Terça-feira, 13 de Janeiro de 2009

O melhor do mundo

Antes da notícia, Rodrigo Moita de Deus avisava no 31 da Armada: “Se Cristiano Ronaldo não ganhar hoje o prémio da FIFA, as televisões têm de refazer o alinhamento dos noticiários, os jornais têm de refazer as primeiras páginas e o pais tem mesmo de se preocupar com coisas importantes”. Mas pronto: Ronaldo ganhou e Portugal passou a noite em festa sem se preocupar com a crise. Com alguma razão, como nota Rocha no blog Livre Indirecto: “Sete anos depois de Luís Figo, Portugal volta a ter um jogador no topo do Mundo. Num país pequeno como o nosso, é algo que merece ser destacado. Há pessoas que nem têm noção da dimensão da distinção de que foi alvo Ronaldo. Não só para o futebol português, como para o próprio país. Dois "melhores do mundo" num passado bem recente da história do futebol. Quantas nações se podem orgulhar disso?” Poucas, sem duvida, dando razão ao entusiasmo de Jorge Ferreira no Tomar Partido, que o envolve nas elites de Portugal: “Cristiano Ronaldo foi definitivamente entronizado como o melhor futebolista do mundo em 2008. Creiam-me, é coisa muito difícil de alcançar. Por isso merece indiscutivelmente ser reconhecido. Os excessos de Cristianomania irritam-me, a sua produtividade na selecção nacional desilude-me, o seu discurso é pobre e muitas vezes irreflectido, estou farto de ver a família na televisão (...), tem mostrado alguns tiques de sobranceria e arrogância, (...) mas ele é o melhor do mundo. Ponto final. Tem um valor adicional. Conseguiu isto com base no seu talento e no seu esforço. Veio do nada. Como é raro ver portugueses assim”. Na verdade há sempre criticas a fazer ao puto maravilha, mas concordo com João Maria Condeixa no blog Câmara de Comuns, quando exclama: “Ele só ganhou o prémio de melhor jogador do mundo. E isso não o obriga a ser o melhor do mundo cá fora!”. No blog Direito de Opinião, António de Almeida recorda o “rapaz humilde, trabalhador, que lutava por vencer, arrogância só cara a cara com o adversário que driblava por vezes de forma quase insolente, fruto do seu inegável génio”. Recorda o jogador do Sporting cuja postura hoje não aprecia “pela obsessão em troféus individuais quando o futebol é na sua génese um jogo colectivo, pela excessiva vaidade”. Como ele, ninguém fica “indiferente aos dribles, remates e golos do Cristiano Ronaldo, já o CR7 lamento, mas não me diz absolutamente nada!”. É mesmo assim; no mundo dos blogues, as opiniões dividem-se entre quem se rende ao melhor do mundo e quem, apesar de o reconhecer, não suporta os tiques normais de uma vedeta que viu a fama e dinheiro quase da noite para o dia. Num caso e noutro, não podemos escapar a este momento de glória – que resulta apenas do seu talento a jogar futebol, jamais da sua tendência para ser noticia na imprensa cor de rosa e nas páginas de acidentes dos jornais populares. Hoje, o dia é dele – e neste caso, o dia é muito merecido.
publicado por PRD às 23:49
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1 comentário:
De Luis Melo a 21 de Janeiro de 2009 às 14:03
Cristiano Ronaldo venceu o prémio que mais desejava. Mais do que os 3 troféus colectivos (Campeonato Inglês, Liga Campeões Europeus, Campeonato Mundo Clubes) e mais do que os 13 troféus individuais (melhor marcador inglaterra, bota de ouro, bola de ouro, etc) que venceu em 2008.

Talvez seja o futebolista que mais mereceu ser nomeado melhor do mundo pela FIFA, desde que foi instaurado o prémio. Isto porque no mesmo ano ultrapassou todos os limites, venceu tudo o que havia para vencer e quebrou vários recordes. Não foi nenhum lobby que o nomeou

O país (quase todo) ficou feliz pela sua conquista, que mais uma vez leva o nome Portugal a um patamar elevado, onde poucos conseguem chegar. Ronaldo é reconhecidamente o português mais popular do mundo, e ninguém mais do que ele promove Portugal.

Apesar de ser uma das pessoas mais famosas do mundo, é um exemplo de humildade, não esquecendo os amigos, a família e a sua terra. Algo que ficou provado na 2ª feira, com o seu telefonema em directo para o programa "Prós e Contras" da RTP.

Acusam-no frequentemente de não ter conseguido ter bons desempenhos na selecção nacional. Contra isso falam os números: 60 jogos e 21 golos com apenas 23 anos. Sabendo que o melhor marcador (Pedro Pauleta) tem 47 golos marcados, não parece dificil que Ronaldo se torne, mais uma vez, no melhor de sempre.


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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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