Sexta-feira, 2 de Janeiro de 2009

Começo de ano...

Aí está 2009 – aí estão também perspectivas, ideias, planos, projectos. Olhando o mundo dos blogues, escolho Joana Carvalho Dias no blog Hole Horror, porque ela dá o mote para o ano que chega:

«“Plano anti-crise”, expressão que ouviremos amiúde, vai servir de desculpa para esbanjar milhões a um ritmo bastante acelerado. Aliás os primeiros sinais do dinheiro deitado aos pardais já está aí, com Teixeira dos Santos, numa atitude algo patética, a dizer que é preciso pressionar os bancos para que o dinheiro das linhas de crédito chegue à economia real, isto é às empresas. Nada que não se tivesse previsto, convinha só esclarecer o que é que é isso de “pressionar os bancos” e como é que o ministro o propõe fazer. Quem é que vai pressionar? (...) O Primeiro-ministro? (...) A polícia? O fisco? E como é que isso se faz? Com cartas intimidatórias? Manifestações de rua? Aplicação de sanções? Como? Eu não faço ideia e aposto que os bancos, neste caso, serão muito pouco pressionáveis. O dinheiro já está do lado deles. Talvez se descubra mais cedo do que prevíamos as virtudes do capitalismo e o quão inconveniente pode ser o braço longo do Estado”.

No seu blog, Eduardo Pitta olha 2009 e não vê nada de bom: “Toda a opinião publicada prevê para 2009 uma degradação económica sem precedentes na vida dos portugueses. Nesse ponto, coincide a gente sensata que ainda sobra e os lunáticos de serviço. De facto, a avaliar pelo que se passa nos países ricos, por que carga de água Portugal, pequeno e pobre, resistiria?”. No entanto, depois de argumentar Eduardo adivinha um 2009 igual a 2008 “para a larga maioria da população. Nem melhor nem pior. O que significa a apagada e vil tristeza do costume. Porém longe do desastre anunciado”. E acha que talvez “seja chegada a altura de cairmos todos na real”.

É fácil e pode até ser divertido fazer prognósticos. No mundo dos blogues, esse é um dos pratos do dia, quase no registo de aposta. Por mim, no entanto, prefiro regressar a Joana Carvalho Dias e pensar a fé, algo que aparentemente vai ser essencial ao ano que começa agora. Escreve ela:”Acredito na liberdade que a Ressurreição de Cristo nos dá e na Misericórdia Divina que, porque Deus se fez Homem e porque é isso que todos os anos nesta época o Natal se celebra, essa encarnação em que o Verbo se faz Homem, conhece a nossa condição humana, conhece a curiosidade que nos leva a querer saber mais e conhecer melhor o mundo na forma dos avanços científicos e tecnológicos, conhece a dúvida que nos faz vacilar, conhece a dor e a alegria. Acredito na Igreja (comunidade de crentes, e não só instituição), que melhor ou pior é presença no mundo e que se constrói tantas vezes apesar de interditos e mais interditos”. Acreditar é preciso, disso ninguém tem duvidas. Num tempo difícil como aquela que vivemos, uma boa forma de começar o ano é assim, pensando a fé, aquilo em que acreditamos, aquilo que queremos, aquilo que sonhamos.

publicado por PRD às 18:30
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1 comentário:
De C. Medina Ribeiro a 5 de Janeiro de 2009 às 13:03
Caríssimos,

Embora não venha a propósito deste post, aqui fica uma informação que pode interessar a alguns de vós:

Às 17h25m de hoje, o Sorumbático faz 4 anos, o que será comemorado com a oferta de mais de uma dúzia de livros, de entre os quais saliento:

«O Cheiro da Madeira» (Galopim de Carvalho), «Bica Escaldada» (Alice Vieira), «Livro de Assentos» (Joaquim Letria), «Cantos Falados» (Pedro Barroso), «Morte na Picada» (Antunes Ferreira), «Assim Acontece... na Rádio» (Carlos Pinto Coelho), «Cão Velho Entre Flores» (Baptista-Bastos), «A Matemática das Coisas» (Nuno Crato) e «O Natal do Sinaleiro» (J. L. Saldanha Sanches) - ver [aqui (http://sorumbatico.blogspot.com/2009/01/o-sorumbtico-completa-hoje-s-17h25m-4.html)]


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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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