Terça-feira, 30 de Setembro de 2008

Olhos azuis...

Era uma morte esperada, nem por isso deixa de comover e convocar o universo dos blogues: Paul Newman deixa-nos aos 83 anos, foi no fim de semana, mas continuam a cair frases, ideias, homenagens, que vale a pena recuperar nesta crónica quem até tem nome de filme

Pedro Correia, no Corta-Fitas, descreve o ambiente que encontrou na redacção do jornal onde trabalha: “De súbito, escuto uma espécie de lamento colectivo na redacção: as mulheres suspiram num sussurro magoado. Chego a pensar que José Sócrates está em queda abrupta nas sondagens. Mas não é isso: morreu Paul Newman. Os olhos mais azuis da história do cinema, como sublinha o obituário do El Mundo. As mulheres podem suspirar, mas os homens também o admiram: “Há actores extraordinários que parecem umas esfregonas, há gajos com pinta que não são nem nunca serão dignos de serem chamados de actores, pelo meio há uma espécie de deuses e Paul Newman era um deles”, escreve , Afonso Azevedo Neves no Atlântico. Pedro Santana Lopes, no blog com o seu nome; diz que “para além de actor marcante, uma personalidade que merece muita consideração nas suas várias facetas. Um Homem fiel a si mesmo e aos que amou. O Homem que os outros homens aceitavam, e aceitam, que receba os maiores elogios das mulheres. Contra factos não há argumentos”. Nuno Aires Duro no blog Iluminatux Lex, recorda o epitáfio que o actor adivinhou para si próprio: "Estou mesmo (...): Aqui jaz Paul Newman, que morreu porque os olhos se tornaram castanhos". Diz Nuno: “A sua profecia não se confirmou. O seu talento estava muito para além dos seus olhos azuis. Foi mais um ícone, ou talvez, o Ícone”.

No blog Sound and Vision encontro o texto que João Lopes aqui para o rádio: “Era uma notícia esperada — mas é uma notícia inevitavelmente, irremediavelmente triste. De facto, sentimos que desapareceu um dos monstros sagrados da mais nobre tradição de Hollywood: um grande actor, também um grande cineasta e uma figura pública sempre empenhada na defesa da dignidade humana”.

Esse lado politico de Paul Newman é também sublinhado por Tomás Vasques no Hoje há Conquilhas: “um cidadão empenhado e atento, envolvendo-se em muitas causas humanitárias. O seu apoio a McCarthy, nas presidenciais americanas de 1968, valeu-lhe um ódio de estimação de Nixon, o que considerou a maior honra da sua vida”.

É fácil, percorrendo a blogoesfera, encontrar muitas faces da mesma face, conforme quem a vê. Paul Newman permite esse olhar, até quando se pensa que morreu na sequência de um cancro pulmonar que o fez sofrer muito nos últimos anos. Talvez por isso, a frase de Leonor Barros no blog Geração Rasca seja outra forma de pensar a noticia: “Quando a morte é libertação”. Porque, na verdade, João Tunes tem razão no Água Lisa: “Permanecendo o perfume de representação de um dos grandes actores do cinema que apetecia ver”. E assim sendo, a morte não é mais do que a fixação de uma qualquer eternidade.

publicado por PRD às 18:45
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PRD

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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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