Quarta-feira, 15 de Outubro de 2008

A Trapalhada

Foi a primeira palavra que me ocorreu, mas não estava sozinho: Carlos Nunes Lopes, do 31 da Armada, também a usou: Trapalhada. Uma palavra que assenta como uma luva ao folhetim da entrega do orçamento de Estado no Parlamento, de tal forma que se fala mais do episódio do que do orçamento. No Insurgente, Bruno Alves chama-lhe “Uma avaria caída do céu”: “Com um bocadinho de “sorte”, a coisa vai demorar tanto tempo a chegar aos jornalistas que amanhã será mais um dia em que, nos jornais, a única informação acerca do Orçamento será aquela que veio da boca do Governo, ou seja, será a propaganda do Governo”

No Arrastão, Pedro Sales acha que o Governo “é muito à frente”: “É a primeira vez que o principal documento com as contas do Estado é entregue sem as contas. (...) Deve ser do choque tecnológico”.
Luís Melo, no Mudar Portugal, prefere ser proactivo e dá uma sugestão ao governo para o próximo ano: “Elaborem o documento "à mão" e façam-no chegar à turma da 4ª classe da Escola Primária Conde São Bento, em Santo Tirso”. Aí os alunos usarão o famoso Magalhães para informatizar o Orçamento: “Não será difícil para as crianças, passado um ano de atingidas pelo choque tecnológico, vai ser "canja”.

De volta ao 31 da Armada, lá está a boa piada de Rodrigo Moita de Deus depois de verificar que Teixeira dos Santos falhou duas vezes a entrega do documento: “Este é o primeiro Orçamento de Estado que ainda antes de ser apresentado já tinha duas previsões erradas”. No Corta-fitas, João Vilalobos sugere mesmo o “regresso da máquina de escrever” para obviar os problemas informáticos.

Depois do folhetim, vem o essencial, que é o orçamento propriamente dito. É fácil dar palpites, mas eu gosto de atitude de Moura Pina no blog Abrasivo: “Não me vou pronunciar sobre o orçamento. Primeiro porque não o conheço. Será que alguém conhece?”. Mesmo sem conhecer, João Miranda no Blasfémias não tem duvidas: “A coisa resume-se ao seguinte: todos os anos o Estado devora cerca de 48% da riqueza produzida em Portugal. Destes, 47.5% correspondem a despesas rígidas que nenhum governo consegue mudar. Os restantes 0.5 % é o que se discute. Mais para os pobrezinhos, menos para os bancos, mais para as PME, um bocadinho para os computadores, uma dedução para as famílias com velhinhos a cargo, uma penalização para aquele grupo de vilões ou para aquele outro comportamento vicioso. Todos os anos é a mesma coisa”. Mais ou menos o mesmo que pensa Regina Nabais no Bloco de Notas: “SE tudo estiver bem no FIM. ENTÃO estará tudo OK. SE NÃO! ENTÃO não chegámos ao FIM!” Como todos os anos, o debate começa agora. A Janela vai estar atenta mas sugere desde já uma visita a um site que reúne informação em tempo real de blogues, de jornais, de comentadores e mesmo de leitores. Exclusivamente sobre o Orçamento de Estado, autointitula-se um especial multimeios e é o primeiro exemplo do género jornalismo colaborativo. Está em

orcamentoestado2009.info/ . Vale a pena abrir aquela Janela...

publicado por PRD às 19:28
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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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