Segunda-feira, 27 de Outubro de 2008

Dez anos

Escreve Vítor Dias no blog Tempo das Cerejas: “É sabido que, quando nos morrem pessoas mais queridas, mais estimadas ou mais próximas, a primeira reacção é quase sempre a de ainda não acreditar ou não querer acreditar que seja verdade. E essa primeira reacção quase sempre prolonga-se por uns dias. Não sei explicar porquê mas hoje, quando se completam 10 anos sobre o desaparecimento do grande homem e grande escritor que foi José Cardoso Pires, a minha reacção continua a ser ainda a de não querer acreditar que assim foi e que ele já não está connosco”.

Pois bem: este sentimento é, aos poucos, o que vou encontrando no mundo dos blogues neste fim-de-semana em que passa uma década já sobre a morte do escritor. Parece que foi ontem no sentido em que Cardoso Pires continua felizmente muito presente nos nossos dias, nas nossas vidas... “Excepcional escritor e homem de letras, (...) cidadão íntegro e vertical, (...) democrata coerente e combativo e (...) sólido humanista”, não deixa de sublinhar Vítor Dias.
Paula Crespo, no blog “Uma espécie de Mim”, recupera uma canção de Fausto para escrever “O barco foi de saída” e depois recorda o José Cardoso Pires lisboeta por adopção: “percorre as ruas da cidade, temperando-as das sensações que colhe a cada passo, das emoções, dos pensamentos. É uma Lisboa subjectiva esta, na primeira pessoa, como o é a cidade de alguém cheio de alma, cujo olhar se detém nos pormenores e os traduz numa escrita depurada”. Outro olhar, o de Sérgio de Almeida Correia no blog Bacteriófago: “Será sempre neste país uma das suas almas inquietas e um exemplo da clareza, da lucidez, da intervenção cívica oportuna e da elegante classe de um escritor, contista ou romancista”. E cita-o, com oportuna actualidade: "Vivemos numa época em cada qual fala para si mesmo na companhia de muitos outros".

João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos, homenageia o escritor reproduzindo as palavras que Vasco Pulido Valente escreveu no Público justificando previamente a prosa; «Quando um amigo morre, tanto faz que tenha sido há dez, vinte ou trinta anos. Mas Cardoso Pires morreu há dez; e não há nenhum mal em aproveitar a convenção para falar dele”. Vasco escreve e acrescenta ao que se sabe: “Antes de ele morrer, jantámos meia dúzia de vezes, com uma certa melancolia. Estava amargurado e, pior do que isso, como ele próprio insistia, estava "sozinho". O "Prémio Pessoa" ainda o consolou. Muito tarde. Ninguém como ele contribuíra para transformar o português literário, arcaico, rural e afectado, ou populista, académico e pseudo-lírico, numa língua moderna..”
Essa língua que o mundo dos blogues convoca e que não deixa passar em claro a data. Dez anos sem Cardoso Pires – mas sempre, para sempre, com o que escreveu e nos deixou.

publicado por PRD às 20:20
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