Terça-feira, 14 de Outubro de 2008

Oremos...

E finalmente os portugueses, talvez mesmo os europeus, respiraram um bocadinho – a Europa concertou-se contra a crise, blindou-se, defendeu-se. No mesmo dia em que o Governo português abriu a porta a um aval bancário generoso, os quatro principais Presidentes de Bancos – Caixa, BES, BPI e Millenium – aceitaram ir ao Prós e Contras na RTP. Rodrigo Moita de Deus no 31 da Armada anotou os factos: “Nunca se viram tantos presidentes de bancos a falar na televisão como na última semana”, “o que não pode ser boa notícia

Aparentemente, os banqueiros tranquilizaram os depositantes e o país terá adormecido mais calmo. No mundo dos blogues, no entanto, o debate é imparável: no 5 Dias, João Galamba sublinha que “o mercado parece ter gostado de ter sido corrigido pelo poder político: o PSI20 subiu mais de 10%”. Isto é à esquerda. Á direita responde Michael Seufert n’O Insurgente: “Acredito que o João Galamba apenas está a querer provocar e que é suficientemente esperto para perceber o que se está a passar, mas para não dar numa de “eu-sei-mas-não-digo“, cá vai muito rapidamente: Os governos um pouco por todo o mundo acabam de garantir que as dívidas entre bancos estão garantidas pelo dinheiro dos contribuintes. (...) Não sei exactamente do que é que o João estava à espera, mas enquanto estes dinheirinhos durarem os financeiros não devem ficar propriamente tristes. Os contribuintes acabam de entrar no mercado em força, e a comprar/garantir o que todos querem vender. A reacção é óbvia. É exactamente por isto que o estado deve ficar fora dos mercados: porque quando entra beneficia sempre um interveniente”.

No blog Aba da Causa, Vital Moreira puxa a brasa à sua sardinha e chama ao momento que vivemos “O fim de uma era”:  “Perante a grave crise (...), os apóstolos do “mercado livre” e da cruzada contra o Estado e a regulação pública deveriam “meter a viola no saco”. E deixa uma frase marcante: “O mercado mostrou as suas fraquezas. Cabe aos Estados mostrar a sua força”. Responde-lhe sem querer André Abrantes Amaral no blog O Observador: “O capitalismo financeiro tem riscos e não pode ser alimentado como foi pelas políticas monetaristas dos últimos anos. Mas é, e foi, a única forma de todos (...) vivermos melhor, bastante melhor do que se vivia há 20 anos atrás. Deitar tudo a perder por egoísmo e ignorância é obra dos estúpidos”. Para não deitar tudo a perder, a Europa tomou medidas e injectou dinheiro nos mercados, subsidiou a crise. João Miranda, no Blasfémias, não acredita em milagres: “Os planos do estado, (...) ao introduzirem liquidez artificial nos mercados, permitem que bancos sobreendividados e com activos desvalorizados prolonguem o tempo durante o qual não sofrem as consequências dos seus erros. Permite mesmo que alguns bancos continuem a cometer os mesmos erros”. Ainda assim, os governos avançam, no caso português com 20 mil milhões de euros. Escreve Miguel, No insurgente: “Caso os bancos falhem, pagaremos nós, seja em impostos ou em inflação. Julgo que o Ministro das Finanças espera que esta garantia seja suficiente para solucionar o problema. Caso contrário, como diz o Luciano Amaral, oremos…”

publicado por PRD às 19:26
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PRD

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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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