Quinta-feira, 4 de Setembro de 2008

ASAE "ataca" na AR

E hoje é mais para rir – pelo menos julgo que ninguém terá deixado de sorrir com a notícia que dizia que a ASAE tinha fechado, enfim, o refeitório do Parlamento...

Primeiro, a gente ri. Depois o mundo dos blogues comenta... “Com que então tínhamos um caso de “Em casa de ferreiro, espeto de pau”?”, pergunta o Blog Ondas 3. Vem de seguida o “Ensaio Geral” e remata: “Sim, está bem, mas o que a ASAE havia de ver era o estado em que está a Assembleia”. Pinto Ribeiro, no blog Suck and Smile, carrega mais ainda na ironia e pede à ASAE trabalho afincado na assembleia: “Pena os verdadeiros ratos não poderem ser exterminados”, conclui. Anakin, no Anis’blog, redobra o olhar critico: ”Ao que parece a cantina do parlamento estava ao nível dos deputados ... de rastos” Mas acaba por aceitar o que se passou: “A ASAE presta um serviço público muito importante ao fiscalizar os estabelecimentos (...) defendendo os interesses dos clientes. (...) Se todos nós somos fiscalizados, porque não o próprio governo?”

Mais sério e rigoroso, lendo a noticia com atenção, Tomás Vasques olha o tema de outra perspectiva no seu “Hoje Há Conquilhas”: “A ASAE, quando fiscaliza um restaurante ou qualquer outra casa de «comes e bebes» e detecta «desconformidades com a lei», determina o encerramento imediato até à vistoria que confirme que foram realizadas as obras propostas. O restaurante da Assembleia da República encerra agora, por dois meses, como resultado de uma acção inspectiva da ASAE realizada há dois anos. Não se entende a diferença de critérios, nem os deputados são menos dignos do que os demais cidadãos para que sejam obrigados a almoços confeccionados sem observância das regras de higiene. A lei quando nasce é para todos”.

Por isso mesmo, JN no “Notas ao Café” escreve: “Qualquer outro restaurante ou afim seria de imediato encerrado para a protecção do cliente, mas o do parlamento não o foi. Podia-se até pensar que a ASAE não considera todos os cidadão iguais perante a Lei, mas tal não deve ser o caso; afinal a dualidade de critérios perante a lei é inaceitável”. Leio ainda Jorge Ferreira no Tomar Partido: “O refeitório do Parlamento vai fechar na sequência de recomendações feitas pela ASAE há dois anos. Ora aí está uma tolerância que todos os restaurantes gostariam de ter por parte da ASAE: dois anos para corrigir as deficiências detectadas. Mas não. Quando são particulares com falhas a ASAE fecha o estabelecimento e pronto. Ou seja: a ASAE é um festival de violações do artigo 13º da Constituição que diz que todos os cidadãos são iguais perante a lei”. As perguntas ficam no ar...

Na verdade, toda esta conversa acaba por dar razão a Waldorf no Blog dos Marretas, que chama a esta acção de Asae uma “Oportunidade Perdida”: “Fechavam toda a Assembleia e a imagem pública da ASAE melhorava imediatamente”.

publicado por PRD às 19:30
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1 comentário:
De Bernardo Rosmaninho a 9 de Setembro de 2008 às 22:47
É uma pena que estas diferenças no tratamento não só subsistam como sejam prática corrente por parte do Estado na sua relação com os privados e, por vezes, como foi o caso, por comparação entre o tratamento dado a privados e ao próprio Estado, aqui representado pela AR.

Não obstante, ainda bem que a ASAE inspeccionou o refeitório da Assembleia da República. Não porque este seja o principal elemento no edifício a requerer uma valente fiscalização, mas sim porque o caminho que a ASAE tem que percorrer se quer oferecer algum tipo de credibilidade e critério de actuação aos portugueses passa por mostrar que existe igualdade no sua conduta... algo que faltou aqui.

Pelo menos lá ficamos a saber que, de 2 em 2 anos, alguém se lembra de ver em que condições é as pessoas na AR comem.


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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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