Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2008

Muitos anos de vida

É um numero e tanto: 100 anos de vida, 100 anos de cinema, 100 anos comemorados a filmar – o numero redondo de Manoel de Oliveira merece palavras no mundo dos blogues, como as de José Mendonça da Cruz no Risco Contínuo: “Antes de ver algum filme de Manoel de Oliveira, eu achava que os filmes de Manoel de Oliveira eram parados e maçadores e compridos. Depois de ver alguns filmes de Manoel de Oliveira dou-lhe os parabéns pelos 100 anos e desejo que ainda filme muito”. No blog Amar o Porto, o autor anónimo recolhe opinião alheia. Encontra, por exemplo, João Mário Grilo: “Creio que o Oliveira está sempre a olhar para a frente e, consequentemente, nos faz olhar a nós na mesma direcção, como acontecia com o Eisenstein ou, na poesia com Baudelaire”.

No blog Tempo Suspenso, Pedro Nogueira vê o realizador como “um gigante num país de pequenos, que não sabe dar ao cineasta o valor que merece. De uma obra irregular (...) podia colher tudo, menos a indiferença a que é votado pela maioria , que tem o "dom" de criticar a sua obra sem a conhecer. Oliveira não é para eles. Nem é um herói póstumo na reforma. Continua a trabalhar a sua arte. É o nosso maior exemplo”. Pois é: “Há vidas que dão filmes”, como escreve José Teófilo Duarte no Blog Operatório: “Ele fez o favor de passar muitas dessas histórias para a História. Foram muitas fitas. Curtas e longas. (...) Uma vida muito bem vivida, com muita vida filmada.
Goste-se ou não... é obra”. Obra que Miguel Poiares Maduro, no Geração de 60, compreende, “como uma expressão da sua tese sobre o cinema enquanto forma de literatura ou teatro filmados”. Compreende mas não gosta: “os filmes de Oliveira, escreve, podem ser objectos muito interessantes mas, para mim, não são bom cinema”. E deixa uma ideia: “Discutir Manuel de Oliveira e caracterizar o que faz talvez seja uma forma interessante de celebrar os seus 100 anos”.

Na verdade, Oliveira é amado e odiado – sempre respeitado, é certo, mas polémico. Por isso gostei de encontrar na rede não apenas o elogio do centenário mas também a opinião de quem não se deixa impressionar pelo número de anos e de filmes. De resto, estou com Manuel Jorge Marmelo no blog Teatro Anatómico: “Eu não gostava de ter cem anos, nem agora nem nunca, pois imagino que ter cem anos seja um estado em que se misturam as dores no corpo, os achaques e a falta de futuro”. Mas, ao saber que Oliveira tinha recusado receber a chave da cidade do Porto, que Rui Rio lhe quis dar apesar das polémicas que envolvem o cineasta e a autarquia, o blogger acrescenta: “Ter cem anos também tem algumas vantagens, sobretudo quando se tem cem anos e se está suficientemente lúcido para não pactuar com a hipocrisia de certos cangalheiros. (...) Isso é de homem!”. E o homem, o realizador, o contador de histórias, continua aí para as curvas...

publicado por PRD às 12:03
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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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