Segunda-feira, 16 de Março de 2009

A palavra crise

Se escolher uma simples palavrinha, tenho sempre pano para mangas. Crise. Seja, então: o ministro Vieira da Silva defendeu que o acesso dos sem-abrigo às prestações sociais deve constituir uma prioridade e logo João Miranda comentou, no Blasfémias: “Esta notícia é estranha. Como que é que, com tantos programas sociais, incluindo rendimento mínimo, salário mínimo, reforma mínima e habitação social, ainda existem sem-abrigo em Portugal?” André Azevedo Alves responde no Insurgente usando a palavra “falhanço”: “O mesmo Estado que absorve cerca de 50% do PIB anuncia agora um programa especial de mais 75 milhões de euros dirigido aos sem-abrigo. Não seria melhor explicar antes (...) porque foram incapazes de cumprir esse objectivo os anteriores milhares de milhões de euros gastos pelo chamado “Estado Social”?”.

A crise vai a todos os cantos e recantos da nossa vida. No 31 da Armada, Carlos Nuno Lopes lê no Correio da Manhã um titulo: "Reformados já pagam medicamentos em prestações". E diz: “Esta parece-me ser mais uma consequência do mau Governo nacional do que de uma crise internacional. Mas lá virá alguem desculpar-se na crise”.

Nancy B, no blog Geração Rasca, encontra num jornal um caminho e uma ideia. Escreve: “N'O Sol (...) lemos as preocupações do director com o perigo apocalíptico do controlo da economia pelo Estado. O digníssimo director pretende dizer-nos o seguinte: a resposta para enfrentar a crise deverá pertencer às empresas, tributadas com adjectivos muito próximos da evangelização. Caríssimo director gostaria que me explicasse a articulação interessante entre os empresários do costume e os concursos públicos (...) e já agora e se não o maçar a tal independência saudável das empresas e os grandes desígnios nacionais”.

Mas não estamos sozinhos e vale a pena seguir Sandra Monteiro na história que conta no blog Ladrões de Bicicletas. Resumindo, ela conta que o jornal espanhol El Pais, “a jóia espanhola do grupo PRISA, recusou no início deste mês publicar (...) o anúncio à edição espanhola do Le Monde diplomatique, espaço publicitário” regular há vários anos. “A justificação enviada (...) foi apenas esta: «a redacção do El País não deu autorização». O que explica esta estranha decisão?”. A própria blogger adianta: a tal edição do Le Monde Diplomatique publica este mês  “em manchete um artigo (...) intitulado “A crise golpeia o El País”, em que analisa as dificuldades económicas atravessadas pelo grupo espanhol”.

Sandra Monteiro estranha e acha difícil acreditar, como eu, “que um jornal como o El País, que pretende ser uma referência em matéria de ética jornalística, reaja a uma situação de crise económica pensando que é possível ocultar a informação (...). Mas também é verdade que a comunicação é cada vez mais um espaço onde se misturam várias lógicas, com todo o peso das lógicas comerciais, económicas e financeiras”.

E fecho assim, com um sinal da crise que vem de fora, de um país que nos habituámos a invejar, para que se perceba que estamos mal – mas que o mal se estende pelo mundo fora e toca mesmo os mais insuspeitos lugares.

publicado por PRD às 01:21
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PRD

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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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