Quarta-feira, 19 de Novembro de 2008

Ditadura social-democrata

Convém começar por recordar este facto: na semana passada, Manuela Ferreira Leite dizia que os media eram culpados da sua mensagem não passar. Pois bem, esta semana a líder do PSD decidiu que a mensagem passava à força e passou mesmo... Por ser gafe, mesmo que seja irónica: “não sei se a certa altura não é bom haver seis meses sem democracia, mete-se tudo na ordem e depois então venha a democracia”. Foi o que disse a Presidente do Partido que quer governar Portugal. E a blogoesfera riu, brincou, falou a sério: “O voto dos taxistas já está garantido”, gritou Manuel Jorge Marmelo no Teatro Anatómico. Mais seco, porém claro, Pedro Correia no Corta Fitas: “This is the end”. No mesmo sentido, com humor, Animal no Blogue dos Marretas limita-se ao título: “cada cavadela, cada minhoca”.

Paulo Gorjão, no Vox Pop, titula o seu comentário de “Titanic” e escreve: “De facto, também não sei se não seria melhor estar seis meses sem democracia. Que tal prescindir das eleições legislativas em 2009?”.

Miguel Vale de Almeida, no Jugular, pergunta se não se pode exilar a líder do PSD e sugere a Madeira como um bom destino.  Acrescenta ainda: “Que saudades do tempo em que estava calada… Faz lembrar aquelas paixonetas que tínhamos, na adolescência, por pessoas “misteriosas”, caladas, que julgávamos “profundas”; quando, um feio dia, abriam a boca, era o desastre completo”.

Mais a sério, Medeiros Ferreira acha que “Manuela Ferreira Leite não foi feita para isto”. As gafes de ontem, escreve o socialista, “dão a medida da distância que lhe falta percorrer para se tornar uma líder partidária de alternativa governamental”. E com ironia acaba por dizer: “não me parece que por este andar Manuela Ferreira Leite tenha ainda seis meses à sua frente...”.

No Geração Rasca, Hélder Franco avança uma ideia original: “O que já vivi em democracia faz-me pensar que entre Ferreira Leite e José Sócrates só há uma diferença: um foi eleito com maioria para exercer uma 'democracia musculada' de quatro anos, “a outra não se importava se fossem só seis meses - nem que fosse de ditadura.”.

No Arrastão, Pedro Sales recupera outra gafe da social-democrata, quando disse que os jornalistas não deviam seleccionar a informação, e escreve: “Com as suas bizarras declarações sobre a suspensão da democracia, não só os jornalistas já têm a selecção feita como conseguirá aparecer nos momentos iniciais de todos os noticiários. Quem sabe à frente das notícias que dão conta do aumento do desemprego e nova revisão em baixa dos indicadores económicos. O PS agradece”.

Realmente, uma vez mais, o Governo e o PS agradecem. Depois de se brincar com o tema, é tempo de coisas sérias. Deixo por isso a sugestão de Filipe Nunes Vicente no blog Mar Salgado: “A linguagem franca e por cima do mainstream faz falta e eu gosto, mas talvez fosse boa ideia pôr alguém a escrever os discursos de Manuela Ferreira Leite. Não se perdia o essencial e ganhava-se clareza”.

publicado por PRD às 19:37
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1 comentário:
De Luis Melo a 24 de Novembro de 2008 às 12:39
Para implementar reformas na Justiça, tentou fazer crer que o que estava mal eram os juízes e as suas férias compridas. Nada mais errado e ridículo. A fraca justiça tem a ver com tudo menos com a performance dos juízes.

Para implementar reformas na Educação, tentou fazer crer que o que estava mal eram os professores e a sua avaliação. Nada mais errado e ridículo. A fraca educação tem mais a haver com o facilitismo do que com o desempenho dos professores.

As palavras de MFL foram irónicas, no sentido de criticar a forma como Sócrates tem governado, e a maneira que tem adoptado para implementar as diversas reformas. Mais uma vez, a comunicação socratiana vem tentar arranjar um problema onde ele não existe, aproveitando para fugir á questão central... a forma errónea como este governo reforma.


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