Quinta-feira, 6 de Novembro de 2008

Eleições nos EUA (III e última...)

Quarenta e oito horas depois, as ondas de choque das eleições norte-americanas continuam a varrer o mundo dos blogues. Passando em revistas dezenas de blogues nacionais, sinto excatamente o mesmo que Luciano Amaral quando escreve no “Gato de Cheshire”: “É estranho: por uma vez toda a gente à minha volta gosta do presidente americano… Foi preciso chegar a esta idade. (...) Até estou com medo…”

Na verdade, há uma quase unanimidade em torno de Barack Obama, que não chega a ser quebrada pelos blogger mais á direita. Um bom exemplo seria João Gonçalves, do Portugal dos Pequeninos, que bem tentou mas não conseguiu mostrar o seu lado mais conservador e acabou por escrever: “Hoje é suposto o mundo ter acordado mais "porreiro". Até o José Pacheco Pereira o revela depois de uma noite de aparente insónia partilhada entre conversas de chacha com os seus amiguinhos da Quadratura e um batalhão de papagaios na América. Isto é, a realidade (...) continua o seu implacável caminho, indemne à "esperança" e a mais um "homem novo". Desde que o homem deixou de ser um macaco, tem sido sempre assim”. Vindo de onde vem, é quase um elogio, digo-vos eu...

Do lado oposto, aterro no Teatro Anatómico de Manuel Jorge Marmelo, onde a emoção é levada ao extremo: “Um homem não chora, claro. Um homem não chora diante da televisão apenas por estar emocionado com as imagens da vitória de Barack Obama. Um homem morde os lábios, engole em seco e sustém as lágrimas para que não o vejam torrencialmente feliz por estar vivo para asssistir ao dia em que um negro vence as eleições presidenciais num país que, não há muito tempo, praticava oficialmente a segregação racial e onde ainda existe uma coisa atroz, absurda, como o Ku Klux Klan. Um homem não chora nem admite que, às vezes, muito de vez em quando, ainda sonha. Um homem não chora, claro, mas, que diabo!, todos temos direito a um momento de fraqueza, a ser ridículos e lamechas, a tomar a sério uma variação actualizada daquela frase mais que batida: não esperes por aquilo que Obama pode fazer pelo mundo; pensa no que podes tu fazer para ajudar a mudá-lo”.

Agora falta apenas o futuro, como bem escreve Carlos Guimarães Pinto no Insurgente: “Obama terá um longo período de estado de graça no seu país e do Mundo. Estes são sempre os melhores períodos para tomar decisões difíceis. Esperemos que Obama gira o país com a mesma inteligência com que geriu a sua campanha”.

Uma campanha que, pelos vistos, chegou à blogoesfera portuguesa sob este manto de agrado, unanimidade, e apoio. Nunca tinha visto tal coisa por estas paragens...

publicado por PRD às 23:16
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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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