Terça-feira, 26 de Agosto de 2008

Regresso ao Chiado

A semana começou com a memória, a saudade e um nome: Chiado. O incêndio do Chiado fez 20 anos, o “dia em que uma certa Lisboa acabou”, como escreveu André Abrantes Amaral no Insurgente.

Duas décadas passadas, há feridas por sarar e polémicas entreabertas: o arquitecto Siza Vieira lamentava no Púbico os preços do metro quadrado no Chiado, as rendas caríssimas só ao alcance de alguns – e Lourenço, no blog Complexidade e Contradição, não percebia a critica e respondeu: “Os «meios jurídicos de controlo das rendas» foi o que nos trouxe até este estado de degradação generalizado, e que potenciou o incêndio do Chiado. Ser comunista não pode ser desculpa para não se aprender com os erros. (...) O Chiado é talvez a área mais bonita de Lisboa. Por isso, é a mais procurada. Por isso, é a mais cara. (...) E é assim que deve ser”.

O fotógrafo Luiz Carvalho tem com o Chiado uma relação próxima e conta no seu blog, Instante Fatal, como há 20 anos acordou, e foi a correr fotografar o fogo: “Subi a Rua Garrett, sem saber para onde me virar, sem saber o que fotografar. Tudo ardia. (...) A confusão era total. À minha frente via arder um património que sempre foi a minha referência lisboeta. Onde passei anos a estudar a caminho das belas-artes e a conviver com amigos”.

Faz depois o balanço pessoal: “O Chiado esteve paralisado mais de 10 anos, entaipado, adiado. Só há pouco tempo renasceu e com pujança. Embora o projecto de Siza seja um absurdo que não contemplou estacionamentos para os novos habitantes, nem zonas de comércio, nem escolas”. Mas, reconhece, “Com todas as limitações o Chiado, graças aos parques de estacionamento mandados fazer por João Soares, é hoje uma zona acessível, cara, mas de um fascínio urbano único. É a das zonas do Mundo que mais gosto”.

Testemunhos destes multiplicam-se na blogoesfera – mas é no meio desta floresta que encontro o depoimento de Pedro Santana Lopes no blog com o seu nome:

“O grande balanço que, no dia de hoje, e nos próximos dias, deve ser feito sobre o Chiado é: SABER-SE O QUE FOI FEITO, DURANTE ESTES VINTE ANOS, DESDE O INCÊNDIO. E, em sequência, analisar-se o que se está a fazer, neste momento, e o que vai ser feito nos próximos tempos. Tudo o resto é conversa, conversa, que todos os anos é feita. Passam as imagens e os sons do incêndio, ouvem quem vive na zona ou estava por perto, lembra-se, devidamente, quem mais sofreu, passa-se a imprensa estrangeira da época, mas... E obra? Grémio Literário, Rádio Renascença, Círculo Eça de Queirós, Edifício Leonel (com o Elevador de Santa Justa), entre tantos outros, são capazes de ter uma ideia. OBRA, GESTÃO DOS DINHEIROS PÚBLICOS afectos à reabilitação do Chiado. Quem usou e como usou? QUANTA OBRA? ESSE È O GRANDE BALANÇO. ESSA È A OBRIGAÇÃO, PARA COM LISBOA E PARA COM PORTUGAL”.

Santana Lopes tem razão – mas no tempo em que foi Presidente da Câmara esse balanço também não foi feito. É mais fácil falar quando se está de fora – mas essa ideia é, afinal, um pouco a própria ideia subjacente ao mundo dos blogues...

publicado por PRD às 14:32
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Estes textos são escritos para serem “falados”, ou “lidos”, pelo que não só têm algumas marca de oralidade (evidentemente, propositadas...) como é meu hábito improvisar um pouco “em cima deles” no momento em que gravo a rubrica. Também é relevante dizer que, dado tratar-se de uma “revista de blog’s” – e uma vez que os blog’s não se preocupam com a oralidade ou com a eventual citação lida dos seus textos -, tomo a liberdade de editar minimamente os textos que selecciono. Faço-o apenas para que, em rádio, não se perca a ideia do blogger pelo facto de escrever frases longas e muito entrecortadas. Da mesma forma, não reproduzo palavrões nem frases pessoalmente ofensivas, assim como evito acusações cuja possibilidade de prova é diminuta ou inexistente. Sendo uma humilde crónica de rádio, tinha ainda assim de ter alguns princípios. São estes. Quem tiver razão de queixa, não hesite!

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