Quinta-feira, 18 de Setembro de 2008

O custo dos preços

Por mais que haja explicações, a maioria não as entende ou não as quer ouvir – resultado: toda a gente se queixa dos preços dos combustíveis. Um blog ao acaso, o “Simplesmente Manuela”, para ouvir a voz do cidadão comum: “A BP subiu o preço da gasolina em um cêntimo, esta quarta-feira de manhã. A gasolineira baixou o litro do gasóleo em um cêntimo. (...) No mercado de Londres o preço do barril caiu na terça-feira abaixo dos 90 dólares (...). Estão é todos no gozo com o pessoal, isso sim”. No Atenta Inquietude, Zé Morgado também faz contas: no preço do petróleo, “a queda já vai em 38% e a gasolina apenas baixou 4,4%. O Presidente da GALP, Ferreira de Oliveira, já explicou que “a relação entre o preço do petróleo e dos combustíveis, não é directa nem óbvia”. Nós já percebemos Sr. Engenheiro, sobretudo quando se trata de descer preços na venda ao público”. Gonçalo Coelho, no blog Amigos do Alheio acha que “As petrolíferas portuguesas andam a abusar. Todas as semanas têm uma razão, um trunfo qualquer na manga para evitar descer os preços e inclusivamente subi-los como acontece hoje”. No Blasfémias, João Miranda tenta, com quadros e tudo, explicar esta relação difícil entre o preço do barril e o preço ali na bomba da esquina: “Portugal segue os preços da gasolina nos mercados internacionais e não o preço do petróleo. (...) O queixume que tanto se ouve de que o preço da gasolina não segue o preço do petróleo não faz sentido nenhum. Não segue, nem tem que seguir. Gasolina e petróleo são produtos diferentes com procuras diferentes e logo variações de preço diferentes.”

Mas é difícil convencer o consumidor, que vê nestas diferenças o que Bibt vê no blog Papagaio Falante: “Quando é para aumentar é na hora, mas quando é para baixar é preciso esperar pela media dos preços da semana…Isto é uma das consequência da liberalização em Portugal e para variar quem se lixa é o povo...”

No Vox Pop, Paulo Gorjão vê mais longe a politica dos preços e do poder: “Não deixa de ser interessante de observar o jogo do empurra que está em curso a propósito dos preços dos combustíveis. Um autêntico jogo de espelhos em que as aparências iludem. Nalguns aspectos parece-me muito pouco sério e carregado de demagogia”.

Ora, por falar em demagogia vem André Azevedo Alves no Insurgente lembrar que o “Bloco de Esquerda propõe “controlo” do preço dos combustíveis”, “Apostando na iliteracia económica de amplos sectores do eleitorado e dos media”, num apelo “ao anti-capitalismo mais primário”. Na mesma linha, vem então a Deco dizer que está a estudar uma Jornada de protesto contra os preços dos combustíveis. Eduardo Graça, no blog Absorto, alinha e diz “Vamos a isso!”, e Tomáz Vasques, no Hoje à Conquilhas, assina por baixo. Mas no meio de tanta desinformação, e mesmo depois das explicações dos entendidos, acabo por dar razão ao anónimo que, numa caixa de comentários do blog Atenta Inquietude, escreve: “Como me ensinaram na faculdade a economia é uma caixa negra, sabemos o que lá pomos e sabemos o que sai de lá , mas não sabemos o que se passa lá dentro”.

publicado por PRD às 19:17
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1 comentário:
De C. Medina Ribeiro a 26 de Setembro de 2008 às 19:10
Tudo isto é conversa de curto prazo - que até se compreende na boca do Zé Pagante.

Mas esperava mais de quem nos governa, nomeadamente: o que é que está a ser feito para preparar o país para a era do petróleo caro - pois a do barato acabou há muito?

Onde estão os exemplos, por parte da autarcas, governantes e políticos em geral no uso dos transportes públicos (para já não falar em bicicletas e "sapatos")?


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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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