Quarta-feira, 26 de Novembro de 2008

25 de Novembro

Ontem assinalou-se a passagem de mais um aniversário do 25 de Novembro – data que, de alguma forma, traçou fronteira entre certa esquerda e o centro e a direita. Passados mais de 30 anos, o tema ainda consegue mobilizar opiniões e ideias...

Manuel Castelo Branco, por exemplo, no 31 da Armada algures entre a ironia e o cinismo, diz “25 de Novembro, felizmente hoje é feriado nacional”. Sabemos que não – mas deveria ser? O Blog Atlântico recupera essa questão num texto de Rui Ramos publicado na revista com o mesmo nome:  “É curioso que as direitas comemorem, simultaneamente, o golpe de 25 de Novembro de 1975 e a memória de Francisco Sá Carneiro. O 25 de Novembro evitou uma guerra civil? Sem dúvida. Mas evitou também, através de um pacto de transição, a ruptura com o património do Período Revolucionário Em Curso (PREC) (...). A revolução parou, mas não recuou. Foi contra esse património revolucionário (...) que lutou Sá Carneiro. Aqueles que nele se revêem deveriam talvez comemorar outro Novembro, o de 1977, quando Sá Carneiro, ao abandonar a presidência do PSD, iniciou a ruptura com o pacto de (...) Novembro de 1975”.

No Blasfémias, JCD é mais objectivo: celebra-se “o dia em que, depois de 49 anos e seis meses, a democracia deixou de estar suspensa!”. Corrige-o, de alguma forma, José Mendonça da Cruz no blog Risco Continuo, para quem Portugal “conquistou (...) o direito de ser democrático, e talvez um dia seja livre”. Mais simples, no Insurgente Miguel diz apenas que se comemora “a derrota do comunismo em Portugal”.

Claro que procurei também quem olhasse o 25 de Novembro pelo lado da esquerda. Encontrei no blog Cravo de Abril o comentário de Chalana, a propósito do lançamento das memórias de Pires Veloso, o vice-rei do Norte protagonista desses dias de brasa: “O Pires Veloso bem sabe que o 25 de Novembro foi uma provocação da direita golpista, da direita que fingia não ser golpista e da social-democracia que fingia ser de esquerda e "democrática": MDLP, ELP, CDS, PPD e PS. Infelizmente, alguns oficiais esquerdistas, sem terem em conta a correlação de forças no plano militar e, sobretudo, político, deixaram-se arrastar para a provocação milimetricamente preparada”.

Ou seja, a História continua a poder ser escrita de várias formas, opostas e contraditórias. Num tempo em que tanto se fala de comunicação política e marketing, fecho a janela com uma sugestão: uma visita ao blog de Luís Paixão Martins, sim, o homem da “agência de comunicação do regime”, como lhe chamam. É que Paixão Martins, em 1975, era jornalista e ontem recuperou no blog o seu dia 25 de Novembro. Lá está a foto de um jovem no centro do furacão: “Salgueiro Maia estava às portas de Lisboa, conta LPM, (...) à frente de uma coluna de tanques. Parou para prestar declarações. Qualquer coisa do género "estou aqui às ordens do Senhor Presidente da República". Dois jovens jornalistas tomam notas apressadas. (...) Em 1975, (...) eu, guedelhas e de casaco aos quadrados tão anos 70, no Jornal Novo (...) Que dias”.

Pois sim: que dias... desses anos do casaco aos quadrados para os dias de hoje, um salto no tempo. E que salto, meu deus...

publicado por PRD às 15:51
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PRD

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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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