Segunda-feira, 10 de Novembro de 2008

A luta contínua

Foi impressionante a manifestação dos professores, este fim-de-semana, e era inevitável abrir esta Janela olhando aquela massa humana na Avenida e aquilo que reclama, exige, e que a faz protestar. Paulo Gorjão, no Vox Pop, fala na “Insustentável Ministra” e escreve: “Não é necessário perceber muito de educação para compreender que se passa algo de muito grave. Basta ter um pouco de bom senso e senso comum. Pura e simplesmente não é normal que a esmagadora maioria dos professores se manifeste, ultrapassando em larga medida a capacidade de mobilização sindical e/ou partidária. A insatisfação com a ministra da Educação é profunda e mesmo no PS começa a esgotar-se a tolerância”. Pedro Correia, no Corta-fitas, vai mais longe e pergunta: “Como pode um membro do Governo actuar contra a vontade unânime de 120 mil pessoas sob a sua tutela? A resposta é óbvia: simplesmente não pode. É esse o dilema imediato de Maria de Lurdes Rodrigues”.

Dilema que Tomás Vasques, no Hoje Há Conquilhas, acaba por resumir e tornar óbvio: “Os professores querem ser avaliados, não desta maneira, mas de outra. O problema é saber qual é a outra maneira. Pelo andar da carruagem, e porque nunca se encontrará a outra – a que agrade a gregos e troianos –, o que me parece que está em causa é a própria avaliação dos professores. O Governo, esse, vai ser avaliado por todos no próximo ano”. O rastilho está lançado – independentemente das razões e dos argumentos, é evidente que é impossível governar contra a classe profissional que se tem de tutelar: “o problema desta ministra da Educação, escreve Alfredo Barroso no blog Sorumbático, (...) é o seu profundo desprezo pelos professores, pelos sindicatos, pelos partidos políticos e pelo debate democrático. Em suma: por todos os que a contestam”. E deixa este eviso: “O engº Sócrates que se ponha a pau: (...) a intolerável prepotência política da drª Maria de Lurdes Rodrigues (...) pode estragar-lhe os cálculos eleitorais e, sobretudo, tramar o PS”.

No blog Profavaliação, esta ideia ganha força na mistura entre a ministra, o governo e José Sócrates: “Sócrates considera que o braço de ferro e o reforço da imagem de inflexível lhe devolvem os votos que os professores lhe tiraram”. Ora, escreve Pedro Morgado no Avenida Central: “Um governo responsável não pode assobiar para o lado quando uma classe inteira sai à rua para protestar. É por isso que Maria de Lurdes Rodrigues e José Sócrates, com a complacência do Presidente da República, são os principais responsáveis pelo clima gravoso que se vive na escola pública e que culminará com a sua completa degradação. (...) O afastamento da Ministra e a suspensão imediata deste modelo de avaliação são as únicas saídas possíveis para repor o normal funcionamento da escola pública ainda a tempo de a salvar. Se tal não acontecer, caberá aos professores mobilizarem e sensibilizarem a sociedade civil para a defesa da escola pública. Vergar os professores será trágico”.

A manifestação de sábado veio de novo confrontar a sociedade com uma pergunta central: reformar sistemas contra as classes profissionais que os alimentam é possível em democracia? Não sei, nem encontrei resposta nos blogues por onde andei...

publicado por PRD às 23:20
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