que os abusos continuam, coisa que até um deficiente profundo imagina que acontece. Se assim é, a senhora não foi uma boa dirigente porque não exerceu o adequado controlo interno e descurou o mando. Não basta deitar lama para a ventoinha”
Esta imagem da lama na ventoinha bem podia ser a imagem global do processo Casa Pia – lama sobre lama sobre lama... na ventoinha...
Luiz Carvalho, no blog “Instante fatal”, sintetiza uma ideia que deve andar nas bocas de toda a gente: “A velha senhora indignada faz lembra o orelhas: denúncia no timing certo, quando já não pode ser vítima da sua verdade. Se sabe tanto porque não fez nada enquanto lá esteve? Não era também para limpar a podridão que para lá foi?”
No Blog “Papiro” encontro perguntas pertinentes colocada pelo pseudónimo Maremoto:”A antiga provedora da Casa Pia diz que continuam a existir abusos sexuais de menores na Instituição. A actual - provedora? - diz que é mentira. O Presidente da Republica diz que se deve investigar o caso. Será que as pessoas não sabem dizer a verdade apresentando provas?”Paira sobre Catalina Pestada essa suspeita: agora que saiu, fala. Enquanto lá esteve, o que terá feito? É nesse sentido que vai o blog “Ovelha Perdida”: “Ficou muito mal vir denunciar que continua a existir pedofilia na Casa Pia, um ou dois dias depois de ter abandonado a instituição. Era quando lá estava que devia ter falado e agido. Para criticar é preciso alguma moral”.
Resultado: em vez de contribuir para esclarecer, como deveria ser seu desígnio, Catalina Pestana ocupou os últimos anos no acto heróico de confundir. As autoridades, a Casa Pia, a Opinião Pública. Deixou-se fotografar na praia para aliviar a carga. Mas pela blogoesfera fora fica essa ideia duvidosa e pouco clara sobre a mulher que tinha nas mãos o papel mais simples de todos neste processo: ser água limpa e cristalina em pessoa. Não foi.
publicado por PRD às 20:53
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Quarta-feira, 10 de Outubro de 2007

Polícias à solta

História resumida e rápida: dois polícias à paisana entraram na sede do Sindicato dos Professores da Região Centro e levaram alguns documentos, tendo interrogado sindicalistas sobre o tipo de manifestação que se preparavam para fazer durante a visita de José Sócrates a uma escola.
É óbvio que a coisa não podia correr bem aos polícias, e logo a seguir ao Governo. Comecemos por um comentário de um socialista, Medeiros Ferreira, no blog “Bicho Carpinteiro”:
“Lé-se e não se acredita.”
Realmente, não se percebe o chamado excesso de zelo, como lhe chamou Raimundo Narciso, no blog “Puxa Palavra”, acrescentando:
“Talvez por falta de experiência em manifestações e cordões humanos procuraram informações junto dos organizadores. Uma idiotice, obviamente. E tal idiotice deve ser tratada no quadro da corporação policial para que não se volte a repetir. Agora, dizer que o Governo praticou um «atentado à democracia»? Haja bom senso. E não se esqueçam do provérbio popular: «com quem ferro mata, com ferro morre».”
O comunista Vítor Dias, no blog “Tempo das Cerejas”, não tem as contemplações do seu ex-camarada e escreve:
“Não vale a pena estar com punhos de renda. Toda a gente percebe que os factos se apuram com dois ou três telefonemas e no máximo de duas horas. Portanto, insisto: o «processo de averiguações» é só para dar tempo às partes envolvidas para pensarem se é melhor ser o mexilhão a pagar, se é melhor ter o atrevimento de dizer que se tratou de uma inocente recolha de informação com carácter público, se é melhor dizer que se tratou de uma iniciativa legítima do ponto de vista de assegurar a ordem pública”.
Francisco José Viegas amansa as feras no blog “Origem das Espécies”:
“Durante todo o dia, pela rádio, ouvi falar do direito à indignação. Uma grande união nacional lutava pelo direito à manifestação. Que a democracia estava em perigo, que isto não podia ser, e que as liberdades estavam em perigo. Uma pessoa comove-se facilmente, mas volta à razão quando vê o espectáculo. Como se percebeu com algum bom-senso, a jogada saiu em favor de José Sócrates. A história de Pedro e o Lobo em mais uma variante.”
A montanha parece que pariu um rato apesar de serem preocupantes estes excessivos e permanentes excessos de zelo, desculpem lá as redundâncias... Aligeiro a coisa no final, com o humor do “Blog dos Marretas” sobre este tema. Titulo: “Novas Rotinas Policiais”
Texto: “A propósito da visita de agentes da PSP às instalações de um sindicato, a governadora civil de Castelo Branco diz que é um procedimento "habitual e rotineiro". Lá está: com ministros em acção pelo país, e centenas de sindicatos para todos os gostos, a polícia só tem tempo para as já "rotineiras" visitas aos sindicatos. E depois admiram-se com a quantidade de assaltos que acontecem todos os dias.”
publicado por PRD às 22:31
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Terça-feira, 9 de Outubro de 2007

