Segunda-feira, 6 de Outubro de 2008

Zé Carlos

A blogoesfera foi o primeiro palco do Gato Fedorento, que começou justamente por ser um blog. Depois da revelação veio a fama e a consagração, e veio também a rendição e o aplauso praticamente unânime do mundo dos blogues ao trabalho dos quatro gatos.

Mas, sabendo como é a raça, que gosta de atirar aos píncaros para depois se rir com a queda, quis acompanhar o regresso do Gato Fedorento, sob o formato Zé Carlos, na SIC, e perceber se já estávamos nessa fase de deitar abaixo. Curiosamente, o primeiro post que encontro é de um admirador do grupo, Guilherme Fonseca no blog Devaneios: “Um amigo (...) telefonou-me e disse: "Olha, queres ir assistir à gravação do programa dos Gato Fedorento? Já que és lá da comédia..." Isto sim, é um amigo. E é verdade, cheguei agora mesmo do estúdio (...) onde se gravou durante a noite o programa de amanhã! (...) Não (...) vou falar dos sketches ou qual foi a "piada mais gira", mas foi uma experiência fantástica. O único senão foi ter batido palmas durante quase 17 horas seguidas. Ganhei um enorme respeito a todas as pessoas, velhinhas e adolescentes, que aparecem em plateias de programas de televisão que precisam de palmas”. Com esta aproximação, não tardei a encontrar o clássico post do clássico português que não suporta o sucesso e à primeira oportunidade, deita abaixo. Foi Luís Rainha, no Cinco Dias: “Os Gato Fedorento ameaçam ceder à tentação de se transformarem numa espécie de bonecos do “Contra-Informação”. O nonsense torrencial dos dias do “Perfeito Anormal” sumiu-se. Em vez disso, vimos hoje umas graças e umas imitações em cima da actualidade política, de efeito garantido mas sem nada de memorável. Salvou-se no primeiro “Zé Carlos” o número musical, com impressões digitais dos Monthy Python por todo o lado”

O post diz tudo: o sucesso do Gato começa a incomodar. Luís, no blog Natureza Do Mal, vai no mesmo sentido: “depois dos Contemporâneos, depois de Nuno Lopes , os Gatos são mainstream e já não fazem sorrir”.

Curiosamente, este tipo de opinião imediatista faz lembrar o fenómeno Herman José – a ideia de que não se suporta o êxito por muito tempo e é preciso começar a desfazer a torre que se fez. Mesmo quem elogia, elogia no condicional, como sucede com Nuno Dias da Silva no blog Civilização do Espectáculo: “Considerando a erosão da imagem sofrida com a maçadora campanha do MEO, a rentrée dos Gato Fedorento, agora na SIC, não tendo sido brilhante, foi simpática. Parafraseando a rubrica «Tumba», que substitui os «Tesourinhos Deprimentes», assistimos a «momentos de relativa boa disposição». O Governo foi visado por três vezes, enquanto a líder da oposição apenas uma. No sketch sobre o «Magalhães», associar o Primeiro-Ministro a um «funcionário da Vobis» é algo de mortal em termos de opinião pública. Aguardemos cenas dos próximos «Zé Carlos»”.

Por mim, espero que os Fedorentos Zé Carlos persistam no seu humor e no seu estilo. No mundo dos blogues notei mais silêncio do que entusiasmo, mais prudência do que bloggers a erguerem a bandeira. Veremos as cenas dos próximos capítulos...

publicado por PRD às 19:36
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1 comentário:
De ramo-grande a 22 de Outubro de 2008 às 12:12
VOCÊ RI PARA QUEM? DISSERAM-LHE QUE FICAVA MAIS BONITO? GUARDE LÁ ISSO PARA A DEPUTADA SE POR ACASO ELA AINDA NÃO APANHOU ALGUM TORCÍCULO DE OLHAR A INFRAESTRUTURA


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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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