Segunda-feira, 3 de Novembro de 2008

PREC, parte II

O que mexeu com toda a gente foi o verbo: nacionalizar. Neste caso um banco, o BPN. Ai Jesus que isto dá para rir à esquerda, à direita e ao centro. Comecemos por uma análise séria, de Pedro Arroja, no blog Portugal Contemporâneo: ele acha que “o Governo, dadas as circunstâncias, não está a inventar a roda - o que é bom”. Mas naõ deixa de garantir que esta noticia ”marca a chegada da crise financeira ao país em toda a sua intensidade. (...) O Estado português vai ter agora de ir pedir dinheiro emprestado para dar realidade a estas medidas. E é neste ponto que vai ser testada a fragilidade relativa da economia portuguesa”.

João Gonçalves, pelo seu lado, procura responsáveis: “A supervisão pela qual Constâncio é responsável há uma pipa de anos falhou. O BPN andou "à solta" até não poder mais. Convinha, aliás, contar a sua história e perceber quem é que passou pelas cadeiras do banco desde que ele foi criado. Parte significativa do regime não vai, com certeza, gostar de ser rever ao espelho”. Bibt, no blog Papagaio falante, só quer saber uma coisa: “Quem vai pagar este prejuizo?”. Diz ele: “Para variar, o povo…”

No domínio das perguntas que ficam, há interrogações pertinentes  no Blasfémias, por LR: faz algum sentido “Confiar a regulação da Banca a banqueiros? A da Saúde a médicos? A da Educação a professores? A da Justiça a juristas? E, conhecendo-se o que se conhece, que se brade sempre por mais regulação?”

Na verdade, como recorda Mac, no blog Tudo ou Nada, “Em Outubro, o ministro das Finanças garantia que nenhum banco português estaria em perigo devido a problemas de insolvência”. Mas agora nacionaliza o BPN: “Se calhar para comemorar o Dia de Finados”.

O dia de finados ou o regresso dos heróicos anos da revolução: “Hoje é dia de PREC!”, exclama Hugo Besteiro no blog Tacada do Dia, e remata bem: “Assim não custa muito a iniciativa privada. Privatizamos os lucros e nacionalizamos as dívidas”. “Alguém se está rir”, ironiza Luís Castro no Cheiro a Pólvora: “É a primeira nacionalização em Portugal desde 1975. (...) Será impressão minha ou oiço alguém a rir à gargalhada lá do fundo da cova?!.

Quem ri? Nuno Dias da Silva, no Civilização do Espectáculo, não tem duvidas: “Vasco Gonçalves, o primeiro-ministro que foi o mentor das nacionalizações (...) depois do 25 de Abril, deve andar às voltas no túmulo, perdido de riso”.

Muito a sério, o comunista Vítor Dias, no Tempo das Cerejas, pede “a algum órgão de informação (...) que, por amor de Deus e à verdade, dedique umas três ou quatro páginas (...) a uma antologia de algumas das inumeráveis catilinárias, piadas, remoques, calúnias e mentiras que, ao longo de 33 anos foram lançadas contra as nacionalizações de 1975”.

Fernando Martins, no Cachimbo de Magritte, tem duvidas sobre a palavra a aplicar: "Nacionalização" ou "Resgate"?

Qualquer que seja a palavra, é o Estado a reentrar na economia privada e liberal. Parece mesmo que voltámos a 1975, como o Blog dos Marretas nota com graça: “Fala-se de uma rebelião nas Forças Armadas e o Governo anuncia uma nacionalização. Onde que eu já vi isto?”

publicado por PRD às 23:10
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