Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009

De Sócrates ao CDS

Dois temas políticos que marcaram o fim-de-semana, a apresentação oficial da candidatura de José Sócrates a mais um mandato na liderança do PS, e o Congresso do CDS/PP. Sobre Sócrates, duas notas: Pedro Santana Lopes, no seu blog, tenta explicar o regresso dos casamentos homossexuais à agenda socialista e escreve – “"Estava na cara", como tive ocasião de sustentar, há quatro anos (...). Para compensar as suas decisões, pouco ou nada socialistas, na política económica e, por vezes, nos apoios sociais, o actual Primeiro-Ministro vai aprovando mudanças legislativas no plano das opções éticas e das regras fundamentais da organização social”. No Insurgente, Rodrigo Adão da Fonseca sublinha o “discurso escorreito” de José Sócrates, “que utiliza com propriedade expressões como “estabilidade”, “estratégia”, “acção”. Sócrates utiliza um tom tão virginal no seu discurso, na forma como enuncia “promessas eleitorais”, que quase me convence que se está a candidatar pela primeira vez. Eis que me lembro, de repente: Sócrates está no governo desde 1995, nos últimos 14 anos, teve responsabilidades ao mais alto nível durante 11 anos, 4 deles como Primeiro-Ministro e maioria absoluta no Parlamento…” E conclui: “11 anos em 14 de governo. É muito tempo para falar com tanta arrogância sobre os problemas, como se nada tivessem a ver com o estado do país”. João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos, ajuda-me aqui a fazer a ponte entre o PS e congresso do CDS: “Já tínhamos o admirável Sócrates. Agora, pela voz de Ricardo Costa, o editor de política da SIC, o CDS/PP tem um "líder magnético". Por acaso, o dr. Portas até fez um bom discurso nas Caldas. Só que de retórica já estamos razoavelmente bem servidos. E clareza e verdade nos propósitos não são "minudências". Nunca - lembra o filósofo - há bom vento para quem não conhece o seu porto. Mesmo para chefes "magnéticos"”. Já João Távora acha, no Risco Continuo, que Paulo Portas “pode agradecer às minudências e a alguns inconformados militantes, terem salvo o congresso de se tornar numa enfadonha feira de vaidades. Quanto à sua estratégia de disputar o fatal centrão (...), não lhe antevejo grande sucesso...” Excelente cobertura do Congresso foi a que fez Emídio Fernando no blog “Correio Preto”. Num dos posts, destaca “Pensamentos profundos democratas-cristãos”, ou seja, “as frases mais ouvidas, as mais belas e as que servem de guia para se chegar à direcção de Paulo Portas”. Eis algumas: “Saímos daqui mais fortes, mais unidos, mais moralizados” “O CDS é um partido democrata-cristão (esta, às vezes, desaparece de um congresso para o outro)”; “Temos um grande respeito pelo líder do partido (é repetida por causa das dúvidas)” “Conte connosco, conte connosco, conte connosco” “Credibilidade, credibilidade, credibilidade (dita com voz falsete e com uma mão levantada a acenar dá direito a entrada directa no Conselho Nacional)” Mais seco, o blog 31 da Armada cita Portas: "Este foi um congresso de políticas novas. Não foi um congresso de politiquice". E conclui: nesse caso, “não foi um congresso”...
publicado por PRD às 23:54
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2 comentários:
De Luis Melo a 21 de Janeiro de 2009 às 14:04
Também Manuela Ferreira Leite esteve em destaque na sua entrevista á RTP. No pouco tempo que teve de entrevista, e falando apenas dos assuntos que lhe foram postos pela jornalista, Manuela Ferreira Leite esteve igual a si própria e mostrou ao país em quem deverá votar se não quiser piorar esta situação de crise, votar na alternativa credível do PSD.

Sobre o cenário politico-partidário:
"aquilo que temos dito nestes últimos 7 meses é o que se tem vindo a verificar" [...] "o debate político é completamente diferente agora, do que era há 7 meses atrás" [...] "a oposição do PSD não se baseia em tricas políticas, mas em questões importantes"

Sobre a crise economico-financeira:
"eu sempre defendi - desde que fui Ministra das Finanças - que, se houvesse alguma folga orçamental, essa folga deveria ser utilizada para baixar impostos e não para aumentar a despeza" [...] "aumentando a despeza, hipoteca-se no futuro uma possível baixa de impostos"

"o emprego está nas PME, é preciso ajudá-las, mas não da forma como o governo está a fazer" [...] "não se ajuda alguém que está endividado, fazendo com que se endivide mais"

Sobre as grandes obras públicas:
"Se eu fosse primeira-ministra abandonava de imediato o projecto do TGV" [...] "só é viável de houvesse um avião para Madrid, de 7 em 7 minutos" [...] "essa obra não vai utilizar recursos portugueses, vai importar-se tudo"

Sobre as eleições autárquicas:
"Pedro Santana Lopes tem crédito para ser presidente de câmara" [...] "tem obra feita como presidente de câmara" [...] "ser presidente de câmara ou primeiro-ministro é completamente diferente" [...] "fui eu, como presidente da distrital de Lisboa, que escolhi Santana Lopes em 2005"

"Gonçalo Amaral não cumpre as regras definidas pelo PSD para ser candidato a uma autarquia e nesse sentido a sua candidatura não pode ser aceite"

Sobre o calendário eleitoral:
"O Engº José Sócrates quer maioria absoluta, mas ao mesmo tempo quer antecipar eleições. Não se percebe se quer então estabilidade ou instabilidade"


De ZÉ DA bURRA O ALENTEJANO a 29 de Julho de 2009 às 15:05
É altura do povo português deixar de dar maioria absoluta a qualquer partido, seja ao PS ou ao PSD. Seria até conveniente que o PSD não conseguisse uma maioria absoluta com o CDS, aí sim, aí se veria PS e PSD a chegarem a um entendimento, porque a divergência pretende apenas captar votos e, portanto, chegar ao poder.

PS e PSD defendem ambos as mesmas políticas que nos têm (des)governado desde há 35 anos. É altura de dar maior representatividade aos pequenos partidos e o ideal seria que todos eles tivessem um peso idêntico na política portuguesa.


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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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