Quarta-feira, 17 de Setembro de 2008

Crise, a crise

Inevitável olhar a crise financeira internacional e as recentes falências nos grandes colossos norte-americanos através dos blogues nacionais, podemos começar por esta ligação irónica de João Pinto e Castro no blogexisto: “o mundo respirou de alívio ao constatar que, afinal o arranque do acelerador de partículas não determinara a absorção do Universo por um buraco negro. Após a falência do Lehman Brothers, assaltou-me uma dúvida : será que, afinal, não fomos mesmo engolidos?”.

Mais a sério, Henrique Burnay no 31 da Armada nota que “não se pode defender o capitalismo sem dor. Não existe.” Daniel Oliveira responde-lhe directamente no renovado Arrastão mas recorda que há dores que o estado cura: “Tudo é natural e é só deixar as coisas andar. Claro que ajuda se de vez em vez o Estado bancar o prejuízo para não ruir tudo à volta, mas isso são pormenores”. No Blasfémias, João Miranda escreve: “Vale a pena lembrar que a crise do subprime foi criada pelo crédito barato criado pelos bancos centrais, que por sua vez foi uma resposta que os bancos centrais encontraram para a crise das dot-com (...). Os bancos centrais são … autoridades reguladoras com poderes públicos”. Já hoje, o mesmo João Miranda importa a análise para Portugal: “A crise em Portugal nada tem a ver com a crise financeira internacional. Mas é uma boa desculpa. Curiosamente, é um boa desculpa para governo e oposição. Desistiram todos”.

Volto aos Estados Unidos com Luciano Amaral no Gato de Cheshire: “As falências são aquilo que permite ao capitalismo duas coisas: uma, obrigar as empresas a fazer melhor; quem não melhora (...) sai de cena; outra, introduzir uma certa moralidade no sistema: um sistema que fosse só despedimentos e flexibilização laboral e não punisse empresários ou gestores pelos seus erros não mereceria efectivamente o apoio de ninguém a não ser dos interessados”. André Azevedo Alves, no Insurgente, segue o raciocínio: “se há algo que distingue o capitalismo do socialismo é que no socialismo não há falências”. E no mesmo blog, Michael Seufert completa: “Uma falência não é uma tragédia. Significa que alguém tentou e não conseguiu. As falências são sintoma de liberdade económica. E servem para mostrar que há recursos mal alocados, que vão, pois, ser aproveitados doutra forma”.

No blog com o seu nome, Pedro Santana Lopes deixa apenas um conselho: “É altura, isso sim, e como sempre, para se procurar agir e reagir com serenidade”.

Não é fácil a serenidade quando o dinheiro se esfuma em três tempos. Nem por acaso, os posts de JCS no blog Lóbi sobre este tema têm sempre o mesmo titulo genérico: “Donas Brancas Desesperadas”. Por fim, aterro no blog Jumento, onde se escreve que “De certa forma a crise financeira (...) é um castigo merecido”: “Os mercados dão-se muito mal com a mentira”.

publicado por PRD às 19:15
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PRD

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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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