Quinta-feira, 23 de Outubro de 2008

Crédito com fundo e confuso

No meio da crise, a questão do crédito á habitação parece a que mais preocupa as pessoas, pois é nesse capitulo da economia doméstica que se encontra a fatia de leão dos débitos. O Governo tenta criar almofadas para a situação, e os consumidores tentam perceber essas almofadas. No mundo dos blogues, o tema merece atenção. No Arrastão, Pedro Sales tenta explicar e analisar:

“As famílias em dificuldades de pagar o crédito à habitação, e que recorram aos fundos imobiliários agora anunciados pelo Governo, verão a sua casa avaliada por uma comissão independente (...). A maioria (...) estará a vendê-la por um valor inferior ao do empréstimo que contraiu. Ficará a pagar uma renda com base nessa diferença, que lhe será desfavorável, e que implica uma diminuição dos seus encargos mensais (...). Este redução dos encargos é conseguida através do primeiro produto financeiro totalmente isento de impostos. (...) Todas as mais valias ficam para os bancos. Livram-se do crédito malparado (...) e ainda ganham dinheiro com as isenções fiscais (...). Para quem não tem mais um cêntimo ao fim do mês esta poderá ser a única alternativa, para todos os outros é o negócio mais ruinoso desde que os índios venderam Manhattan por 24 dólares”.

E no fim, recupera um editorial do Jornal de Negócios onde se aconselha: “Faça as contas antes de fechar negócio. O inferno tem fila à porta de financeiros americanos mas ainda lá há espaço para as boas intenções dos portugueses”.

Rodrigo Adão da Fonseca, no Insurgente, acha que vai confusão na cabeça de Pedro Sales: “Se a solução é tão ruinosa para as famílias, há sempre uma hipótese para os coitados de que o Pedro Sales fala: não venderem as suas casas ao Fundo Imobiliário, e pagarem as suas dívidas. Ou o Pedro Sales ainda queria que quem não paga o que deve, tenha benesses e batatinhas?”.

Carlos Manta Oliveira, no Blog 27, analisa a ideia e conclui: “Estes fundos são uma hiper-duração no contrato. (...) Um bom negócio? Claramente que não, é um último recurso, a evitar sempre que possível”.

No Teatro Anatómico, Manuel Jorge Marmelo, desconfia do Governo: “Suspenda-se, por um instante, aquilo a que o ministro das Finanças chama "preconceito ideológico" e imagine-se que o Governo está realmente preocupado com as famílias (...). Faça-se este exercício. Não custa nada. Mas, ainda assim, convém perguntar: se o Governo estivesse realmente preocupado com as famílias, não seria lógico estender a quem tem dificuldade para pagar as prestações do crédito à habitação os mesmo benefícios fiscais que os bancos vão receber, permitindo-lhes, por exemplo, não pagar as contribuições de que os tais fundos imobiliários estarão isentos?”.

É uma pergunta pertinente. Que de alguma forma explica a razão pela qual encontrei em pelo menos 6 blogues diferentes a reprodução na integra da ultima crónica de Ricardo Araújo Pereira na Visão. Onde ele escreve: “Vivemos tempos difíceis, e julgo que todos, sem excepção, temos de dar as mãos. Por mim, dou as mãos aos bancos. Assim que eles tirarem as mãos do meu bolso”.

publicado por PRD às 23:15
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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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