Quinta-feira, 27 de Novembro de 2008

O Zé está em falta?

Tinha que ser: o Zé está na berlinda, agora que o Bloco de Esquerda lhe tirou o tapete. Falo de José Sá Fernandes, claro, o vereador que se promoveu com o cartaz que dizia “O Zé faz falta”.

“A quem?! será caso para perguntar agora”, e é a pergunta que Alexandra Marques faz no blog Risco Contínuo: “Diz o vereador que "este PS tem sido bom para Lisboa" para logo de seguida garantir ao jornalista do DN que não lhe "arranca nem uma palavra" sobre a eventualidade de, em 2009, ser candidato a vereador numa lista (deste) PS, liderada por António Costa”.

Pois é, o retrato não está a ficar bonito, como escreve Paulo Colaço no blog Chá Preto: “O senhor vereador, paladino da moral, mensageiro dos princípios e inquisidor-mor das más práticas, deixou cair a capa. Agora "está no Poder". (...) Quem anda tão cegamente atrás dos holofotes não augurava boa coisa...”.

É inevitável ir ao blog Arrastão, onde Daniel Oliveira tem um longo post sobre o tema, ressalvando que trabalhou “activamente nas duas campanhas de Sá Fernandes”. Daniel diz, em resumo: “De Sá Fernandes, esperava mais firmeza na relação com o PS, mais coerência com os seus combates de sempre (...), mais autonomia na relação com António Costa e mais respeito pelo partido que o ajudou na eleição. (...) Do Bloco, esperava mais sangue frio, mais diplomacia, mais respeito pelo vereador que ajudou a eleger. (...) Porque é do Bloco que sou militante, porque os erros do Bloco são erros meus, (...) é com o Bloco que estou mais desiludido. E foi por isso que ontem votei contra uma resolução que põe em Sá Fernandes todas as responsabilidades deste desencontro”. JRV, no Activismo de Sofá, concorda: “As culpas deste divórcio repartem-se quase igualitariamente (...). Sá Fernandes deixou assim de ser o “Zé que faz falta” (...) para passar a ser uma desilusão (...). O Bloco, por seu turno, falhou a sua primeira grande experiência governativa”. Medeiros Ferreira fala num “código genético da união estabelecida” entre Sá Fernandes e António Costa, código esse onde o divórcio com o Bloco “estava inscrito”. Renato André, um ex-apoiante de Sá Fernandes, atira-se ao vereador desavindo no blog Reflexões Banais: “Para mim, a decisão hoje tomada pelo Bloco de Esquerda (...) só peca por tardia. Devia ter sido logo tomada no dia em que ele anunciou o acordo com o PS. (...) O Bloco, ou outro qualquer partido, não têm obrigação nenhuma de estar no poder coligado com outros partidos. Cada partido executa o seu próprio programa de governação, (...) tem o dever de não defraudar as pessoas”. Porfírio Silva, no Machina Speculatrix, prefere olhar o partido por ele próprio e de alguma maneira fecha o circulo deste caso: “O BE, um partido que podia ser útil, (...) seria talvez capaz de sobreviver ao irritante jeito moralista-sacerdotal de Louçã.
Mas o BE não sobreviverá certamente a esta insistência em se perder nos mesmos labirintos do poder que todos os outros usam. Não estranha, sabendo que velha esquerda lidera o Bloco, que o Bloco ponha o partido acima de tudo. Mas não podiam esperar um pouco mais antes de mostrar isso tão claramente?”




 

publicado por PRD às 15:53
link do post | comentar
1 comentário:
De Luis Melo a 2 de Dezembro de 2008 às 12:24
Sá Fernandes não está sozinho nesta "mudança de atitude" quando se tem o poder nas mãos... veja-se também Marinho Pinto a partir do momento em que ganhou as eleições na OA... um autêntico "ditadorzinho"...


Comentar post

PRD

Pesquisar blog

 
Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

Textos recentes

...

Blog da Semana: As Penas ...

Outra vez o casamento ent...

Em dia

Lhasa de Sela

O ritual de Cavaco

2010

Blog do Ano 2009: O Alfai...

O ano 2009 - II

O ano 2009 - I

Arquivos

Outubro 2011

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

favorito

Leituras de sábado

Declaração de voto

Seis anos já cá cantam.

Na melhor revolução cai a...

Subscrever feeds