Quarta-feira, 21 de Janeiro de 2009

Somos todos americanos

Era natural que, no meio das evocações que a eleição de Barack Obama inspirou, chegasse a vez desta: somos todos americanos. Foi isso que José Carlos Guinote escreveu no blog Pedra do Homem:”Hoje existem razões para todos nos sentirmos americanos. Apesar das decepções, apesar dos recuos, apesar de por vezes parecer estar instalada a pura barbárie na politica internacional, momentos como este que temos o privilégio de estar a viver parece quererem desmentir tudo isso e acender um clarão de esperança”.

O clarão foi um dia inteiro de Obama nas televisões, tudo em directo, e o discurso inaugural mais esperado das últimas décadas. É por aí que vou, começando por ler Carlos Manuel Castro no Camara de comuns, a dizer que “Esperava melhor intervenção de Obama na tomada de posse. Obama limitou-se a dizer o que qualquer eleito podia proferir”.

Carlos Santos, no Valor das Ideias, não concorda e escreve: “Um dos mais brilhantes oradores da História dos EUA tomou posse como 44º Presidente. E fez o discurso que se anunciava: apelou à unidade dos americanos neste momento de crise. E voltou a enunciar as suas prioridades: o combate à crise e a saída das dificuldades económicas assente numa aposta forte na regulação de mercados, no ambiente e na energia”. No blog Avenida Central, Vítor Pimenta chama ao discurso um sermão – “sim, escreve ele, porque haverá poucas homilias com mais louvores a Deus e à sua criação. (...) Fosse Obama cumprimentar os presentes em cima de um andor de flores brancas e julgaria estar naqueles dias em que o choro na "Procissão do Adeus " enche a quase plenitude das emissões televisivas nacionais pelo 13 de Maio”.

Procuro, portanto, opiniões e ideias diversas sobre as palavras do novo presidente - LR, no Blasfémias, só viu ali “os habituais lugares comuns em liturgias do género”, enquanto Medeiros Ferreira prefere analisar as palavras para concluir que “Obama escolheu fazer um discurso discreto no acto de posse. Simples e enérgico”. E deixa a pergunta: “Para forçar um down-grade nas expectativas?”. Mesmo com esse down-grade, Laurinda Alves foi às nuvens e deixou apenas duas frases no seu blog: “Não há palavras para tanta emoção. Grande discurso!”

Por fim, encontro Miguel Morgado, no blog Cachimbo de Magritte, que perspicaz nota a relevância de um pormenor quando Obama cita Washington: “Nessa citação, escreve, Washington diz que no pior dos momentos valeu à América a "esperança" e a "virtude". Repare-se, não foi só a esperança, mas também a virtude. Um detalhe insignificante? Talvez não. É que a virtude jamais pode ser confundida com um optimismo sorridente próprio de gente acéfala ou inconsciente; não pode ser confundida com um optimismo que por vezes parece ser assimilado a uma espécie de técnica psicológica primitiva de geração de um vazio contentamento. A esperança acompanhada pela virtude pode agora ser o optimismo de quem enfrenta a adversidade com o queixo levantado e sem piscar os olhos”.

E é assim que o nasce o tempo de Obama...

 

publicado por PRD às 03:10
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