Vem aí o Congresso

O PSD não tem sossego: depois da eleição de Menezes, tem no próximo fim-de-semana um Congresso em Torres Vedras que pode recuperar o melhor do espectáculo do Partido: noitadas de faca na liga, bastidores e barões e bases e Santana Lopes ao rubro.
Tudo pode acontecer. Tudo? Bom, Marcelo Rebelo de Sousa já disse que não ia ao congresso. Pedro Correia, no blog "Corta Fitas", não entende:
“A ver se percebo, escreve ele: Marcelo Rebelo de Sousa não vai ao congresso social-democrata do próximo fim de semana porque acha "um erro o PSD debruçar-se sobre si próprio em vez de criticar o Governo". De caminho, considera "errada" a eleição de Luís Filipe Menezes, garante que Duarte Lima "não é a pessoa ideal para liderar" a bancada laranja no Parlamento, mostra-se convicto de que o partido "não aprendeu nada com as lições de 2004" e acusa Manuela Ferreira Leite de ter deixado Menezes utilizar o nome dela na recente campanha interna. Tudo isto na emissão de ontem do seu programa, em que uma vez mais aproveitou para fazer longuíssimas considerações sobre o PSD em vez de criticar o Governo. Virado para dentro do lado de fora.
Perceberam? Eu também não.”
Rui Costa Pinto, no blog "Mais Actual", também estava atento a Marcelo:
“Esteve ao mais alto nível, na RTP, a desconstruir Manuela Ferreira Leite. Com elegância e inteligência. A ”baronesa“ do PSD já prometeu responder no próximo Congresso. Será em português, tipo Gaia, ou em espanhol? “
Fica no ar a pergunta. Rodrigo Moita de Deus, no "31 da armada", prefere observar o regresso de Santana Lopes:
“Com o "número" na SIC Notícias e a vitória de Menezes, Santana ganhou novo fôlego. O "número" vai valer a ovação da noite no congresso. A vitória de Menezes vai valer o estatuto de reserva do partido. Santana tem mais “vidas” que Paulo Portas”.
Aliás, João Gonçalves no Portugal dos Pequeninos”, também recupera Portas à luz do renovado PSD:
«O dr. Menezes, consta, forneceu um suplemento de alma ao dr. Portas. Aliás, basta ler os amigos do dr. Portas para se entender que vamos passar por mais um "momento do fato às riscas". Portas vai espremer-se por se comportar, se não como um putativo "homem de Estado", pelo menos como um verdadeiro homenzinho ao pé de Menezes. Intervala e deixa para este o "povo que lavas no rio"».
Mas, há sempre um mas e João nota-o, “ambos correm sempre o risco de se encontrar entre uma fábrica e um mercado. E, até, de se atropelarem. Há pulsões que são tão irreprimíveis quanto irresistíveis.”
Rui Paula Matos, no “Macroscópio”, é demolidor para com o novo líder:
“A avaliar pelas aparições e desaparições (de Luís Filipe Menezes), nada de bom a conjuntura intermédia do PSD suscita - entre as Directas e o Congresso. Com efeito, Meneses tem rosto, mas ninguém sabe o que ele pensa acerca de nada; ele aparece de quando em vez, mas é para elogiar a quinquilharia santanista que ainda transformará a Lapa num baile de máscaras”.
Assim vai a blogoesfera que observa a laranja quando faltam quatro dias para o Congresso do PSD…
publicado por PRD às 23:49
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Segunda-feira, 8 de Outubro de 2007

