Terça-feira, 16 de Dezembro de 2008

Mais esquerda à esquerda?

Não se fala de outra coisa por aí, dentro e fora do mundo dos blogues: vai haver mais esquerda além da esquerda que existe? Manuel Alegre acendeu o fósforo e fogueira arde. Manuel Jorge Marmelo não vê fogo, vê antes umas “reuniões Tupperware” e sugere que elas sirvam para “ir preparando uma esquerda verdadeira e mais realista, que se contente em ser oposição e que, sendo oposição, seja capaz de ser também influente e de defender aí os que necessitam de ser defendidos”.

Paulo Gorjão, no blog Vox Pop, não se entusiasma e avisa: “o futuro clarificará o passado”. Mas depois analisa com a sua lucidez habitual: “Não vejo como é que Sócrates poderá descalçar esta bota sem grandes danos políticos. A ruptura de Alegre é um desastre, na medida em que muito possivelmente inviabilizará em definitivo a maioria absoluta. A retenção de Alegre no PS tem igualmente custos muito elevados, uma vez que implicará profundas cedências de agenda (...). Como fazer a quadratura do círculo? Sócrates irá seguramente gerir o tempo político e adiar até ao limite decisões definitivas”. No Insurgente, Bruno Alves vê a coisa mais maquiavélica: para ele, Alegre quer “apenas explorar essa crescente fragilidade para, em cima das eleições, se juntar de novo a Sócrates (impondo-lhe determinadas condições, claro)”. João Gonçalves chama ao socialista “o bardo”, “o chato”, e percebe os comunistas: “Não é por acaso que o PC marcou distâncias. Não é "histórico", mas chateia”.

Este debate em torno na nova esquerda dá para tiros em todas as direcções. Reparemos: Pedro Correia, no Corta-Fitas, considera que “2009 ainda não arrancou e já tudo começa a mudar na cena política portuguesa. Agora é a vez da esquerda, não tardará a chegar a vez da direita”. Jorge Ferreira, no Tomar Partido, ao contrário, vê na nova esquerda um caminho para o PS: “o eleitor comum, pouco dado à ideologia e ao médio prazo, tenderá a ver em Sócrates um verdadeiro líder de direita. Ao que isto chegou”. No Insurgente, André Azevedo Alves concorda: “Nada como um Fórum de Esquerdas com Manuel Alegre, bloquistas e comunistas a discutir “projectos políticos totais” para ajudar o PS de Sócrates a consolidar o eleitorado ao centro”. Carlos Abreu Amorim, no Blasfémias, acha que tudo seria diferente se à direita houvesse liderança: “caso o PSD fosse liderado por gente com um talento político mínimo, estou convicto, Sócrates poderia estar em vias de perder as Legislativas”.

Mas, mais do que debater a esquerda e a nova esquerda, parece que todos estão basicamente interessados em saber como vai Sócrates lidar com mais este caso. Cá para mim, o líder do PS ri baixinho. Mas entretanto eu também rio quando leio Miguel Abrantes, no blog Câmara Corporativa, imaginar um Governo saído deste Fórum das Esquerdas, onde Boaventura Sousa Santos seria primeiro-ministro, Helena Roseta seria “ministra do Bem-estar Social, das Comunidades e da Locomoção não Poluente”, Carvalho da Silva seria “ministro para a Alegria no Trabalho” e Manuel Alegre, bom, Alegre seria, claro,
“vice-primeiro-ministro e ministro da Cultura, Pesca e Caça”.

publicado por PRD às 12:41
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1 comentário:
De Luis Melo a 17 de Dezembro de 2008 às 12:56
Manuel Alegre disse que o objectivo é definir uma nova "alternativa de poder" à esquerda, com uma "nova base programática" que até pode "ir a votos".

Manuel Alegre, afinal é um triste:
1. Continua sem saber o que fazer com 1 milhão de votos. Agora tenta que o BE lhe dê um empurrão.

2. Depois da "viragem" de José Sá Fernandes - a partir do momento em que teve o poder na mão - já ninguém acredita que estes políticos de esquerda são diferentes dos outros.

3. Pode ser que esta ideia de formar um novo partido político, desapareça com um lugarzito nas listas do PS, para as próximas eleições europeias.


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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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