Segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2009

Som e silêncio

Às vezes os blogues também respondem a perguntas que podemos fazer. Eu, por exemplo, perguntava-me por Santana Lopes, que no meio desta crise e do cerco ao primeiro-ministro, se mantinha em silêncio misterioso. Fui ao blog do deputado e descobri que estava, cito, a “Meditar”. E escreveu: “Semana para reflectir. ler, ouvir, tudo o que se escreve e se diz sobre o que se passa em Portugal na política, na economia, na área social. Lendo os comentários neste e noutros blogues. Meditar nas reacções, análises, comentários, de quem vai exprimindo a sua posição sobre tudo o que vai acontecendo no nosso País. E comparar com antecedentes ou equivalentes. Meditar no que é, ou deve ser, a Democracia e o Estado de Direito Democrático. Há momentos em que se deve pensar no que vale mesmo a pena. Espero que me compreendam”.

Compreendo, claro – mas confesso que não é nessa meditação silenciosa que andam outros sociais-democratas. E lembrei-me logo de Pacheco Pereira. Uso as palavras de Pedro Correia no Corta-Fitas: “Anda um certo colunista do Público a disparar contra a imprensa concorrente, intitulando-a "situacionista" por promover (diz ele) Pedro Passos Coelho contra Manuela Ferreira Leite, e dá-se o azar do mesmíssimo Público ter hoje oferecido uma revista aos leitores que tem na capa... Pedro Passos Coelho. "Situacionismo" do pior, certamente a merecer uma indignadíssima reacção do referido colunista. Ou talvez não”.

Mantenho-me no mundo dos colunistas, e na órbita do PSD. Encontro João Carvalho no blog Delito de Opinião, sobre o programa de Marcelo Rebelo de Sousa ontem à noite na RTP, “a opinar sobre a semana dos outros. Mais ou menos assim: Pinto Monteiro não foi feliz, Cândida Almeida não foi feliz, José Sócrates não foi feliz, o tio Júlio não foi feliz, Freitas do Amaral não foi feliz, Santos Silva não foi feliz... Acho que Marcelo não foi feliz. Mas não foi só esta semana”.

Como se vê, parece que só Pedro Santana Lopes medita, toda a gente opina e palpita. O que me remete para o blog Portugal Contemporâneo, onde Pedro Arroja vai deixando regularmente marcas e olhares que podem ser polémicos e muitas vezes chocantes, mas quase sempre dão que pensar. Ontem ele publicava bocados das Farpas, de Ramalho Ortigão. E recuando ao ano de 1881, veja-se bem, parece que o presente é o passado, bom, passado a limpo. Leio: “Todos os portugueses amam [a liberdade] com ênfase. Alguns deram por ela a sua vida, muitos derramaram por ela o próprio sangue ... Eles amam a liberdade, mas com uma condição assaz restritiva, e vem a ser: que ninguém use dela; ou, por outra, que ninguém a use senão pelo modo como suas excelências a admitem. A liberdade de pensamento está mais que nenhuma fechada na gaiola desses princípios. Exprimam todas as ideias que quiserem contanto que essas ideias sejam as minhas. Quando não, revolto-me e enfureço-me”.

Era mais difícil ser mais certeiro. Foi escrito há 118 anos, senhores...

publicado por PRD às 22:34
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1 comentário:
De João Carvalho a 12 de Fevereiro de 2009 às 21:05
Obrigado pela referência, meu caro.


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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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