Terça-feira, 2 de Dezembro de 2008

"Sim, é possível"... um congresso!

O PCP não tem já a importância que a cobertura do seu congresso faria pensar – mas já que a televisão decidiu observar o congresso de perto, neste últimos dias, a Janela abre-se para esse lado. Estou tentado a concordar com Maria João Pires, que no blog Jugular sente que as imagens da TV mostram “um formato televisivo já demasiadas vezes repetido e completamente parado no tempo, uma espécie de "Natal dos Hospitais"... Ou, nas palavras de Sérgio de Azevedo no blog Red Light District, um PCP “redondo e vazio”. Na verdade, talvez  “orgulhosamente só” como pensa Elísio Estanque, no blog “Outubro”: “nada de novo desse lado. Mantém-se o mesmo dogmatismo e a mesma rigidez retórica, típica dos tempos da guerra-fria”. E depois de uma análise mais detalhada, lá vem a referência que acabou por marcar o congresso: “O que não há dúvida é que este partido parece entrar em pânico perante o risco de se ver ultrapassado pelo Bloco de Esquerda”. O facto de Jerónimo de Sousa ter criticado o bloco motivou o debate, levando Fernando Martins, no Cachimbo de Magritte, a tentar explicar: “O discurso do PCP contra o Bloco de Esquerda não tem apenas, nem sobretudo, o Bloco como destinatário(...) - Destina-se, em primeiro lugar, a "clarificar e separar as águas" dentro do "Partido"”.

Outra via de observação do congresso foi aquela que usou António de Almeida no blog Direito de Opinião: “A recente crise financeira poderá levar alguns descontentes a procurarem abrigo nas margens da democracia. O PCP (...) celebra o fim do capitalismo, comemoração prematura e manifestamente exagerada”. Na verdade, os tempos correm de feição para quem defende a morte do capitalismo, em face da crise que vivemos. Isso mesmo nota também JC no Gato Maltês: “Ao saudar (...) os países que lutam “por transformações revolucionárias na sociedade e pelo socialismo” (...) - Coreia do Norte, Laos, Vietnam, Cuba - o PCP está apenas a elogiar aqueles que conseguiram, em certa medida, manter-se isolados do capitalismo global, da democracia, da liberdade e da livre iniciativa que lhes está associada. É isso, e não um qualquer socialismo, aquilo que importa para o seu projecto de sociedade”. No blog País Relativo, Tiago Barbosa Ribeiro acalma as hostes quando ouve o líder comunista dizer que o PCP chegará ao poder quando o povo quiser: “Ao contrário de outros povos que vivem em países glorificados pelos comunistas, ficamos todos mais descansados”.

Descansado também está Rodrigo Moita de Deus, mas com uma pedrinha no sapato do seu implacável humor: “Centenas de comunistas fecharam-se voluntariamente no Campo Pequeno. Houve neste acto uma enorme ironia histórica. Mas houve, também, uma oportunidade perdida”. Vários bloguers destacam a colagem de Jerónimo de Sousa ao marketing de Barack Obama com a bandeira “sim, é possível”. Nuno Dias da Silva no Civilização do Espectáculo, ironiza: “«Sim, é possível», sintetizou Jerónimo. Rejeitando qualquer coligação à esquerda, Jerónimo declarou que o PCP será poder «quando o povo português quiser». De facto, como dizia o poeta, o sonho é uma constante da vida...”.

publicado por PRD às 02:07
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De Nuno Dias da Silva a 7 de Dezembro de 2008 às 22:18
Como manda a boa educação, obrigado pela citação.
NDS


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