Quinta-feira, 4 de Dezembro de 2008

Professores em greve

Os números – os números nunca batem certo quando se fala de greve. Ontem não foi excepção com os professores, mas desta vez até o Governo reconheceu o sucesso da greve, apesar dessa diferença entre 61% e 94%. Ora bem, escreve a Blonde with a PHD no seu blog: “Portugal é um país de má Matemática ou mau a Matemática, dependendo da perspectiva. Acho sempre hilariante (sim, também delirante) quando as contas batem certo! Ou então, sou eu que, afinal, não levo jeito para números e acho que uma discrepância de 33% indica um hiato abissal entre fontes e me leva à incredulidade estatística. Claro, a interpretação errónea só pode ser minha: sindicatos e Ministério alguma vez brincariam com a objectividade percentual?! Naah!”

Números de fora, a greve foi bem sucedida para a classe, que neste momento tem no Governo um ódio implacável e que ultrapassa em muito o caso das avaliações. Encontro por exemplo estas palavras no blog “Pedro na Escola”: “Foi a primeira vez que fiz greve. Não fiz greve por causa do modelo de avaliação de desempenho ou do próprio estatuto da carreira docente. O que me moveu, sinceramente, foi a minha opinião pessoal sobre o trio que lidera o Ministério da Educação: que não são pessoas sérias, honestas e com boas intenções. Opinião pessoal, repito. E a greve foi a minha forma de protestar contra a sua permanência naquelas funções e os seus disparates e palermices”.

Do lado mais sindicalista, Ramiro, no blog “Prof Avaliação”, tira as lições da greve, e eu destaco estas: “Quando os professores se mostram unidos têm mais força; Os sindicatos têm o apoio das bases sempre que as ouvem e actuam em conformidade com os desejos mais profundos delas; Ontem, os professores colocaram a fasquia muito alta. Será difícil voltar a igualar uma percentagem tão elevada de adesão à greve; É preciso paciência e persistência. Os avaliados têm de continuar a dizer que não querem ser avaliados”. Ou seja: a luta continua. Sofia Loureiro dos Santos, no Defender o Quadrado, reconhece a vitória da Fenprof mas não muda de ideias: “espero sinceramente que a Ministra e o governo não cedam. Caso isso aconteça será uma retumbante derrota da escola pública e uma total demissão do dever do estado. (...) Quantidade não é sinónimo de qualidade, portanto a histórica adesão não dá razão a quem a não tem”. Arnaldo Madureira, no blog com o seu nome, não concorda mas nota que há algo a fazer: “A nossa posição está marcada. Agora, é preciso avançar. Ou os sindicatos apresentam um projecto de avaliação do desempenho docente (...) ou estarão mais errados que o governo”.

No fim, recupero um post já com alguns dias no blog O Insumisso, assinado por Mira, e que lança um outro olhar sobre esta crise, porventura mais interessante do que discutir percentagens de adesão à greve: “O sistema público, com as suas falências, tem feito mais pelo sistema privado de ensino do que anos de lobbying a favor dos colégios e dos cheque-ensino. (...) Eu, defensor da liberdade de ensino, só me posso congratular com as greves, os deficientes modelos de avaliação e com estatutos de aluno surrealistas. Seguindo este caminho o país acabará por sair beneficiado porque os bons colégios sairão reforçados”.

publicado por PRD às 02:13
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PRD

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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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