Segunda-feira, 24 de Novembro de 2008

Estranho ambiente

Talvez a noticia do fim-de-semana tenha sido o comunicado do Presidente sobre insinuações e boatos que pairavam por aí, mas acho sinceramente que Paulo Gorjão tem razão quando diz: “Eu, como a esmagadora maioria dos leitores deste blogue, não sabia de nada. Não era notícia. Ontem, Aníbal Cavaco Silva decidiu dar a dignidade de um comunicado oficial da Presidência da República a mentiras e insinuações. Consequentemente, o que não era notícia passou a a ser notícia. Mentiras e insinuações”. Carlos Abreu Amorim acha mesmo que o comunicado do Presidente “gera mais problemas do que aqueles que pretende resolver”.

Na verdade, ao ouvir o comunicado e ler os comentários que foram surgindo, lembrei-me de um post de NancyB no Geração Rasca sintomaticamente intitulado “Manicómio”, onde se pode ler:

“Dias Loureiro quer ser ouvido, mas os deputados do PS não o querem ouvir. Oliveira e Costa está a ser ouvido, mas os contribuintes portugueses não o querem ouvir.
Dias Loureiro diz que disse isto, mas o vice-presidente do BdP diz que ouviu aquilo.
Manuela Ferreira Leite quer estar em silêncio, mas obrigam-na a falar. Manuela Ferreira Leite fala, mas os seus ouvintes perderam o sentido de humor.
Os professores falam, mas não são ouvidos. A ministra fala, mas não é ouvida. Os professores, a ministra, a fenprof, os pais, os alunos e os auxiliares falam, mas não se ouvem”.

Parece que se vive efectivamente um ambiente enlouquecido, onde sombras, factos, opiniões e boatos se misturam como se fizessem parte do mesmo saco. Luciano Amaral, no Gato de Cheshire, diz que “o país distrai-se com umas coisas, mas aquelas verdadeiramente importantes estão a ocorrer noutro lado”. E avisa que devemos ter medo, mesmo medo, quando “os presidentes da administração do BCP e da Caixa Geral de Depósitos revelam (...) que vão pedir garantias do Estado para contrair empréstimos, respectivamente, de cinco mil milhões de euros e dois mil milhões de euros. Para quem ande distraído, isto corresponde, para ajudar só dois bancos portugueses, a um valor proporcional à economia nacional (mais ou menos 4% do PIB) idêntico ao Plano Paulson para salvar o conjunto do sistema financeiro americano. (...) Para um país que ainda há dias se vangloriava de atravessar com orgulhosa vela enfunada a crise internacional, dá uma noção das proporções”.

Do Presidente da Republica aos bancos em crise, a linha condutora é sempre a mesma: sinais preocupantes de angustia e desconfiança. Uma vaga ideia de algo cujo controlo nos escapa e que todos os dias nos consegue surpreender com piores noticias... Apetece fechar citando Pedro Mexia, no seu excelente blog Estado Civil, generalizando sobre este nosso mundo: “Os ingénuos acham que o mundo é simples e depois ficam surpreendidos com um mundo complexo. Eu sou um ingénuo especial: achei que o mundo era complexo e afinal é bastante simples. Há instintos, interesses, desejos e lógicas de classe. Não há mais nada”.

publicado por PRD às 15:48
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PRD

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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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