Quarta-feira, 1 de Outubro de 2008

Crash

E voltamos ao tema do momento, a crise dos mercados financeiros. Leio no blog Geração Rasca, pela mão de Carlos Malmoro, a palavra chave: Crash... “Ninguém quer falar na palavra. Parece que pode piorar o estado «psicológico» dos agentes económicos. (...) Assuma-se o que se passou hoje, os buracos que existem. Enquanto (...) não desinfectarem os mercados da imundice, isto continuará num poço sem fundo e os agentes económicos não ganharão um pouco de confiança. E a sensação é que a economia continua alegremente a caminhar e a enterrar-se nas areias movediças do deus mercado”. É esta imagem que temos, é esta imagem que passa, ainda que haja sempre vozes, como a de Luís Naves no Corta-fitas, a aliviar carga: “A crise deve ser colocada na sua verdadeira dimensão. Está longe de ser o fim do capitalismo e não passa de uma das suas convulsões regulares”.

Curiosamente, as soluções para crise desencadearam um debate mais vasto e interessante sobre o estado da economia, a esquerda e a direita. Há quem diga, por exemplo, que o Plano Paulson, do governo republicano, é afinal socialista... Henrique Raposo no blog Atlântico não concorda e segue Pedro Lains: “Já se percebeu que o tradicional (e irracional) debate esquerda-direita já atacou a avaliação do plano (...). Meus caros, o plano não é socialismo, nem keynesianismo. É economia de mercado no seu melhor, sofisticada e descomplexada. O plano é impopular porque os banqueiros são e sempre serão impopulares, e ainda mais os "especuladores”. Entretanto o plano Paulson foi chumbado, hoje volta a ser debatido e votado: Fernando Martins, no Cachimbo de Magritte, sublinha, com razão, “que ninguém sabe muito bem se o dito Plano, caso (...) venha ainda (...) a ser posto em prática, é capaz de resolver a crise financeira”. João Abel Freitas, no Puxa Palavra, recorda o dito popular Deus escreve direito por linhas tortas: “O plano Paulson equivale a "um entusiasmo" para que, de futuro, se pratiquem os mesmos disparates e outros planos Paulson venham a ser necessários”. E mais á frente escreve: “O Estado tem de intervir, mas tem de interromper, de uma vez por todas, o ciclo de favorecimento aos infractores. Ora, este plano americano era um chapéu de protecção aos infractores: retirava os "activos tóxicos" das empresas e dáva-lhes a febra para continuarem a fazer mais do mesmo”. Pedro Santana Lopes parece concordar no seu blog: “Qualquer Plano a aprovar tem de deixar bem claro (...) que tem mais de regenerador do que de panaceia”.

Fecho a Janela num outro patamar de reflexão. Encontro no blog de José Saramago, o Caderno de Saramago, um texto sobre esperanças e utopias. E leio assim: “Dantes, ao pobre de pedir a quem se tinha acabado de negar a esmola, acrescentava-se hipocritamente que “tivesse paciência”. Penso que, na prática, aconselhar alguém a que tenha esperança não é muito diferente de aconselhá-la a ter paciência. (...) Obviamente, nada tenho de pessoal contra a esperança, mas prefiro a impaciência. Já é tempo de que ela se note no mundo para que alguma coisa aprendam aqueles que preferem que nos alimentemos de esperanças. Ou de utopias”.

publicado por PRD às 18:48
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PRD

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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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