Quarta-feira, 8 de Outubro de 2008

Os valores da crise

A crise e o andar da crise são incontornáveis, e convivem em diversas frentes no mundo dos blogues, entre o que se vive em Portugal e o que o mercado internacional vai avisando.

Hoje, quarta-feira, o debate chegou à Assembleia da Republica com a presença do primeiro-ministro. No Corta-fitas, João Villalobos nota que José Sócrates tem andado “possuido por um delirante optimismo. (...) Agora, no entanto,  já percebeu que é altura para uma ligação à terra. O FMI veio dizer o que disse, a crise financeira tornou-se uma crise económica e vai daí toca a sacar do discurso de estadista”. Remata: “À oposição caberá desmantelar esta estrutura cuidadosamente montada para a percepção do «ou Sócrates ou o dilúvio»”.

Para o dilúvio tem logo solução o PCP, como sublinha no mesmo blog Duarte Calvão: “Gostei de ver o Jerónimo de Sousa a defender a nacionalização da banca e dos "sectores estratégicos". Não concordo de todo, mas admiro a clareza, tão distante do discurso de crítica sem alternativas do Bloco de Esquerda e do discurso confuso do PS moderno, subserviente aos empresários e banqueiros”.

No Vox Pop, Paulo Gorjão observa a crise pelo lado da cumplicidade: chama “um ombro amigo” às palavras recentes de Vítor Constância: “Poucos dias depois de o FMI ter anunciado as suas previsões (em queda) para Portugal, eis que surge o governador do Banco de Portugal a frisar que em 2009 cresceremos próximo da média europeia. Um spin doctor não teria feito melhor, como nota por outras palavras Vasco Campilho. Que escreve no blog com o seu nome sobre estas palavras de Constâncio: “É o regresso à convergência! Que seja necessário a Europa entrar em crise para isso acontecer importa muito pouco…”

Ontem à noite, na SIC Noticias, debatia-se a crise sob o chapéu da grande pergunta: o Capitalismo acabou? Posso encontrar uma resposta nestas palavras de Miguel Castelo Branco no blog Combustões: “as crises são provocadas pela absoluta impreparação dos operadores e accionistas em prever cenários de catástrofe, e se deles estão avisados pela experiência do capitalismo, agem sempre como se tal não existisse, como o jogador de casino que se deixa subjugar pela orgia especulativa antes de soçobrar na fatal sorte dos números”. O que resulta desta ideia é o que escreve LNT no blog Barbearia do Sr. Luís: “em altura de aperto não há liberal adepto da auto-regulação-do-mercado que não recorra ao Estado, pelo menos em pensamento”.

Fecho no blog Lóbi, onde se faz uma analogia irónica e bem humorada, no meio da tragédia, sobre e relação entre a publicidade bancária e os avisos de crise: “Reparem que o BANIF mudou o lema para “a força de acreditar”, como quem diz «vamos todos rezar, vamos?». E depois de dar uma volta pelas diversas campanhas bancárias, acaba “Mais humilde”, no Montepio, que “diz “valores que crescem consigo”. Agora começa a ser evidente que os valores crescem connosco, porque com eles está visto o resultado”.

publicado por PRD às 19:41
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1 comentário:
De ramo-grande a 22 de Outubro de 2008 às 12:30
Comentar o quê? Tem aí alguma opinião sua? CUCo!


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PRD

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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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