Segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009

O Bloco de Esquerda à direita

Ora muito bem: perguntou Paulo Pinto de Mascarenhas, no seu blog, ao blog 31 da Armada: “afinal de contas, o que faz um blogue de direita numa convenção de um partido como o Bloco de Esquerda?”

Eu perguntaria, aqui da minha janela, o que faz qualquer blog numa convenção do Bloco, dado o desinteresse que o tema me suscita, mas Nuno Miguel Guedes, um dos bloggers do 31 presente na VI Convenção do Bloco de Esquerda, respondeu e disse: “Em primeiro lugar, achamos nós, contar tudo. Perceber como as matrizes ideológicas que combatemos têm força e seguidores. O Bloco, caso alguém tenha estado distraído, está em crescimento”. E mais à frente: “Viemos aprender, claro. Saber que temos de contar com estes rapazes, para um combate leal e cada vez mais renhido. Saber as tácticas, adivinhar as fraquezas. Agora já não se brinca: o BE pode um dia ser poder, e parece que está preparado para isso. Nós também temos de o estar”.

Dito isto, convém que se note que também o blog de Paulo Pinto Mascarenhas, ABC DO PPM, esteve na Convenção através da sua convidada, a jornalista Ana Sá Lopes. É dela a frase-chave deste fim de semana: “O Bloco é, finalmente, um partido igual aos outros”. Paulo concorda: “A diferença esgota-se na terminologia utilizada. Tem um líder que é designado "coordenador" e uma "mesa nacional" que corresponde à tradicional direcção. De resto, os jogos e as tácticas não são muito diferentes dos utilizados nos "velhos partidos": o poder interno é partilhado pelos mesmos de sempre; não se vislumbra qualquer renovação e assiste-se ao afastamento de dirigentes que não obededem ao "rumo" estabelecido pela liderança, como aconteceu com Joana Amaral Dias”. José Medeiros Ferreira fala da transição “entre um «partido de campanhas» (...) e uma força para-governamental”, e critica a exclusão de Joana Amaral Dias, chamando-lhe uma “decisão opaca do cartel dirigente”. Pergunta: “o futuro esclarecerá?”. Completa o raciocionio Tomás Vasques quando escreve no seu blog sobre a nova “mesa nacional” do BE: “nos 10 primeiros da lista apresentada por Louçã 6 são professores ou professores universitários; a estes ainda se juntam 2 jornalista, um sociólogo e um animador sócio-cultural. É caso para dizer: o BE mete as «massas trabalhadores» no quarto das traseiras. Talvez por não saberem comer à «mesa nacional»”.

Entre esse afastamento sumária da antiga deputada e esta composição elitista de um dos órgãos máximos do Bloco, dá que pensar a declaração que Miguel Portas deixa no seu blog Sem Muros: “A esquerda em que me revejo é esta: combativa, alternativa e de vocação unitária. Tem apenas dez anos de idade, mas é a que se afirma capaz de “juntar forças” para a grande viragem que a crise impõe. Não entendam esta afirmação como um sinal de orgulho, mas de convicta modéstia. O país pode mesmo mudar se acreditar em si próprio e nos valores da justiça e da solidariedade. A gente só cá está para ajudar, o que já não é pouco”.

Não é pouco, não senhor, mas se no fim da crónica já percebo por que motivo o mundo dos blogues deu tanta atenção ao congresso do Bloco, percebo melhor ainda a frase de Ana Sá Lopes: “O Bloco é, finalmente, um partido igual aos outros”...

publicado por PRD às 22:45
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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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