Terça-feira, 20 de Janeiro de 2009

Fazer História

Sonho americano – é assim que o mundo vê o que hoje sucede nos Estados Unidos da América, é assim que leio no blog Risco Continuo José Mendonça da Cruz recordar Martin Luther King e o sonho: “I have a deram”. Por isso mesmo, também, “um dia histórico para os americanos e para o mundo em geral”, como escreve Carlos Barbosa de Oliveira no Delito de Opinião. E acrescenta: “Vira-se uma página negra na história mundial, escrita com letras de sangue por um imbecil chamado Bush (...). Dir-se-á que qualquer que fosse o eleito, o mundo respiraria sempre de alívio. Concordo, mas com Obama não é apenas uma nova página que se abre. É o início de um novo capítulo na História Contemporânea”. Quem quiser seguir o novo capitulo com precisão, rigor e sempre em cima da hora, tem de visitar o blog de Nuno Gouveia, Politica 2008, onde a tomada de posse e os meandros da presidência norte-americana são vistos ao minuto e ao milímetro. Mas continuando a ronda das opiniões, leio José Teófilo Duarte no Blog Operatório: “É tempo de arregaçar as mangas. O anterior ocupante da sala (...) deixa-lhe um ramalhete de sarilhos. (...) Há despedidas boas, que não deixam saudades. É nessas alturas que as boas vindas são mais saborosas”. Na verdade, a parada está alta e Nuno Dias da Silva tem razão quando escreve no blog Civilização do Espectáculo que “as expectativas (...) são quase messiânicas, o que faz com que o seu discurso seja aguardado com enorme expectativa. Mas, para colocar água na fervura, o presidente eleito já disse para os americanos se prepararem para frustrações e revezes na sua administração”. O mundo não muda de um dia para o outro nem apenas pela mão de um Presidente, é óbvio – mas Obama reúne paixões tão fortes como a que leva Miguel Marujo, no Cibertulia, a escrever: “Hoje o mundo fica mais limpo, mais atento, mais bonito, mais cuidado, mais transparente, mais luminoso, mais azul, mais humano, mais sábio, mais inteligente, mais fascinante, mais curioso, mais respirável, mais humilde, mais mundo, mais...” Uf, que até cansa! Veja-se que até o sempre desconfiado José Saramago se deixou ir na maré, e deixou hoje um post nos seus Cadernos onde diz: “Talvez todos sejamos crentes desta nova fé política que irrompeu em Estados Unidos como um tsunami benévolo que tudo vai levar adiante separando o trigo do joio e a palha do grão (...). Fosse por simples casualidade, fosse de caso pensado, Obama, nos seus múltiplos discursos e entrevistas, disse tanto de si mesmo, com tanta convicção e aparente sinceridade, que a todos já nos parece conhecê-lo intimamente e desde sempre. O presidente dos Estados Unidos que hoje toma posse resolverá ou intentará resolver os tremendos problemas que o estão esperando, talvez acerte, talvez não, e algo nas suas insuficiências, que certamente terá, vamos ter de lhe perdoar, porque errar é próprio do homem como por experiência tivemos de aprender à nossa custa”. Saramago remata com um bem a seu jeito “veja lá no que se mete”. E é nisso, afinal, que todos pensamos neste dia que faz História e que se deseja histórico no futuro.
publicado por PRD às 23:55
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2 comentários:
De Luis Melo a 21 de Janeiro de 2009 às 14:05
Por mais que alguns queiram Obama não vai, com um passe de mágica, acabar com a guerra no Iraque, resolver o conflito israelo-palestiniano, fechar guantanamo e tirar os EUA da crise financeira.

Como diz José Gomes André no blog "delito de opinião": "Há muita gente que ainda não percebeu o que quer dizer Obama com “esperança”. Não se trata de aguardar por soluções messiânicas, mas sim de apelar ao engenho e ao espírito de luta americanos – que nos momentos mais difíceis ergueram uma e outra vez os Estados Unidos."


De Carlos Barbosa de Oliveira a 21 de Janeiro de 2009 às 17:30
Olá Pedro!
Em nome do Delito de Opinião, agradeço-te a referência ao meu post.
Abraçp


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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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