Ser Benfiquista

A blogoesfera, como qualquer estrutura aberta a toda a gente, é palco privilegiado para o encontro de grupos de pessoas com os mesmos interesses, as mesmas obsessões. Basta por isso entrar num blog de um apaixonado por qualquer coisa para imediatamente nos linkarmos – isto é, ligarmos – a toda a comunidade que partilha o mesmo tipo de interesses.
Eis o que fiz hoje quando decidi procurar blogues ligados ao futebol, e especificamente ao Benfica, para aferir do estado de alma dos adeptos, agora que finalmente voltaram a ver uma vitória do seu clube, neste caso na liga.
O que se descobre então? Que a comunidade benfiquista presente na blogoesfera, apesar de satisfeita com o resultado, quer mais e melhor do treinador Camacho – ou Camatcho, como gostam de dizer. Ai de quem diga mal do glorioso Benfica, mas eles, os benfiquistas, podem...
D’Arc, blog Tertúlia Benfiquista:”Não me pareceu que o Benfica hoje tivesse mostrado estar muito melhor do que esteve na passada quarta-feira, por exemplo. A diferença foi que a bola entrou na baliza. O maior problema que a nossa equipa parece ter ultimamente é falta de confiança. Espero que esta vitória sirva de ajuda nesse campo”.
Bom, neste blog encontro links para outros e aterro no blog “Um zero basta”:
«Jogo fraquinho e sem garra, ali se escreve. Vá lá que ganhamos... se bem que se fosse pelo homem de negro não o teríamos feito. (...) De qualquer forma acredito que tenha acabado a pré-época por esses lados e colocando a malapata de lado, a partir de agora é sempre "salir a ganar"».E daqui salto para o blog “Bola na Rede B”:”Vá, ainda não estamos bem, não me interprete mal, mas o senhor está melhor, está melhor, é continuar neste caminho. Ganhe juízo, nada de recaídas”, aconselha o blogger anónimo.
Outro pseudónimo, Karadas, assina o blog “Ser benfiquista” e escreve, pessimista:
“De jogo para jogo o nível exibicional – amigo Karadas, exibicional não existe...! - tem vindo a decair. Exceptuando a partida com o Nacional, a verdade é que Camacho não trouxe, até ao momento, qualquer acréscimo de qualidade à equipa. E conta com um melhor naipe de jogadores do que aquele que foi colocado ao dispor de Fernando Santos”
Segue-se um arraso total ao treinador Camacho e os clássicos palpites de quem saberia dar a volta ao clube.
O que resulta desta amostra, no momento em que o Benfica volta a ter uma vitória, é esta ideia a um tempo feliz e triste: haver pessoas que se podem juntar, aproximar, trocar ideias e melhorar, por essa via, toda a comunidade a que pertencem, é um ganho feliz da blogoesfera. Perceber que, no fundo, nem por isso a atitude é mais positiva e menos “eu é que sei, o resto é conversa” – bom, essa é a parte triste deste olhar rápido que hoje dediquei, ok, eu confesso... ao meu clube...
publicado por PRD às 18:24
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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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