Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2008

O CDS, o PP e o CDS/PP

O mundo politico anda entretido com o PS, o PSD, Manuel Alegre e a nova esquerda – e com isso acaba por ficar para segundo plano a guerra que abala o CDS/PP. Parece que há militantes e quadros a abandonar o partido em dose generosa e que Paulo Portas tem dificuldade em unir toda a gente. A face visível da guerra é José Paulo Carvalho, deputado que agora está na Assembleia mas já não é do CDS, é de ninguém, é dele próprio...

João Távora, no Risco Continuo, acha que é da “mais basilar ética política que José Paulo de Carvalho abandone o lugar que ocupou no grupo parlamentar do CDS. Apenas porque no actual sistema eleitoral aquela cadeira não lhe pertence”. O mesmo escreve AJBarros, no Blog Nortadas, sob o titulo “Voto Roubado”: “Sou eleitor no Porto e quando votei no CDS não votei especificamente nele para me representar. Aliás, só foram eleitos 2 deputados por este círculo, sendo ele o 4º. Perante a sua atitude, questiono-me agora se ele acha que o resultado que o CDS obteve no Porto se deve à sua presença num lugar não elegível, ou se, por outro lado, as pessoas votaram no CDS sob a liderança de Paulo Portas”.  Mas a crise é mais vasta e envolve mesmo facções do Partido que se sentem enganadas pelo líder. Noutro post no mesmo blog, e alargando a análise à crise do CDS, AJ Barrosmanifesta sentimento: “É sempre com tristeza que assisto à saída de pessoas do CDS. Mas é com mais tristeza ainda que vejo sair do CDS algumas pessoas que (...) têm um valor inquestionável, como são os casos, nomeadamente, do João Anacoreta Correia e do João Luís Mota Campos. No entanto, sair, “abandonar o barco”, deixar de ter uma posição activa, não são nem nunca foram soluções (...). O CDS não é só o seu líder, tem um passado escrito na história, um presente, mas também terá certamente um futuro. Desta forma, (...) os presidentes impõem no seu tempo o seu cunho mas o partido terá sempre uma posição mais intemporal”.

Sobre o tempo e o CDS bem escreve Daniel Arruda no Troll Urban0: “Houve em tempos um partido que em tempos se chamava Centro Democrático Social que teve como líderes homens como Adriano Moreira, Freitas do Amaral ou Lucas Pires e que foi rebaptizado de Centro Democrático Social - Partido Popular nos tempos de Manuel Monteiro. Depois este partido morreu e ficou só o Partido Popular. Mas mesmo este não teve grande Futuro pois o PP de Partido Popular rapidamente se confundia com o PP de Paulo Portas. Assim se conta em poucas linhas a história de um partido que ninguém quer realmente liderar e onde o único que o faz, mesmo que por narcisismo, não é aceite como líder. “

Na verdade, Paulo Portas tem dificuldade em aguentar o Partido e talvez João Gonçalves tenha razão quando o acusa de tratar o CDS “como o seu brinquedo pessoal. Parece que alguns militantes não estão disponíveis para continuar a fazer de parvos”. E assim se aproxima o CDS do ano fatal das eleições – e assim verificamos que, na verdade, só mesmo o PCP parece estar em paz – porque do PS ao PSD, do CDS à Nova Democracia, anda tudo às turras e ninguém se entende. Assim vai a politica em Portugal...

publicado por PRD às 01:59
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1 comentário:
De Luis Melo a 20 de Dezembro de 2008 às 19:34
Apesar de tudo o que Paulo Portas poderá ter feito, sou contra a desfiliação de membros do partido. E nem sequer a compreendo.

As pessoas (neste caso os presidentes) passam e os partidos ficam. Ficam com a sua ideologia e com as suas convicções.

Não gostam de PP então é muito simples... encostem ás boxes durante uns tempos, até outubro 2009.

Pior ainda é o que fez o deputado. Seria mais correcto, a meu ver, abandonar o cargo de deputado.


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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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