Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009

Freeport (I)

O caso Freeport chegou na chamada hora H: ano de eleições, um caso que envolve de alguma forma o PS. E quase salpica o líder do partido por via familiar.

Curiosamente, o tema serve também outro desígnio: mascarar o fracasso do projecto do jornal Sol. O jornal que ia vencer o Expresso em menos de um ano sem fazer ofertas chega ao fim de dois anos a oferecer tudo o que vem à rede, e com a corda na garganta, vendendo afinal um quarto do que vende o Expresso. Vai mudando de sócios, vai tentando capitalizar dinheiro, mas já se percebeu que há mais nuvens do que Sol. Isso não impede de fazer o jeitinho e juntar as peças do puzzle e no mundo dos blogues há muita gente que preferiu embarcar nesta ideia: o Governo é que quer acabar com o Sol, não é propriamente o mercado que o rejeita.

Enfim, por aqui não alinho em campanhas e prefiro destacar quem escreve o que deve ser escrito. Um exemplo sobre este Freeport – o post de José Mendonça da Cruz no blog Risco Continuo: “O projecto Freeport é um projecto PIN, uma invenção socialista que dá pelo nome de Projecto de Potencial Interesse Nacional (...). Os PIN têm a fundamentação aparentemente razoável de tornar mais expedita a aprovação de grandes investimentos que beneficiem o país. Ao contrário, parecem-me uma confissão de incompetência e incapacidade para reformar a administração pública, a negação do mercado em favor do negócio de favor, e um convite à corrupção. São uma confissão de incompetência, porque onde a máquina administrativa funciona com normal celeridade e transparência, não é necessário abrir vias rápidas à sombra do governo para uns investimentos em especial. São uma negação do mercado em favor do negócio de favor, porque o que um Estado que tem tal lei está na verdade a anunciar é isto: os nossos regulamentos são incertos, a nossa burocracia é paralisante, antes de investir venha falar comigo (...). Anuncia, tristemente, ainda mais: venha falar comigo só se tiver dinheiro que chegue; pequenos e médios empresários, abstenham-se. E é natural que os socialistas - que abominam o mercado e a liberdade que ele dá, mas gostam de negócios de corredor e de como lhes dão poder - se revejam nesta lei.

Os PIN são, finalmente, um convite à corrupção, porque grandes investimentos ficam (...) dependentes de uma comissão que avalia subjectivamente se o projecto preenche os 6 requisitos enunciados no artigo 2º”. E José Mendonça da Cruz sugere que se analise o processo do outlet de Alcochete à luz dos tais requisitos.

A verdade é esta: este post tem opinião mas ela é sustentada por factos e levanta questões relevantes – não é apenas o clássico bota abaixo que mina a conversa de café e se estende ao mundo dos blogues.

Um caso judicial é isso mesmo – um caso para a justiça investigar e julgar. Opinião sobre ele, qualquer um pode ter. Mas entre os blogues que aceitam a teoria da conspiração sobre o ano eleitoral e os que, do outro lado, falam da perseguição ao jornal Sol, sinceramente prefiro que o dia passe só com este post, e este olhar sensato e útil. Há dias assim...

publicado por PRD às 03:16
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2 comentários:
De Pedro Pereira a 3 de Fevereiro de 2009 às 15:13
Apenas realço dois apectos do seu comentário.
!º Concordo com a figura dos PIN, mas reconheço que os problemas levantados por José Mendonça da Cruz podem ser uma realidade.
2º Há cerca de dois anos, um amigo meu do PSD disse-me algo, a que na altura não dei grande relevância, mas que hoje me deixa a pensar duas vezes sua palavras resumida numa única e lapidar frase: "O Sol foi criado para acabar com o Sócrates"


De Pedro Pereira a 3 de Fevereiro de 2009 às 15:15
(correção)
Apenas realço dois apectos do seu comentário.
!º Concordo com a figura dos PIN, mas reconheço que os problemas levantados por José Mendonça da Cruz podem ser uma realidade.
2º Há cerca de dois anos, um amigo meu do PSD disse-me algo, a que na altura não dei grande relevância, mas que hoje me deixa a pensar duas vezes. As suas palavras resumem-se numa única e lapidar frase: "O Sol foi criado para acabar com o Sócrates"


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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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